segunda-feira, 30 de maio de 2016

LUCENA, O CORONEL PROIBIDO



LUCENA, O CORONEL PROIBIDO
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2016
Crônica Nº 1.522

ESCRITOR MARCELLO FAUSTO. Foto (Clerisvaldo).
Indo mostrar a capa do livro “Repensando a Geografia de Alagoas”, aproveitei para conversar com o escritor Marcello Fausto, sobre o seu novo livro, “Lucena, o Coronel Proibido”.
José Lucena de Albuquerque Maranhão foi o inimigo número um, do cangaceiro Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Homem de extrema coragem, foi o comandante do 20 Batalhão implantado em Santana do Ipanema, em 1936, para combater o cangaceirismo. Seu batalhão era dividido em várias forças volantes espalhadas no Sertão em pontos estratégicos. Em certa investida atrás de um criminoso, um dos seus homens eliminou Seu José, pai de Virgolino, antes da sua fama. Lucena não teve culpa, mas assumiu a responsabilidade. Foram três volantes de Lucena, unidas, que mataram Lampião, Maria Bonita e mais nove sequazes em 1938.
Lucena, após a campanha, foi prefeito de Santana do Ipanema, deputado e prefeito de Maceió. Após essa passagem, as pesquisas sobre ele, tornaram-se raras como se todas as informações a seu respeito tivessem sumido. Diante disso, sugeri ao Marcello Fausto, que pesquisasse a respeito do “Coronel Proibido” e ele assim o procedeu. Continua esse trabalho e já conquistou duas importantíssimas vitórias, ambas em fontes fechadíssimas, quase impossíveis de se obter alguma coisa sobre o homem. Marcello confessou-me que o livro não tem data para sair, assim como o meu, mas, por certo, causará um impacto grande nos meios dos interessados nos bastidores da história nordestina.
Por esse imenso silêncio que caracteriza sua trajetória, silêncio este desde 1955, o véu está para ser levantado. Santana tem a avenida principal com seu nome e Maceió uma praça. Mas a juventude nem sabe quem foi esse homem. O livro “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”, conta o básico sobre o coronel, mas o livro que promete vir a lume, do escritor Marcello Fausto, será sucesso garantido em todo o Nordeste, principalmente na Literatura Cangaceira.
Baseado em fatos, fotos, depoimentos e farto material documentado, “Lucena, o Coronel Proibido”, está sendo costurado e dali não sai nenhum coelho antes da publicação, segundo o escritor. Vamos aguardar com paciência mais esse bom serviço prestado a Alagoas e a História.



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EL PAREDÓN



EL PAREDÓN
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de maio de 2016
Crônica Nº 1.521

Segunda opção
As páginas dos jornais estão cheias de roubos e assaltos.  As cadeias não cabem mais os marginais, indo além das suas capacidades. É um eterno problema que não se resolve nunca. Diante de tantas insistências de ladrões, estupradores, e assaltantes, tínhamos que renunciar ao sentimento cristão e concordar com o antigo regime cubano de “El Paredón”.
A ordem seria de limpar totalmente o país. A partir do segundo roubo, do segundo assalto, do segundo estupro, comprovadamente, escorar o indivíduo na parede e detoná-lo em nome da lei e da ordem. A tolerância seria apenas com a primeira vez quando se usaria o sistema de prisão.
Durante a ditadura militar, um bando que apavorava a baixada santista, foi dizimado de forma diferente. Todos foram presos e jogados em alto mar, servindo de comida para os peixes. A baixada voltou a respirar aliviada por longo tempo. Não existe outra maneira. Os pais de família continuam sendo mortos a cada dia no trajeto do seu trabalho, nas ruas, no coletivo e mesmo dentro de casa. Seria um regime temporário anticristão, mas por extrema necessidade de limpeza.
Alguém pode perguntar como seria, então, no caso dos políticos que levam todo o dinheiro do Brasil. Bem, políticos e magistrados corruptos teriam o mesmo destino dos marginais menores. Eles próprios dizem para fazer efeito: ninguém está acima da lei e da ordem.
O Brasil está precisando de uma borracha sim, mas uma borracha nessas condições: ou o ”El Paredón” ou o alto mar em região infestada por tubarões. Chega de sentimento bonzinho que alimenta as quadrilhas do país.


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quinta-feira, 26 de maio de 2016

LAMPIÃO E A ABALA ATRÁS



LAMPIÃO E A BALA ATRÁS
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de maio de 2016
Crônica Nº 1.520
CORISCO

Na época do cangaceirismo, além da exuberante caatinga ─ cobertura vegetal do semiárido ─ as estradas e caminhos de terra, davam grande cobertura a bandidos. Portanto, as fazendas nordestinas em geral, vilas e povoados, amargavam o abandono dos governos. Quando havia alguma autoridade numa vila ou povoado, não passava de delegado civil, um subdelegado ou no máximo um cabo.
Aproveitando-se dessa fraqueza que tão bem conhecia, bandos de cangaceiros invadiam esses locais para roubar, assaltar, estuprar e torturar de forma vergonhosa. Os pobres e pacatos  roceiros eram submetidos a toda qualidade de selvageria que alguns abnegados da bandidagem, hoje, procuram exaltar as hostes dos demônios.
Falando do bandido total, Lampião, em Alagoas atacou somente duas cidades e seu Parceiro Corisco, uma. O restante foi a covardia que o guiou a vida toda, nos inúmeros crimes praticados aos indefesos nas citadas vilas, povoados e fazendas.
Ainda antes da fama, o marginal, sorrateiramente, durante a madrugada, fez um roubo em Água Branca na casa da Baronesa. Logo descoberto, deixou a cidade debaixo de bala para orgulho de seus habitantes.
Em Mata Grande, incentivado pelos irmãos que não passavam de irmãos e viveram sempre à sombra do chefe, especializando-se em estupros (menos Antônio Ferreira, a velha jararaca) foi outra fragorosa derrota. Em pouco tempo a tentativa de Lampião em assaltar o comércio, foi transformada em correria com um bocado de balas na traseira. Não foi só Mossoró a única cidade que botou Lampião para correr, como em artigo que nós lemos. São muitos leigos, bajuladores, adoradores e mentirosos escrevendo coisas sobre cangaço, daí essa confusão solta no meio do mundo.
Em Piranhas, Corisco e cerca de vinte cangaceiros, tentaram sequestrar a esposa do tenente Bezerra. Alguns gatos-pingados botaram os valentões para correr da cidade, onde morreu o cangaceiro Gato. (este episódio é narrado completamente deturpado em uma das páginas da Wikipédia) que horror!
O restante em Alagoas, meu amigo, cadê coragem para invadir mais cidades? Como não podia com os sadios, Lampião continuou atacando apenas coxos, cegos e coitados, isto é, os indefesos: vilas, fazendas e povoados... É esse o herói dos frustrados.

