terça-feira, 31 de maio de 2011

RASO DA CATARINA

RASO DA CATARINA
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2011.

          Entre os apreciadores da Natureza, têm os que dão preferência as paisagens de outros países. Pessoas que gastam pequenas fortunas em busca de belas regiões em todas as partes do mundo, até porque Deus espalhou sua magia por todos os recantos da Terra. Uma região bastante desolada pode ser o caos para alguns, mas pode também encerrar beleza se olhado com olhos diferentes. O intercâmbio turístico demonstra que o interessante pode estar na Ásia, na América do Sul, Europa, América do Norte ou outro lugar qualquer. O advento da fotografia, aperfeiçoada constantemente, proporcionou a humanidade uma descoberta diferente do seu único planeta. Lembramos que a Europa, algumas dezenas de anos após a descoberta das Américas, deslumbrava-se com as paisagens tropicais extraídas dos renomados pincéis dos seus artistas famosos e viajantes. Muitas cenas do cotidiano exibiam como pano de fundo mata tropical, uma cachoeira, baía, lagoa, dando um toque do novo, do exótico, deixando um pouco de inveja ao apreciador de longe. Enquanto empresários do nosso Nordeste preferem navegar pelo Danúbio, Reno ou Mississipi encontramos barões de empresas, deslizando pelas águas do “Velho Chico”, absorvendo ainda o mundo selvagem dos tabuleiros de caatinga. Uns descobrem lá fora, outros descobrem aqui dentro os magníficos cenários das serras e rios sertanejos. Espalhados por todo o Nordeste, desde o litoral do Maranhão até o sertão da Bahia as variadíssimas descobertas empolgam nativos que ficam extasiados com o que temos a oferecer.
          Entre tantas belezas naturais que orgulham a região, é destaque o quase deserto Raso da Catarina, antes desprezado como lugar inóspito e distante da civilização. Citado por vários livros que falam sobre o Cangaço, o Raso da Catarina foi sendo estudado e hoje representa uma poderosa reserva ecológica criada em 1983, sob administração do IBAMA. Trata-se de uma imensa região entre os rios São Francisco e o Vaza-Barris, dueto de dezenas de combates entre volantes e cangaço; entre o rezador Antonio Conselheiro e o Exército, gerando cerca de 30.000 vítimas da estupidez humana, entre 1893 e 1897. O Raso da Catarina, hoje visto como parque ecológico e reserva dos índios Pankararés, é considerada uma das mais bonitas reservas do Brasil. Foi esconderijo de Lampião sob a cobertura dos índios que, aliás, forneceram cangaceiros e cangaceiras que se tornaram célebres e ferozes no bando de Lampião, como o desumano Gato, por exemplo. Lampião foi dali desalojado, surpreendido na caverna do Chico por um contingente de Pernambuco, graças ao exímio rastejador Antonio Cassiano. Nessa ocasião Maria Bonita foi ferida e carregada às costas por Lampião. Seu cachorro foi baleado e a tropa faminta o devorou ainda vivo. Delimitada pelos municípios de Paulo Afonso, Jeremoabo, Canudos e Macururé (terra do famoso queijo que leva seu nome) o local é apreciado por turistas, curiosos, historiadores, estudantes e mais. Assim como é dever do santanense conhecer as serras deslumbrantes do município, esse dever é estendido ao nordestino que não pode deixar de apreciar ao vivo, O RASO DA CATARINA.

• Raso: região plana intercalada de riachos e ravinas. Catarina: mulher de lide-rança que habitava a localidade.
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domingo, 29 de maio de 2011

UMA TONELADA

UMA TONELADA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de maio de 2011.

          Com os constantes aperfeiçoamentos na arte de destruir os semelhantes, os cientistas bélicos vão expondo ao mundo os novos trabalhos de pesquisas. Para isso é preciso provocar algum tipo de guerra por aí para poder testar a eficácia dos seus inventos. Não é somente a bomba atômica que é perigosa. Aliás, agora, ela é mesmo a mais arrasadora, pois algumas da mesma família poderão destruir o planeta completamente em questões de horas ou minutos. Dessa têm muitas nos arsenais das nações belicosas. É o homem eternamente desconfiado do próprio homem. A desconfiança ou a ambição permanente fizeram surgir esses brinquedos de uma forma ingênua. Se uma pessoa adquire uma espingarda contra outra pessoa julga está segura. Mas acontece que essa outra pessoa, compra um rifle. A primeira adquire uma metralhadora e assim sucessivamente. Foi dessa maneira também com as nações na sede de estarem sempre em vantagem contra as outras. O aperfeiçoamento das ameaças levou os dois principais antagonistas, Estados Unidos e União Soviética, ao topo de um possível confronto, cujo vencedor não seria ninguém. E se falam na besta do fim do mundo, a impressão que se tem é que a besta é o próprio homem que procura destruir a sua espécie.
          Como os países que brigam no espaço aéreo da Líbia não querem invadi-la por terra, tornam mais difícil uma solução rápida e nem por isso causadora de menor sofrimento ao povo líbio. Estão somente soltando foguete para espantar o animal, porém com medo de pegar a onça à unha. Daí o Reino Unido achar pouco as bombas comuns que joga na cidade do ditador e parte para outra solução. Mandar uma bomba inventada desde os tempos das cavernas esconderijos de Bin Laden. Aquele tipo de bomba que causa muita destruição física, não dando chance nenhuma ao lugar de abrigo, pois penetra por todos os interiores. São as tais bombas “bunker-busting” (destruidora de edificações) que pesam uma tonelada cada uma e podem ser lançadas a partir dos aviões britânicos. Segundo os fabricantes de boas ideias, isso seria um recado bem claro ao senhor Kadhafi que é hora do homem deixar o poder, como se ele fosse mudo, surdo, cego e doido. Dizem que essas bombinhas já estão em bases italianas de onde partirão nos aviões britânicos rumo ao norte africano.
          Como os festejos juninos aproximam-se, no Brasil, talvez a ONU queira comemorar soltando essas bombas às costas de Kadhafi, homem difícil de morrer. O Reino Unido e outros países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) querem intensificar o negócio para encerrar de vez o assunto desgastante. E enquanto não descem a terra para pegar o sujeito na marra, nós aqui no Brasil vamos só apreciando o desenrolar do conflito pela televisão. Algumas pessoas acham, porém, que será um desperdício jogar bomba “bunker-busting” na cabeça de Kadhafi, pois em antros de tantos safados que fazem miséria com o povo brasileiro, ela poderia dar conta sem culpa da consciência. Lógico que isso é apenas uma metáfora, mas tem muito escravocrata moderno que só abandonaria o relho de couro cru, se fosse tratado à base de UMA TONELADA.




