domingo, 31 de julho de 2011

S.O.S. CANAPI

S.O.S. CANAPI
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de agosto de 2011

          Mais uma vez o Sertão alagoano teve um excelente inverno. Bastante tempero nas chuvas que chegaram lembrando os tempos dos nossos pais: boa distribuição de chuvas e um frio que ressuscita a velha frase sertaneja: “Tá caindo gelo”. Isso faz lembrar a moda dos antigos bons invernos de Santana do Ipanema e região com o clímax na festa da padroeira. Surgiu a moda da “japona”, um bonito casaco, baseado nas japonas da Marinha que, tanto era elegante quanto matava a frieza pertinente desde os meados de maio aos meados de agosto. Os homens desfilavam entre o meio mundo de brinquedos que abrilhantavam o novenário da santa, muito bem protegidos, sim senhor. Era mais ou menos no tempo da camisa “Volta ao Mundo” que tanto sucesso masculino causou no Brasil e, particularmente, por aqui. Ah! E haja música no parque com Waldick Soriano, Silvinho, Ângela Maria e tantos outros cantores, interrompida pela moça que anunciava: (“Para o rapaz da japona azul” ou “Para a moça da flor no cabelo”, assina, você já sabe).
         Pois bem, esse ano, além do bom inverno, houve muita “folia” em Santana do Ipanema, meu amigo. Desde a “Festa da Juventude”, emendando com a de Senhora Santa Ana, com tantos eventos e bandas musicais famosas nas ruas que foi preciso ser bom maratonista para ser testemunha de tudo. O dinheiro que foi gasto não sabemos dizer, não senhor. Mais foi tanta nota de real correndo pela diversificação do comércio que muita gente ficou rica. O movimento pelas praças, avenidas, ruas centrais e periféricas, tinha carro igualmente a Avenida Fernandes Lima, em Maceió. Julho passa para agosto com um dia inteiro de chuva em Santana, dando adeus a grande época marcante dessa terra. Água, pasto, gado gordo, visita da presidenta a Alagoas; incentivo à cultura da mandioca e outras, liberação de verba para esticar o Canal do Sertão e, finalmente a possibilidade de espetar a bola de sopro da dívida alagoana. Você quer mais, ou está bom?
        Mesmo assim, nem tudo é alegria no semiárido. Com tantos festejos do céu e da terra, as reinvindicações do povo canapiense vão se aproximando da velhice. O Alto Sertão, rouco de gritar por décadas a fio, parte para novas ações que não sejam somente da velha garganta. Enquanto outras cidades daquela área ganharam asfalto estadual (que de certo modo desviou o movimento para o polo Santana) Canapi ficou de fora. Cortada pela BR-316, em matéria de estrada o trecho é somente buraco e lama. Sua economia fica comprometida em tudo enquanto contempla o progresso chegando a municípios circunvizinhos. O trecho entroncamento Carié ─ Inajá, é uma vergonha alagoana e nacional. Tem razão os nossos conterrâneos sertanejos em cobrar com várias ações continuadas. Estamos solidários à luta daquele simpático e bravo município para integrar a última cidade sertaneja aos benefícios do asfalto. E se a garganta não dá mais, reivindiquemos agora com foguetes. S.O.S. CANAPI.





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quinta-feira, 28 de julho de 2011

LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS

LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2011
Série cangaço Nº 05 – Final

           Consolidada a hecatombe de Angicos, as onze cabeças dos bandidos foram salgadas e colocadas em um saco, pendurado num caibro, para serem retiradas nos ombros do local até a margem do rio São Francisco. O soldado eliminado no combate, o ferido e os despojos, também foram transportados com dificuldades. Os soldados estavam sem comer a três dias, a não ser rapadura com farinha, segundo o comandante. (Os corpos seriam sepultados ali, sem condições, dias depois). Em canoa subiu o cortejo macabro até a cidade de Piranhas que ouviu o tiroteio da madrugada. Piranhas assustou-se logo cedo por que um tiro deixou todos em alerta. Fora um acidente, quando um cidadão disparou uma arma contra a esposa. Logo as volantes entraram triunfantes em Piranhas, comandante ensanguentado à frente, à moda cangaceira. Os soldados traziam pelas ruas as cabeças degoladas penduradas pelos cabelos. Todos se dirigiram à casa do tenente João Bezerra, impregnando o ambiente da residência de suor e sangue. Dona Cyra, esposa de Bezerra, estava apavorada por causa da filhinha de berço, logo transportada para outra residência. Os soldados pulavam, dançavam, jogavam perfumes apreendidos, uns nos outros e cantavam “Mulher Rendeira”, numa alegria se fim. A cidade inteira comemorava e atirava para cima, invadindo a casa do tenente para contemplar as cabeças que depois foram colocadas em latas de querosene, com álcool, e expostas organizadas como troféus nos degraus da Prefeitura (foto que ainda hoje corre mundo). Depois as cabeças foram transportadas para Santana do Ipanema, em caminhões levando a tropa, sendo apresentada antes em outros lugares do trajeto. (Obs. inúmeros detalhes foram omitidos no todo, ficando para os livros anunciados).
             Em Santana, a festa de posse do interventor Pedro Gaia, emendou com a chegada das cabeças. Houve feriado nas escolas, o comércio fechou, banda musical apareceu e um desfile dos soldados e comandantes enaltecia o feito pelas ruas da cidade. Entrevistas, discursos e bebidas assoberbaram em Santana do Ipanema. Os presos do cangaço de antes de Angicos, espiavam a folia pelas grades do quartel, como a ex-cangaceira Aristeia, mulher de Catingueira II. Santana do Ipanema, sede das operações contra o cangaço em Alagoas, com seu 2º Batalhão de Polícia, comandado pelo major José Lucena de Albuquerque Maranhão, recebeu de Maceió, um enviado para aplicar injeções de formol nas cabeças dos cabras abatidos em Angicos. As onze cabeças foram expostas do mesmo jeito de Piranhas, nos degraus da igrejinha/monumento de Nossa Senhora da Assunção, sobre uma toalha branca. Havia uma multidão enorme com gente até de outros estados brasileiros, inclusive fotógrafos e repórteres de revistas famosas do Brasil.
             As cabeças depois seguiram para Palmeira dos Índios, expostas como em Santana, Limoeiro de Anadia, Mosquito e São Miguel. (Temos detalhes). A cabeça de Lampião e Maria Bonita seguiram à frente para a capital e, as outras chegaram depois, de trem. Houve apresentação das cabeças e delírio coletivo em Maceió. O governo premiou a tropa em cinquenta contos no geral. Os soldados ganharam um conto de reis, cada, e os comandantes foram promovidos. Bezerra foi internado para retirar bala alojada na coxa esquerda, em cirurgia. Viajou ao Rio de Janeiro chamado por Getúlio Vargas, mas depois caiu no esquecimento. Notícias e fotos percorreram o Brasil e o mundo no dia em que Santana do Ipanema e Alagoas mostravam Lucena, Bezerra, Aniceto, Francisco Melo e povo no último evento de Virgulino: LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS

LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de julho de 2011
Série cangaço Nº 04

 Vergonhosamente protegido pelo governador de Sergipe, acossado incessantemente pelas volantes de Zé Rufino (Bahia) e dos nazarenos (volante dos meninos), chefiada por Manoel Neto (Pernambuco) que invadiam o solo sergipano, ficou difícil para Lampião. Foi o assecla buscar refrigério na fronteira Sergipe/Alagoas, onde contava com muitos protetores desde coronéis a coiteiros simples, gente do povo. Nesse refrigério, recebia balas e armas de pessoas importantes e jogava carteado com a polícia na casa do velho Bié das Emendadas. A carta do promotor de Água Branca, Alagoas, denunciando essa situação, fez Getúlio apertar os governadores e estes a seus comandantes de polícia. Segundo autor abalizado, o tenente Bezerra, tramou com o coiteiro Pedro de Cândido um envenenamento a Lampião. Nos meados de julho, vindo pela última vez de Pernambuco, Virgulino, em Sergipe, cenário do grande rio, convocou seus subgrupos para um encontro no coito de Angicos (uma grota cercada de morros com um riacho que despeja no São Francisco). Por outro lado, sem sabe dessa traição ─, pois, ambos eram amigos de Virgulino ─ o vaqueiro e também coiteiro Joca do Capim, incomodado com as traições de sua mulher com o cangaceiro Querosene, resolveu trair o bando, ao sargento Aniceto, que não sabia da trama de Bezerra e Pedro de Cândido. Após muitas minúcias (que o leitor irar ver nos livros “Lampião um raio de perigoso” e “Lampião em Alagoas”) Bezerra resolve (após enviar comida envenenada por Pedro de Cândido e seu irmão Durval), invadir a Grota de Angicos. Só teve essa coragem, entremeada de indecisões, por causa do aspirante Francisco de Melo e, seu ordenança o feroz Mané Veio (Antonio Jacó) que nada sabiam sobre o veneno.
          Numa noite chuvosa de inverno, escuro e “frio de matar sapo”, as volantes alagoanas, guiadas por Pedro de Cândido e seu irmão Durval, cercaram a grota dos Angicos na madrugada de 28 de julho de 1938. Na hora em que Lampião e mais alguns poucos cabras (provavelmente três) beberam o café, Lampião caiu sentado na rede, revirando os olhos e morreu rapidamente. Os outros três rodaram e tombaram, uns para frente, outros para trás (conforme depoimento de Paturi, o cangaceiro escondido que viu tudo).  Quando foi anunciada a morte de Lampião, aos gritos, teve início a fuzilaria. Ao encerrar o primeiro horror do salve-se quem poder, teve início a fase do inferno: Saque generalizado, mortes dos moribundos, chistes e taras com o cadáver de Maria Bonita (degolada viva) e o horrendo cortar de cabeças, dedos e braços na ânsia pela riqueza. Os mais beneficiados ficaram com o grosso, dinheiro e joias dos mais ricos: Bezerra com a fortuna de Lampião, Mané Veio com a de Luiz Pedro.
         Os onze mortos foram: Lampião, Maria Bonita, Quinta-Feira, Cajarana, Enedina, Luiz Pedro (Esperança II), Mergulhão II, Elétrico e os outros três que ainda hoje são mudados pelos entendidos: Moeda, Alecrim e Colchete II. (Dizem agora que Alecrim escapou, foi descoberto e concedeu entrevista). Ah, cangaço!
         Os inúmeros detalhes de muitas páginas não cabem somente numa crônica, neste dia de aniversário de 73 anos da morte de LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS.
Continua. 




