terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

GUARDIÕES E GAZETA OUVEM O POVO



GUARDIÕES E GAZETA OUVEM O POVO
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de fevereiro de 2014
Crônica Nº 1143

Guardiões e repórter próximos ao matadouro. Foto/Agripa.
Mais uma vez os guardiões voltaram ao rio Ipanema, a convite da TV Gazeta de Alagoas. A reportagem da afiliada da Globo, procurava os problemas que impedem melhor qualidade de vida para os habitantes ribeirinhos e os danos causados ao meio ambiente. O centro da cidade, local conhecido popularmente como Ponte do Urubu, foi alvo das poderosas lentes da TV.
A Associação Guardiões do Rio Ipanema - AGRIPA, representada pelo tributarista Sérgio Soares Campos e pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto, descreviam o histórico de cada ponto tocado pela reportagem, sem no entanto, apontar culpados pelo que está acontecendo com o rio Ipanema e seus afluentes.
Sérgio Campos debulha antigos problemas ambientais. Foto/Agripa.
O Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues, situado na Cajarana, também foi alvo da reportagem da Gazeta. A região da Cajarana (por trás do hospital gigante) é a mais desprezada de Santana do Ipanema, onde a população vive sem água, sem calçamento, sem coleta de lixo e receptora de fezes e até de sangue que descem da fossa e lavanderia do hospital. Os moradores que vivem atolados na miséria reclamam constantemente, mas as soluções não conseguem descer a ladeira do Bairro Floresta.
A Secretaria do Meio Ambiente quer resolver o problema, porém, esbarra no serviço mal feito do saneamento de Santana e a CASAL não consegue coletar o material. Enquanto isso, o Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues cura os pacientes na frente e adoece os moradores por trás. Seus dejetos descem atravessando o casario da Cajarana rumo ao riacho Salgadinho que despeja no rio Ipanema.
Escritor Clerisvaldo B. Chagas fala à Gazeta. Foto/Agripa.
Ainda foi alvo da reportagem Gazeta de Alagoas, o matadouro público, grande poluidor do rio e que não oferece as mínimas condições de higiene.
Os guardiões do rio Ipanema sabem que esses problemas vêm se arrastando por décadas, mas que a partir do mês de março, vão intensificar suas vozes e suas efetivas ações junto às autoridades até que todos os problemas básicos do rio e de seus afluentes sejam resolvidos. Os guardiões prometem não dar sossego a quem estiver errado sobre os assuntos acima e os omissos que têm o dever de fazer e nunca fizeram.
Vamos todos, autoridades e sociedade lutarem juntos e mostrar ao mundo nosso exemplo em busca de vida sadia.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

AGRIPA E A GAZETA DE ALAGOAS



AGRIPA E A GAZETA DE ALAGOAS
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de fevereiro de 2014.
Crônica Nº 1042

Professora Vilma de Lima e Sérgio Campos - Secretária e presidente. Foto/Agripa.
Mais uma sessão ordinária foi realizada pela AGRIPA, ocasião em que importantíssimos assuntos foram tratados. A busca por melhor qualidade de vida e um meio ambiente no rumo certo, é o que pretende a Associação para todos os santanenses. Na sessão de ontem à tarde, após lida e aprovada a ata da sessão anterior, a Ordem do Dia foi bastante debatida quando vários itens foram amplamente discutidos.
A AGRIPA caminha para sua ultima etapa estratégica, dentro do cronograma cuidadosamente traçado, quando deverá falar e ouvir as autoridades da terra sobre o resgate do rio Ipanema. A partir daí, logo as ações em parceria estarão sendo realizadas. O segundo encontro temático e decisório, acontecerá no próximo dia 13 de março, logo após o Carnaval.
A AGRIPA vem sendo estimulada por pessoas dos mais diferentes lugares do município e procurada também por jovens de outros municípios interessados em participar das ações ambientais. Como exemplos, poderemos citas pessoas do Quandu (povoado do Poço das Trincheiras), Capelinha (povoado de Major Izidoro), Palmeira dos Índios, Camoxinga dos Teodósios, Serra da Lagoa (sítios locais) São Félix e Areias Brancas (povoados de Santana).
Guardiões: Ariselmo Melo, Marcello Fausto, Vilma de Lima, B. Chagas, Sérgio Campos, Manoel Messias, Dona Joaninha. Foto/Agripa.
A Associação Guardiões do Rio Ipanema, apesar de sua organização interna, ainda não dispõe de sede própria e necessita de todas as ferramentas de trabalho como computador, impressora, material de expediente, binóculo, GPS, máquina filmadora e fotográficas e tudo o mais que caracteriza trabalho moderno e eficiente.
Continuando a sessão de ontem, um dos itens da Palavra à Bem da AGRIPA foi à vinda da equipe da TV Gazeta de Alagoas à Santana do Ipanema, ainda hoje (terça) quando deverá percorrer trechos do rio Ipanema, novamente com a AGRIPA. Dessa vem, porém, a gazeta virá em busca das mazelas do rio, guiada pelos guardiões. Já o problema de saneamento deverá ficar a cargo da CASAL, uma das grandes esperanças de estancar a sangria dos esgotos urbanos.
Prosseguindo a sessão, o Tempo de Estudos foi suprimido e a palavra foi entregue ao Orador para suas conclusões. O presidente encerrou a sessão e um grupo de guardiões ainda foi realizar importantes visitas às margens do rio Ipanema.



