terça-feira, 31 de janeiro de 2012

RECADO A MARTA

RECADO A MARTA
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de fevereiro de 2012

 Sempre estamos passando pelo lugar Dois Riachos. A mesma simpatia da cidade descanso onde todo mundo conhece todo mundo. Nunca dispensamos a espichada do olhar para o leito do riacho que leva nome duplo. O sombreado das margens, poços, cacimbas e areia grossa, cenário simples, mas significativo para àquela população sertaneja criada na liberdade entre o casario e o campo. Aponta-se a grande feira de gado como atração semanal; a pedra do padre Cícero com sua folclórica igrejinha no topo, com direito à escada de concreto e tudo, às margens da BR-316. O transporte diário de água através de carroças com tonéis de plástico, subindo e descendo as colinas secas da periferia, marcam o cotidiano de quem passa. E fugindo da rotina calma de primavera, chega a tradicional vaquejada dos Dois Riachos, quando imensa multidão prestigia o esporte dos encourados. Mas a faixa afixada está ali. A faixa que anuncia com orgulho a terra da maior jogadora mundial de futebol, mesmo tendo perdido o último título para uma japonesa.
          O anúncio da liga americana que suspendeu os próximos jogos de futebol feminino deixou Marta desempregada. A jogadora, porém, já mostrou ao planeta por diversas vezes a sua categoria, fazendo história e implantando seu nome imorredouro entre os pátrios e os estrangeiros. Perguntamos, então, a goleadora, independente da sua vontade de parar ou não, se a vez não é agora para que ela possa formar em nosso país uma nova instituição para assegurar um clube feminino de futebol à semelhança de qualquer grande agremiação masculina? Ao invés de apelos e mais apelos às autoridades esportivas para incentivo ao futebol feminino, por que ela mesma não funda esse grande clube e o mantém como empresa, para estimular outras ações semelhantes pelo país inteiro. Você já mostrou ao mundo quem é, Marta. Precisa agora morar no Brasil e trabalhar diretamente pelo futebol feminino, pois já não precisa provar nada e nem morar obrigatoriamente no estrangeiro para ser o que é. Olhe o magnífico exemplo de Neymar. Quem quiser vê-lo, venha ao Brasil.
           Quando falamos sobre Marta, são falas dos brasileiros empolgados com sua garra, seus dribles desconcertantes e suas arrancadas incríveis. Vê-la morando no Brasil, como já foi dito, poderia assegurar o futuro do futebol feminino como uma imensa fábrica esportiva de novos talentos; de geração de milhares de emprego; de sangue novo na estrutura desportiva; de novas opções para matar a vontade dos que amam a esfera, o bailado e o gol. E como dizem em nossa região: “desculpe aí Marta, se você não quiser ficar em nosso território”. Continuamos nos estádios ou na poltrona, apreciando o seu mágico futebol. Quem pediu em não sei, mas o pedido era claro: “Mande com urgência um RECADO A MARTA”.


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

JUSTINIANO

JUSTINIANO
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2012





Ao passar pela Praça Bonfim, aqui no Bairro do Poço, em Maceió, sempre olho para a cúpula da igreja, assim com fazia ao sair da fase de criança. O Cine-Plaza, a igreja do Bonfim, a praça enorme, farmácia e as compridas mangueiras dos quintais, dominavam o cotidiano. O ônibus como sinal de progresso ou o romantismo do bonde, ia marcando a Rua Comendador Calaça, onde por trás se viam as barreiras e as faixas móveis e aéreas azuis e encarnadas do antigo e charmoso farol. As missas dominicais sob a cúpula imitativa, ainda não permitia as grandes comparações aos calças curtas. Hoje, vem à tona a basílica de São Pedro e a grandiosidade da igreja de Santa Sofia, em Constantinopla.

O Imperador bizantino Justiniano, teve a coragem de casar com uma atriz e cortesã que animava os espetáculos de Constantinopla. O imperador não ligou muito para a opinião social da época, pois antes de ser coroado, conhecera e se apaixonara por Teodora. A bela cortesã, desejada por todos os poderosos, era também mulher de grande inteligência e personalidade marcante. Ajudou o marido em famosas realizações que ainda hoje brilham para o mundo. No império foram realizadas obras como hospitais, pontes, estradas, aquedutos e palácios. Os destaques do imperador foram, entretanto, a igreja de Santa Sofia e a igreja de São Vital, em Ravena. A igreja de Santa Sofia é o máximo da arquitetura bizantina. Dizem que 10 mil homens trabalharam ali durante cinco anos, entre 532 e 537. Essa construção é ampla e imponente. Sua cúpula chega até aos 56 metros de altura, com 34 metros de diâmetro, o que impressiona tanto quanto o interior da igreja. Todo ele é ornamentado com belos mosaicos, marfins e pedras preciosas. Para melhor ideia, foram utilizadas nessa decoração cerca de 18 toneladas de ouro.

No século XV, essa cidade sede do Império Romano do Oriente, foi finalmente conquistada pelos turcos. Houve várias modificações da igreja pelos conquistadores que praticavam religião diferente. De igreja passou à mesquita, quando foram acrescentadas quatro minaretes (torres de ordem muçulmana). Quanto aos belos mosaicos, eles foram cobertos com grossa camada de cal. Só em nossa época foi procedida à restauração e o prédio, motivo de duas religiões que virou museu. Ainda conhecida como Igreja de Santa Sofia, esse majestoso prédio continua entre as mais belas construções do mundo, sendo alvo das visitas dos que chegam a Turquia. É de se dizer, que Constantino XI, morreu nas ruas da cidade combatendo ao lado das suas tropas.

Olhar a igreja do Bonfim faz lembrar sim, Roma e Bizâncio. De quebra na história, Constantino, Teodora e JUSTINIANO.



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domingo, 29 de janeiro de 2012

FALTA DE VERGONHA

FALTA DE VERGONHA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de janeiro de 2012
            
            Fica evidente que existe na vida certa cumplicidade dos formadores de opinião quando o alvo é poderoso. Vai-se passando a mão por cima das porcarias por que foi fulano quem disse, foi à entidade xis quem realizou. A pornografia sem freios na Internet possui os seus adeptos, mas se uma voz se alevanta contra, pode parecer cafonice, pessoa desatualizada com o mundo moderno. Talvez por isso, até grandes organizações religiosas ou outras com finalidade de preservar os bons costumes, encontram na covardia uma maneira inglória de calar. Em nome de “não à censura” ou do “tudo pode”, é que vemos hoje até em jornais virtuais importantes pelo nome, dividir sua página entre notícias e apologia ao sexo. É mais fácil para certos profissionais estampar as imundícies degradantes, com notícias de prostitutas de luxo que num passe de mágica ganha destaque na televisão e em outros meios, de que mostrar o seu verdadeiro talento profissional. Parece que o mundo, principalmente o Brasil vai perdendo a batalha em favor dos bons costumes e da preservação da família.

É frustrante, então, quando se pertence a uma organização social ou religiosa de renome, quando se vê os compromissos covardemente encolhidos como cabeça de jabuti, preferindo uma atuação parcial no seu próprio mundo. É como se dissesse “vamos cuidar de nós que somos bem dirigidos e honrados, pois a banda podre que vai crescendo sem barreiras, não pertence a nossa alçada”. Isso representa uma falta de resistência contra o lado fétido da existência que vai contaminando o geral da sociedade até o seio familiar, muitas vezes já sem alicerce nenhum. Sobre a televisão mesmo, é triste constatar a degradação infeliz das edições. Emissoras de conceito como a Globo, por exemplo, apavorada pela concorrência e outras coisas mais que só ela sabe dizer, resolve apelar para a baixaria total, como a mais vulgar das emissoras, a exemplo da prostituição estimulada e explícita do Pedro Bial e seu programa nojento. Alguns programas ainda merecem altos conceitos, mas outros fazem corar a uma família de vergonha ao assistir junta os seus estímulos degradantes.

