quinta-feira, 30 de julho de 2015

BABADO E BICO NO SERTÃO



BABADO E BICO NO SERTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de julho de 2015
Crônica N º 1.464

Foto: (glossariofechion).
A frieza vai esticando as molas após a meia-noite com a chuva fininha nas biqueiras. A ansiedade em concluir a história do povoado Barra do Ipanema angustia e deságua para os cafezinhos, bem como nosso Panema desemboca no Opará. Como definir uma encantadora história do paraíso perdido se mal comecei a escrevê-la? Os danados dos espanta-boiadas não aguardam mais o amanhecer. Dia e noite no espaço sertanejo, querem virar também notívagos para o prolongamento de alegria no verde diurno da caatinga. As bênçãos do inverno brotam no ar, na terra e nas águas que furam o mundo lavando a vida da gente. Mas escritor não se dá com muriçocas municipais que teimam em atacar e comer escrevente, computador e tudo. Ô meu Deus! Por onde anda o peste do carro fumacê!? Lá vem outro pensamento doido: a moça desbocada filha de empresário dos anos sessenta. Quer parodiar a marchinha carnavalesca da cachaça: “Você pensa que cachaça é água...” Nem sei se ela ainda é viva, a desbocada moderna de Santana:

“Você pensa que babado é bico,
Babado não é bico, não,
Babado se bota em vestido,
E bico em combinação...”

Ainda existe? Mulher ainda usa combinação?
Droga!
Sumiram com a chuva, com os espanta-boiadas, mas com os sons do teclado não sumiram. Antes que amanheça o dia tenho que fazer um capitulo da história da Barra do Ipanema, elaborar uma página literária de compromisso com o “alagoasnanet”, o “santanaoxente” o “mendesemendes”, o face, o blog pessoal e, quase que já observo o cocuruto do sol chamando para dormir. Fogem os temas, correm os assuntos, desembesta o silêncio e se apresenta a moça da língua porca:

“Você pensa que babado é bico
Babado não é bico, não...



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quarta-feira, 29 de julho de 2015

A SANTA, O URUBU E O ESPAÇO



A SANTA, O URUBU E O ESPAÇO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de julho de 2015
Crônica Nº 1.463
OBRAS NO LARGO PONTE DO URUBU. Foto: (Clerisvaldo/arquivo).

Há muitos anos, em várias gestões municipais, a parte profana da festa da padroeira sempre irritou condutores de veículos e pedestres. Os famosos parques de diversões que tanto alegram crianças e até mesmo adultos, ocupavam toda a dimensão do comércio, tornando o centro de Santana do Ipanema, um verdadeiro inferno. Há décadas que a cidade não move uma palha em busca de novas alternativas para circulação de pessoas e máquinas. Nem uma rua nova no centro, nenhum beco, nenhuma alameda, nenhuma ponte, nenhum viaduto...  Nada, absolutamente, nada que possa aliviar um pouco as agruras que o trânsito proporciona.
Este mês de julho, porém, o milagre aguardado por mais de vinte anos, finalmente surgiu. Não um milagrão completo, perfeito, simétrico, arestas polidas de bom acabamento. Um milagre ainda torto, capenga de perna de pau, mas ainda assim um bom milagre. É que a gestão municipal resolveu realizar os festejos profanos de Senhora Santana, sem os transtornos eternos dos anos anteriores. Todos os parques e muitas outras atividades deixaram de obstruir as avenidas e ruas centrais, quando ocuparam pela primeira vez um largo por trás do comércio, cortado pelo riacho Camoxinga, afluente do rio Ipanema. Pelo início de obras e depois pelo abandono total com uma ponte sem cabeças, foi o largo apelidado pelo povo de “Ponte do Urubu”. O trecho cortado pelo riacho há muito virou esgoto a céu aberto, com largura considerável. Mesmo assim foi a melhor solução que já houve até o momento.
Existe unanimidade na beleza de como ficou o lugar da festa, inclusive cabendo naquele espaço, jurado e apanhado, tudo que pode abrilhantar essa ala popular da santa avó do Cristo. Mesmo sem cobertura móvel e de concreto sobre o canal do afluente; sem jardim, sem banco, sem praça e sem asfalto, correligionários e adversários do professor Mário Silva falam que finalmente o prefeito marcou um tento.
Esperamos que os elogios da populaça faça com que o gestor execute todas as obras que têm que ser feitas no futuro Parque Asa Branca, pois a santa e o espaço realçam a boa festa, mas urubu não combina muito com o Largo, a não ser com o tiroteio que houve pela vizinhança do Bairro Artur Morais, o mais perigoso de Santana.

