sexta-feira, 29 de junho de 2012

FICANDO DE CASTIGO

 FICANDO DE CASTIGO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2012.
Crônica Nº 808

Fonte: www.globo.com
Vai embora o mês de junho, com importantíssima vitória para a Venezuela. Bem diz o povo “que morre uns a bem de outros”. Protelando sempre a entrada do país setentrional no MERCOSUL, o Paraguai usava seu direito de voto, puxando às rédeas da decisão até não se sabe quando. Beneficiado pelo afastamento oficial do Paraguai, pelos demais países do bloco, o senhor Chávez tem muitas comemorações ainda pela frente, em face da inclusão do seu país como membro total do MERCOSUL. É de se ver como já disse o senador Pedro Simon, que o Chávez passa, mas a Venezuela fica. Independente do polêmico “fura penico”, Uruguai, Argentina e Brasil (fundadores do bloco do sul), só têm a ganhar com a inclusão do país vizinho do norte, fortalecendo as amarras latinas e robustecendo a Economia regional. Quando o próprio Paraguai terminar o seu lero-lero, irá notar como a América do Sul ficou mais encorpada. A Venezuela é um grande importador dos nossos produtos e não vemos nada de negativo com essa nova parceria, a não ser possíveis chateações com o camarada da boina vermelha.
Dessa vez se saiu bem a presidente da Argentina Cristina Kirchner e toda diplomacia das outras nações, inclusive as dos países ainda associados ao bloco como Chile, Bolívia, Equador e Peru. Esperamos, aliás, que  futuramente esses quatro países façam parte plenamente do MERCOSUL, assim com a Guiana e a Colômbia. Também foi bem feita a costura do Brasil para que o povo paraguaio não sofresse sanções por parte dos seus vizinhos. Um puxão forte de orelhas deve fazer muito mais efeito de que sacrificar mais ainda a população do país mais pobre da região. Apesar da reunião acontecida não ter sido mostrada amplamente pela Imprensa, não se sabe de nenhuma discórdia e nem incidente que levasse a assembleia a um fracasso. Certamente estaremos vivendo uma fase diferente sem a presença política paraguaia por longos meses que ficam mais longos ainda pela crise mundial. Já no fim da reunião, Cristina Kirchner passou a presidência do bloco para a presidenta brasileira, no revezamento democrático do conjunto.
Na sexta, o Senado do Paraguai afastou Fernando Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo”. Na escolinha de aprendiz ainda, o Paraguai, no entendimento dos parceiros, errou a lição na cartilha Lugo-Franco. Vai perder um belo de um recreio, baixando a cabeça e FICANDO DE CASTIGO.


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FOGUETES


FOGUETES
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2012.
Crônica Nº 807
 