Temos captados sim, vozes isoladas contra essa fase corrupta dos meios de comunicação, mas vozes que até escondem a identidade com medo do massacre do vulgar. Não existe mais respeito por nada nem por ninguém, num atestado que o “Auto da Compadecida”, está cada vez mais presente e atualizado no meio brasileiro em que vivemos. Nem precisa imitar o Ariano Suassuna da peça de 1955, ela ainda mostra direitinho a omissão de 2012. Uns dizem que é carência de talento, outros falam que a mediocridade é apenas FALTA DE VERGONHA.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

LAMPIÃO PULA, MAS NÃO SOBE

LAMPIÃO PULA, MAS NÃO SOBE
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2012



Lampião, com sua personalidade complexa, embora não risse abertamente, variava muito de humor. Gostava de mandar recados espirituosos tanto para os coronéis fazendeiros, autoridades militares em geral, quanto para governadores. A confiança em dizer tudo que queria a quem desejasse dizer e na hora do desejo era alimentada pela vaidade oriunda do êxito dos seus combates. Assim, à medida que aumentava a confiança em si mesmo e na fama que se expandia com certa velocidade, ia ficando mais saliente nas suas frases catadas pelo povo. Usava o nome ou prenome dos indivíduos para os chistes baratos de cada dia. Para o tenente Bezerra, mesmo, chefe das volantes em Alagoas, deixou um recado irritante e até certo ponto merecido: “Diga ao tenente que não tenho medo de boi velhaco quanto mais de bezerra”.

Acreditamos ter sido em 1926, quando descia do Ceará, Pernambuco, em direção a Alagoas, enganado com a patente de capitão, armado até os dentes que aconteceu o fato.

Deslocavam-se de Santana do Ipanema o sargento Tenório e o cabo Jacinto em direção a Mata Grande e Água Branca, extremos do oeste alagoano. Os dois militares levavam o soldo dos companheiros que atuavam por àquelas bandas. Ambos a cavalo, iam sempre encontrando fugitivos em sentido contrário, que avisavam dos avanços de Lampião rumo a Santana do Ipanema. O sargento era comedido, mas o cabo, arrogante, cheio de piadas e imprudência que só se encontram nos malucos. À boca da noite ambos pararam em uma casa e o cabo foi pedir guarida para o pernoite, enquanto o tenente foi ao mato. Parte da cabroeira de Lampião chegou a casa com os mesmo propósitos, avistando os dois cavalos amarrados. O cabo Jacinto foi preso e acabou-se a arrogância. Uma batida foi feita no escuro, mas o sargento escapulira de lá mesmo de onde estava. Lampião chegou em seguida e indagou “por que esse macaco ainda está vivo?”. Eliminado o cabo Jacinto, Lampião arrancou suas divisas e as colocou no bornal. Entre um a três dias depois, O bandoleiro invadia a vila de Olho d’Água das Flores e mandava as divisas para o governador do estado Costa Rego, com a sua nova tirada humorística: “Diga a ele que eu salto riacho quanto mais rego”.

Lampião não temia boi velhaco. Virgolino era acostumado a escalar arvoretas como imbuzeiro, goiabeira, pereiro ou angico que é um troço cheio de nós dificílimo de abraçar. Não conhecia o loureiro ou louro, árvore originária do Mediterrâneo, cujas folhas serviam de coroas para os vencedores gregos e romanos. E assim, um pouco mais de dez anos após dizer que não tinha medo de Bezerra, desse mesmo animal levou um coice para sempre na grota dos Angicos. E como mandara um recado para o, então, governador Costa Rego dizendo que saltava riacho quanto mais rego, muito bem o rego ele saltou. Mas na hora de subir a árvore não era mais o pé de imbu. À nova árvore do palácio, governador Osman Loureiro que ele não conhecia, não conseguiu subir. Salta riacho e rego, mas não sobe no Loureiro. Que coisa feia! LAMPIÃO PULA, MAS NÃO SOBE.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

LAMPIÃO, LUCENA E A CIDADE

LAMPIÃO, LUCENA E A CIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de janeiro de 2012


Mesmo antes de 1920, o sargento José Lucena de Albuquerque Maranhão (Zé Lucena) já atuava contra o banditismo. Trabalhando em Viçosa, Zona da Mata alagoana e região de Água Branca, no extremo oeste do estado, ia aos poucos, o sargento duro, sério e determinado, mostrando sua coragem aos sertanejos. Ao chegar a década de 20, Lucena consolidou a sua bravura, principalmente ao receber do governo Costa Rego a incumbência de varrer o território de toda a sorte de bandido que perturbava a sociedade, como cangaceiros, valentões e ladrões de cavalos. Com a revolução de 30 houve reveses na vida disciplinada de Lucena, quando chegou a ficar na detenção. Renascido das cinzas, voltou à zona sertaneja com carta branca e muito prestígio, assumindo o comando do recente 2º Batalhão de Polícia com sede em Santana do Ipanema, em 1936. Em Santana, o chefe político, primeiro professor da cidade, senador e coronel Enéas Araújo, já não existia. A outra força civil e econômica, coronel Manoel Rodrigues da Rocha, também não estava mais vivo. Era o coringa com seu reinado absoluto, desde a morte do coronel, em 1920, o padre Bulhões que mandava em tudo em Santana do Ipanema. Lucena juntou-se a ele numa parceria unha e carne no equilíbrio esdrúxulo entre a espada e a batina.

O batalhão era a sede de todas as forças volantes, espalhadas em pontos estratégicos do sertão, tendo Lucena como comandante absoluto e o tenente João Bezerra como chefe dessas volantes, não deixando de comandar, porém, a sua própria organização. Inflexível cumpridor do dever e reconhecido como um dos mais bravos oficiais do Nordeste a perseguir Lampião, deram-lhe o apelido de inimigo número um em Alagoas, do bandido Virgolino Ferreira. Apesar de chefes de volantes valentes e resolutos como Porfírio, Joaquim Grande, Calu e depois um aspirante Francisco, Lucena foi tolhido em suas ações pelo jogo duplo do tenente Bezerra que se tornou amigo e coiteiro de Lampião. Com o cabeça do cangaço, o chefe das volantes vivia a jogar baralho, a comer buchada e a fornecer munição, quando disso mais precisava Virgolino, espremido entre Sergipe e Alagoas, acossado pelo Nordeste inteiro. Após a denúncia forçada dessa situação vexatória do Velho Bié das Emendadas e o aperto de “pocar o cocão”, do governo estadual, vai chegando o início do fim para Lampião.

Lucena, tendo agora o verdadeiro herói de Angicos nos calcanhares de Bezerra (espião, honesto e duro aspirante Chico Ferreira) e o tenente Joaquim Grande deslocado para a zona das Emendadas, quebra-se a corrente Bezerra-Lampião. O prenúncio é o ataque pressionado de Bezerra a fazenda Patos, o ataque de Gato e Corisco a Piranhas e uma sucessão de combates menores, ─ agora inspecionados de perto por Lucena ─ até o epílogo do todo poderoso Lampião em Sergipe, na Grota dos Angicos, em 28 de julho de 1938. De longe os repórteres perguntavam sobre LAMPIÃO, LUCENA E A CIDADE.