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sexta-feira, 27 de maio de 2011

OS TRÊS POTES DE LABAREDA

OS TRÊS POTES DE LABAREDA
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de maio de 2011.

          Dia e noite trabalhando sobre o cangaço, ordenando uma pequena e grande enciclopédia, temos a impressão de que em um mês e meio, aproximadamente, daremos por concluído o trabalho. Estamos na ordem inédita do assunto, ano a ano, mês a mês e quando possível dia a dia, desde o nascimento de Virgulino até o destino dos dois últimos cangaceiros, em 1941, Moreno e sua mulher Durvalina. Vamos selecionando os grandes momentos filosóficos, aliás, essas tiradas, quando da parte de Lampião, estão em nossa peça teatral para adultos, nunca publicada, “Sebo nas canelas, Lampião vem aí”. Falemos hoje sobre falta de respeito.
          Na época em que Virgulino perambulava entre Bahia e Sergipe, a partir de agosto de 1928, aconteceu um dos casos interessantes. O bando estava reunido no terreiro de uma casa, onde foi promovido um improvisado arrasta-pé. Em uma sombra de árvore, próximo ao forrobodó, descansavam três potes com água fria para quem quisesse beber. O baile estava animado, quando Lampião resolveu amarrar com um pano as bocas dos três depósitos de barro, por causa da poeira que levantava das alpercatas. Ordenou aos cabras que sempre cobrissem os potes após beber água. O cangaceiro Ângelo Roque, um dos grandes do bando, não participava dessa dança, tendo ficado deitado perto dos potes com sua mulher. Como acontece com uma porta fechada que muitos passam e não deixam como estava antes, assim os que bebiam água deixavam os potes descobertos. Lampião, vendo desfeito seu trabalho, gritou para todo mundo ouvir que não estavam fazendo como ele mandara. E advertiu asperamente a Ângelo Roque que estava perto, deitado, descansando com a mulher e “não estava vendo aquilo?”. Labareda não respondeu. Momentos depois se levantou e, com o coice da arma longa, destruiu os três potes, voltando ao colo da mulher. Daí a pouco chega Zé Baiano para beber água e vê a bagaceira. Pergunta quem fez aquilo. O autor responde que foi ele “por quê?” Zé Baiano não responde e vai dizer ao chefe. Lampião se desloca com muita raiva até Ângelo Roque. O cabra levante-se e aguarda. O chefe diz: “Então você não me respeita mais?” Labareda, homem de personalidade firme, diferente de todos os outros do bando, responde: “Por que você também não me respeita”. Lampião mira o cabra por um momento e arma o fuzil contra ele, recebendo resposta semelhante. Ficam assim tentando atirar um no outro, até que chega Virgínio, cunhado de Lampião, apelidado Moderno, e pede para acabar com aquilo, pois já basta os “macacos” (soldados) por todos os lugares. Ambos se acalmam e o impasse tem fim.
          Digitando, ordenando, conferindo, armazenando dados, aos poucos vamos livrando o rosto da pilha de papéis velhos. Não deixamos de encontrar situações atualizadíssimas do cotidiano. Quer ser respeitado? Respeite primeiro. Então surge a situação do funcionalismo público de Alagoas mantido em cativeiro moral e econômico, ridicularizado pela gargalhada do senhor de engenho Teotônio Vilela Filho. Como um governador pode ser respeitado se primeiro não respeita? O confronto entre servidores e governo representa nitidamente o passado cangaceiro dos TRÊS POTES DE LABAREDA.


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quarta-feira, 25 de maio de 2011

SÓCIO DO DIABO

SÓCIO DO DIABO
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de maio de 2011.