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domingo, 16 de fevereiro de 2014

TEMA EM MARTELO AGALOPADO



TEMA EM MARTELO AGALOPADO
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2014.
Crônica Nº 1141

Imagem: (arapiraca.al.gov.)















Os arreios pendurados na parede
Um carrinho brinquedo só de pau
Um menino tocando o berimbau
A novilha matando sua sede
Negro velho deitado numa rede
Os bois se esforçando no cambão
As sonoras batidas no pilão
Os trovões assombrando os tabuleiros
Fui criado pertinho dos vaqueiros
Vendo tudo que havia no sertão

Eu sentia o prazer das trovoadas
As pancadas das chuvas no telhado
O romper do gibão no alastrado
O amor da morena às madrugadas
Candeeiros brilhavam nas latadas
Nos forrós entre a pinga e o limão
O brilho do punhal na escuridão
Ou o rifle nas locas dos lajeiros
Fui criado pertinho dos vaqueiros
Vendo tudo que havia no sertão

Imagem: (limacoelho.jor.br.).

















Alvorada trazendo muita luz
O carão rodeando uma lagoa
Uma velha cantando faz a broa
Mesa grande com leite e com cuscuz
Uma reza ligeira pra Jesus
O balanço sutil do gavião
Um cavalo selado no mourão
O teiú rastejando os marmeleiros
Fui criado pertinho dos vaqueiros
Vendo tudo que havia no sertão

Mergulhei nos Barreiros da fazenda
Enfrentei faveleira, unha-de-gato
Tangi emas comi carne de pato
Comprava fiado numa venda
Namorava debaixo da moenda
Cacei onça e montei em barbatão
Só não quis atirar de mosquetão
Pra não ser mais um dos cangaceiros
Fui criado pertinho dos vaqueiros
Vendo tudo que havia no sertão

Era o leite da vaca logo cedo
O sol quente brilhando como o ouro
Uma faca cortando sola e couro
Carcará no pico do penedo
Umas dez polegadas sem ter medo
Das noites escuras do grotão
Era a foice, a enxada, o levião
Tilintando nas pedras dos aceiros
Fui criado pertinho dos vaqueiros
Vendo tudo que havia no sertão

A moça mais bonita era açucena
O esporte do homem a vaquejada
A comida gostosa era a buchada
Toda festa de santo era novena
Uma légua bem braba era pequena
Quando as pernas levavam o coração
Padre Cícero, Gonzaga e Lampião
Ladainhas, baiões e bandoleiros
Fui criado pertinho dos vaqueiros
Vendo tudo que havia no sertão

FIM









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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

PEITO LAVADO



PEITO LAVADO
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2014
Crônica Nº 1140
Ilustração: (gazeta de beirut)



Tudo começou em tempo de eleição. A cidadezinha dividia-se em dois partidos políticos. Durante os comícios dos dois candidatos a prefeito, Candinho, o proprietário da burra de carroça por nome Aurora, notou que o animal ficava excitado e queria sempre acompanhar os discursos de um deles. Logo correu o boato de que a burra era inteligente e queria votar.
A casa de Candinho estava sempre cheia de gente querendo conhecer e falar com ela, ali no terreno vizinho. Quando indagavam se o candidato “A” iria ganhar a eleição, a burra ficava impassível. Quando perguntavam sobre o candidato “B”, Aurora balançava a cabeça para cima e para baixo.
O candidato “B” foi à casa de Candinho conhecer a burra dos boatos. Aurora ficou muito alegre com sua presença, saiu pulando, escoiceando e por fim veio esfregar o focinho no candidato de sua preferência. O homem disse que queria comprar a burra pelo preço que o proprietário pedisse. Candinho não quis vender. Diante disso, o político mandou colocar uma vistosa saia na burra, levou uma cabeleireira e maquiadora até à casa de Candinho e preparou Aurora como se fosse mulher para levá-la ao seu próximo comício.
O candidato “A” soube e também foi procurar Aurora. A burra saiu correndo e não quis ouvir o político.
Diante do número de eleitores que a cada dia lotava a casa de Candinho para conhecer e pedir conselho a Aurora, o candidato “A” contratou o jagunço Mané Gancho para matá-la. O terrível jagunço dirigiu-se ao cercado de Aurora, durante a madrugada, levando uma espingarda 12. Aurora, percebendo o perigo, aproximou-se do bandido e passou-lhe a língua na face. O bandido ficou apaixonado e, durante o amanhecer escapuliu da terra sem realizar a base do contrato.
O prefeito “B” ganhou a eleição, Aurora desfilou na rua vestida de mulher ao som de banda de música e o novo prefeito nem sabia o que fazer para colocar a burra no colo.
Daí em diante, Aurora passou a ser procurada para tudo. Com a cabeça, relinchos, coices e outras artimanhas, respondia às multidões como famosa vidente dos sertões. Perguntavam sobre separação de casais, almas do outro mundo, como deixar de beber, trazer um amor de volta e até sobre os números da loto em que a burra de Candinho respondia batendo com os cascos no chão a cada número perguntado. Quando um fazendeiro quis construir para ela uma igreja, o bispo exasperou-se e mandou o delegado tomar providências. Mas, todos que chegavam perto da burra encantavam-se com ela.
E para encurtar a história, certa manhã encontraram Aurora “estirada” no cercado. Nunca souberam quem havia feito tamanha barbaridade, mas a mulher enciumada do prefeito “B” estava de PEITO LAVADO

·        Série ficção.

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