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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

FERNANDES LIMA

FERNANDES LIMA
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de janeiro de 2012

          Não. Não queremos falar sobre o indivíduo em si, sua personalidade de homem público na história das Alagoas. Estamos nos referindo, na verdade, a comprida lagarta cinza que nos conduz ao centro de Maceió. Lagarta essa que na capital alagoana é responsável por uma grande dose diária de nervoso do trabalhador. Os condutores dos milhares de veículos que por ali trafegam, quando não levam o chamado credo na boca, pronunciam sonoros palavrões de coleções diversas. O mínimo descuido do motorista que fala mal da sogra ou da ponte que caiu, poderá levá-lo ao embrulho das ásperas discussões, aos degraus das delegacias ou mesmo ao esbranquiçado muro de cemitério. Enfrentar um calibre 38 na boca do caixa, não é raridade para os que dão ou sofrem desde os famigerados triscas a coisas mais sérias que infernizam a hora e a vez. A passagem obrigatória diária pelo trecho vai fazendo parte do termômetro do humor santificado. Além da fila, congestionamento e batidas, os sons de veículos socorristas vão berrando nos seus ouvidos como programados filmes fantasiosos japoneses da nova geração.
          Planejam soluções; por cima, por baixo, de lado, enquanto o tempo avança sem aguardar as finais “peiticas” políticas, arrepiadoras de cabelos. Mas as montadoras que estão no Brasil não querem saber sobre esse importante departamento e não param a produção de novas máquinas em busca de recordes extraordinários e de lucros formidáveis. A última novidade é um projeto para engolir o canteiro central da avenida com seu jardim quilométrico e um assentamento “bacana” de trilhos de ferro para o chamado metrô de superfície. Ninguém ignora mais que uma das soluções para o trânsito avassalador, é o transporte coletivo de qualidade, principalmente nas grandes metrópoles. Não custa nada perguntar ao leitor esperto, se após essa realização, não impossível, as fábricas irão dar um tempo na produção de carros de passeio. Com o poder aquisitivo em ascensão, cada pessoa desse país almeja possuir seu próprio transporte, provado ser um dos três primeiros desejos do homem moderninho. Como, então, solucionar esse problema em definitivo, substituto dos fogosos cavalos de sela dos séculos XIX e XX?
          Conhecemos vários profissionais taxistas do interior no engano da capital. A Fernandes Lima sempre foi citada como fator número um na desistência da profissão ou no retorno às origens. Mas a avenida acima não é hoje sozinha a culpada do estresse no tráfego de Maceió. Tem outras vias construídas para desafogar e que estão agora sendo chamadas “Fernandinhas”. Você pode até dormir com elas, mas que estão ficando “cabulosas”, não tenha dúvida. As curvas estão no padrão que você gosta, porém, os inconformados dizem que o buraco é mais embaixo. Bem, questão de buracos já pertence à outra repartição. Quer arranjar um caso com as Fernandinhas ou fica com a mãe mesmo, a encrenqueira Avenida FERNANDES LIMA?

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O TREM DE PIRANHAS

O TREM DE PIRANHAS
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de janeiro de 2012

        Uma das melhores notícias dos últimos tempos foi à volta do trem de Piranhas, cidade presépio de Alagoas. Foi a linha férrea muito importante para o desenvolvimento do Sertão do São Francisco, o médio e alto sertão do nosso estado. O trem possuía trecho entre Piranhas (Al) e Jatobá (Pe), levando pessoas e  mercadorias para o interior, abastecendo a região de produtos industrializados. Os navios subiam o São Francisco e entregavam mercadorias da Bahia e de Pernambuco em Pão de Açúcar e Piranhas. Dali o trem, tropa de burros e frota de carros de boi, encarregavam-se de abastecer uma região que vivia do gado, da agricultura e da pesca fluvial. Deixou saudade, quando o trem fez a última viagem no dia 31 de março de 1964. A preferência do Brasil pelo sistema rodoviário de transporte levou ao abandono a estrada de ferro em muitos lugares do país. Com o plano de revitalização para cidades ribeirinhas do São Francisco, Piranhas, estagnada durante décadas, parece resgatar o seu antigo sucesso quando era movimentado entreposto comercial, permitindo acúmulo de riquezas para vários e o surgimento de casarões e coronéis que dominaram boa parte de águas e terras do baixo São Francisco.
         A volta da máquina irá impulsionar uma nova realidade nesse renascer da urbe. Puxada pelo turismo planejado a mídia mostrou a face de Piranhas para o resto do país e parte do mundo. Não está claro ainda para os ecologistas se a máquina, tipo Maria Fumaça, isto é, movida a vapor (lenha e água) modelo alemã fabricada em 1929, vai usar a lenha da região, contribuindo com desmatamento já adiantado. E se após o trem também vier o teleférico, como se fala, temos razão de sobra para acreditar numa mudança (inclusive de mentalidade) em outros municípios próximos a Piranhas que poderão se beneficiar como o núcleo turístico da cidade que foi invadida pelo cangaceiro Gato e Corisco. A hidrelétrica de Xingó, o “canyon” do São Francisco, o museu de Piranhas, o artesanato de Entremontes, as histórias cangaceiras e o próprio cenário espetacular, vão atrair bastantes pessoas do mundo inteiro. Portanto a notícia de que a nova velha máquina irá desembarcar na cidade na próxima quinta-feira, é de fato uma notícia tão boa quanto o VLT Maceió – Satuba.
          Pelo que entendemos a via férrea não terá de volta o antigo trecho de Piranhas a Jatobá. O seu limite será em torno de 12 km para o setor da hidrelétrica e parte do “canyon”. Ora, aos poucos a cidade de Piranhas vem arrebanhando os visitantes da própria região que antes procurava Pão de Açúcar. Com organização para um acolhimento a esse turista local, a cidade foi sendo divulgada e alcançou a mídia com um sucesso arrasador. Não vemos a hora de alisarmos as poltronas dessa tal Maria Fumaça e sair por aí fumarando pela beira do rio. E se passeio de canoa já é bom, imagine de Maria. Aplausos para a iniciativa. A atração agora será O TREM DE PIRANHAS.





































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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

MORENO E DURVINHA

MORENO E DURVINHA
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de janeiro de 2012