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terça-feira, 26 de julho de 2011

LAMPIÃO A FERRO E FOGO

LAMPIÃO A FERRO E FOGO
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2011
Série cangaço Nº 03

Lampião não brincava em serviço. Bebia pouco e pensava muito. Através do tempo e da inteligência montou sua estrutura e estratégia militar. Iniciou o seu próprio bando em 1922, com apenas cerca de catorze homens, remanescentes do bando de Sinhô Pereira. Quando passou em Alagoas e daí foi ao Juazeiro atender o chamado para combater a Coluna Prestes, em 1926, contava com um bando em torno de 106 homens. Tinha até um corneteiro chamado Mormaço, provando mais uma vez o seu gênio militar. No princípio, gostava de exibir grandeza atuando com o bando inteiro. Ao ser destroçado na campanha da retirada de Mossoró, em 1927, reduziu o bando na sua reorganização para a média de sessenta cabras, divididos em subgrupos próximos de seis homens, comandados pelos de confiança. Os seus homens de confiança eram chamados de “os grandes do cangaço”, “o estado maior do bando”, “os maiorais” ou “compadres de Lampião”. Ao chamar um cangaceiro de compadre, Virgulino assegurava o certificado da confiança e o cabra passava a ser um dos grandes da quadrilha. Para se tornar um dos grandes, o cangaceiro ia crescendo nas ações, até chegar a chefe de subgrupo. Virgulino, espontaneamente ou através de pressão ou sequestro, obrigavam rapazes a fazer parte do bando, substituindo as suas baixas. Foram os maiorais de Lampião, cangaceiros como: Sabino (famoso na Paraíba), Corisco (famoso em Alagoas), Antonio Ferreira (Esperança), Ezequiel (Ponto Fino), Mariano, Virgínio (Moderno), Luiz Pedro (Esperança II), Mergulhão I, Arvoredo, Cirilo de Engrácia, Antonio de Engrácia, Moreno, Zé Sereno, Zé Baiano, Ângelo Roque (Labareda), Fortaleza, Moita Braba, Gato I e até mesmo Português.
         Lampião, em entrevista no Juazeiro do Norte, em 1926, dizia girar em torno de duzentos combates enfrentados por ele. Durante o seu nefando reinado, entre 1922 e 1938, são incalculáveis os medonhos tiroteios acontecidos. Os destaques da carreira, entretanto, ficam em quatro, segundo unanimidade de opinião: um em Alagoas (combate do Serrote Preto), dois em Pernambuco (combates do Poço Branco e o da Serra Grande) e um em Sergipe (combate da Maranduba). O primeiro combate, o de Poço Branco, aconteceu em Pernambuco perto da atual cidade de Inajá, logo após dois combates em Alagoas: o do Cipó do Gato e do Chicão, em 1921. Lampião deixou pistas propositais para uma emboscada feita a Lucena Maranhão. Aí em Poço Branco (início de carreira) foi tão perfeito na estratégia que ficou sendo considerado estrategista militar nato. Poço Branco foi o combate que o projetou, daí a sua importância. No combate de Serra Grande, em Pernambuco, em 1926, derrotou várias volantes reunidas, dos maiores nomes perseguidores do cangaço. Esse foi o combate da consolidação militar; o maior de todos, sessenta e poucos cabras contra cerca de 300 atacantes. Serrote Preto em Alagoas (1925) e Maranduba em Sergipe (1932) repetiram os sucessos anteriores.
          De aperto em aperto, de combate a combate, o velho Sertão nordestino resistia à cartucheira e ao desvario de LAMPIÃO A FERRO E FOGO.

* Continua.







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segunda-feira, 25 de julho de 2011

LAMPIÃO, ACHADO E MORTO

LAMPIÃO, ACHADO E MORTO
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2011
Série cangaço Nº 02