          Com a nossa incursão por muito tempo pelo mundo dos cantadores nordestinos, depositamos inúmeras pequenas histórias que se tornaram imortais. Como iniciante na arte ou como apologista, ficamos impregnados do mundo mágico da criatividade, sensibilidade e beleza da poesia fabricada na hora, da melhor qualidade e aos borbotões. Muitos anos antes de penetrar nesse mundo maravilhoso do repente, conhecemos um apegado apologista, já tocado por nossos trabalhos anteriores. Antes, vivíamos às voltas com Bilac, Pederneiras, Varela e outros da Literatura. Hermínio Tenório, o Moreninho, dono de farmácia, prático de Medicina e boêmio de farras colossais, repetia e repetia passagens marcantes das grandes cantorias. Gostava também de recitar Catulo, Zé da Luz e Castro Alves. Moreninho tinha predileção pelo famoso encontro em Alagoas de Manoel Neném com Joaquim Vitorino. Manoel Neném era, então, o predileto dos grandes de Viçosa, onde residia. Joaquim, de solo pernambucano. A abertura do encontro ansiosamente esperado foi assim:

“Sou Joaquim Vitorino
Filho do velho Ferreira
Natural de Pernambuco
De Afogados da Ingazeira
Sou o maior cantador
Dessa terra brasileira”

          O representante alagoano de origem pernambucana, respondeu:

“Eu sou Manoel Neném
Cantador que não se braia
Sou vento rumorejante
Nos coqueirais de uma praia
Sou maior que Rui Barbosa
Na Conferência de Haia”

          O salão foi abaixo com o início e o desenrolar da cantoria. Vitorino foi muito aplaudido, gerando ciúmes e terrível inveja naquele que ainda não enfrentara um gigante igual a Joaquim. No final, lá nos escuros do terreiro, Manoel Neném partiu para apunhalar o adversário, mas foi seguro por um dos figurões que disse: ”Um canário desse não se mata em Alagoas”.
          Vimos assim que a inveja está em todos os lugares, desde o mundo encantado da poesia aos salões de velhos gabinetes. O invejoso é um frustrado tão profundo que mata com o olhar, com bruxaria, colocando pedras nos caminhos, anonimamente desvalorizando. Julga-se invisível nas suas nuances maquiavélicas, mas são facilmente detectados pelos galos de calejados esporões. O prezado leitor já foi vítima da inveja? Não acredita? Rezemos, então, ao anjo de guarda do (a) seca-pimenteira porque ser invejoso é ser SÓCIO DO DIABO.





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CABEÇAS DURAS

CABEÇAS DURAS
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2011.

Até quando teremos que ouvir e vê espetáculos degradantes de famílias soterradas ou desabrigadas em Maceió? Nós alagoanos conhecemos de sobra à certeza anual das tragédias de inverno. É o tal entra prefeito e sai prefeito, mas ninguém ousa assumir a função social de contenção de catástrofes ocasionadas pelas chuvas de outono-inverno. Antes eram as ocorrências absurdas e desumanas das cheias lagunares que deixavam os alagoanos estressados de tanta repetência da verdade e das manchetes nacionais. Color, bom ou mau administrador como prefeito ou nos Martírios, construiu com mérito o dique-estrada que, além de conter as águas de inverno, desafogou o trânsito pelo centro, criando um novo complexo de vias na região dos Bairros Bebedouro e Vergel. Nunca mais se ouviu nacionalmente o que ali ocorria. Acontece, porém, que famílias invadiram o além-dique por falta de pulso das sucessivas administrações, permitindo até construções de casas comerciais e residências com primeiro andar. Se os gestores forem permitir que o povo faça como quer, ou por falta de determinação ou conivência política, tipo não perder voto, nunca teremos uma solução definitiva para esses problemas que constrangem o cidadão e tocam fundo nas pessoas. Além das invasões pela água nos terrenos planos, temos os eternos problemas nas encostas, principalmente entre a região de baixo e da Maceió de cima.
Quem passa durante o período de estiagem, pelas periferias das barreiras, fica até com mal-estar ao prolongar a vista para as casas à beira dos abismos, barreiras já comidas, sem a mínima proteção, nem mesmo com uma pequena cerca que evitaria no momento, quedas de crianças. São os fundos das residências diretamente ligados para as ravinas, em cerca de dois ou três metros. É tanto dinheiro que entra nos cofres públicos, mas os gestores não escutam o canto dos pardais, anunciando mudança de tempo. Onde estão os engenheiros do nosso estado? Onde se escondeu a engenharia alagoana que poderia fazer um serviço continuado de contenção de encostas, até o último perigo das barreiras e grotas de Maceió. Um serviço grandioso, decente, humanitário que depois de concluído, servisse de exemplo para o Brasil e boa parte do mundo onde as tragédias se repetem pelo mesmo motivo.
Mais uma vez estamos diante de imagens e notícias degradantes que nos deixam frustrados como ser humano que vale alguma coisa. Estão aqui, frente a nós, paisagens humilhantes coloridas, nítidas, arrasantes e evitáveis. Os que respondem pela segurança pública, continuam preocupados em encher os cofres particulares, sem temor algum quanto a justiça dos homens que anda comprometida até o pescoço, usando a velha filosofia do “quem for podre que se quebre”. No final das pequenas ou grandes tragédias eles sabem que não haverá punição para ninguém e o povo será acusado de cabeça dura, até que os primeiros momentos do impacto sejam cobertos por outras novidades.
Não creio que você que está lendo esta crônica, esteja com a casa em risco. Mas se tiver ouça o canto dos pardais, porque em breve (com os grandalhões nada acontecerá) você, juntamente com outras centenas de vítimas, também será incluído no rol dos CABEÇAS DURAS.

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terça-feira, 24 de maio de 2011

FEIRA DO RATO

FEIRA DO RATO
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de maio de 2011.

