quarta-feira, 30 de novembro de 2016

DOUGLAS APRATTO TENÓRIO

DOUGLAS APRATTO TENÓRIO
Clerisvaldo B. Chagas, 01 de dezembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.600

Professor e historiador Douglas Apratto. Foto: (Ailton Cruz)
Infelizmente não pude comparecer ao evento cultural acontecido no Instituto Histórico e Geográfico. Querendo conversar com o meu ex-professor Douglas Apratto Tenório, dos velhos tempos do Colégio Guido de Fontgaland, terminei por perder a grande oportunidade em revê-lo. Tive o privilégio de ser o seu aluno numa situação em que precisava evoluir com boas aulas. Lembro bem do tema das suas últimas apresentações na minha turma que foi sobre a Antártida. Apesar da minha voracidade em leitura geográfica, aprendi coisas sobre o Continente Gelado à luz do professor.
Saindo para outro colégio, perdi de vista o excelente mestre até que o descobri fazendo a história alagoana no papel.
Em um dia cheio de tantas notícias péssimas no Brasil, quase que o lançamento da obra “Imago Controversa” passa ao largo da mídia estadual. Não é por ter perdido o lançamento que deixarei de adquirir o livro do professor que esbanja segurança e conhecimento como sempre fez diante dos seus alunos.
(...) “No livro Imago Controversa: A emancipação de Alagoas, o professor e historiador Douglas Apratto Tenório exerce todo o seu poder de expressão e conhecimento para defender uma ideia: a de que Alagoas sempre teve condições econômicas, políticas e sociais de se emancipar. Na obra, palestras, convenções e reflexões que o vice-reitor do Centro Universitário Cesmac compilou em homenagem aos 200 anos de Maceió. “Ano que vem comemoraremos o bicentenário do Estado, um marco fundamental que, infelizmente, ainda está envolto em uma polêmica” (...).
Estamos vivendo uma época em que a leitura parece ser valor em extinção. Não somente a leitura, mas pessoas dedicadas à cultura numa magnitude estelar semelhante ao meu velho mestre professor e historiador Douglas Apratto Tenório.














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terça-feira, 29 de novembro de 2016

O AVANÇO DAS ARMAS

O AVANÇO DAS ARMAS
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.599

Foto divulgação.
Não fosse a tragédia que se abateu contra a Chapecoense que levou um jogador alagoano, poderíamos dizer que foi ótima a notícia sobre economia em Alagoas. Estamos falando apenas de uma notícia específica que foi o anúncio da implantação de mais uma fábrica no estado. Para os padrões desta terra, até que a indústria apontada é fato esquisito. Mesmo sendo pacifista, não se pode ser ingênuo e contra o negócio proposto. Trata-se de uma fábrica de armas, estrangeira, procurando se instalar por essas bandas. Aproveitando a cadeia do plástico que tem atraído outros empreendimentos, os fabricantes de armas também escolheram Alagoas para utilização desse material em grande percentagem do fabrico.
Uma empreitada dessa natureza faz com que outras fábricas afins também venham mais tarde fazer parte do futuro cinturão do fogo. Geração de empregos e renda, circulação do vil metal em todas as camadas sociais, são as coisas mínimas que se esperam dos grandes investimentos. O que faz pena é que as fábricas que vão chegando para o estado não sobem para o Sertão. Mas, de qualquer maneira é melhor que seja em Alagoas de que em outro estado vizinho. Bom seria que grandes fontes de energia limpa dessem conta dos parques industriais, como a eólica e a energia solar.  
O estado de Alagoas já foi rico e filé do Nordeste. Poderia ter sido e ainda poderá ser a pequena Califórnia do Brasil, dependendo apenas do grau de comprometimento de mais de uma geração de seus dirigentes.
Caso façamos um balanço do estado na Agropecuária, Indústria e Serviços, iremos notar significativos avanços em todos os setores. É preciso, porém, não baixar a guarda em nenhum setor sob pena de alongar muito mais a espera do desenvolvimento total. Revendo o PIB de 2014, vimos como a atenção que foi dada ao abacaxi, ao coco- da-baía e a laranja foram de grande valia nas contas de final de ano. Ora, se esses produtos simples da Agricultura foram tão importantes no PIB, imaginemos todos os outros olhados com eficiência e carinho pelos governantes.
Não cabem aqui mais detalhes sobre a fábrica de armas que virá, até porque muita coisa não foi dita, contudo, deixem que venha canhão, metralhadora, revólver, granada... Ora, ora, ora... Queremos empregos para os alagoanos.




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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A CARNE É FRACA