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terça-feira, 28 de julho de 2015

É DE SE CHORAR



É DE SE CHORAR
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2015
Crônica Nº 1.462

EDIFÍCIO PALMARES. Foto: (Janylle Bezerra).
Falamos já sobre os antigos prédios de Maceió e do Recife, notadamente, dos que estão localizados no comércio. Mas, sobre os prédios antigos mesmo, inclusive a situação de abandono e risco. Poucos dias depois, houve o incêndio em loja comercial famosa do centro de Maceió e logo após, a depredação do miolo do Edifício Palmares.
Parece mentira o absurdo de uma repartição nacional deixar que um prédio ainda da década de 60, situado em uma das áreas mais nobre e valorizadas da capital chegar ao ponto em que chegou o Edifício Palmares. Edifício muito bonito, por sinal, vizinho à Praça Palmares, centro comercial, cultural e histórico de Maceió, perto de tudo.
Transformada, praticamente, em comércio livre, a praça encheu-se de barracas onde se oferece inúmeros serviços, numa espécie de mercado persa. Por ali, rodeando e cortando a praça, existe um intenso movimento de ônibus, táxis e automóveis particulares que facilita e ao mesmo tempo azucrina os passantes. Ainda vizinho funcionou o antigo e famigerado hotel Bela Vista (hoje demolido) que hospedou as cabeças de Lampião e Maria Bonita na última noite em Maceió, antes do traslado para Salvador. Nas imediações funcionou também o edifício do PRODUBAN e outras repartições estaduais e federais que sempre foram referências na capital.
Por isso ou por aquilo, após o abandono do prédio belo e caríssimo e a depredação, o INSS que se livrar do “cavalo branco”, mas não encontrou ninguém interessado em adquiri-lo. “Será o Benedito!”
Nenhum interessado em participar do leilão do Edifício Palmares compareceu, na manhã desta terça-feira (28), à sede do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), no centro de Maceió, para arrematar o prédio. Com isso, o futuro do imóvel, que já abrigou diversos órgãos públicos, continua incerto”.
(...) “Ainda assim, por ficar numa área de 8.615m², em pleno centro de Maceió, foi avaliado em R$ 8,98 milhões”.
É DE SE CHORAR...



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A MORTE DE LAMPIÃO (IX).



A MORTE DE LAMPIÃO (IX)
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de julho de 2015
Crônica Nº 1.461
Vamos resumir em uma crônica, cerca de 20 páginas ricas em detalhes.
28.07.1938. (Quinta-feira).
Segundo o autor da tese do envenenamento.
Madrugada ainda quando Maria Bonita faz o café, Lampião e mais cerca de três cangaceiros, tombam ao prová-lo. Lampião caindo sentado na rede, já sem vida, começa certo alvoroço no acampamento. As três volantes estão em suas respectivas posições, quando o intenso tiroteio, inclusive com metralhadoras, acontece para dentro da grota. Os cangaceiros, desesperados não sabem o que fazer. Escuro, frio, neblina e fumaça. Alguns atiram e fogem, outros resistem e morrem quando a grota dos Angicos vira um inferno repentino.
No entrevero, que vai amainando, estão mortos alguns cangaceiros e outros feridos e ainda vivos, vão sendo torturados até a morte. Entre os que ainda estão com vida, Maria Bonita é degolada viva. Após o saque ao acampamento, o comandante ordena que cortem as cabeças dos cangaceiros mortos. Houve uma cena dantesca narrada pelo cangaceiro “Paturi” que se escondeu na pequena furna e tudo presenciou.
Entre os mortos do bando estão os cangaceiros: Lampião e Maria Bonita, Quinta-feira, Mergulhão, Enedina, Luiz Pedro, Elétrico, Moeda, Alecrim, Colchete II e Marcela.
Da parte da polícia foi morto o soldado Adrião Pedro de Souza e ferido o comandante das três volantes, tenente João Bezerra.
Os outros cangaceiros conseguiram escapar, diante da confusão, neblina e fumaça.
As cabeças dos cangaceiros mortos foram salgadas e colocadas em sacos, pendurados em caibros e transportadas pelos soldados até o rio São Francisco. Os corpos dos bandidos eliminados ficaram amontoados sob pedras.
Os sacos com as cabeças subiram o rio em canoa até à cidade alagoana de Piranhas de onde partiram as volantes para o ataque. Ali houve muita festa das tropas e do povo, desfiles de soldados pelas ruas e exposição macabra das cabeças na porta da prefeitura.
As cabeças dos onze cangaceiros mortos foram exibidas ainda em várias cidades como Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, Maceió e em alguns povoados.
Com a morte do chefe, os cangaceiros que escaparam da hecatombe tomam três destinos diferentes: uns se entregam à polícia, outros procuram fugir para destinos como São Paulo e, outros ainda, bem poucos, continuam perambulando sem rumo certo pelas caatingas.
Oficialmente é considerado extinto o fenômeno Cangaço no Nordeste, consolidando-se com a morte de Corisco, dois anos depois.
·         Narrativa baseada no livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. & FAUSTO, Marcelo. Lampião em Alagoas. Maceió, Grafmarques, 2012.
   FIM DA SÉRIE DE NOVE CRÔNICAS. 