 Não existe uma divisão concreta na vida e ações de Virgulino Ferreira da Silva. Entretanto, estudando sua trajetória, podemos localizá-lo de acordo com o ponto de vista do interessado. Baseado nisso, vamos, então, enquadrá-lo, grosso modo, em três períodos e os períodos em fases, apenas para situar o leigo, didaticamente, antes de penetrar no miolo das ações.
          Período primeiro:
         A – Fase de adolescência (região de morada, em Pernambuco);
         B – Fase de confusões e lutas com vizinhos e nazarenos (Pernambuco);
          C – Fase de trabalho em Alagoas.
          Período segundo:
         A – Fase entre trabalho e arruaças (Alagoas);
         B – Fase entre o trabalho e cabra do bando dos Porcino. Cangaceiro manso;
         C – Fase como cangaceiro profissional no bando de Sinhô Pereira.
          Período terceiro. (Chefe de bando):
         A – Fase em Pernambuco (com ações fronteiriças em Paraíba/Alagoas);
         B – Fase curta da Epopeia Mossoró. (Paraíba, Rio Grande e Ceará);
         C – Fase na Bahia;
         D – Fase Bahia/Sergipe;
         E – Fase Alagoas/Sergipe.
         Os seus antigos chefes, os Porcino e Sinhô Pereira, não tiveram a disposição nômade nem a energia necessária para acompanharem Lampião. Não possuíam espírito cigano, dando preferência as lutas em torno das regiões onde moravam (os Porcino no oeste de Alagoas, Água Branca/Mata Grande; Sinhô na região do Pajeú, Pernambuco). Virgulino já saiu do bando de Sinhô com o apelido que o engrandeceu, quando atirava com muita rapidez no escuro e o clarão do seu rifle foi comparado a um lampião. Virgulino deixou as vizinhanças do arruado Nazaré, pressionado pelos nazarenos que se tornaram seus maiores perseguidores e tinham nas veias o mesmo sangue. Gradativamente, com o gosto pelas andanças, foi atuando cada vez mais longe, chegando a percorrer e assombrar partes de sete estados nordestinos. Quase todos os estados não tinham estrutura de combate ao banditismo naquela forma, situação em que Ferreira ocupou esse imenso mundo de caatinga e por longo tempo se deu bem.
        A partir da organização do sistema de forças volantes, suas logísticas e aperfeiçoamento, Virgulino que reinava absoluto, começou a apertar-se, chegando o seu bando de mais de cem homens, a ser destroçado na volta de Mossoró e ficar reduzido a oito cangaceiros quando conseguiu escapar com vida e fugir para a Bahia. Após certo período de mansidão, voltou às atividades criminosas naquele estado. Com a reorganização das volantes, teve início o seu declínio. Foi ele quem introduziu o cangaço organizado na Bahia, Sergipe e Alagoas. Seus grandes perseguidores mais famosos foram os nazarenos (verdadeiros heróis) com os irmãos Flor e Manoel Neto; e Zé Rufino na Bahia. Virgulino desencarnou com mais 10 companheiros em Angicos, Sergipe, em 28 de julho de 1938. Lá na frente, Samateu, irmão de Sila, Mergulhão, Marinheiro e Novo Tempo, disse a um repórter: “Quando o governo quis achar Lampião, achou”. Falou certo: LAMPIÃO, ACHADO E MORTO. * Continua.

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domingo, 24 de julho de 2011

LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO

LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2011
Série cangaço Nº 01

 O fenômeno cangaço que marcou definitivamente o Nordeste, não tem como não fazer parte da História do Brasil. Vários grupos de cangaceiros abalaram o social do semiárido, sucessiva ou paralelamente, mas o auge desse movimento nômade foi alcançado por Virgulino Ferreira da Silva que se tornou chefe de bando em 1922 e morreu em 1938. Não se pode entender Lampião apenas por pequenas informações. Talvez tenhamos mais de mil títulos sobre o assunto, somando livros, revistas, jornais, artigos, crônicas, ensaios, teses, cordel e outros informativos. Alguns, sem compromisso com nada, escritos apenas pela atração do assunto. Assim, o leitor que procura de verdade saber sobre Lampião, existem vários livros de autores sérios e até chamados de “cangaceirólogos”. São autores que se apaixonaram pelas histórias de Lampião. Alguns passaram mais de quarenta anos pesquisando, procurando sobreviventes do cangaço no Brasil inteiro. Escreveram e ainda escrevem baseados em depoimentos vivos e documentos os mais diversos como registros em delegacias, cartórios, jornais de época, relatórios de tropas, bilhetes guardados e outras fontes abalizadas. A situação chegou a ponto de haver atualmente organizações somente para tratar do assunto, encontros anuais, premiações e várias outras coisas que alimentam a alma dos apaixonados.
         Como em todas as coisas, há uma ciumeira danada mesmo entre os autores sérios, percebida por nós, os leitores comuns. A briga educada entre autores, sobre Lampião, é como pessoas disputando os últimos refugos de um garimpo. Quando um autor, por exemplo, diz que o cangaceiro fulano cortou a orelha direita de beltrano, existe uma vibração quando o outro autor descobre que não foi a orelha direita que foi cortada, mas sim a esquerda. Esses detalhes disputados depois que tudo já foi dito sobre Lampião, geraram essa concorrência (mesmo que se diga não) por maior fama, maior espaço no mundo do cangaço, embora bordada de humildade no vestido, mas cheia de volúpia na calcinha.
         Alguns autores sérios, não conseguem esconder a admiração por Virgulino, citando os fatos os mais próximos possíveis da realidade, porém, deixando escapar constantemente elogios ao chefe do bando, atribuindo a ele vários títulos de grandeza. Outros fazem o extremo. Mas, devido ao renome adquirido, qualquer criatura passa de bandido a herói e todos os seus absurdos são esquecidos em nome unicamente da fama. Escrever a respeito de criatura notória, passa a ser bom negócio para se ganhar dinheiro ou para aparecer também, levando o escrevente para o profissionalismo.  
        Para aquele que nutria amizade com Lampião, dele usufruía e nada sofreu da sua parte “o capitão era um homem bom, quase santo”. Quem teve pessoas da família estupradas por ele e mais 25 cabras de uma só vez, como na Paraíba; Quem já teve pai, irmão arrancado o couro, vivo; Quem soube quase presenciando a mãe estuprada durante uma noite inteira, amarrada à coxa de Lampião; Quem teve o pai, tio, avô, esquartejado vivo a facão e as bandas jogadas nas cercas de arame da caatinga; quem teve a mãe nua no meio de todos (sob gargalhadas geral) tendo sua vagina entupida por terra e socada a cabo de punhal (tudo registrada por pesquisadores sérios) só podem ter ido em vida ao inferno e visto as ações do próprio Satanás. Quer saber mesmo, leitor, quem foi Virgulino. Leia autores recomendados para poder tomar partido entre LAMPIÃO, O DIABO E O BONZINHO. (* continua).