A CARNE É FRACA
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.598


Arredores de matadouro.
É óbvio se dizer que o anúncio do governo estadual sobre construções de matadouros foi bom, muito bom, excelente.
A notícia é que será construído um matadouro em Matriz de Camaragibe, Região Norte, com capacidade de abate de 100 animais por dia no que será frigorífico público. O referido matadouro atenderá, segundo o comunicado, aos municípios de Paripueira, Barra de Santo Antônio, São Luiz de Quitunde, Porto Calvo, Matriz de Camaragibe, Jacuípe, Japaratinga, Maragogi, entre outros.
Nada demais lembrar que dois novos matadouros regionais estão em fase final de conclusão, o de Viçosa e de Murici.
Ainda se noticia que o governo estadual pretende construir matadouros em Santana do Ipanema, União dos Palmares e Penedo.
Diante do que vimos ficamos sem saber por que os marchantes, como os de Santana do Ipanema, por exemplo, que são mais de duzentos, não se uniram para a construção do frigorífico. Tantos homens esperando apenas o dinheiro do governo para o trabalho. Sem liderança, sem união, cada qual puxando o naco maior do lucro para si e o povo sabendo de todo tipo de carne, até reses cancerosas que procuram vaga no descuido da vigilância.
Os matadouros de quase todas as cidades de Alagoas recordam os tempos medievais. Não são matadouros, são “matanças” onde a podridão domina o núcleo e a periferia das machadadas. Muitas pessoas que visitam esses lugares chegam a vomitar e abandonam o consumo de carne bovina desses antros. Alguns deles foram fechados, mas o jeitinho político da imundície fez reabrir alguns, levando até à mesa a ignomínia que o povo come.
Essas “matanças”, sem as mínimas condições de higiene, são semelhantes às fabriquetas de queijo que de vez em quando são fechadas e perdem toneladas do produto com moscas para a Vigilância.
Dentro do século XXI com os pés no século XV, a mentalidade humana é pior do que a dos bichos. “Morra quem quiser, deixando o lucro é o que vale”, pensam muitos assim. Quando faltam gatos, os ratos tomam conta. Bem que o governo, nesse caso, vai ao rumo certo, mas se depois das construções não houver rigor na vigilância, o população voltará ao prato de ontem.












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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A MORTE DAS ESTAÇÕES


A MORTE DAS ESTAÇÕES
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.597
Estação Ferroviária de Lagoa da Canoa em 2014. (Divulgação).
     Morreu a esperança de quem partia, secaram as lágrimas de quem ficava. Desapareceu o romantismo ingênuo. Sumiu o longínquo apito do trem. As afirmações da laranja doce, o grito da tapioca quentinha fugiram com a fumaça do cavalo de ferro.
     A via férrea alagoana que tanto ajudou no progresso estadual teve início muito cedo e saiu marcando o norte e o vale do Paraíba do Meio. Levando e trazendo mercadorias, marcando territórios na vida das pujantes lavouras em terras férteis, descobria montes, fundava estações. De palmo em palmo, de cidade em cidade, a linha parecia representar um porvir de glórias e riquezas nas terras dos marechais. E a conquista dura chegava a Viçosa, Paulo Jacinto, Quebrangulo e finalmente descia o Planalto do Cristalino para degustar a pinha doce da Princesa Palmeira.
     Enquanto a Sertão ansioso aguardava também o abraço do trem, o cavalo virava-se para o sul ganhando os tabuleiros rebaixados do Agreste, correndo cabeça abaixo rumo ao rio São Francisco. Resfolegante da longa viagem iniciada em Maceió, chega o trem às margens do Velho Chico apitando forte em Porto Real do Colégio.
     E as pesquisas geográficas levantam-se aqui e choram ali diante do quadro atual das antigas, simpáticas, idílicas e fraternas cúmplices estações ferroviárias. Suspensas às viagens, ferrugens nas linhas, abandono nos prédios, refúgio de almas penadas. Poucas estações foram vistas com bons olhos pelas autoridades. Algumas, recuperadas e descaracterizadas transformaram-se em museus, bibliotecas... Residências. Outras, tangidas pela ignorância, o desprezo e a falta de coração, deixaram cair o teto, crescer o mato, abrigar formigas, cupins e fantasmas. 
    O destino das nossas antigas estações ferroviárias, é semelhante ao destino das também nossas lagoas interiores cansadas de uma luta inglória contra a tendência aniquiladora do bicho homem. Pesquisador sério nos estados nordestinos não anda somente com máquina fotográfica e caderno de anotações. Mas também com lenço quilométrico, igual ao do pescoço de Lampião, pois a qualquer momento pode se deparar com cenários exigentes de fontes lacrimais. 
       
     




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A MORTE DAS ESTAÇÕES


A MORTE DAS ESTAÇÕES
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.597
Estação Ferroviária de Lagoa da Canoa em 2014. (Divulgação).
     Morreu a esperança de quem partia, secaram as lágrimas de quem ficava. Desapareceu o romantismo ingênuo. Sumiu o longínquo apito do trem. As afirmações da laranja doce, o grito da tapioca quentinha fugiram com a fumaça do cavalo de ferro.
     A via férrea alagoana que tanto ajudou no progresso estadual teve início muito cedo e saiu marcando o norte e o vale do Paraíba do Meio. Levando e trazendo mercadorias, marcando territórios na vida das pujantes lavouras em terras férteis, descobria montes, fundava estações. De palmo em palmo, de cidade em cidade, a linha parecia representar um porvir de glórias e riquezas nas terras dos marechais. E a conquista dura chegava a Viçosa, Paulo Jacinto, Quebrangulo e finalmente descia o Planalto do Cristalino para degustar a pinha doce da Princesa Palmeira.
     Enquanto a Sertão ansioso aguardava também o abraço do trem, o cavalo virava-se para o sul ganhando os tabuleiros rebaixados do Agreste, correndo cabeça abaixo rumo ao rio São Francisco. Resfolegante da longa viagem iniciada em Maceió, chega o trem às margens do Velho Chico apitando forte em Porto Real do Colégio.
     E as pesquisas geográficas levantam-se aqui e choram ali diante do quadro atual das antigas, simpáticas, idílicas e fraternas cúmplices estações ferroviárias. Suspensas às viagens, ferrugens nas linhas, abandono nos prédios, refúgio de almas penadas. Poucas estações foram vistas com bons olhos pelas autoridades. Algumas, recuperadas e descaracterizadas transformaram-se em museus, bibliotecas... Residências. Outras, tangidas pela ignorância, o desprezo e a falta de coração, deixaram cair o teto, crescer o mato, abrigar formigas, cupins e fantasmas. 
    O destino das nossas antigas estações ferroviárias, é semelhante ao destino das também nossas lagoas interiores cansadas de uma luta inglória contra a tendência aniquiladora do bicho homem. Pesquisador sério nos estados nordestinos não anda somente com máquina fotográfica e caderno de anotações. Mas também com lenço quilométrico, igual ao do pescoço de Lampião, pois a qualquer momento pode se deparar com cenários exigentes de fontes lacrimais. 
       