Ao vermos estampada a imagem nos jornais do trem de superfície ganho por Maceió, ficamos satisfeitos com sua beleza e modernidade. Quem conhece os vagões utilizados em Alagoas, não deixa de compará-los aos velhos trens americanos do tempo de índios e caubóis. Mas não se deve olvidar a grandeza da prestação de serviço desses possantes transportes feitos de ferro, as lutas do povo do estado pera tornar realidade o progresso através das composições. Quando a época só oferecia cavalo, burro, carro de boi e mais tarde o caminhão, o empenho popular tinha razão em querer o conforto do trem de passageiros. Eles permitiam longas viagens, bem como a possibilidade de escoar os produtos agropecuários, centradas nas péssimas estradas de problemas permanentes. Os ramais de Maceió, Viçosa, Quebrangulo e Palmeira dos Índios, foram comemorados com muita euforia porque representava o novo, o progresso estadual, ainda que demorasse tanto a chegar ao Agreste. Tudo foi polêmico como ainda hoje. Interesses diversos, descasos, lutas, projetos não cumpridos, irritações permanentes e promessas políticas, foram sendo escritos na história alagoana do final do século XIX e primeiro terço do século XX. O trem de Piranhas, mesmo de ramal isolado, prestou relevante serviço naquele trecho do Rio da Unidade Nacional, em consonância com burros de carga, carros de boi e navios. Os trens entram em romances de Graciliano Ramos, Clerisvaldo B. Chagas e livro de Floro de Araújo Melo, como complementação indispensável à história do período. 
Não deixa de ser, portanto, motivo de grande satisfação contemplar a nova imagem do trem que chega para servir a região da Grande Maceió.  O danado é muito bonito, confortável e igual ao de qualquer outro lugar civilizado do mundo. Segundo a CBTU ─ Composição Brasileira de Trens Urbanos ─ serão oito composições com três vagões cada, e que estarão em pleno funcionamento ainda no primeiro semestre. Esse meio de transporte recebeu a denominação de VLT que significa Veículo Leve sobre Trilhos. O amigo quer experimentar uma voltinha no VLT? Pois nós também. Como quem escreve, Zé, pode ficar de fora de maravilha igual a essa? Quem perde é somente a tradicional imundície da Feira do Passarinho ou a antiga enrolada da Feira do Rato, que terão de ceder espaço para o bichão bonito que já chegou.
As opiniões vão-se dividindo e já existem os eternos pessimistas que estão profetizando o sucateamento dos novos veículos, antes mesmo do início dos serviços. São os que carregam energia negativa às costas, um perigo constante para o ânimo e êxito de amigos, vizinhos e colegas de trabalho. O velho e exaurido transporte à base de ônibus, teima em não se modernizar fisicamente nem em número de passageiros e cumprimento de horários. Coisa mesmo de província. Esperamos que o VLT traga com ele uma mentalidade atualizada e futurista para romper o gargalo do transporte urbano de Maceió. Fora todos os hábitos nocivos da FEIRA DO RATO.

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domingo, 22 de maio de 2011

CABEÇAS DECEPADAS

CABEÇAS DECEPADAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 23 de maio de 2011).

          Tocamos aqui outra vez sobre alguns momentos tristes da História de Alagoas. Um episódio difícil para a sensibilidade alagoana foram os excessos monstruosos praticados pelos irmãos Moraes. Após as lutas entre lisos e cabeludos, os filhos do vigário de Palmeira dos Índios, padre José Caetano de Moraes ─ assassinado por pertencer à facção dos lisos ─ foram à vingança. Àquele sacerdote fora morto pela força governamental comandada pelo major Cobra que estava incumbido de prendê-lo e enviá-lo a Maceió. Não houve justiça. Reunindo numeroso bando, 40 ou 50 homens afeitos à desordem, os irmãos Moraes praticaram absurdos em várias partes do estado, não poupando nem as criancinhas. Foi inútil a perseguição de força contra eles, comandada por Pedro Ivo Veloso da Silveira, com 100 homens. Os irmãos Manoel de Araújo Moraes e José de Araújo Moraes estavam dispostos a matar a qualquer pessoa que pertencesse ao partido dos adversários. Um dia, o bando cruzou o Ipanema e foi esbarrar em Águas Belas, Pernambuco, à casa do pai do Barão de Atalaia, membro da família Sinimbu, partidário dos cabeludos. Entre Santana do Ipanema e a cidade pernambucana, o povoado Poço preveniu-se contra uma possível invasão, fazendo uma trincheira contra os irmãos Moraes no lugar onde havia um poço. O bando passou ao largo até cruzar a fronteira estadual. O barão havia partido para Maceió, mas tendo a casa cercada, o seu pai conseguiu escapar miraculosamente. Com a demora proposital do retorno do bando, a população do Poço desmobilizou-se, permitindo a entrada dos bandidos que fizeram misérias no povoado. Daquele dia em diante, o lugar que já era Poço, passou a ser chamado de Poço das Trincheiras até hoje.
         O próprio povo alagoano, revoltado com o terrorismo implantado pelos filhos do padre, empreendeu caça aos dois irmãos aonde quer que eles se encontrassem. Manoel Moraes foi logo assassinado nas matas de Vicente de Paula, por um homem mameluco. José, entretanto, continuou com seus atropelos de horror à população, mas também gerando anedotas no imaginário popular. Transpondo o rio São Francisco, caçado incessantemente, internou-se na caatinga do município de Porto da Folha, solo sergipano. Seu bando havia se esfacelado, ele se achava só, perseguido sem trégua por uma expedição chefiada por José Afro Cavalcante Pimentel, Vitorino e Apolinaro mais o rastejador Izidro da Hora. José foi encontrado no lugar denominado Cipó de Leite, às faldas da serra da Vaca. Faminto e cansado, o bandido procurava assar uma cobra para comer. Entregou-se sem resistência. Foi preso e degolado na hora. A cabeça foi colocada em sacola de couro cru usada para transportar água. O grupo perseguidor seguiu, então, para Canindé, numa canoinha que ficou conhecida como “Cabeça do Moraes”.