         Para quem aprecia histórias de cangaceiros, por certo ficou de queixo caído quando nos últimos anos os pesquisadores descobriram Aristeia. É que no arrastão das pesquisas, puxaram na rede do casal Moreno e Durvinha que passou a ser simpático ao público pela idade avançada e lucidez. A cangaceira alagoana Aristeia, antes, forçada pelas circunstâncias, deixou Capiá da Igrejinha, entrou com alguns familiares no grupo do cangaceiro Moreno, passando a atuar quase somente no sertão de Alagoas. Para quem não sabe, Moreno (não confundir com outro cangaceiro chamado Mané Moreno, considerado o mais mole do bando) tinha vontade de ingressar na polícia, mas foi mais de uma vez rejeitado em outros estados por ser baixo e franzino. Com sua frustração às costas, José Antonio Souto, deixou o seu Pernambuco e veio para Santana do Ipanema, Alagoas, onde começou a trabalhar de barbeiro na cidade e, no campo, de agricultor. Na roça, recebeu uma visita do célebre cangaceiro do estado maior, Virgínio, cunhado de Virgolino, que pedia duzentos mil reis ao patrão de José Antonio, através de carta. Aconselhado por José Antonio, o proprietário deu o dinheiro aos bandidos. Souto foi convidado para acompanhar o bando e, frustrado no lado policial, aceitou convite e entrou no cangaço pelo subgrupo de Virgínio.
          Virgínio tinha como companheira a baiana Durvalina Gomes de Sá, conhecida como Durvinha. Logo que Moreno ingressou no cangaço, dois ou três dias depois, Virgínio trouxe um “presente” para ele. Era um prisioneiro. Compreendendo que aquele era seu teste, Moreno sentiu que morreria se falhasse e assim matou o preso para satisfação do subgrupo. Virgínio pediu para que todos os outros cangaceiros o chamassem de Moreno. Logo, logo, também surgiu a oportunidade de um tiroteio onde Moreno se sobressaiu. Passou a ser de confiança. Com pouco tempo Virgínio foi emboscado e morto em Pernambuco assim que saiu de Alagoas, onde acabara de praticar um crime na região de Água Branca. Havia uma lei no cangaço que ao ficar viúva, a ex-companheira teria que escolher dentro do bando um novo parceiro. Jamais poderia ir embora. Foi assim que Durvinha passou a pertencer pelo resto da vida a Moreno. Pelo resto da vida, porque o casal sobrevivera a Angicos e abandonara o cangaço fugindo pelas caatingas até atingir Minas Gerais, onde viveu disfarçado até à velhice.
         Moreno e Durvinha foram os penúltimos cangaceiros, perdendo somente por questões de dias, de Corisco e Dadá, os últimos. Durvinha faleceu primeiro, depois Moreno, após ganharem notoriedade na televisão, Internet e no mundo dos pesquisadores do cangaço. Foi com Moreno e Durvinha que a outra cangaceira Aristeia viu morrer seu companheiro nas caatingas de Alagoas. Entregue a polícia, Aristeia depois foi solta graças a pessoas influentes como Pedro Gaia, prefeito de Santana e Pedro Agra, comerciante na mesma cidade. Aristeia achava Durvalina, sua amiga, a mulher mais bonita do bando. É fácil hoje encontrar a história de Aristeia, MORENO E DURVINHA.  

  











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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CUMBUCA

CUMBUCA
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2012

 Andando na caatinga, caçando nas capoeiras, feriando no povoado Pedrão (pé) íamos aprendendo e vivenciando usos e costumes que marcavam a vida. Descobríamos o singelo, o prático, a beleza lírica da ingenuidade louçã. No mundo rural aprendemos a descascar laranja, tangerina, com a unha, dispensando faca; a fazer flauta de talo de abobreira; a provar melão-de-são-caetano, emaranhado nas cercas; a colher bucha natural de lavar pratos no arame das estacas; a fazer farinha, distinguindo mandioca de macaxeira; a pinicar palma; a escovar os dentes com rapa de juá; a distinguir aió, bornal, coxim; montar cavalo em osso; assoviar e ser feliz. Para se capturar pequenos animais, é escolhida uma trilha movimentada pelos roedores. Um retângulo com certa profundidade é cavado no solo, cujo buraco é tampado com talas em forma de gangorra, cobertas de folhas. Arataca, Fosso perfeito para quedas de preás e mocós desconfiados. Por sua vez, a arapuca é uma pirâmide de talas, levantada e escorada em um lado por um gatilho sensível. Serve tanto para pequenos roedores quanto para aves e pássaros. O laço feito de fio de rabo de cavalo, é colocado diretamente na borda do ninho do pássaro, para capturá-lo vivo.
           E nesse meio interessante ainda existe a velha e conhecida cumbuca, forma de armadilha para capturar macacos. Consiste o objeto em uma cabaça previamente limpa por dentro, com um orifício de certo diâmetro, onde caiba a mão fechada de um símio. A isca consiste em uma banana. O macaco, curioso por natureza, encontra a cumbuca, examina tudo, inclusive o interior e tenta retirá-la. A mão fechada com a fruta não pode ser retirada, mas o macaco esquece de largar a isca. A cabaça presa por algum liame captura o animal, quando o caçador vem apanhar a sua presa. Os macacos mais experientes não cometem o erro da tentação. Daí o ditado sertanejo que diz: “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”.
          Somos metidos a superiores e os macacos nos imitam. Porém, quase sempre estamos imitando os macacos. Passamos nossas vidas inteiras metendo mãos em cumbucas, muitas delas tão apertadas que dificilmente nos safamos. Elas estão armadas em todos os galhos da árvore da existência: no trabalho, na ambição, no sexo, no poder, no dinheiro e na vaidade que nos escravizam. Quando paramos para uma reflexão, por mais simples que seja, sentimos a maciez da isca, seu aroma escravista, seu diâmetro estrangulador. Sabemos a saída que liberta, robustece e glorifica, dificílimo é largar a banana como macacos novos deslumbrados com ilusão. Vamos juntos, leitor amigo, tentar desprezar a isca dourada, abrir a mão presa e deslizá-la para fora da CUMBUCA.





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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CASCO DO BOI

CASCO DO BOI
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de janeiro de 2012
Crônica nº 700
        
          Houve uma época na minha adolescência, em que o município de Santana entrou na moda de corrida de cavalo. Improvisavam-se os mais diferentes espaços públicos na cidade e no campo para as movimentações paralelas: disparadas de animais por um lado, desfiles de maços de cédulas por outro. Interessante às apresentações das mais diferentes raças e origens dos quadrúpedes. Cavalos gordos, magros, bonitos, feiosos, cheios, esqueléticos de variadas cores e tonalidades, desfilavam sem pejo dos seus donos, antes das corridas, como verdadeiros campeões. Essa moda parece-me, foi encerrada no plano do lugar Barroso, onde está situado hoje o cemitério São José. A multidão, sem proteção alguma, aguardava o embate ao longo da pista, quando um dos cavalos bateu e matou o cidadão chamado Jacinto Vilela. O santanense perdeu o gosto pelo esporte sem estrutura. Tempos depois foram as brigas de touros ocorridas nas fazendas que deslocavam a populaça para o novo e perigoso lazer dos nossos finais de semana. Mais dinheiro circulando na rudeza pesadas da força bruta.
          Quando ambas as modas acima foram embora, chegou o novel gosto pela vaquejada urbana, transformada em corrida de mourão, mas com nome “vaquejada” mesmo, como se os lances de habilidades campesinas, acontecessem à semelhança das mangas e fazendas das caatingas. Apesar do gosto rural e urbano do povo que habita essa cidade, Santana nunca conseguiu “amarrar” um calendário desse esporte no município. Os acontecimentos são esporádicos, espaçosos, em variados lugares. Ocorre ao contrário em municípios vizinhos que asseguram esses eventos regularmente, tendo com exemplos, Dois Riachos, Olho d’Água das Flores, Cacimbinhas e Major Isidoro. É bom saber que o miolo das festas, envolvem negócios como gado diversos, cavalos, artesanato, queijos, leite, manteiga, iogurte e máquinas agrícolas. Claro que a vaquejada é uma festa bruta, onde não pode faltar cerveja e cachaça e, quase sempre armas brancas escondidas sob couros e tecidos. Os prêmios estão ficando cada vez mais valorizados, onde vaqueiros conseguem a proeza de viver ganhando automóveis nos circuitos nordestinos.
          No auge da vaquejada em Santana, o conhecido médico filho da terra, Dr. Dalmário Gaia, investiu em terreno no Bairro Camoxinga, com essa finalidade. Passada a euforia, o excelente terreno foi loteado e deu origem a inúmeras ruas e avenidas com suas casas de luxo. Recentemente todo esse trecho foi pavimentado, dando aspecto mais nobre à região. A juventude talvez não saiba que as imediações da casa de comércio José Balbino, Centro Bíblico, Creche, Ginásio de Esporte, vieram de fato da vaquejada, do verdadeiro ritmo idolatrado do CASCO DO BOI.