     




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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

PROCURA-SE UM OTÁRIO

PROCURA-SE UM OTÁRIO
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.596

Ilustração (dreamstime)
Da Escola Lions para cima, ninguém ousava caminhar a partir das vinte horas. Era a tal bandidagem marcando território e surpreendendo transeuntes no Bairro Floresta. Um padeiro, meu aluno na escola citada, quase sempre dormia durante as aulas. Sua faina que iniciava às cinco da manhã, não permitia chegar à escola noturna sem o cochilo reparador.  Com as aulas para adultos mães e pais de família, nunca deixei de reforçar o ânimo, as notas e os interesses dos mais abnegados. O padeiro, encerrada as aulas e o cochilo, teria que subir a colina do perigo em torno das vinte e duas horas. Santana do Ipanema, onde os marginais cobravam pedágio em suas zonas, não tinha muito sossego na periferia.
Ao terminar uma das aulas, o padeiro foi acuado a caminho de casa por dois bandidinhos que comentavam na moita: “Lá vem um otário”. Com o pulo de ambos diante do trabalhador gritando: “É um assalto!” O padeiro não se intimidou e fez alumiar uma peixeira nova de dez polegadas que acionou velocidade na fuga dos dois cabras.

xxx

Visitando em viagens de recreio várias cidades ribeirinhas, em Alagoas, jamais durante muitos e muitos anos vi uma placa informativa de perigo e nem tipo algum de salva-vidas.  Essa é a tradição no Velho Chico, cidades e povoados completamente esquecidos do poder público. Uma pobreza de fazer dó! Ninguém sabe quantos já morreram afogados naquelas águas, sendo a imprudência sempre apontada e conduzindo a culpa. Jamais tive conhecimento de que se acusasse alguém pela morte por afogamento do estudante, da criança, do turista... De um  qualquer.
Eis que de repente, um ator famoso em evidência, convida uma atriz colega, vão para um lugar deserto e perigoso do rio, a sós. Acontece à tragédia, morre o homem afogado. Sob pressão da empregadora, PROCURA-SE UM OTÁRIO que pode ser o prefeito da cidade, um canoeiro, um vigia ou outra vítima qualquer porque não podem acusar a Sereia e nem o Nego d’Água. Mas encontraram o OTÁRIO. Dilmas Roque, Secretário de Turismo foi acusado pela promotoria de Canindé de São Francisco pela morte do ator Domingos Montagner.  Isso é coisa para o riso de quase meia hora se não fosse uma coisa tão ridícula.  Que subserviência!... Por que  a promotoria não acusou a ela mesma, promotoria, por não haver placa indicativa de perigo no rio, antes da tragédia?
Finalmente encontraram não só o OTÁRIO, mas também um BOBO DA CORTE fora da realidade. É Brasil,  Mané.




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terça-feira, 22 de novembro de 2016


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FESTA DO LEITE

FESTA DO LEITE
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.595

Trevo em Cacimbinhas. Ilustração (alagoas24horas).
A Festa do Leite, em Major Isidoro, vai começar na próxima quinta-feira, seguindo até o sábado, dia 26. Esta será a 90 edição agropecuária de sucesso em Major. Denominada antes, Sertãozinho, a cidade é localizada no Médio Sertão de Alagoas entre Cacimbinhas e Batalha. Com antiga vocação para a criação de gado, Major Isidoro forma junto a Batalha e Jacaré dos Homens, o triângulo forte entre todos os componentes da chamada Bacia Leiteira alagoana. É uma cidade pequena, limpa e apaixonante que também vive do milho, feijão e algodão herbáceo.
Devido a sua intensa e selecionada criação bovina à base do nelore, holandês e guzerá, é chamada “Capital do Leite” e muitos afirmam que Major é o maior produtor do estado. Seu município possui dezenas de fábricas de queijo atraindo compradores e revendedores de todas as regiões. Com a agropecuária, comércio e serviços, o município de Major Isidoro procura seus próprios caminhos de desenvolvimento.
Muitas atrações estão articuladas para os três dias festivos como bandas de forró, palestras, exposição de animais e produtos, torneio leiteiro, entrega de Cadastro Ambiental Rural, prêmios aos vencedores dos embates e atrações musicais todas as noites, inclusive com grupos famosos.
O apoio será da Prefeitura de Major Isidoro, da Associação dos Produtores de Leite, da Secretaria de Estado da Agricultura e Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), esperando-se um movimento de mais de R$ 1 milhão de quinta-feira para o sábado.
Para quem não conhece Major, deixando a capital pela BR-316, após Palmeira dos Índios, é só entrar à esquerda no trevo de Cacimbinhas e pronto. Ótima oportunidade para se conhecer a Capital do Leite. E se Major Isidoro já é um lugar agradabilíssimo sem evento algum, imagine você, compadre, com três dias de festa!