A mulher me fez parar bem defronte ao museu e perguntou-me por que estava havendo tanto foguete na cidade. Aspecto humilde, mas demonstrando bastante vontade de conversar, quase não me deixava responder nada. “Será pelo São Pedro?” − tornava a perguntar. Eu falei calmamente que não sabia o motivo do tal foguetório. “Mas o senhor não é professor? Não é escritor? Insistia a mulher. Sim, madama, voltei a responder, porém, não sou professor para investigar o porquê dos fogos. E escritor é para escrever, não para perscrutar estouros. “Pois figue sabendo professor, que isso não é coisa de santo, não. É bem safadeza de político. Não tá no tempo? Eita povo triste, meu Deus! Eu mesmo não dou meu voto esse ano a fio da peste nenhum. Pode soltar o tanto de foguete que quiser! O senhor não é candidato não?” Não senhora. E me desculpe que estou partindo. A mulher deixava explícito que estava precisando urgentemente falar mal de alguém. Seus olhos dançavam nervosos e pareciam querer espiar os meus blindados pensamentos. Senti a pregada no ar. “Estou precisando comprar um botijão de gás e pagar as minhas contas de água e luz... Mas o senhor tem certeza mesmo de que não é candidato?
Ouvimos juntos outros espocar ali por perto. Realmente a tradição de soltar fogos em época junina, continuava, se bem que em menor quantidade. Aliás, tudo que se referia aos festejos do mês de junho havia encolhido principalmente a prática de acender fogueiras, as bombas mais robustas, a venda de comidas típicas e os forrós arretados em cada rua do interior. Somente o velho foguete, inventado no tempo em que Adão era menino, continuava em voga. Santo Antônio, São João e São Pedro precisavam dos estouros e da luminosidade daquelas varas finas com pólvora para se sentirem mais honrados ainda pelos sertanejos devotos do Nordeste. “Mas não era tempo de confissão!”, teimava a mulher. Expliquei: Não senhora, o padre está danado com esse negócio de confissão. A senhora vai se confessar? Os partidos estão fazendo as convenções e não as confissões. Todos eles usam o foguete. Mas, como à senhora não gosta de foguetes e nem vai votar em “fio da peste nenhum”, é melhor eu nem dizer quem está pagando água, luz, gás e telefone. A mulher, sentindo que ainda restava uma esperança, ficou “mordendo na corda”: “Não professor, é que todo político quer subir e a gente precisa mesmo dá uma ajudazinha a eles, não é? Eles botam um foguete no r... e a gente toca fogo, né não! Eles sobem que só a beleza!”. Na hora lembrei-me de Seu Lunga.
Bem, estou indo, eu disse. “Vai para onde?” Vou ajudar as pessoas que precisam pagar as suas contas; aproveito e vou à ponte do Urubu comprar foguetes. “Comprar foguetes? Comprar foguetes para que, se o senhor não é candidato e nem vai à confissão?”.  Perdi a paciência e respondi: É certo que não vou à convenção, os foguetes são para a senhora que eu os dou de presente. A madama vai usar cada um no mesmo lugar onde o político coloca, sabe! Na hora de tocar fogo pode me chamar que eu venho.
Não sei dizer se a irritante tagarela esperou à compra dos FOGUETES.

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

PRETO E CABELUDO


PRETO E CABELUDO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2012.
Crônica Nº 806

Quando o circo chegava ao interior proporcionava uma grande alegria à população carente de diversões. Circo grande, enorme, descomunal ou circo pequeno, acanhado, sumido, sempre concentravam a força maior no palhaço e alguns até em dois palhaços. Poderia o circo dispor de ótimas apresentações em todo o seu quadro, porém, se não tivesse um excelente mestre do riso, seria motivo de brevemente levantar acampamento. Lembro que certa feita um bom palhaço assegurava semanas seguidas de espetáculos, por trás da atual Delegacia de Polícia, em Santana do Ipanema, Alagoas. Entre outras, o sem vergonha contou que seu primo andava perto da cidade quando avistou um bicho. Tentou correr, mas se deparou com o bicho na frente. Era um bicho preto e cabeludo. Ele voltou e entrou por uma vereda. Olhou para trás e, lá vem o bicho. Correu, correu em direção à cidade e o bicho preto cabeludo atrás. Ao entrar na cidade procurou um abrigo e nada. Lá na frente havia uma baiana da saia grande, vendendo acarajé e, o jeito foi meter-se debaixo da saia da vendedora. Pronto, respirou aliviado o primo, porém, quando pensava que estava salvo, olhou para cima e assustou-se mais ainda pois lá estava o bicho preto e cabeludo. O velho circo quase veio abaixo de tantas gargalhadas dos marmanjos.
Esta semana encontrei-me com um pretenso candidato, no comércio de Santana. O homem aproveitou para me dá um abraço de urso, perguntar pela família, pela saúde, pela situação e tantas coisas mais que eu pensei que o novo cara de pau, havia se convertido. Depois da ladainha de praxe, o sujeito confessou a sua pretensão. Perguntou-me animado se podia contar com a minha família, se não toda, mas pelo menos com a metade ou menos da metade porque por um voto apenas se ganha e se perde uma eleição. Diante da famigerada saia justa, fui salvo pelo gongo, quando outra vítima surgiu e nos cumprimentou. No desvio da atenção, saí alegando uma conversa futura, mas o novo passarinho ficou na mesma rede em que eu estivera.
Com duas quadras adiante, respirei aliviado. Quando olhei para trás, lá vinha o indivíduo nos meus calcanhares, estirando o pescoço igualzinho a jabuti. Dobrei a esquina e lá na frente olhei para trás, lá vem o homem. Entrei numa galeria que saía noutra rua, o candidato atrás. Imediatamente pensei apenas em três alternativas. Parar, aguardar e enfrentá-lo sem saber o que dizer. Disparar pela principal avenida como quem estava doido, foi à segunda, e, a terceira alternativa não podia acontecer porque não vi baiana nenhuma vendendo nada. Mas confesso meu amigo, com todo o risco do mundo que pensei forte no primo do palhaço. Não consegui escapar das unhas e das novas baboseiras de (quase digo o nome dele), mas bem que me deu muito mais coragem para enfrentar o BICHO PRETO CABELUDO.
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NÃO HÁ POSSIBILIDADE