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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O TREM

O TREM   
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de janeiro de 2012

          Lá pelo final dos anos cinquenta, aproximadamente, vários jovens destacavam-se na sociedade santanense, alguns carregando seus respectivos apelidos. Como eu tinha apenas dez ou doze anos, mantinha uma distância enorme dessa plêiade que não exibia alguém menor de dezessete. Caso de apelido, todos conhecem. Uns são indiferentes, outros partem para matar. Lembro que dois jovens estudantes do Ginásio Santana, entraram em conflito na Praça da Bandeira, quando o apelidado não gostou e foi buscar um punhal para atacar o jovem Hugo de José Maximiliano. Quase acontece uma desgraça. O apelido, porém, nunca saiu das costas desse cidadão que é hoje empresário e bastante conhecido em Santana. Entre outros, também existe um comerciante que entrou na brincadeira que se exaspera e pode cometer loucura se você chamá-lo pelo vulgo. Porém, o palhaço de um circo que esteve na cidade, muito talentoso, parodiou um “frevo”, com os apelidos dos rapazes. Os frevos estavam em voga, na época e não paravam de tocar nos serviços de alto falantes, como uma praga. Alguém deu para o palhaço o apelido dos rapazes (alguns frequentadores dos cabarés da cidade, onde faziam farra com as prostitutas, inclusive formando o famoso trenzinho).
          Durante uma das noites, o circo estava lotado, quando chegou à vez do palhaço cantor. Esse jogou a bomba que para muitos é proibitiva até hoje. Numa perfeição incrível com a letra original do frevo, cantou e o circo quase veio abaixo:


“Zé Pinto
Cadê Agilson,
Chama logo o maquinista
Vamos à estação;
Josa é a máquina
Genival é o condutor
Henaldo é o foguista
Guarda-freio é Zé Yoyô;
Com a luz apagada
A turma agarrada
Passa a brincar de trem;
Zé Torreiro entra afobado
Trazendo João Badalo
Agarrado no seu pão;
Vamos, vamos, minha gente
Que o Porronca já chegou
Bolinha está acolá
Djalma a gaguejar
Que o trem já vai parar”.

 É pena não recordar o nome do frevo. Esse assunto já foi abordado por outro escritor, inclusive participante da música. Estou lembrando o assunto, mas sei que ainda hoje tem personagem aí que pode correr atrás do saudosista como vaca braba do sertão. Fui. Cansei de esperar O TREM.













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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ERA UM LUXO DA PESTE!

ERA UM LUXO DA PESTE!
              Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2012

 Para muita gente o navio Costa Concordia nem existe, pelo seu alto luxo e toda engenharia proibitiva desafiadores dos simples mortais. O seu tombo em águas italianas vai lembrando grandes tragédias de outras famosas embarcações nos mares do Norte ou mesmo em rios que sustentavam o alto luxo e o orgulho ao mesmo tempo, desafiadores qual torre de babel, a zombar de um Deus inexistente. A vaidade humana, ao bater o olho diante de tão sofisticada máquina de navegar, rende-se ao capricho, duvidando sim senhor que ali não seja um céu verdadeiro e particular onde mora o sentimento felicidade. Se falarmos na capacidade de abrigar pessoas, o Concordia tinha capacidade para 3.780 passageiros juntamente com uma tripulação de mais de mil membros. Além disso, havia quatro piscinas, quadras de tênis, futebol, basquete, vôlei e academia de ginástica. Cinco restaurantes e treze bares matavam a fome e podiam sustentar o vício de quem quer que fosse durante a temporada no cruzeiro. Quanto aos camarotes, havia apenas mil e quinhentos deles, centenas com varanda para o deleite dos privilegiados mortais.
         Custa também a acreditar que uma “belezura” dessa tenha sido entregue a um irresponsável como foi amplamente divulgado após as primeiras impressões. Diante do que vai sendo mostrado, esse comandante parece carregar todos os pecados de um amador, de um bêbado, um débil mental, um receptor de loucura repentina, ou um planejador de mortes coletivas. As ações insanas do comandante são mais fantásticas do que a própria estrutura do navio. Falam em seis pessoas mortas e 69 desaparecidas até agora, numa noite de grande prazer que virou pesadelo profundo bruscamente. O rei dos mares, diante do orgulho de tantos que trabalharam para fazê-lo existir, vai ao fundo do mar com um simples bico de pedra que lhe rasga as entranhas. De fato a bruxa está solta para os lados elitistas da Europa.
          Agora vem o segundo ato com a ameaça ecológica pelos arredores. O óleo pesado do navio ameaça a ilha de Giglio, com seus moradores entre 500 e 5.000 pessoas em temperadas. Além disso, falam que ali existe um santuário de baleias que não precisa de petróleo nenhum para mover seus animais. Retirar os destroços do navio do imprensado onde ele se meteu, está gerando preocupação e nervosismo em todas as partes interessadas.
        Conversando com um visitante a minha casa, este fazia comparação entre o mundo quase irreal do navio e uma pessoa riquíssima à custa do alheio, cujo mundo desaba de repente. Até o visitante pareceu absorto, quando deixou escapar baixinho, a frase derradeira: ERA UM LUXO DA PESTE!

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

BYE, BYE, INGLATERRA

BYE BYE INGLATERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de janeiro de 2012

          Revolução Industrial começou na Inglaterra, com vários fatores contribuindo para esse pioneirismo inglês. O acúmulo de capitais foi um deles, consequência das grandes expedições marítimas financiadas pela burguesia que fez expandir o comércio. No campo, os donos do capital passaram a investir melhorando a produção, mas provocando o êxito do trabalhador para a cidade, para os trabalhos duros das fábricas. Outros fatores como a posição geográfica, o crescimento da população, foram decisivos nesse processo. Porém, importante mesmo foram as jazidas de carvão que impulsionaram as máquinas baseadas no carvão mineral. Os outros países da Europa só contavam com o carvão de madeira, comum. O capitalismo se consolidou definitivamente com a Revolução Industrial, que foi substituindo o comércio como principal setor de acumulação de riquezas. Não restam dúvidas de que esse progresso industrial foi realizado com grande exploração sobre a nova classe operária, em diversos sentidos. Com a consolidação da indústria na Inglaterra, esse setor produtivo vai aos poucos se espalhando por outros países vizinhos e chega ao Japão e Estados Unidos.
          Com seu capital, indústria e marinha poderosa, a Inglaterra passa a fazer o papel que os Estados Unidos fizeram após a Segunda Guerra, com seu ar de burguesia dominando e influindo no mundo inteiro. Inúmeros episódios Inglaterra/Brasil não nos trazem boas lembranças. Sua liderança foi substituída pela nação americana, a Inglaterra estruturou-se, conseguiu um excelente padrão de vida para a sua população, mas há certo tempo parecia estagnada.
          Independente da crise europeia, a dinâmica brasileira pegou ritmo, expandindo essa consolidação não somente no mercado interno, mas fazendo ver ao mundo que alguma coisa diferente estava acontecendo, fora da rotina capitalista que bocejava na Europa Ocidental, Central e Meridional. Essas sucessivas cravadas posições do Brasil trouxeram agora a 6ª posição econômica mundial para nós, quando a nossa marinha do PIB, atropelou a velha marinha da Inglaterra. Tomamos dos ingleses, ex-donos do mundo, a 6ª posição. Em breve seremos a 5ª potência mundial, ultrapassando também a França, mas dizem que perderemos depois a posição para a Índia. Que seja! Mas não vamos sofrer por antecipação. É bom saber que são poucos os que estão hoje  a nossa frente como os Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França. Para não ficar muito triste, nem também muito eufórico, basta o Brasil levantar a bandeirinha verde e amarela e agitar com aquele sorriso maroto: BYE, BYE, INGLATERRA.