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sexta-feira, 22 de julho de 2011

LAMPIÃO, UM RAIO DE PERIGOSO

LAMPIÃO, UM RAIO DE PERIGOSO
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2011

    Como foi prometido, estamos dando notícias dos nossos arquivos sobre Virgulino. Livramo-nos de quase toda pilha de papéis velhos, mas conseguimos deixar em ordem os trabalhos, já em fase de revisão, ajustes e acabamentos. Esses trabalhos não são dirigidos às ações de Virgulino. Eles são um mapa cronológico das caminhadas de Lampião em sete estados do Nordeste. Esse mapa está baseado nos rastros dos pesquisadores sérios, cujas pesquisas estão espalhadas em diversos livros, revistas, artigos e outros documentos. Essa nossa sequência vai desde a fixação da família Ferreira em Pernambuco até a morte do último cangaceiro. O auge do nosso trabalho é a hecatombe de Angicos, baseada, principalmente no autor Frederico Bezerra Maciel em “Lampião seu tempo e seu reinado” (volume V). Frederico por que nos parece o trabalho mais perfeito de todos, inclusive com a tese do envenenamento. O mérito do nosso trabalho está na organização cronológica ano a ano e quando possível mês a mês, dia a dia e na forma didática de apresentação. A cronologia não são apenas datas frias, mas sempre que precisa, ligeiros comentários do autor para melhor compreensão. A última semana de Virgulino, sobre outros autores, também levam as nossas ligeiras observações para alertar os futuros leitores. O livro ainda traz uma lista de cerca de quinhentos cangaceiros, que também, sempre que possível, indica ao lado os seus destinos. Uma tabela demonstra os nomes de 53 mulheres que fizeram parte do cangaço, juntamente com seus respectivos companheiros de bando. Embora o nome do futuro livro pudesse ser relativo à pesquisa das pesquisas, já está batizado com uma frase sobre o chefe, pronunciada por Labareda, um dos grandes do cangaço: “(...) Quando estava assim era um raio de perigoso”. Portanto, será esse o nome do livro: “Lampião, um raio de perigoso”. Esse trabalho hercúleo que está quase concluído deve-se ao conselho do amigo Antonio Sobrinho que impediu um voo rasante dos papéis.
            Por outro lado, Já estamos trabalhando em parceria com o colega professor Marcelo Fausto, no sentido de juntarmos todos os nossos acervos sobre cangaço, volantes, vultos importantes nas ações cangaceiras em nosso estado e com muitas novidades, ainda, a elaborarmos outro livro que terá o título que falta na história do cangaço, “Lampião em Alagoas”, o mais completo possível no momento. Temos a impressão que ambos os livros estarão prontos para lançamentos entre dezembro e janeiro.
              Também, como foi prometido aos nossos leitores, para a semana de morte de Lampião (28 de julho de 1938) a partir de segunda-feira, publicaremos uma série de cinco crônicas sobre Lampião, escolhidas ou sobre as últimas ações do bando na região de Piranhas. Nada que os “cangaceirólogos” não saibam, mas narradas em crônicas, trazem um sabor novo. Agora é mergulhar fundo nessa fase mais urgente de lapidação para trazer aos aficionados “LAMPIÃO UM RAIO DE PERIGOSO”.

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

JUAZEIRO DO NORTE



JUAZEIRO DO NORTE
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de julho de 2011

Ainda não deixamos de admirar a cidade de Juazeiro do Norte, região peculiar do Brasil de tantas tradições. Para quem gosta de pesquisas, um dia só em Juazeiro não permite nem iniciar os seus trabalhos diante da diversidade do vale do Cariri. Geografia, História, religiosidade, folclore, tradições, surgem formando um centro de estudos a céu aberto, de proporções inesgotáveis. Um mês de permanência no vale, pelo menos dá para sentir o clima místico e de valentia que impregnaram sua história recente de tantos episódios apaixonantes. Os estudos não se concentram apenas na cidade propriamente dita, mas estendem os seus tentáculos para Missão Velha e Barbalha que formam com Juazeiro um tripé indispensável aos visitantes.

“Já você foi sanguinário
                                       Foi um bandido moderno
                                       Não deveria ter ido
                                       Direto para o inferno
                                       Junto com seus aliados
                                       Pra queimar no forno eterno?

Seu padre, o senhor já sabe
                                       Que o cangaço foi meu dom
                                       No dialeto das armas
                                       Precisei conversar com
                                       Quem desejava o meu fim
                                           Mas tive o meu lado bom!”