***

          Atualmente existem secretários de prefeituras que querem mandar mais que o prefeito, mestres em decapitar quem nunca lhes fez mal. Pagam o bem recebido antes com ciúme e guilhotina afiada. Para os que não aprendem, chegará o dia em que, como fazem com outrem, terão suas próprias CABEÇAS DECEPADAS.



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sexta-feira, 20 de maio de 2011

OS MESMOS CANTARES

OS MESMOS CANTARES
(Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2011)
          A crescente onda pela democracia no Oriente Médio e norte da África, sem dúvida é um dos marcos importantíssimo da história contemporânea. As ditaduras civis que fazem parte da tradição daqueles povos pareciam consolidadas para sempre. Foi o progresso das comunicações internacionais que fizeram as revoltas dos povos que se sentiram injustiçados. Com a velocidade e a expansão de informações em todos os países, acompanhadas de imagens multicores e nitidez impressionante, as populações vão percebendo as diferenças sociais entre os lugares. Com o progresso da Educação, juntam-se ambas as coisas e o questionamento passa a ser inevitável. A velha nobreza europeia ou a teocracia religiosa com hegemonia familiar do poder vão ficando desnudas diante das imagens de televisão liberal e da Web sem fronteiras. São ferramentas que nesse primeiro momento fazem um efeito devastador como ora acontece. Antes, o mundo era desconhecido. Pouco se sabia dos acontecimentos atualizados por aí, épocas favoráveis para os donos do poder.
          Interessante é a pele de camaleão dos Estados Unidos. Enquanto os ditadores serviam as suas estratégias, bases de domínio militar e psicológico ao mundo eram excelentes colaboradores e podiam oprimir à vontade os governados. Assim aconteceu na América do Sul e Central, onde houve incentivo e até participação americana em favor de famosos caudilhos, inclusive no Brasil com Getúlio Vargas e na fase chamada de “período de chumbo”. Também na África, no Oriente Médio e na Ásia, onde os nocivos para o povo são acalmados e tornam-se dóceis à custa de milhões e bilhões em cédulas verdinhas.
          Como os ventos da liberdade começam a soprar nas regiões citadas, o governo americano veste a pele de camaleão, dá às costas aos antigos aliados e procura acabar de demolir seus antigos regimes, pulando de galho em galho igual a macaco. Dão, como fala o provérbio, “uma no cravo, outra na ferradura”. Procurando sempre não perder as posições estratégicas, os americanos acenam para os possíveis novos governantes com milhões de dólares, apesar da crise. Exercitar a democracia em países de tradição ditatorial, não vai ser fácil, assim como também não será fácil, inicialmente, o novo estado palestino a ser reconhecido. Os desentendimentos entre israelenses e seus vizinhos árabes, vêm de muitos séculos, desde os combates sem fins nas terras de Sansão e Dalila.
          Após essa onda democrática, com certeza virá o acomodamento da nova situação que poderá ser breve ou demorar bastante. Somente depois poderá ser feita uma avaliação segura de como ficará o regionalismo asiático e africano. Aí virão questões como o relacionamento Israel/Palestina, regimes democráticos e seus respectivos povos e, as modalidades políticas para o exterior, principalmente com os americanos. Aliados a isso, o crescente momento dos BRICS, vão deixar uma nova ordem mundial que o tempo dirá como. Nada definido, ainda.
          Assim como os americanos, muitos da classe política brasileira aprenderam com mestria a mudar a cor da pele... Ou penas, como os canários fofos que povoam o meu Sertão. Mudam as penas, mas permanecem OS MESMOS CANTARES.


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quarta-feira, 18 de maio de 2011

ONDA COROADA

ONDA COROADA
(Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2011).

          Entre tantas notícias pessimistas, é fonte diferente de satisfação quando se publicam boas novas. E quando as boas novas sobre o nosso país são veiculadas por órgãos estrangeiros, é de se sentir contentamento. Isso porque há tempo, ficávamos bisonhos com as fugas constantes dos nossos trabalhadores comuns para o exterior. Era a busca de oportunidades lá fora na tentativa por melhores dias, tendo como base o convívio familiar. Isso também acarretava o trauma da separação, o enfrentamento de novos hábitos, costumes, línguas, climas e o geral complexo de sociedades diferentes. Quando esses trabalhadores davam-se bem, apesar da imensa saudade da terra e dos que ficavam, podiam ajudar com algum dinheiro à parte que ficava no Brasil. Bons exemplos dessa realidade aconteciam em alguns municípios de Minas Gerais, estado notável por receber dinheiro das inúmeras famílias que estavam fora. Ali investiam e progrediam fazendo crescer junto o município, como em Teófilo Otoni. Para os que não conseguiam progredir, a amargura da frustração tornava-se um pesadelo.
          Felizmente a realidade brasileira agora é outra. Hoje o Brasil supera importantes países da economia e da ciência tradicionais como a Rússia e a Holanda, chegando ao 13º lugar do mundo em produção científica. Atrai cada vez mais estrangeiro para trabalhar e investir no Brasil, diz reportagem da revista britânica “The Economist”, em janeiro. Segundo a revista, os aumentos de investimentos na ciência nacional nos últimos anos, fazem do Brasil um dos principais polos de atração científica internacional. Diz à publicação que as universidades brasileiras buscam atrair cientistas mais velhos de outros países para que possam administrar alguns de seus laboratórios e se estabelecerem em definitivo no país.
          Não cabe apenas numa crônica a análise sobre a excelente reportagem publicada sobre esse enfoque. (VIVES, Fernando. Dinheiro, enfim, na academia. Carta na Escola. (54): 52-55, mar. 2011.). O autor faz referência a algumas instituições brasileiras classificando a EMBRAPA como a mais respeitada no mundo em relação às suas pesquisas. Embora muita coisa ainda tenha que ser feita esse retorno de trabalhadores e cientistas ao nosso país, é de fato uma coisa extraordinária para quem passou a vida inteira ouvindo que o Brasil era o país do futuro. A nossa mão de obra especializada já começou a faltar porque o Brasil partiu na frente de diversas profissões. Mas o melhor de tudo é que esse crescimento fantástico é completamente irreversível. Se não foi totalmente para nós, será pleno para os que nos sucederão, pois também ouvimos dizer que Deus é Brasileiro, muito embora Satanás também queira assumir. Se houver uma quase cruzada, pelo governo federal e pelo povo, sistematicamente, noite dia, contra a corrupção em todas as esferas, poderíamos, sem dúvidas chegarmos ao topo do desenvolvimento. E se o mundo inteiro reconhece a atual posição do Brasil, vamos com eles nessa ONDA COROADA.