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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

MANO E O IPANEMA

MANO E O IPANEMA
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2012

Mesmo não englobando o total de indivíduos, todos sabem da grande paixão brasileira pelo futebol. Mas como uma paixão exacerbada por uma dona, o tempo pode se encarregar aos poucos de um tempero gelado que tange essa quentura. Os exemplos surgem em caçuás por todos os lugares nas mais diversas situações. É como se dissessem que nada é eterno, não passando de retórica a célebre frase “eu te amo para sempre”. Depois, quando não é a indiferença, o enjoo, pode ser até o ódio que substitui a velha paixão que não nos deixava dormir de ansiedade. E se o esfriamento das relações faz parte do cotidiano entre homem e mulher, naturalmente outras coisas menos importante repetem o efeito do desgaste no juízo vivo. Nosso gosto pelos vícios ou pelos esportes parece que segue essa mesma linha, principalmente quando as decepções são os mesmos filmes desgastantes que incomodam. A Seleção Brasileira de Futebol, não está isenta desse desgaste. Batida, surrada, decepcionante, tem afastado inúmeros torcedores dos estádios e das poltronas nas horas dos malogros. O técnico Mano pode até ser competente, mas representa muito mais um enorme Iceberg de que uma pulsação humana. No momento, sem futuro Mano, sem futuro a Seleção, sem fogo, sem brilho, sem estrela. Nosso antigo entusiasmo por ela, ainda hoje corre.
            Isso faz pensar seriamente no futebol da terra. O Ipanema, sempre polêmico há muito tempo em suas sucessivas diretorias, novamente se encanta e deixa o torcedor santanense vendo desfiles de nomes em Alagoas que vão honrando e movimentando o lazer de outras cidades interioranas como Palmeira dos Índios, Olho d’Água das Flores, Penedo, Igaci e agora o Pilar. Menos o seu. Há dezenas de anos que é assim. Uma propriedade particular muito disputada internamente, mas dotada de um agrotóxico que asperge invisivelmente sobre seus admiradores, sobre sua cidade, sobre sua tradição que leva a se pensar em outro representante moderno com novas estruturas. Nossos domingos permanecem vazios, nosso futebol continua sendo as peladas das areias do rio seco que banha essa urbe.
          Quando falamos no técnico Mano e na mediocridade da Seleção, vamos casando a frieza do homem com a trajetória local do Ipanema. Nem lá e nem aqui. Estamos mais para Túlio Maravilha no CSE de que o Mano para técnico do Ipanema e Ricardo Teixeira na diretoria. Sem nenhuma brincadeira, sem nenhuma piada de mau gosto, você sabe como erguer o time canarinho do sertão? Estar dando trabalho até refletir sobre o assunto desse pacote de enrolar prego: MANO E O IPANEMA.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

BALA VAI E BALA VEM

BALA VAI E BALA VEM
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de janeiro de 2012

          Cada pessoa tem um ponto de vista, maneira própria de sentir as coisas que a cercam. Pode até ser apenas impressão, mas nos parece que àquela fase aguda em que havia sempre um perigoso em cada bairro, o dono do pedaço, o terror dos trabalhadores, ou acabou ou diminuiu drasticamente em Santana do Ipanema. Ninguém podia circular na Floresta a partir das 20 horas, na região acima da Escola Lions. Os bandidos chamavam os transeuntes de otários. No Lajeiro Grande, bairro da região alta de Santana, todos os dias surgiam mais uma cobrinha, algumas com atuações no próprio bairro e na área rural, apavorando a população pacata e indefesa. Lideranças do mal surgiam como concorrentes na Lagoa do Junco, na Rua da Praia, no Artur Morais e mesmo na Rua Santa Quitéria conhecida por seu contingente de pessoas do trabalho. Essa impressão de quietude geral que chega até nós (não a dos assaltos e assassinatos) parece ser fruto de uma “limpeza” feita na cidade, não se sabe ao certo por quem. Polícia? Grupo de extermínio? Charlie Bronson isolado? Ação educativa das comunidades?
          Pelo menos essa aparente quietude vai permitindo ao santanense um fôlego maior em busca de qualidade de vida. Entretanto, a concorrência do mal também parece ter resistido mais forte no chamado Bairro Artur Morais. Trata-se, na verdade, de um aglomerado que dá suporte ao fundo do comércio da Rua Tertuliano Nepomuceno, cortado pelo riacho Camoxinga, no trecho, apenas um grande esgoto a céu aberto. Antes, lugar chamado “Matança”, onde se abatia os bovinos, agora um pequeno emaranhado de ruas estreitas, calçadas, que não escondem a pobreza do baixio. Bem muito antes, o Largo do Maracanã era a “menina dos olhos” da delegacia de polícia. Um sucesso de ocorrências que saía a frente entre todos os outros locais da “Rainha do Sertão”. Nos novos tempos, o Bairro Artur Morais entrou e gostou da mídia que estampa com frequência suas figuras grotescas do tráfico e do crime da pistola. Gente vai ficando famosa no mundo da bandidagem, adquirindo prestígio, graças aos novos meios de comunicação. Recentemente saiu uma nomeação engraçada dos personagens do Artur.
          Os moradores honestos que enfrentam a luta diariamente vão vivendo num imprensado perigoso. Não muito longe dali, está situada a delegacia na parte mais alta do Aterro. Conforme informações, o prédio vai caindo aos pedaços e os presos furam as paredes com cabos de vassouras. De qualquer maneira interessava a nós a boa notícia na melhoria das arruaças dos bairros. Aguardamos com esperança que o Artur Morais também seja pacificado. Por enquanto, para quem aprecia o sistema de quentura, pode descer pela Rua do Barulho, Ponte do Urubu, passagem molhada, para fazer poemas esquisitos ou simplesmente degustar: BALA VAI E BALA VEM.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

IPANEMA, UM RIO MACHO

IPANEMA, UM RIO MACHO
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2012

    Por uma questão de bem informar aos nossos leitores: mesmo não tendo sido lançado oficialmente, deve estar circulando na praça cerca de duas centenas do livro “Ipanema um rio macho”. Esse paradidático da nossa autoria é um documento sobre o rio Ipanema, jamais publicado e interessa de perto a cidades como Santana do Ipanema, Poço das Trincheiras, Batalha, Olivença e Belo Monte, principalmente. A primeira parte fala sobre a Geografia do rio em Pernambuco e Alagoas, quando o Ipanema é completamente dividido em trechos descritivos, das nascentes à foz, com destaque para a Natureza. A segunda parte fala da parte social, de tudo que o rio representou para a formação dessas cidades. A terceira parte é um interessante e inédito diário de viagem de Santana do Ipanema à Barra do Ipanema, município de Belo Monte, feita a pé através do leito seco do rio. Depois, outra viagem desde a serra do Ororubá, em Pesqueira, Pernambuco, até Santana do Ipanema, nas mesmas condições.  Os personagens dessas incursões foram além do autor, o comerciante Benedito Pacífico, Wellington Costa, radialista, e o, então, estudante João Soares (Quem-Quem). Encerramos o livro com uma peça teatral: “Sebo nas canelas, Lampião vem aí”. Excelente para universitários, professores, estudantes em geral, sociólogos, geógrafos, e todos os interessados pelo mais importante acidente do Sertão alagoano.
          A capa do “Ipanema um rio macho”, ficou a cargo do artista plástico Roberval Ribeiro. Uma situação inédita levou o livro a essa circulação antecipada por parte da editora. Recuperando-se, porém, de uma situação cirúrgica, prometemos para breve um lançamento oficial à altura para dialogarmos de perto com o nosso eleitor exigente e caro. Alguns dias mais e o “Ipanema” estará em convite e cartazes nos pontos de Santana, nas cidades citadas e nos portais importantes do estado, quando mais algumas centenas de exemplares passarão às mãos de estudantes e outros interessados que comparecerem ao lançamento. Relíquia passará a ser, sem dúvida alguma o documentário máximo sobre o rio Ipanema. Mesmo que você já tenha adquirido um exemplar, fazemos questão da sua importantíssima presença no dia do lançamento que será amplamente anunciado. Aguarde convite ou novo convite. Gostaríamos também de lançá-lo na sua repartição, particularmente se você se propuser.
          Se não viu, logo verá IPANEMA, UM RIO MACHO.