Diz a senhora da propaganda que “É TORANDO!”.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

TABACARIA

TABACARIA
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.594

(Foto: Márcio Chagas G1).
Novembro é o mês dos ventos.
Foi boa a reportagem publicada no G1 sobre a comunidade Quilombola Tabacaria. Os autores são Márcio Chagas e Paula Nunes, numa edição de ontem, 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Com 69 comunidades quilombolas, Tabacaria, zona rural de Palmeira dos Índios, iria receber ontem a titulação das terras, em solenidade condizente na serra da Barriga. As condições em que vivem os descendentes de escravos, não são diferentes de inúmeras outras comunidades rurais, povoados, vilas, bairros e ruas de cidades pequenas e grandes do Brasil. Uma reportagem de cinco páginas e cinco fotografias ampliadas mostram sem maquiagem o drama cotidiano do que é ser negro neste país e, além de negro, descendente direto de escravos.
Mas se o alerta foi dado numa reportagem anual quando se comemora a morte do herói negro Zumbi, fica invisível a situação humilhante após o dia da Consciência. Os bolsões de misérias estão em todos os lugares independentes da negritude e da brancura. No caso de localizações rurais, os habitantes ainda possuem uma válvula de escape nos tempos invernosos: o plantio do feijão, milho, mandioca e batata – que fica dependente das chuvaradas – porém, na periferia de todas as cidades, não existe condições nenhuma de fuga. E o que se vê é o fabrico do tráfico de drogas facilitado pela fome, pela falta do básico... Até mesmo pela ausência de um colchão ou um lençol.
O governo num todo, até que tenta reduzir a degradante condição humana comentada, mas a corrupção que vem de Brasília e se enraíza por assembleias, governos estaduais, prefeituras e câmaras, desanimam até grupos particulares que praticam a solidariedade.
(Foto: Márcio Chagas G1).
Hoje em dia, cada um cuidando dos seus próprios problemas, dificilmente sabe do que se passa com milhares e milhares de famílias que às vezes nem comem uma só vez em vinte e quatro horas.
A reportagem sobre Tabacaria (nome da comunidade quilombola devido a antigo plantio de fumo) é apenas a ponta da ilha submersa.
Aguardamos novo despertar na consciência dos mandatários do Brasil e a mudança favorável dos ventos de novembro.




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sábado, 19 de novembro de 2016

CONSCIÊNCIA NEGRA

CONSCIÊNCIA NEGRA
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.593

Ilustração capa do "Tigre dos Palmares"
Hoje, domingo, deverá acontecer grande festa na serra da Barriga, antigo centro do Quilombo dos Palmares. Gente do Brasil inteiro e mesmo pessoas de outros continentes comparecem a serra para os festejos anuais, em homenagem aos guerreiros negros que lutaram pela liberdade. A liderança maior do quilombo, Zumbi, após perder a última batalha para o bandeirante Domingos Jorge Velho, evadiu-se do monte com um grupo de guerreiros. Criou-se uma lenda na qual o chefe negro havia pulado em um dos abismos da serra para não se entregar. Dentro das pesquisas históricas foi descoberto que Zumbi foi viver nas imediações da serra Dois Irmãos onde, traído, perdeu um combate e foi assassinado. Contudo, o palco dos festejos é na serra da Barriga no município de União dos Palmares (Alagoas), perto da fronteira norte com Pernambuco.
A luta por melhores dias levou a ser criado o Dia Nacional da Consciência Negra que é celebrado no Brasil em 20 de novembro. “Foi criado em 2003 como efeméride incluída no calendário escolar até ser oficialmente instituído em âmbito nacional mediante a lei n0 12.519, de 10 de novembro de 2011”. A lei não obriga que seja feriado, assunto que varia de cidade para cidade, mas O Dia da Consciência Negra é um feriado em cerca de mil cidades brasileiras. Os estados em que o dia é feriado são os de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiros através de decretos estaduais.
O evento é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, tendo sida escolhida a data para coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
Congressos, reuniões, são realizados na data discutindo-se a história de preconceito racial, as dificuldades de mercado, a marginalização, mas também incluídos temas como a beleza negra, moda, conquistas e mais.
Recomendamos como fonte de conhecimento e lazer o romance “O Tigre dos Palmares”, do saudoso escritor de Palmeira dos Índios, Adalberon Cavalcanti Lins, um primor da literatura histórica.