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LAMPIÃO E O CALDEIRÃO DOS GUEDES



LAMPIÃO E O CALDEIRÃO DOS GUEDES
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de maio de 2016
Crônica Nº 1.519

No livro “Lampião em Alagoas”, citamos o episódio referente a uma passagem de Lampião pelo povoado Caldeirão dos Guedes. O espaço entre Cacimbinhas e Palmeira dos Índios, era roteiro de retirada de Lampião sempre que deixava Alagoas pelo Norte.
Na marcha dos dez dias, ocasião do último combate de Lampião, que foi em Girau do Ponciano-Craíbas, aconteceu sua passagem por Caldeirão dos Guedes. Narrado pelo escritor Oscar Silva, então, sargento de Lucena, com o título “Uma Volante de Graduados”, Oscar descreve toda a angústia de uma volante de última hora, convocada para defender o povoado, muito longe da sede do Batalhão. Depois de muita corrida dentro da noite, levada por um guia, a volante de graduados tenta chegar primeiro do que Lampião, ao povoado. Conseguiu, já no amanhecer. Tomada as devidas posições, botando a alma pela boca de tanto correr, cada elemento aguardava com ansiedade a presença do bandido. Foi quando chegou ao povoado, uma volante verdadeira, a do sargento Porfírio que prosseguiu a jornada, deixando os graduados em expectativa no povoado.
Todos ouviram um tiro. E logo depois, homens entram no povoado trazendo o guia, morto pelo bando de Lampião, que havia acompanhado todo o movimento da tropa durante a noite. O guia, apesar dos conselhos, quisera retornar imediatamente, quando aconteceu o caso.
Ora, sempre com vontade de visitar Caldeirão dos Guedes, nunca conseguimos informações da sua localidade no município de Cacimbinhas. Mesmo nos mapas mais elaborados não constam Caldeirão. E só agora descobrimos que o Caldeirão dos Guedes, fica além do município de Cacimbinhas. Faz parte do município pernambucano de Bom Conselho. Pelo que se consta, terra da família Tenório, com canaviais, engenhos e intensa escravidão negra, narrada por um cordelista que também não localiza o povoado.
A volante improvisada do meu conterrâneo Oscar, estava tão ligada às ordens do comandante José Lucena de Albuquerque Maranhão, que atravessou a fronteira para brigar em Pernambuco. Com a narrativa dos seus escritos, creio que o escritor (que viveu os últimos dias no Paraná), morreu sem descobrir a naturalidade de Caldeirão dos Guedes.

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quarta-feira, 25 de maio de 2016

OU DÁ OU DESCE



OU DÁ OU DESCE
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2016
Crônica nº 1.518

O povo brasileiro vai se acabando sem esperanças; O Brasil se afundando com políticos ladrões; os jovens morrendo na droga e matando suas vítimas. Não sei se ainda existe jeito! Mas, de uma coisa sei: ainda não atingimos a pior das fases. Diante de ladrões, segundo a última gravação divulgada, não escapa ninguém. Ainda segundo a última gravação divulgada, se todos esses engravatados são ladrões, o que esperar dos comparsas que dirigem empresas públicas? O que se pode esperar dos adolescentes entregues a própria sorte?
Ontem, chegaram dois jovens conduzindo motos e, em pleno dia, assaltaram um mercadinho no Bairro São José, em Santana do Ipanema, segundo conversas do povaréu. Com a maior tranquilidade, os garotos não aceitaram nenhum tipo de mercadoria, só queriam dinheiro. Ao deixarem o mercadinho, um pouco mais abaixo, cerca de 150 metros, assaltaram a única padaria do Bairro. Imagine o senhor, o zum-zum-zum no bairro todo, como abelhas desarvoradas sem a colmeia!
Qual é o mais ladrão? O que é apontado na grande mídia, ou o pé de chinelo da periferia?
No tempo em que ladrão era só ladrão, ainda havia um pouco de piedade no coração do perdido. A mercadoria era roubada, a vítima permanecia viva. Após as drogas pesadas, um novo prazer tomou conta da alma do bandido, arrebatando-lhe todo tiquinho da piedade restante. Vão-se a mercadoria e a vida. A vida, sem necessidade alguma, apenas pelo gozo interno de se sentir poderoso, rei, herói do mal.
Hoje, a vítima de um assalto à mão armada, mesmo que entregue tudo, só escapa mediante três fatores: primeiro, que o bandido esteja de bom humor; segundo, que o marginal não esteja drogado e, terceiro, que tenha muita camaradagem com Deus.
No Bairro São José, um dos fatores interferiu, mas... O que se pode esperar dos piores...? Aqueles...

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