Obs. O livro em parceria com o professor Marcelo Fausto, “Lampião em Alagoas”, já está sendo lapidado e conta com cerca de 220 páginas. Alagoas e o Nordeste vão ficar de queixo caído!



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O TERNO E A GRAVATA

O TERNO E A GRAVATA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2012

Viveu em Santana do Ipanema, Alagoas, o cidadão José Ricardo. Morava em uma casa confortável, seis prédios à esquerda da residência de meus pais, à Rua Antonio Tavares. Apesar do acesso ao quintal ser muito alto e repleto de degraus, era divina a paisagem que se deslumbrava em direção ao rio Ipanema, tendo como pano de fundo os serrotes do Gonçalinho, Cruzeiro e a serra Aguda. Ricardo era um homem de bem, como ainda hoje é a sua respeitável família. Foi comerciante com excelente sorveteria no cruzamento da Rua Nova com a Avenida Coronel Lucena. Apesar de ser honesto e respeitado, o comerciante era introspectivo e duro, vivendo mergulhado no seu mundo austero e particular. De vez em quando este garoto passava pela esquina da sorveteria para se deliciar com os picolés do senhor José Ricardo. Levado pelas circunstâncias da época, eis que um dia o senhor José foi nomeado delegado civil daquela belíssima cidade sertaneja. A princípio, tudo normal, como acontecia com as indicações para o espinhoso cargo.
          Não tenho certeza se era tempo de inverno, mas o poço dos Homens, o mais famoso do rio Ipanema, no trecho, estava altamente convidativo para os banhos prolongados e prazerosos por trás das casas comerciais. Algumas mulheres moradoras das imediações desciam como lavadeiras para a parte mais larga do poço. Assim, tudo indica que chegou uma queixa à delegacia sobre excesso de alguns banhistas. José Ricardo tomou logo atitude radical, enviando alguns soldados ao poço dos Homens, que falaram à semelhança do decreto do rei. Estava terminantemente proibido o banho de calção no rio Ipanema, primordialmente no Poço, pelas ordens inexoráveis do delegado civil José Ricardo. Abismados com aquela novidade na terra de Senhora Santa Ana, os jovens reagiram de forma humorística e também inusitada como a ordem do homem. Todos voltaram a casa, vestiram terno e gravata e, coletivamente, desceram para mergulhos a rigor nas águas barrentas do poço dos Homens.
          Eu não estava no meio, mas lembro muito bem que o riso e os comentários espirituosos preencheram as ruas de Santana. Não se comentava outra coisa.
          Os anos se passaram e eu fui observando as nuanças da vida. Acho que o leitor também. Não raras vezes estamos em nosso pleno direito, gozando a parte boa da existência, quando subitamente surgem no presente os antigos soldados de José Ricardo! Para não sermos surpreendidos apenas de calção, tenhamos sempre ao alcance os paladinos dos banhistas: O TERNO E A GRAVATA.





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domingo, 8 de janeiro de 2012

SERTÃO SEM PAI E MÃE

SERTÃO SEM PAI E MÃE
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2012

          A violência vai crescendo assustadoramente no Sertão alagoano. Os assaltos e crimes de mortes progridem muito mais do que a lavoura, do que o criatório, superando atividades outras tradicionais e honestas do lugar. A impunidade governa como Neymar reina absoluto pelos campos de futebol deste Brasil. O assalto seguido de morte na entrada de Olivença, no último sábado, foi mais uma tremenda bofetada na sociedade alagoana e que ainda de quebra levou a vida do professor da UFAL. Naquele fatídico fim de semana, na tão movimentada AL-130, poderia ter sido vítima da estupidez, qualquer outro pai de família das centenas dos que retornam das praias de água doce do rio São Francisco. Piranhas, Pão de Açúcar, Olho d’Água das Flores, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Santana do Ipanema, Olivença, fazem circular pessoas para o lazer do rio, das fazendas, das chácaras, das diversas churrascarias que fazem parte do circuito.
          É preciso fazer alguma coisa profunda com urgência, pois já iniciamos a fase de início de domínio dos marginais como nas favelas cariocas. Em breve ninguém mais poderá circular pelas estradas troncos e vicinais que interligam as cidades sertanejas. Há muito, os clientes que se deslocam para as compras habituais em Caruaru ou Toritama, deixam o sertão alagoano em comboio e rodam escoltados pela segurança. É de se perguntar em que planeta anda o governo pernambucano que ainda não acabou com essa prática mafiosa que pendura as autoridades na “enfieira”. Pois a prática do comboio no Sertão de Alagoas parece muito mais evidente de que a extinção da safadeza. Do jeito que vai, o sertanejo terá de se deslocar até para o trabalho, à moda dos carroções do Velho Oeste americano. O pior é que vai caindo o descrédito das polícias civil, militar, rodoviária e das autoridades judiciárias.
          Até mesmo entre pessoas de tradição religiosa, circula o pensamento da pena de Talião. Parte da sociedade já não acredita mais em nada e diz pela boca miúda que só vai fazendo uma limpeza geral como no governo Costa Rego diante da “carta branca” ao, então, major José Lucena de Albuquerque Maranhão. Uma coisa é certa: da maneira como se encontra a insegurança, não pode continuar. As orações sinceras e profundas estão cada vez mais valorizadas, pois se os invisíveis não nos protegerem diariamente, entraremos no risco da justiça coletiva com as próprias mãos. Aparentemente, parece não haver solução segura, daí a tese da barbárie.
          Esperneia o semiárido, vocifera a sociedade, berra feio o SERTÃO SEM PAI E MÃE.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ORMUZ, ISCA DE FOGO