             O comércio continua sendo arrojado no Juazeiro do Norte, juntamente com uma romaria intensa no turismo religioso. Hoje, com metrô e aeroporto, vão-se unindo o antigo e o moderno, com gosto para todos que resolvem fazer umas andanças pelas terras misteriosas. Juazeiro passou para o terceiro lugar em polo calçadista do Brasil. Seu parque ecológico e seus deslumbrantes cenários conquistam mais adeptos do turismo aventura, facilitado pela rede de transportes. Pelas ruas do tripé ainda é possível encontrar cantadores de viola, retratistas, emboladores, restauradores, vendedores de ouro, cordelistas, zabumbeiros, cantores bregas e mesmo gente da fala trincada, que são os estrangeiros.
             São quase obrigatórias as visitas ao museu, ao horto, à estátua do padre Cícero e à igreja de Nossa Senhora das Dores, onde assoberbam histórias e mais histórias de um passado empolgante e confuso. O pequi é encontrado em quase todos os lugares, fruto oleaginoso e aromático, usado para licores, culinária e fins medicinais. Missas de hora em hora, igrejas lotadas, comércio intenso, fazem do Juazeiro um lugar de concentração durante o ano inteiro. Ninguém se espanta com 100, 150, 200 ônibus de fora estacionados na cidade. Há espaço suficiente para se ganhar dinheiro com tudo que se imagina. É mesmo a “Meca Nordestina” a cidade de JUAZEIRO DO NORTE.
* "Lampião e padre Cícero num debate inteligente" (MOREIRA de Acopiara).











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terça-feira, 19 de julho de 2011

NÃO TEM CERVEJA

NÃO TEM CERVEJA
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2001

             Cai em minhas mãos o livro “Água, Solo & Educação Ambiental”, circulando pela Editora da Universidade Federal de Campina Grande. O trabalho é fruto do esforço de um seleto grupo da Universidade, sob a organização de José Otávio Aguiar e João Tertuliano Nepomuceno Agra, alagoano de Santana do Ipanema. José Otávio Aguiar é professor da UA – História e Geografia da UFCG. Graduado em História pela PUC- MG e Doutor em História e Culturas Políticas pela UFMG, atua principalmente nos seguintes temas: História e Natureza, Cultura Indígena, Revolução Francesa e América Latina e História dos Emigrados Napoleônicos Franceses no Brasil e História do Oriente Distante. O livro aborda diversos assuntos de interesses mundiais, nesse momento em que houve o despertar pelo principal componente da vida. O sumário vai mostrando a riqueza do trabalho que, apesar de ser direcionado, inclusive a professores de Ensino Básico, é um livro técnico e profundo, baseado no sistema acadêmico de apresentação. “Preservando a água e a memória também; Experiência de assessoria e pesquisa; A água na atmosfera; A nova gestão de recursos hídricos no Brasil; Água, solo e Educação Ambiental: ações educativas em escolas de Ensino Básico” entre outros títulos internos, são conteúdos produzidos nesse compêndio editado em 1908.
             João Tertuliano é professor da UA – Física do CCT da UFCG. Engenheiro Eletricista pela UPE, Mestre em Ensino de Física e Doutor em Física pela USP e atua nas áreas de Ensino de Física, Divulgação Científica e Física Experimental. Tivemos a honra de recebê-lo em nossa casa, por algumas vezes, ocasião em que Tertuliano nos brindou com várias produções paraibanas. O insigne cientista santanense, falou sobre projetos na fazenda Coqueiros e sua reserva de caatinga, situada na periferia sul de Santana do Ipanema, pertencentes à família Nepomuceno. Preocupado com a cultura da terra, João Tertuliano exulta com as possibilidades de melhoramentos no conjunto cultura/lazer na fazenda Coqueiros.
             O trabalho desenvolvido por Tertuliano faz-nos lembrar de outro santanense, João Francisco das Chagas Neto, sertanejo nordestino, emprestando sua inteligência às pesquisa dos canaviais no Centro-Oeste do Brasil. Um leve aceno de João Neto a vir morar novamente na “Rainha do Sertão”, poderá enriquecer humana e fisicamente o nosso município.
            O livro “Água, Solo & Educação Ambiental”, está na praça. As informações aos nossos jovens e mesmo aos adultos são essenciais para o equilíbrio entre a Natureza e o homem nesse planeta tão desigual. Conheci certa pessoa que dizia não saber a data em que havia bebido água. A paranoia iniciara desde a afirmação de um palestrante que água enferruja. Adepto do álcool bebível, sempre matou a sede com um ou outro tipo de bebida. Ficou triste de verdade em saber que também sem água não tem cachaça, não tem uísque, NÃO TEM CERVEJA.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

POLÍCIA DOCE

POLÍCIA DOCE
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de julho de 20011
 Polícia doce é polícia com o elemento feminino. Em Alagoas estamos caminhando para os 22 anos do ingresso de mulheres na Polícia Militar. Foi um marco histórico o dia 28 de novembro de 1989, tanto para a Corporação quanto para todas as mulheres.
             A luta da mulher para se integrar totalmente à sociedade machista, não foi nada fácil até o presente momento. Observada apenas para as funções do lar e para procriações, um longo caminho teve que ser percorrido para exercer funções fora de casa. Os primeiros passos foram dados ao conquistar o direito de voto. Daí em diante as passadas continuaram lentas, mas agora já em novo cenário, as conquistas se aceleram. Encontramos sem surpresas as madamas nas inimagináveis profissões, cooperando para o mundo, para a família, para elas próprias. Mulheres na construção civil, nos transportes, nas áreas médicas, advocatícias e nos mais diferentes ramos das novas tecnologias, vão fazendo a igualdade entre sexos, conquistada. Foi assim pensando que a Polícia Militar de Alagoas, recebeu a primeira turma de mulheres da Corporação em 1989.
             Ao todo, 12 sargentos e 46 soldados, entraram para o quadro feminino que hoje conta com mais de 660 mulheres. Foi em 1991, criada a Companhia Feminina da Polícia Militar, quando as mulheres passaram a ter maior independência na Corporação. Com essas novas conquistas, ganharam uma melhor estrutura de trabalho como alojamentos compatíveis e comando de mulher. Quem nota a Lei 6.399 de 15 de agosto de 2003, nota também claramente esses outros passos importantes. “São mistas todas as Organizações Policiais Militares da Corporação, ficando assegurada igualdade de direitos aos policiais militares masculinos e femininos previstos na legislação peculiares e específicas”. É visível a evolução da mulher na frente de trabalho da polícia. Antes elas eram mais empregadas em serviços nos quais o esforço físico era menor.  Cresce, porém, o número de policiais militares femininas em unidades como o Batalhão da Rádio Patrulha, Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e na Força Nacional. A esperança é boa para quem ingressa na polícia atualmente.
            Tinha razão o bêbado que ao ver passar a bela policial disse com voz pastosa: “Leve-me para o xadrez moça, eu mereço!” Parabéns a Polícia Militar e a equipe do major Oliveira, pelo lançamento da Edição Especial da revista “Polícia Militar de Alagoas – 178 Anos”. Com certeza humaniza-se a Corporação com a efetiva presença feminina valorizando esse excepcional trabalho em defesa da sociedade. Polícia força, POLÍCIA DOCE.