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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A FEIURA DE ZÉ FOGUETEIRO

A FEIURA DE ZÉ FOGUETEIRO
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.592
(CONTO PARA QUEM GOSTA DE LEITURA)

Ilustração: (bloquito.com).
Espiei para cima espiei para baixo, mas o danado do espelho não mentia: o homem era feio mesmo. Todo mundo casando e eu ficando no barricão. Olhe, acho que nos dezoito anos, bruguelo solteiro ali por perto somente eu. Quem diabo queria se casar com um homem desses! Namorada, não arranjava uma para remédio. Eita diabo! Estou cansado de chegar dos forrós, sozinho em casa. Mas São João é forte! Ora, se não é! No começo da madrugada fiz a minha promessa. Derrubei tronco, carreguei lenha e fiz a maior fogueira da redondeza. Agora sim, agora vou para o forró da Rua. Bem vestido, penteado, barbinha de rato... Ô homem feio da gota serena! Vou para o forró ou não vou? O Sim dizia: “vá”. O Não dava cada beliscão na popa da bunda que eu voltava da porta acabrunhado. Mas eu vou, eu vou. Peguei o chapéu quebrado pra cima, de meu pai. Fui à quartinha d’água, passei a mão no fundo e botei aquele dinheiro bom, novo e guardado no bolso. Já visse festa sem dinheiro? Atravessei o punhal comprado na terra de meu padrinho Ciço, no cinto de feira e parti. Não, não senhor, eu não queria furar ninguém... Todavia... Quanto mais mole mais o cão atenta.
Passando na frente da casa de Chico Dunga, Maria, aquela morena bonita, cheirosa e fofa: gritou: “Vai pra festa, Zé?” Oxente! Aquilo era comigo? “Ô meu fio, me leve com você que pai só confia em gente conhecida. Eu! Tá doido! Um cabra feio que nem eu com uma flor dessas na festa... Homem, eu estava sonhando e ainda nem tinha acordado. Mas era de verdade, rapaz, e lá vai eu pela primeira vez na vida de parelha com uma rosa. E você pensa que foi só isso? Maria não quis saber de ninguém e só dançava o forró comigo, parando de vez em quando para esquentar a goela. Diga pelo amor de Deus se São João não era santo forte! Mas também, tantos foguetes que já fiz pra ele... E a fogueirona prometida, maior do que as outras... Estava lá queimando na porta de casa, estalando angico e aroeira.
O Sol queria passar nos garranchos dos paus quando voltamos para casa. Não vou contar outras coisas para você porque é proibido, entende? Mas com feiura e tudo eu me casei com a fia de Chico Dunga. Todo ano é um menino. No meio-dia de ontem Maria estava na rede e eu perguntei: “Tá pensando o que, mulher?” Ela respondeu: “Ah! Eu estava pensando como é que uma mulher feia e horrorosa que nem eu tem a sorte de casar com um homem gostoso que nem tu?!”
Eita, peste! Foi um parapapá danado por dentro da casa que nem galo atrás da galinha, já visse!?
Nada pesado que um santo prestigioso não pudesse resolver. Toda vez que nasce gente lá em casa eu boto outra fogueira em cima da grandona nas festas de São João.
E a fogosa da Maria grita do quarto: “Demore não, Zé!”.

Fim



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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

OS VELHOS SOLDADOS

OS VELHOS SOLDADOS
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.591

ILUSTRAÇÃO (kitpresentes.com).
Ele ainda fardado eu o vejo a minha frente, bucho redondo, olhos grandes e mortiços, o velho praça Gonçalo. Revejo o guerreiro na luta do pão diário como vigia da praça, com um trocado daqui e dali diante do mesmo olhar mortiço da ativa. Na porta da Matriz da Padroeira, colegas importantes de Gonçalo. Leôncio, Charuto, Cícero... E na calçada da loja Faixa Azul, Idelfonso, o Fonfon, “homem de confiança de Lucena Maranhão”, segundo ele próprio. Gonçalo, Cícero, homens que chegaram numa idade respeitável, sabendo conviver com feras fardadas, presos perigosos e tino social. Estavam ali vendo o tempo passar, admirados por todos.
Charuto, preto retinto, calado dos olhos dançantes, estivera em Angicos na madrugada do dia 28 de julho de 1938, o dia fatídico para o cangaço.  Leôncio, alto e agitado, servira em Piranhas, como cabo da polícia. Com receio de uma investida do comandante João Bezerra, fora servir no quartel de Santana, mais perto de Lucena.
Sempre mais afastado e só, perambulava Fonfon. Chapéu de palhinha tipo caubói, lenço vermelho no pescoço, cartucheira pendida por arma de fogo, puxava uma perna e fumava sem parar. Tinha fama de bom atirador. Alto, branco e seco, parecia ainda não ter esquecido o comando de José Lucena de Albuquerque Maranhão.
A falta de pesquisas, o não despertar para entrevistas longas sobre “as forças”, o quartel, as ordens da época e o mundo cangaceiro, deixou que se fosse com eles enorme pedaço da história.
As eras foram pesando nos malotes e Deus carimbando as remoções, pouco a pouco, desertificando a entrada da Matriz. E ficam nas crônicas de alguém à memória dos guerreiros dos tempos rígidos. Mesmo que seja nos farrapos de versos do repentista João Cabeleira fazendo tema para Idelfonso: “Fonfon foi de confiança de Lucena Maranhão”: Generoso no pagamento do mote pedido, entre outras estrofes, ouviu de si com intensos aplausos:

“Este homem era valente
Nunca temeu a ninguém
Com sua força de trem
Era chamado serpente
Com inimigo na frente
Urrava que nem leão
Dava tiro de canhão
Que abalava até a França
Fonfon foi de confiança
De Lucena Maranhão”.

Saudade!...