NÃO HÁ POSSIBILIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 27de junho de 2012.
Crônica Nº 805

Novamente sou obrigado a recordar conversas de adolescentes ao observar o quadro político na minha cidade. O saudoso companheiro José Lima, morando com a tia Maria Sabão no Hotel Central, descia as escadas de madeira do 1ª andar para a Esquina do Pecado. Entre suas anedotas, rápidas e inteligentes, o negrão falava sobre um gay que morava em Palmeira dos Índios. Muito educado e de frases elegantes, segundo o negrão, o gay de Palmeira não perdia o prumo. E depois de contar algumas passagens da criatura, Zé Lima quis provar que o danado era fino até na hora do ato sexual. Depois de chegar ao lugar adequado com um fulano, fizeram as preliminares, quando o gay tomou a posição de praxe. Naquele momento da felicidade, o gay lembrou-se de espiar para trás por cima dos ombros, ficando horrorizado com o que viu; mas o belo patricinho não perdeu a elegância uma fração de segundo. Simplesmente ergueu às vestes inferiores e afirmou, categoricamente, deixando o local do “crime”: “Estimadíssimo quadrúpede, não há possibilidade! Não há possibilidade!”.
A disputa política das eleições em Santana do Ipanema é igual à de qualquer outro lugar do interior. Existem os que detêm grandes condições e aqueles que desejam, mas são rejeitados pelo povo. Mesmo assim, sempre se registra a insistência robusta de querer entrar no céu a pulso. “Nós não o queremos” diz o povo. Mas o personagem faz ouvidos de mercador e aparece de chofre com a maior autoridade do estado para avalizar a sua vontade tresloucada de atropelar e ser prefeito. O resultado é a grande decepção, coleções de piadas e risos sem fim da parte popular. É certo que a maioria da população é analfabeta e não sabe o que quer, porém, sabe muito bem o que não quer. O exemplo acima é de um candidato fictício ou não, mas existem outros vários exemplos de desespero político, provocando risadas espetaculares. Enquanto isso os paióis das azulzinhas, ameaçam estourar a partir dos primeiros dias do mês de julho.
Diante do céu da prefeitura, portas estreitas e fortes aspirantes. Para os que procuram aliviar as suas taras nas partes íntimas do erário público, ficam parecendo o jumento de duas pernas da história do negrão Zé Lima. Conformem-se nas palavras buriladas do gay de Palmeira dos Índios: “Estimadíssimo quadrúpede, não há possibilidade! NÃO HÁ POSSIBILIDADE”.