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domingo, 17 de julho de 2011

BRASIL RESPEITADO

BRASIL RESPEITADO
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de julho de 2011
          Submarino é uma lagarta preta de metal que vive nas águas e devora adversários.
Dentro dos belos casos apresentados sobre Santana do Ipanema e Sertão alagoano, falamos sobre o professor e intelectual Alberto Nepomuceno Agra. Era rígido mais também relaxava em suas andanças pela periferia. Assim fomos encontrar o excelente professor no poço dos Homens, observando o nosso movimento de rapazotes. Quando alguém mergulhou, foi dizendo antes que aquele era o microscóspio do submarino, deixando só o braço fora d’água. O professor deixou o rapaz vir à tona e corrigiu, curto e com um raro sorriso, “o nome correto é periscópio”.
          Passados tantos anos de Brasil-microscópio, tivemos a grata satisfação de lermos as últimas notícias sobre a grande conquista da Marinha brasileira. A presidenta Dilma Rousseff, acaba de marcar em importantíssimo evento o início da construção de submarino, grande passo para desenvolver o país. Isso é o resultado de acordo feito ainda em 2009 entre Brasil e França para fabricar equipamentos. Está previsto pela Marinha do Brasil a construção de quatro submarinos brasileiros, de tecnologia francesa. O importante é a transferência dessa tecnologia para o Brasil. “A Itaguaí Construções Navais, empresa criada em parceria entre a construtora Odebrecht e a francesa Direction des Construtions Navales et Services (DCNS), com a participação da Marinha brasileira, será responsável pela construção de quatro submarinos convencionais, com propulsão diesel-elétrica e 70 metros de comprimento, e um com propulsão nuclear, com 100 metros”. Deverá ser construída uma base naval para abrigar essas embarcações que trazem uma nova era para o nosso país. O resultado desse acordo com a França é de aproximadamente RS 6,7 bilhões, o que deverá gerar ainda nove mil empregos diretos e 27 mil indiretos, segundo o ministério da Defesa. A cerimônia a respeito do assunto aconteceu em Itaquaí, a 73 km do Rio.
           Segundo outras informações, os franceses se comprometeram a repassar a técnica de fabricação de peças usadas nos submarinos, tecnologia essa que pertence atualmente a um clube fechado composto de apenas cinco países que são Estados Unidos, China, Inglaterra, Rússia e a própria França. Com certeza com esse trabalho, o Brasil será o sexto privilegiado. Ainda dentro dos cálculos da Marinha, cada submarino poderá contar com cerca de 36 mil itens, produzidos por mais de 30 empresas brasileiras
          Um dos objetivos dessas novas armas é proteger as nossas jazidas de petróleo descobertas na faixa do pré-sal. O petróleo, apesar de caminhar para a sua extinção e ser grande poluidor, não serve somente para fazer gasolina. Suas inúmeras utilidades não devem ser substituídas de uma vez em apenas algumas décadas. Por outro lado, o país cria moral diante de outras potências por estar atualizando e modernizando sua Marinha, para proteção dos nossos interesses. É por isso que vamos deixando a fase de Brasil-microscópio e passando para a de Brasil-periscópio, de verdade; um pouco diferente, é certo, daquele do professor Alberto Nepomuceno Agra, da rapaziada do poço dos Homens, para a situação inconteste de país presente, de país altivo, de BRASIL RESPEITADO.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

O PAU COMEU


O PAU COMEU
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de julho de 2011