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FUTEBOL E GEOGRAFIA

FUTEBOL E GEOGRAFIA
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.590

Foto: divulgação (Vale do Colca, Sul do Peru).
A bola vai rolar amanhã nas terras altas do Peru, país reconhecidamente de grandes belezas naturais.
Costumeiramente dividida em geral por três regiões, o Peru mostra seus encantos por um lado e ruma ao desenvolvimento pelo outro.
Uma das suas três regiões é chamada Costa (litoral) que fica a oeste como planície estreita, geralmente árida, com alguns vales criados por rios de ocasião.
Outra região é o planalto, da famosa Cordilheira dos Andes, onde se encontra o pico mais alto do país, o Huascarán, a 6.768 metros de altura.
Olhando para a terceira região, iremos encontrar a selva que é uma vasta extensão de planícies cobertas pela floresta amazônica. Estendendo-se a leste, a maioria do país está localizada dentro desta área.
O Peru faz fronteira com o Equador e a Colômbia, ao norte. O Brasil fica a leste, a Bolívia a sudeste, o Chile ao sul e o oceano Pacífico a oeste.
Quanto a sua hidrografia, sabemos que os rios peruanos tem origem nos picos da Cordilheira dos Andes. Os que vão para o Pacífico são íngremes, curtos e temporários. Os afluentes do rio Amazonas são mais longos e menos íngremes, pois se originam na serra. Outros cursos d’água ainda escorrem para o lago Titicaca e são curtos com grande fluxo.
Para quem gosta de economia, os serviços representam 53% do produto interno bruto nacional, seguido pela indústria extrativa transformadora, em 22,3% e a indústria extrativa, 15%.
As principais exportações do país dos Incas são cobre, ouro, zinco, têxteis e farinha de peixe.
Muito ainda se pode dizer sobre o Peru, porém, o que vale mesmo é o rolar da bola na noite do feriado.











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FUTEBOL E GEOGRAFIA

FUTEBOL E GEOGRAFIA
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.590

Foto: divulgação (Vale do Colca, Sul do Peru).
A bola vai rolar amanhã nas terras altas do Peru, país reconhecidamente de grandes belezas naturais.
Costumeiramente dividida em geral por três regiões, o Peru mostra seus encantos por um lado e ruma ao desenvolvimento pelo outro.
Uma das suas três regiões é chamada Costa (litoral) que fica a oeste como planície estreita, geralmente árida, com alguns vales criados por rios de ocasião.
Outra região é o planalto, da famosa Cordilheira dos Andes, onde se encontra o pico mais alto do país, o Huascarán, a 6.768 metros de altura.
Olhando para a terceira região, iremos encontrar a selva que é uma vasta extensão de planícies cobertas pela floresta amazônica. Estendendo-se a leste, a maioria do país está localizada dentro desta área.
O Peru faz fronteira com o Equador e a Colômbia, ao norte. O Brasil fica a leste, a Bolívia a sudeste, o Chile ao sul e o oceano Pacífico a oeste.
Quanto a sua hidrografia, sabemos que os rios peruanos tem origem nos picos da Cordilheira dos Andes. Os que vão para o Pacífico são íngremes, curtos e temporários. Os afluentes do rio Amazonas são mais longos e menos íngremes, pois se originam na serra. Outros cursos d’água ainda escorrem para o lago Titicaca e são curtos com grande fluxo.
Para quem gosta de economia, os serviços representam 53% do produto interno bruto nacional, seguido pela indústria extrativa transformadora, em 22,3% e a indústria extrativa, 15%.
As principais exportações do país dos Incas são cobre, ouro, zinco, têxteis e farinha de peixe.
Muito ainda se pode dizer sobre o Peru, porém, o que vale mesmo é o rolar da bola na noite do feriado.











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sábado, 12 de novembro de 2016

CANGAÇO, VOLANTES E A REDE MENSAGEIRA

CANGAÇO, VOLANTES E A REDE MENSAGEIRA
Clerisvaldo B. Chagas, 12 novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.589

Ilustração: (brasilcowboy).
Vivia-se um tempo em que o Sertão não tinha cercas. A vegetação de caatinga ainda virgem predominava amplamente no semiárido. Caprinos e ovinos viravam bichos selvagens, longe da ferra e sedes de fazenda. As estradas de carro de boi, caminhos e veredas, esticavam-se em muitos dias sem uma casa, sem gente, sem esperança. Os animais do mato cruzavam os rumos de terra arenosa, poeirenta, comprida, isenta quase dos humanos. Os macacos se coçavam na encruzilhada. Emas, raposas, suçuaranas, jabutis... Transitavam livres na flora perfumosa.
No mundão catingueiro que parecia deserto, as notícias espalhavam-se com rapidez extraordinária, sempre que interessavam aos nativos. Muitos estudiosos citadinos ficavam sem entender como surgiam tão depressa essas mensagens aonde não chegava ainda o automóvel, o caminhão e o rádio.
O segredo estava na própria necessidade local de defesa, simples e barata. As notícias ensebadas contra os gravetos e os espinhos da jurema andavam a cavalo. Nos cavalos valentes dos vaqueiros que rompiam mato, chãs, serrotes, quebradas, em galopes desenfreados levando as mensagens nos embornais da boca. Nem somente vaqueiros eram estafetas heróis, mas também o trabalhador braçal disponível no momento e até filhos e crias de proprietário fazendeiro. Raramente um sertanejo rural, homem ou mulher, ignorava a arte de montar.
Quando cangaceiros, volantes ou o padre da novena apareciam, os cavalos faziam finca com o cavaleiro avisando os arredores. Novos cavaleiros de posse da notícia transportavam-na para mais longe ainda, criando-se assim uma rede cabocla de comunicação veloz.
Naturalmente não estamos falando da teia coiteira que agia de forma particular.
No Sertão até os animais são receptores e transmissores de mensagens às cabeças dos humanos pensantes da terra. Mas aí é outra história, amigo. É só entrar no mundo mágico sertanejo.