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terça-feira, 17 de maio de 2011

AVE CÉSAR

AVE CÉSAR
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2011).

          Maracanã é termo relativo a várias aves psitaciformes que habitam desde o Maranhão ao sul do Brasil. Entre essas aves que chamam atenção pelo verde intenso da sua plumagem, está a Propyrrhura maracana, cuja beleza é muita apreciada e vive entre trinta e quarenta anos. Como outras aves brasileiras, vai mudando o nome conforme as regiões desse imenso país. O tipo de periquito é um dos mais atraentes também para contrabandistas que tentam levá-lo para Europa nas piores condições possíveis. Como o verde tem destaque especial em nossa bandeira, a Propyrrhura parece representar bem o Brasil, sendo ligada imediatamente a nossa flâmula. Assim, a designação do maior estádio do mundo, situado na área da ave apresentada, parece não causar nenhuma surpresa na importante justiça da homenagem.
          A velha praça de esportes do Rio de Janeiro, desgastada pelo tempo, sempre representou o futebol mundial como símbolo físico maior. Levado àquele estádio na década de setenta, pelo primo santanense médico Stênio Chagas Duarte, irmão do também saudoso vereador Tácio Chagas Duarte, pudemos contemplar a grandeza que representa o Maracanã, tanto na parte física quanto na sua simbologia. Aquela noite onde milhares de pontos luminosos (cigarros) ornavam as arquibancadas, o empate em 2 X 2 entre Brasil e Alemanha, os urros da torcida brasileira, deixaram a impressão de um mundo surrealista na apreciação do colosso carioca. Só quem conhece de perto o poderoso estádio sabe quanto é forte o nome do pequeno papagaio maracanã.
          Recentemente, após uma polêmica enorme em torno do seu nome, da sua velhice, da sua demência, houve até quem propusesse a sua demolição simples e radical. Outra ideia um pouco mais nobre propunha transformar o gigante em museu para funcionar como atração turística. Todas as saídas apresentadas sempre esbarravam na parte financeira para qualquer projeto que visasse alimentar o titã de concreto. Finalmente, para a nossa satisfação e orgulho nacional, é mostrada ao público a maqueta e escrito todos os detalhes de revigoramento do pai de todos os estádios do planeta. É impressionante como o velhinho está no forno para sair novinho, novinho que só cédulas de cem. Será novamente, comadre, o mais moderno do mundo e com capacidade para oitenta mil torcedores. Estou com tudo aqui, virtualmente diante de mim. Bonito que só uma noiva na igreja! Impressionam também os detalhes da obra orçada em menos de um bilhão e que por certo contam pontos importantes para a engenharia brasileira.
          Agora a velha ave maracana vai poder fazer zoada à vontade. Uma verdadeira ressurreição em vida. Quando a ciência fará assim também conosco, os idosos do país? AVE CÉSAR.


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segunda-feira, 16 de maio de 2011

ASSIM É COVARDIA

ASSIM É COVARDIA
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de maio de 2011).