Vamos pesquisando... Pesquisando... Pesquisando. É certo que a frase “escritor investigando” abre muitas portas, várias até com gentileza, mas a burocracia quinhentista não deixa de existir. Dir-se-á o quê? A hora vai galopando em nosso entra e sai de repartições, cortinas vão se afastando, fazem balé às informações provocadas. O tempo abriu na capital. Mal se esconde a cauda pequena da chuva, o calor mostra os dentes amarelos e começa a inchar. No ponto de ônibus um sujeito muito branco da cabeça rapada, tira o sossego do povo, falando alto que o comércio, lá adiante, está se acabando no cacete. Diz ele que são os ambulantes revoltados fechando lojas do centro e interditando vias, desde a Ladeira do Brito as imediações da Rua das Árvores. Mas o cabeça rapada já vem angustiado pela falta de assistência da Saúde. Desata um rosário de queixas na cabeça do governo e vai rezando, vai rezando, vai rezando como se aquela platéia muda fosse pano de enxugar suas mágoas. Mistura suas dores às humilhações do ambulante “pais de família que trabalham para não roubar”. Um cabra de bigode falhado, pasta negra à mão, resolve fazer coro com o reclamante, antes solitário. Aí governo apanha duas vezes. Batem forte num dueto sem fim, expulsando todas as mazelas que cercam a governança.
Lá adiante, o negócio estava quente mesmo. É que os fiscais passaram confiscando as mercadorias dos ambulantes. A rebelião pelo desaforo, em pouco tempo correu pelo comércio, o pânico tomou conta de muitos e houve uma correria geral. Várias ruas foram de fato interditadas e, na força do grito, comadre, só ouviam o rash-rash de portas fechando com um medo da moléstia! Enquanto transeuntes embocavam nas lojas, outros pulavam para fora como abelhas sem colmeia. Viemos para pesquisar umas coisas, estamos registrando outras. Uma velha gorda passa balançando tudo, revoltada com o posicionamento da polícia e seus cassetetes, tamanho serra do Gugi: “por que não vão bater na mãe?”. Um gaiato responde correndo também: “Na mãe já bateram, minha tia”.
Fecha! Fecha! Gritava um manifestante. “Mas meu senhor, meu cachorrinho...” Tentava justificar-se um comerciante. “Fecha essa b... Seu porra! Você quer entrar na macaca, seu fio da peste!” Não vimos o miolo, mas horas depois a coisa acalmou, portas foram levantadas vagarosamente, olhares desconfiados, dedos ligeiros. “Ei rapaz, vai para Santana? Até sexta-feira as bestas estão lotadas, por causa da Festa da Juventude. Agora só de carro ou de jerico”. Respondemos com um não e fomos pesquisar em outro terreiro. Vamos sumindo pelos calçadões elegantes e pelas calçadas imundas do comércio. À porta de nova repartição, a maior banha, mas o “P” de percalço à frente: “Só amanhã das oito as doze, meu amor”. Bem, pelo menos arranjei um novo amor. Até esqueci que no comércio O PAU COMEU.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

O FANTAMA VESTE PRETO


O FANTAMA VESTE PRETO
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de julho de 2011

Neste início de século XXI, as transformações mundiais, antes percebidas por poucos, vão se delineando nitidamente para a totalidade. Em longes crônicas anteriores, já apontávamos esse futuro aperreado que chegou. Espanha, Portugal e Grécia que chegaram por último a UE, quase rejeitados pela falta de cacife ao mundo dos grandes, até parece que lutaram em vão. Cercados por essa crise que vai chegando pelos seus quintais, às majestosas potências européias, rezam pela conservação dos dedos nas idas dos anéis. Como vencer essa barreira terrível que ameaça soterrar a economia do Velho Continente? A estabilidade política que nunca foi o forte dessa parte do planeta, poderá se romper mais uma vez, gerando convulsões sociais, perigo iminente para toda a humanidade. Não bastasse a situação humilhante da Grécia, uma fila vai ganhando corpo com Portugal, Espanha, Irlanda e mesmo a Itália, pelo menos nas especulações. Como retirar tanto dinheiro da caixa para socorrer a fila? E se quase todos quebrarem, as economias mais sólidas o irão vender a quem? Aos parceiros quebrados?
Corremos as vistas, então, para os Estados Unidos. Um país gigante de PIB farto, mas que agora parece abrir os olhos por tanto tempo fechados. O maior comprador do mundo, devedor de uma bela montanha de dólares, pensava que a reserva da dispensa jamais esvaziasse. Gastando o inimaginável em corridas espaciais, armamentos, invasões a países, tem como escopo a guerra infindável, ao invés de ajuda tecnológica às nações necessitadas. Tudo agora vai estourando nas mãos do presidente Obama, um homem certo na hora e no país errados. Como os Estados Unidos irão pagar o que deve? A volta de tropas do Iraque e do Afeganistão para casa foi muito mais pelo buraco econômico do que pela cautela do pacifismo. Fabricantes de armas querem sangue a jorrar como vinhos dos barris. Uma temida palavra faz tremer o mundo dos negócios: moratória. Se o mundo velho de meu Deus já se encontra apavorado, imaginemos essa frase de Barack já especulada: “Devo não nego, pago quando puder”.  
E o chinês que pensa que isso é bom para o seu crescimento, não senhor. Crise não é coisa boa para ninguém, mesmo para China, Índia e Brasil. A economia mundial é um emaranhado que, ao romper um fio da rede, causa influência no todo de uma forma ou de outra. E se a crise vai chegando pelas beiradas, o núcleo que se cuide. De barbas de molho devem estar Inglaterra, França e Alemanha. Pensando no compasso europeu, é de se imaginar  também nas sobras da crise para o continente africano, em regiões que vivem de ajuda. O aperreio não é individual, portanto, não cabe aqui o ditado brasileiro: “Em tempo de murici, cada qual cuida de si”. É como se tivesse mudado até os trajes do além. Com certeza esse não é um anjo bom. O FANTASMA VESTE NEGRO.

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