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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

UMA RIQUEZA SE DESENHA NO SERTÃO

UMA RIQUEZA SE DESENHA NO SERTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.588

Foto: Canal do Sertão (sertão24horas).
Finalmente após 40 anos de sonho, chega uma realidade que até parece o mesmo sonho do passado. A maior obra de todos os séculos vai pintando o Sertão em marcha de primeiro mundo. Quem conhece a fartura verde do São Francisco em Petrolina, sabe muito bem da terra bíblica onde corre leite e mel. Pude pessoalmente constatar que naquela Canaã de irrigação, três coisas dominam as conversas de rua: tonelada, dólar e carro importado.
Voltando a Alagoas seca sem irrigação, qualquer indivíduo jamais apostaria em mudança devido à sabedoria, ao egoísmo, ao quero-quero-só-meu-bolso, a indiferença dos políticos sertanejos e tantas outras mazelas que não deixavam espaço para o progresso.
Desbastando todos os garranchos que lhes mexiam na paciência, Deus em pessoa resolveu apertar os miolos dos designados e de puxão em puxão de orelha, o impossível já aconteceu. O Canal do Sertão está perto de deixar o semiárido e entrar pelas terras do Agreste.  
A faixa hídrica começa a despertar até grupos internacionais que confabulam querer investir em Ovinocaprinocultura, cereais e região vinícola. Como as coisas estão sendo encaminhadas é possível uma enorme área paradisíaca de riqueza no Sertão alagoano. O futuro organizado só o tempo dirá. Teme-se uma invasão dos tubarões nas compras de terras aos pequenos agricultores que depois seriam apenas mão de obra, dos grandes.
Não seremos pessimistas. Pelo acompanhamento dos noticiários, desde o começo tudo está sendo feito criteriosamente fazendo com que acreditemos na seriedade de todas as áreas envolvidas. Tudo indica que poderemos chegar ao estágio do vizinho estado pernambucano com a palestra diária sobre toneladas (produção) dólares (exportação) e carros importados (bem estar).

Encerramos com o ditado do próprio sertanejo: “Quando Deus quer...” Bota coronel para trabalhar de trás para frente.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

OS GARRINCHAS FRUSTRADOS

OS GARRINCHAS FRUSTRADOS
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crômica 1.587

Foto (paiaiáfc)
Soa como badalada forte a renúncia de um time de futebol numa disputa oficial do estado. Em todos os recantos do Brasil encontramos garotos nas várzeas, em terrenos baldios, nos terreiros de casa, em beiras de riachos e lagoas “derretendo-se” na bola. É uma febre arraigada e batida na alma nativa e na brasilidade continental. Muitos abandonam até a escola no sonho doce, extravagante e possível de um brilho futuro nos grandes estádios do país.
As chamadas crises sucessivas e as más administrações dos clubes pequenos erguem a esperança, plena de vida e felicidade para abatê-la logo à frente transformando-a em murcha frustração. Não é fácil galgar os degraus do futebol, principalmente pelos jovens das periferias, do campinho de terra, do relevo ladeiroso, de ocupação mista com os animais. Garotos bons de bola, repletos de vigor ou de fome, driblando a pobreza e sonhando um dia substituir Garrincha, o gênio das pernas tortas.
Ao conseguir seu estágio para o pequeno time da cidade – aquele que vai disputar o campeonato estadual na segunda ou primeira divisão – o jovem enche-se de orgulho com o início da carreira de seus anseios. É quando seu time não encontra jeito de cobrir as exigências do campeonato; ou guando perde de todos e se desfaz. Aí o futuro Mané Garrincha baixa a cabeça. Voltam às imagens da enxada, da roça, da panela vazia e da barriga oca das noites que parecem não ter fim.  
Os que decidem as paradas estaduais nem notam que hoje seus não adversários vivem um drama social, humano e íntimo de tantas dores juntas.

E assim vamos caminhando para frente diante das imperfeições encaixadas no mundo velho de meu Deus. Afinal, o trânsito entre riqueza e pobreza tem sempre intensa fumaça no meio. Para os sonhadores, não é fácil escapar pelos árduos caminhos futebol.

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sábado, 5 de novembro de 2016