ORMUZ, ISCA DE FOGO
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2012

          Da antiguidade, como antigos são os seus problemas, as passagens que permeiam o Golfo Pérsico, sempre preocuparam o homem. A velha mania humana de se apoderar e não de compartilhar, é válida também para essa faixa de terras que esconde petróleo e aguça a ambição estratégica do pensamento dominador. Entre tantas outras coisas, o Estreito de Ormuz, representa a única passagem da grande produção de petróleo para o mar aberto. Não é preciso dizer da importância do “ouro negro”, mesmo em 2012, quando as buscas por outras fontes energéticas não cessam no mundo inteiro. O petróleo ainda domina a Terra e, pelo jeito, enquanto não secar todas as fontes continuará como tal. Mas não é só o petróleo que tem importância na região de Ormuz. Por ali entra e sai de tudo, entre a Arábia Saudita e o Irã. Rota de mercadorias do mundo que sempre aguçou o sentimento militarista dos que pensam pela força.
           Um dos problemas é que o polêmico Irã é um dos vigilantes da rota. Sempre que existe qualquer desentendimento com esse país, ele ameaça fechar o estreito, capturar navios, até mesmo atacar embarcações, gerando prejuízos sem conta para outros países e iniciando conflito na área que poderá alastrar-se tomando proporções imprevisíveis. Seu desentendimento com os Estados Unidos, engorda a ideia de fechamento do Estreito de Ormuz. As bravatas do Irã parecem às mesmas do Iraque antes da guerra. E por mais preparados que se achem seus dirigentes, um confronto direto com os Estados Unidos e seus aliados, traria somente o caos ao Irã. São as bravatas do antigo Japão, da atual Coreia do Norte, e de mais meia dúzia de idiotas que não têm a noção menor dos que estão fora da caverna ou do buraco. Com crise ou sem crise, os grandes do planeta aproveitariam a ocasião para arrasar de uma vez a ameaça constante e inconsequente do besta sem juízo.  
      Enquanto o aloprado vai irritando o mundo com sua conversa mastigada, aproxima-se o dia da explosão da paciência. Muitas profecias já foram lançadas contra o Irã. Nunca se ouviu tantas tolices da boca de um doido que ao invés de marchar sozinho para o asilo, procura levar o seu povo ao extremo de possíveis ações malucas. O tempo vai desenhando uma situação que poderá ter como consequência uma ampla hecatombe regional ou mundial.
         Nem o dono do anzol conseguirá escapar de ORMUZ, ISCA DE FOGO.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ESPINHO DE JUAZEIRO

ESPINHO DE JUAZEIRO
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2012

           O juazeiro, simpática arvoreta do Sertão nordestino, garbosamente assinala sua presença de esperança na Literatura geral na “Terra do Sol”. Primeiramente amada por criadores, vaqueiros, camponeses, que trabalham diretamente com a natureza, depois pelos inúmeros artistas das letras que procuram exaltar o juazeiro como um extrato de virtudes das caatingas. Na verdade nos momentos mais difíceis da inclemência ─ ponto de encontro entre homem, boi e estiagem ─ esteve sempre o juazeiro a oferecer o seu eterno aconchego verde. Além da sua cor escura, como outras árvores sertanejas, o juazeiro também representa mistérios no seu balanço, frutos, folhas e revestimentos cobiçados. Costuma gemer ao atritar os galhos mais fortes, fazendo medo. Alimenta o gado miúdo com seus frutos redondos, amarelos, adocicados. Os caprinos se erguem em duas patas, provando a delícia do macio juá. O brilho dos dentes humanos agradece a rapa do juazeiro, assim como dezenas de pequenos males necessitam das suas infusões.
          Nunca ouvi ninguém falar em seus espinhos. Eles costumam mostrar presença em fileiras de pedaços de galhos secos, que geralmente variam entre trinta e cinquenta centímetros. O espinho é robusto, torneado da base para a extremidade e, camuflado com a terra, parece aguardar, qual manhosa jararaca de folhagem, uma vítima descalça ou de calçado fofo. Sua dor é intensa, grossa e duradoura. Os pequenos galhos secos espinhentos são sempre encontrados no limpo, sob a copa onde o gado costuma descansar. Na verdade, chamamos atenção para os espinhos dos galhos secos que não pertencem mais ao corpo vivo da arvoreta.
          Em nossas peregrinações pelo mundo, nos mais recônditos lugares, na densidade urbana, nos vazios rurais, sempre avistamos e descansamos às sombras dos juazeiros. Eles foram semeados pelo criador e são encontrados nos homens de boa vontade cheios de verdes das folhas protetoras. Mas é bom está atento, também em todas as latitudes, aos perigos ardilosos dos espinhos. Na minha terra se diz: “Saber onde estar pisando”. Diante da violência desenfreada que toma conta do planeta, os furadores roliços multiplicam-se como nunca! Na vizinhança, no trabalho, na vida, secos e separados dos troncos, os ciumentos não querem a nossa chegada à sombra.
         Triste realidade quando um ser humano opta pela condição de emboscar o mundo na condição de ESPINHO DE JUAZEIRO.

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TESTEMUNHANDO O SINAI


TESTEMUNHANDO O SINAI
Clerisvaldo B.Chagas, 4 de janeiro de 2012
Crônica nº 689

Quando saí de recesso, avisei aos amigos que iria ao Monte Sinai. Para chegar ao monte sagrado, sabia, porém, da existência de uma longa travessia a percorrer. Ninguém chega ao Sinai sem a travessia. Para mim, um longo trecho de terras a ser percorrido, deserto, inóspito, onde a amenidade cede lugar às agruras e põe à prova a coragem de quem segue.
Ao iniciara travessia, perdi meus contatos divinos que sempre comigo dialogam, principalmente os que me sustentam a vida: O Sagrado Coração de Jesus, o Imaculado Coração de Maria e o padre Cícero do Juazeiro. Achei-me em um longo trecho negro. De maneira nenhuma tinha forma de túnel. Enquanto eu sofria meus incômodos, apelava para as três figuras acima. Ninguém, todavia, ousava romper aquele véu escuro, como se fosse proibido qualquer contato comigo. Apesar das dores e sofrimentos sem sinal algum de socorro, eu sabia que não estava só. Antes de penetrar na travessia havia feito dois pedidos a Jesus, um dos quais se relacionava a nenhuma quebra de nem um só osso do seu corpo no Calvário. Um dos pedidos me foi concedido em uma das fases finais da travessia, ainda no escuro. O outro alcancei com grande êxito já em pleno salão nobre do Monte Sinai, após as ultimas etapas da travessia, logo após a antessala.Sobre o pedido a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o apelo também havia sido antecipado, de modo que encontrei em sensibilidade com ambos em plena sala das realizações do Sinai. Antes, porém, nas últimas fases da caminhada, quase na antessala da montanha, a negritude desapareceu. Uma situação de angústia tomou conta de mim, ocasião em que apelei forte para o meu santo padre Cícero do Juazeiro, que tem conversado comigo sempre e me tem conseguido graças diversas, assim com fez a meu avô paterno e a meu pai. Sua imagem veterana apareceu como sempre me aparece. Aguardei um pouco e ele não falou comigo. Pareceu-me não haver obtido ordens, ainda, uma vez que estávamos na fase final da travessia.  Como eu me encontrava exausto, então, decidi tomar a iniciativa. Fiz o meu apelo angustiado a sua imagem que demorou bastante para desaparecer. Meu anjo de guarda de carne e osso acabava de me estender um prato de comida, quando senti de imediato os efeitos da intervenção de Cícero, meu amiguinho.
Soltei o prato e corri três vezes para onde deveria correr sentido o alívio imediato da dor e da angústia que me prendiam. Minutos depois, chorando de emoção, prometi a ele mais u’a missa em ação de graças. Cícero pediu-me apenas alguns foguetes, prometidos para estourá-los defronte a sua igrejinha do Lajeiro Grande, em Santana do Ipanema, Alagoas. Depois fui atendido no salão nobre do Monte Sinai, onde a minha situação foi definitivamente resolvida. Agradecido e muito mais maduro, desci o monte em plena véspera de Natal, cujo dia exato da natalidade, realizei uma cerimônia religiosa, íntima, fruto de uma aliança permanente com o Mestre na sua data natalícia.
Estou de volta aos meus escritos.
Não se preocupe se você nada entendeu acima. Linguagem figurada complexa nunca foi fácil mesmo de ser entendida.  Eu queria apenas referir-me à travessia, TESTEMUNHANDO O SINAI. 


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