          O Quênia, simpático país africano tem dado ao mundo uma paisagem deslumbrante na parte física do país. Uma nação que luta constantemente para matar a fome do seu povo, atrai turistas de todos os recantos para mostrar as suas belezas naturais. Mas, assim como o Brasil passou o ser o planeta Bola, o Quênia também chegou a ser o reino Corrida. Essa nação africana adquiriu bastante respeito quando começou e continuou a ganhar inúmeras corridas de rua em todos os recantos do globo. Seus simpáticos atletas compridos, magros e negros, desafiam todas as cores com suas pernas compridas e velozes. Basta haver um maratonista queniano, masculino ou feminino, em competições internacionais para que o brilho do atletismo garanta sucesso absoluto. Muitas vezes eles nos humilham no Brasil, mas a simplicidade e simpatia dessas pessoas maravilhosas, mesmo assim, são motivos de nosso respeito e admiração.
          Samuel Wanjiru, maratonista queniano, ouro em Pequim, acaba de falecer. Morreu ao cair do ultimo andar da sua casa, diz a polícia. Como todo ser humano, desconhecido ou famoso, está sempre entre o amor e o ódio, Wanjiru não ficou indiferente a esses sentimentos. Aos 24 anos, Samuel discutia com sua esposa Triza Njeri em sua casa, na localidade Nyahururu, no centro do Quênia, quando caiu da varanda e morreu. Jasper Ombati, chefe de polícia local, disse que foi aberta uma investigação para apurar o caso. Wanjiru após chegar a casa com uma amiga após reunião social chegou a sua esposa e começou o desentendimento. Vale salientar, porém, que o atleta já vinha há muito com problema entre a mulher e a Justiça. Ninguém acredita de primeira em acidente tão ingênuo. Muita coisa ainda vai ser espremida nessa investigação. O amor e o ódio continuam fazendo vítima pelo mundo inteiro, pois são sentimentos arraigados na constituição do homem e da mulher; quando termina um geralmente inicia o outro. Só os santos verdadeiros talvez tenham encontrado o equilíbrio perfeito, coroa dos pensantes.
          Todo famoso tem o direito de escândalos e mais escândalos que se vão compartimentando em coleções. Samuel, nosso espetacular maratonista não teve a sorte de escandalizar mais, como os que sobem apoiados em pedestais de barro. Glorificando o seu país, foi embora um precioso atleta. E Triza? O que será de Triza Njeri?
          Quantos desses “acidentes” já aconteceram no Brasil? E em Alagoas? Lembram-se das coisas de São José da Tapera, de Olho d’Água das Flores e gente de Santana do Ipanema mesmo, lá nos apartamentos de Maceió? Pesquisem os arquivos se assim quiserem saber mais. Dizem que nós somos bichos brutos melhorados em busca do aperfeiçoamento. Sei não. Para quem acredita em bruxa, ela deve estar solta mesmo. E a danada parece que substituiu a velha vassoura de cipó, pelas vibrações da robótica japonesa. ASSIM É COVARDIA.





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DOIS PARTIDOS

DOIS PARTIDOS
(Clerisvaldo B. Chaga, 16 de maio de 2011).
Memorial Vivo (19) Pags. 180-81 
“O Boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”

           Após a inauguração do elevado do Pinguim ─ palanque oficial de concreto construído pelo, então, prefeito Hélio Cabral sobre a sorveteria de igual nome, de Firmino Falcão Filho ─ muitos homens sérios e demagogos usaram-no para seus empolgados discursos eleitoreiros. Ali, defronte a igrejinha de Nossa Senhora da Assunção, o povo, através do tempo, iria escutar de perto as lorotas dos políticos.
          Mais ou menos com dezessete anos de idade, decorei duas coisas: uma delas foi o discurso do governador Luiz Cavalcante durante a inauguração da luz, ou seja, da chegada de energia elétrica de Paulo Afonso em nossa cidade. Era natural que após quatro anos de luta para sair das trevas, o santanense estivesse naquela noite no Pinguim. O governador, muito espirituoso, popular e populista. Gostava de andar só, chupar roletes de cana nas bancas dos ambulantes e entrar de supetão nas repartições públicas como andarilho. De cima do palanque, o chefe dizia uma frase, o santanense aplaudia; dizia outra, novos aplausos. Até que o homem encerrou dizendo: “Hoje só não bebe o ovo e o sino. O ovo porque já está cheio e o sino porque tem a boca para baixo”. O povo riu à toa. Uma nova era surgiu em Santana do Ipanema com a força da cachoeira e o ditado batido do governador.
          A outra coisa foi o discurso de um político da Zona da Mata. De cima do mesmo Pinguim ele falava sobre reforma agrária e prometia várias coisas. Nós, estudantes do Ginásio Santana, deixamos as aulas, suspensas naquela noite, para ouvirmos juntos com a multidão. Lá para as tantas, o político, criticando as diversas agremiações partidárias, disse: “Minha gente, neste País só existem dois partidos: os que comem e os que querem comer”.
          Como nós, estudantes, acabávamos de sair das salas de aula, aprendíamos agora a verdadeira lição na sala de aula da rua. Que “bela” esperança para os jovens estudantes brasileiros era apresentada por aquele candidato a deputado!
          Saí para casa, acabado o comício. A lição do Ginásio eu já havia esquecido. Ficara apenas a orientação da rua: “No país só existem dois partidos: os que comem e os que querem comer”.



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sexta-feira, 13 de maio de 2011

KADHAFI É SANTO

KADHAFI É SANTO
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2011).