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segunda-feira, 25 de junho de 2012

O BICHO GARÇA



    O BICHO GARÇA
    Clerisvaldo B. Chagas, 26 de junho de 2012.
       Crônica Nº 804
 Quando o nosso amigo cientista João Nepomuceno, perguntou qual seria o bicho da vez nas eleições de Santana do Ipanema, Alagoas, respondi que primeiro teria que sonhar. Todo viciado no jogo do bicho, que se preza, sonha primeiro para poder fazer sua fezinha no cachorro, no urso, no veado ou em outro vivente qualquer do total de vinte e cinco da roleta. Quando o obcecado pelo jogo não sonha, vai tentando decifrar o animal da noite, assim que pula da cama. Se nos primeiros minutos, não avista nada dos bichos mais corriqueiros das ruas, gato, cachorro, papagaio, macaco... Parte para interpretações avistando outros bichos fora da lista e faz a associação: rato, barata, mosquito, sapo... E se ainda assim não tiver a sorte de enxergá-lo já, apela para a vizinha que gosta dessas coisas, pede o palpite do dia, se desespera, puxa os próprios cabelos até encontrar o que acha ser a resposta correta. Depois parte para o primeiro cambista que encontra na rua, taca o real do pão das crianças na mão do outro lunático e liberta o sorriso maroto que pedia liberdade desde a madrugada.
Domingo passado teve início a série de convenções para candidatos a prefeito e vereadores do nosso município. Muitos jogadores já estão afilados, rindo das apostas feitas e outros estão vendo miragens no Sertão e iniciando o jogo perdendo. Como coincidência da indagação amiga de Nepomuceno, chegou de repente na cidade um bando de garças de regiões longínquas, para apreciar as convenções de Santana. Pelo dia, as brancas aves sobrevoam o campo a procura de alimentos. Com a aproximação da noite, o bando sobrevoa a cidade e vai pousar no Bairro Floresta, entre o lugar Alto dos Negros e o Hospital Geral Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo. Na barreira que dá acesso ao rio Ipanema, as garças escolheram uma grande clareira no matagal, onde mais de mil aves cobrem o chão e os arbustos de branco concentrado. Se o jogador quiser fazer sua interpretação pessoal pelos três candidatos que sairão a prefeito de Santana, pode se enganchar nas três interpretações, conforme as profissões dos postulantes: Caso ele diga que as garças se vestem como enfermeiras, pode aposta no doutor. Se ele vê as garças como motivo ecológico, tão em voga no momento e defende a causa, vai por o dinheiro no advogado. Mas se ele interpreta o bando de aves como lições para o ambiente, despeja no professor.
Não sei se respondi ao cientista Nepomuceno, do nosso Mural de Recados, mas pelo menos afunilei o jogo. O profissional que vai ganhar eu não sei, mas se animal das canelas grandes estivesse na roleta, não teria para ninguém, somente na cabeça O BICHO GARÇA.








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domingo, 24 de junho de 2012

O NÓ DAS LUVAS BRANCAS


O NÓ DAS LUVAS BRANCAS
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2012.
Crônica Nº 803

Cai Fernando Lugo por não saber governar o seu país, dizem os seus compatriotas. Se essa moda pegasse aqui no Brasil em relação às prefeituras, apenas um punhado de prefeitos continuaria no poder. E se levasse o caso para o legislativo, seria outro punhado apenas de vereadores, deputados e senadores que continuaria mamando nas gordas tetas governamentais. Um arrastão pelo Judiciário, como a coisa anda, somente Deus não se surpreenderia com o resultado. De vez em quando, perdidamente, ainda se ouve uma notícia que injeta um pouco de ânimo na população, porém, com muitas dúvidas ainda como o caso de auxílio paletó. Entretanto, isso não justifica o que aconteceu no Paraguai que até hoje não deixou a Venezuela fazer parte plenamente do MERCOSUL, por causa da meia democracia do seu dirigente. Quando se pensa, então, que no país central havia solidez democrática, surge o exemplo de um golpe sutil, um golpe de luvas brancas que não irar permanecer somente no inchaço da pancada. A América Latina, a velha América Latina, viciada em golpes no passado, ainda não esqueceu em definitivo a velha prática malfazeja. De vez em quando evoca fantasmas de cartucheiras ou de tronchos idealistas que ainda não deixaram a nossa atmosfera.
“Lugo sofreu impeachment nesta sexta-feira por ‘mal desempenho de suas funções' após a morte de 17 pessoas durante uma desocupação policial violenta em uma propriedade rural”. Como o processo para derrubar o homem foi rápido, nem houve tempo para nada. A condenação já estava carimbada antes do suspeito julgamento do presidente. A reação da América do Sul, por enquanto, parece quebrada e sem muita consistência, mas esperamos todos que após a reunião que será realizada na próxima quarta, entre os países da região, possamos enxergar com mais clareza como ficará a novidade do Paraguai. Está à mesa o primeiro grande teste da UNASUL, criada para esse tipo de coisa mesmo. Fazem parte da UNASUL Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Uruguai, Suriname e Venezuela. Entre “trancos e barrancos”, o mercado do Sul vai caminhando, sem ter mais como retornara à individualidade.
O bloco reúne 440 milhões de habitantes. E como se fala hoje em dia em PIB, ele aparece por aí em torno de US$ 2,3 bilhões. Como ficará tudo isso? Para o Paraguai que representa um estado sufocado normalmente, muito mais sufocado ficará se vierem duras sanções oficiais de seus vizinhos.  Um castigo de luvas pretas para O NÓ DAS LUVAS BRANCAS.