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LAMPIÃO, O CERCO FATAL (VIII)



LAMPIÃO, O CERCO FATAL (VIII)
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2015
Crônica Nº 1.460

Tentaremos resumir 27 páginas em uma crônica.
27.07.1938. (Quarta-feira).
São cinco frentes nos acontecimentos.
Joca do Capim, com raiva da esposa por um motivo e de Pedro de Cândido, por outro, quer entregar o bando às volantes. Em Piranhas, dia de feira, João Bezerra tem partido e, Joca fica aguardando a chegada de Aniceto.
No coito, Lampião pede a Durval para vir no dia seguinte, levar a máquina de volta e receber o dinheiro das carnes consumidas. Somente bodes para levar foram 36.
Em Piranhas, Pedro combina com Bezerra ou na noite anterior ou naquela manhã sobre o envenenamento. Envia um telegrama para ele mesmo como se tivesse sido chamado para o Moxotó. Os coiteiros vão contar a Lampião.
À tarde, chega Aniceto em Piranhas e logo Joca conta tudo e manda apertar Pedro de Cândido. Aniceto passa telegrama para Bezerra dizendo que o boi está no pasto.
Combinam-se para se encontrar em Pedra. Ali se encontram Aniceto, Bezerra e o aspirante Francisco Ferreira que tem volante pronta e é espião do governo contra o tenente João Bezerra. O aspirante discute com Bezerra que não quer levá-lo. Chega Domingos dos Patos trazendo recado de Pedro de Çândido.
Depois do meio-dia Pedro foi levar a carga envenenada a Lampião, com a ajuda de Durval.
Perto de Pedra, após a discussão, as três volantes partem juntas para Piranhas. Levam metralhadoras emprestadas. Chegam a Piranhas já à noite e com chuva. Arranjam três canoas e descem o rio, mas só os comandantes sabem para onde.
No coito um vento frio encanou pelo grotão. Os bandidos se recolheram no escuro e somente uma vela permanecia acesa na barraca de Lampião. Maria Bonita, emburrada com Lampião, conversava com Cila em uma pedra.
A tropa manda buscar Pedro de Cândido e que forçado, vai guiá-la até a grota, juntamente com o irmão Durval.
Após várias peripécias, as três volantes estão diante do coito ainda antes de amanhecer o dia, guiadas por Pedro e Durval. As volantes dividem-se em várias frentes e surpreendem os bandidos ainda com escuro, frio e neblina.
É feito o ataque que termina com onze cangaceiros mortos e um volante. Lampião e Maria Bonita desencarnaram.
*Narrativa baseada no livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. FAUSTO, Marcello. Lampião em Alagoas. Maceió, Grafmarques, 2012.
Amanhã: última crônica da série.

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