O OFÍCIO DA ESPINGARDA

O OFÍCIO DA ESPINGARDA
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.586

Durante a época cangaceira, algumas expressões acomodaram-se no dicionário sertanejo nordestino.
Uma das primeiras armas de fogo da região foi o bacamarte, notadamente, o boca de sino. Foi ele amplamente usado pelos bandeirantes. Com as bordas do cano enlarguecida o bacamarte facilitava a carregação e disparava chumbo grosso. Os primeiros cangaceiros brigavam com bacamarte boca de sino. Alguns fazendeiros possuíam essa arma poderosa. Matava-se em emboscada com esse objeto e o seu uso deu origem às expressões como: “Cabra ruim só vai no bacamarte!”, por exemplo.
No Semiárido seus habitantes usavam ainda o bodoque com bala arredondada de barro curtido ao sol para caçar passarinhos e aves selvagens. Posteriormente surgiu a peteca que em algumas regiões se chama estilingue ou baladeira. Trata-se de um gancho de pau, duas alças de borracha e um abrigo de couro para o projétil: pedra comum da estrada ou cozida igualmente à primeira.
 Depois chegou a espingarda proveniente das fabriquetas do Ceará ganhando espaço em todo o Sertão. Era um troço mais delicado do que o bacamarte cuja função objetivava substituir o bodoque e a peteca nas caçadas em sítios e fazendas. Foi logo apelidada de “soca tempero”, porque se carregava pela boca. Aqui, acolá, sua função era desviada para o instinto malévolo de matar gente. Assim criaram-se algumas expressões que ainda perduram como a de: “Vou mandar-lhe passar a espingarda!” ou “O ofício do homem é a espingarda!”.
Passar a espingarda é matar, não importando o tipo de arma de fogo, revólver, pistola... Ou outra qualquer.
No cangaço moderno de Lampião, às vezes chegava futuro cangaceiro que nada possuía, além de uma espingarda que logo era substituída por um rifle e posteriormente até pelo fuzil.
Mesmo com tanto tempo, ainda se usa essas expressões relativas ao bacamarte e à espingarda.
Os cangaceiros tinham um medo triste do bacamarte, usado algumas vezes por defensores ou atacantes fazendeiros.
Deu para esquentar?






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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A GEO APONTA

A GEO APONTA
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de novembro de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.585

LAGOA PÉ LEVE. Foto: (Arapiracanews).
“Vai moreninha
Cabelo de retrós
Entra lá pra dentro
Vai fazer café pra nós”.

Pois, entre um cafezinho e outro vamos aperfeiçoando a Geografia de Alagoas fora da pesquisa de campo. Homem e Natureza à disposição, Sol causticante e olhar arguto, vai saindo a coleção dos nossos dias.
Vamos percebendo o esforço do agricultor no plantio sem agrotóxico, exigência da sociedade moderna. O incentivo do governo para o plantio e para a implantação das feiras que asseguram às vendas; o anúncio ao povo dos dias e locais onde se podem comprar os produtos rurais sem medo de veneno. Enfim, a força governamental para resolver alguns problemas relativos a esse segmento esteio do consumo.
Por outro lado vem à tristeza nas investigações das lagoas de terras interiores. Não estamos nos referindo às lagunas costeiras e nem as do São Francisco. Com as diferentes forma de agir é o próprio homem que vai matando a galinha dos ovos de ouro. Os gritos de agonia são mais fortes quando as lagunas possuem mais representatividade como a Mundaú e a Manguaba. Mais fracos quando se trata das lagunas do Velho Chico. Sussurros quando se apontam as lagoas interiores, aquelas formadas nas depressões do Agreste porque as do Sertão somente carregam o nome.
Algumas lagoas de terras interiores ainda resistem como a Gado Bravo, Porcos, Canto, Funil, Salgada, Pé Leve e mais outras reveladas em trabalho específico. Aquelas que estão próximas às cidades e povoados e mesmo já fazendo parte do núcleo urbano, são as que mais agonizam com desmatamento, assoreamento, esgotos diretos, lixo doméstico e o abandono.
Muitas coisas têm sido feita, é verdade, por esse tão belo estado de natureza pródiga. Mas é verdade também que muito mais se falta fazer. As ações tardias deixam a desejar.
E lá vai o bicho de dois pés correndo com duas bolas de chumbo nas pernas e uma chave inglesa na mão.






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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

AMENIZANDO O DIA DE FINADOS

AMENIZANDO O DIA DE FINADOS
Clerisvaldo B. Chagas
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.584

Ilustração
É grande o imaginário do povo brasileiro. E para contar coisas de assombrações, o sertanejo é mestre, mesmo no parece, mas não é.
Dois adolescentes não conseguiam colher os manguitos da árvore de um cemitério. O vigia era implacável. Os garotos, então, resolveram roubar os manguitos à noite. Silenciosamente colhiam os frutos maduros. Um sujeito que vinha do centro da cidade resolveu sentar no pé do muro do cemitério, para descansar, uma vez que estava calibrado da “branquinha”. Enquanto isso, dentro do cemitério, um fruto do galho mais alto cai para fora do muro. O garoto mais perto percebeu e gritou para o outro: “O do lado de fora é meu!”. Pense na carreira avantajada do bebum!
xxx
Anoitecia. Queria chover na estrada de terra sertaneja. O rapaz acenou, o motorista parou o caminhão e ofereceu carona na carroceria. Ali conduzia um caixão de defunto para entrega rápida. O rapaz não se impressionou e subiu.  Adiante começou a chover. A alternativa do moço foi abrigar-se dentro do caixão onde conseguiu tirar um bom cochilo. Na estrada, um grupo de cinco pessoas ia para uma novena, pediu carona e subiu também para a carroceria. Todos espiavam desconfiados para o esquife, quando de repente o rapaz desperta do cochilo, abre o caixão e pergunta: “Parou a chuva?”. Amigo, todos saltaram do caminhão numa velocidade ímpar, com o veículo a toda.
xxx
Na minha terra, os capetas sobrinhos do padre Bulhões retiraram o miolo de uma abóbora, fizeram uma cara de bruxa, acenderam uma vela dentro e deixaram-na bem no poste da estreita passagem da única ponte do bairro. Cidade às escuras, a meia-noite dos retardatários foi um festival de galopes que até os aleijados não quiseram parar de correr diante do bicho do bocão. 

Sente aí, camarada, para ouvir mais.





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