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sexta-feira, 22 de junho de 2012

REI DO BAIÃO


O REI DO BAIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2012.
Crônica Nº 802

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na cidade pernambucana de Exu em 13 de dezembro de 1912 e faleceu em 2 de agosto de 1989. Ao se tornar sanfoneiro e cantor, era acompanhado de sanfona, zabumba e triângulo e passou a cantar todos os aspectos do Nordeste, ficando famoso com o apelido de “Rei do Baião”. Os pais de Luiz Gonzaga eram trabalhadores rurais, Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, conhecida por “Santana”. Januário trabalhava na roça alheia, tocava e consertava acordeon. Foi ele quem ensinou Gonzaga a tocar.
Adolescente, Gonzaga apaixonou-se pela filha de um coronel que não queria esse namoro. Ficou namorando escondido. Seu pai, Januário, deu-lhe uma surra por causa desse negócio e Gonzaga fugiu de casa, alistou-se no exército no estado do Ceará e passou nove anos sem dar notícias em casa. Andando pelos estados, Gonzaga conheceu em Minas, um soldado que tocava acordeon e começou a se interessar pela música. Em 1939, deu baixa do exército no Rio de Janeiro e passou a tocar nas feiras e nas casas de prostituição. Tocava músicas estrangeiras. Em 1941, cantou uma música nordestina da sua autoria e foi aplaudido. Logo fez um contrato com a gravadora Victor, gravou “Vira e Mexe”, seu primeiro disco e mais cinquenta depois. Passou uns tempos vivendo com uma cantora chamada Odaléa Guedes dos Santos que teve um filho de outro, mas Luiz assumiu a paternidade e deu-lhe o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior que depois se tornou o cantor Gonzaguinha. Em 1946 foi visitar os pais, desde a surra que levara, em Exu. Em 1948 casou-se com a professora Helena Cavalcanti. Odaléa morreu de tuberculose nesse mesmo ano deixando Gonzaguinha órfão, mas Helena não queria saber de criar o menino. Houve muitas páginas de sofrimento entre Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, rejeitado pela família da esposa de Luiz. O garoto chegou a ser internado. Muitas brigas houve entre Luiz e a esposa por causa de Gonzaguinha. Depois o menino cresceu e ficou viciado em bebida, aumentando os problemas da família. Somente muito mais tarde, Gonzaguinha resolveu se curar e tornou-se compositor e cantor e fez as pazes com o suposto pai.
Luiz Gonzaga sofria de osteoporose e morreu vítima de uma parada cardiorespiratória no Hospital Santa Joana, no Recife. Seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte e sepultado em Exu.
Luiz Gonzaga gravou centenas e centenas de músicas e cantou o Nordeste inteiro. Juntamente o que Frei Damião e padre Cícero representam para os católicos nordestinos, Luiz Gonzaga representa para a música dessa imensa região.  Outro Luiz Gonzaga só agora daqui a cem anos. O maior ídolo musical do Nordeste ainda é O REI DO BAIÃO.








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