          Quando as Nações Unidas resolveram desalojar Kadhafi do trono perpétuo, a tarefa parecia um treino para as armas. Mas a falta de entrosamento no comando, a escapadela americana, a demora das decisões e a subestimação ao adversário, fizeram brilhar militarmente a estrela do ditador líbio. Esse princípio de conflito que nada resolvia, mostrava uma ONU desarticulada como fantoche trapalhão. E aqueles tigres de caras feias e dentes afiados, pareciam desenhos das nossas chamadas escolinhas. Isso apenas engordava o orgulho do homem do deserto nos derradeiros delírios de derrotar o mundo. E o ditador caprichava cada vez mais no visual estrambótico próprio, na sua postura de Homo erectus, nas fotos de televisão. O que se calculava em algumas horas, em alguns dias, em algumas semanas, parecia montado no cavalo Ventania das vaquejadas nordestinas. Foi provado mais uma vez que o criatório de cobras não é um bom negócio. Foram deixando o pequeno réptil crescer em cativeiro, deram-lhe alimentação adequada para a engorda e o resultado começa a ser colhido na safra 2011. Provado também que o tanger da cobra após a criação, é tão duro quanto à fase da engorda.
          Cansada, talvez, pela esperteza e determinação do chefe da Líbia, a ONU parece que reconheceu ter entrado no jogo como o Saci Pererê, apenas pulando em um pé só. Esse corpo mole permitiu que Muamar fosse trucidando seus compatriotas à vontade, sem nenhum remorso, baseado na estratégia única de vitória. No momento atual ─ quando a Europa começa a se encher de imigrantes forçados da área conflitante ─ a ONU parece endurecer o jogo, partindo para uma decisão definitiva que encerre esse episódio de perda em vidas humanas, dinheiro e péssima repercussão. Vai acionando mais ataques sem os cuidados inicias, tentando eliminar o homem de uma vez por todas ou capturá-lo para julgamento no tribunal do mundo. Pessoas como Kadhafi, mostram muito mais orgulho do que o antigo ditador do Iraque. No caso de iminente derrota, figuras assim, preferem o suicídio à vergonha de serem enjauladas e mostradas a público. É bem provável que faça como o cangaceiro Fortaleza ao ser capturado vivo, quando implorou por sua morte, “pois seria uma desmoralização em ter sido capturado, quando o chefe soubesse”.
          Ao mesmo tempo em que o mundo acompanha a guerra do norte africano, desvia aqui, acolá, o sentido para um terremoto, uma grande cheia, uma feroz partida de futebol. Dificilmente as atenções se voltam para um estado pequeno, massacrado, espoliado, saqueado constantemente pelos abusos cometidos há anos entre figuras que representam o território. Uma vergonha nacional o que se passa em Alagoas. A união dos grandes para levar o suor do trabalhador que não tem sequer o direito de repor por cima o que lhes puxam por baixo. No aperto a mídia estampa, mas faz a chamada meia-sola, expressão popular que indica o malfeito, o tudo pela metade.
          Depois de ser acusado de tantas coisas, vê-se que o ditador da Líbia ─ se conseguir fugir ─ virá para Alagoas, pois entre Executivo, Legislativo e Judiciário Muamar tem muito a aprender, KADHAFI É SANTO.




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quarta-feira, 11 de maio de 2011

DESGOSTO NA VIDA

DESGOSTO NA VIDA
(Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2011).

          Dividido entre trabalho escolar, recuperação de acervo sobre o cangaço, crônicas diárias e confecção do quinto romance histórico, ciclo dos cangaceiros, vou tentando entender o óbvio. O romance, ainda sem título, está inspirador e bem encaminhado. Terceiro capítulo. A história se passa quase 100% entre Piranhas e Entre Montes, cenas em Santana do Ipanema e na caatinga. O tema envolve religião, devotos, cangaceiros e outros ingredientes. O início do tema acontece um mês antes do massacre dos Angicos que entra na história e prossegue até a morte de Corisco. Entretanto o miolo em si não é o cangaço. O cangaço é da periferia do romance e de vez em quando entra e sai de foco. O centro narrativo é um guarda-costas (capanga) o protagonista, contratado para proteger o padre de Piranhas, ameaçado por alguns descontentes por medidas duras do padre Herculano no povoado Entre Montes (Monte Belo, na história). Na realidade a vida do capanga é o núcleo do romance que faz girar ficção e fatos históricos onde o leitor não vai conseguir separar um dos outros. Padre Bulhões, major Lucena Maranhão, mortes dos Angicos, trem de Piranhas, misturam-se com os transportes da época (verdade) e absorve sexo, combates, amor, sofrimento, luta pela sobrevivência (ficção). Tudo num terreno bruto e romântico. (Nada a ver com “Cordel Encantado”). “Fazenda Lajeado” fala em Piranhas várias vezes, “Deuses de Mandacaru”, encerra-se em Piranhas. Portanto, o acervo do cangaço é fundamental para coadjuvar o romance.
         
          Vejo o protesto do deputado e historiador daquela cidade, Inácio Loyola, contra a construção de mais uma hidrelétrica no rio São Francisco, entre Pão de Açúcar e Piranhas. O rio, combalido com o golpe arrasador de Xingó, virou riacho, perdeu o peixe, encontra-se assoreado e não aguenta nem mais um empurrão. Estamos na época das alternativas. E se querem mais energia deveriam instalar uma usina eólica onde for possível e deixar o nosso rio doente reagindo. E como disse o parlamentar, a dívida social da Eletrobrás é realmente enorme com a população ribeirinha. Desde já o deputado pode contar conosco e creio com todos os habitantes de Alagoas e Sergipe que deverão engrossar o coro, caso persista essa ideia maluca de sangrar o paciente.
          Quem não lembra os protestos do bispo e a greve de fome feita em defesa da sobrevivência do nosso São Francisco? E é assim, é? Isso até faz lembrar o repentista Zezinho da Divisão com seu velho mote “tudo é desgosto na vida”:

Nosso rio está doente
Querem acabar de matar
Depois de tudo sangrar
Nem peixe ficar pra gente
Eletrobrás é serpente
Cujo peçonha é cuspida
Com sua boca comprida
Mais a língua bifurcada
Liquida a troco de nada
“Tudo é DESGOSTO NA VIDA”


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terça-feira, 10 de maio de 2011

ZÉ DA LUZ

ZÉ DA LUZ
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2011).
(Para a sensibilidade de Carlos Henrique)

          Provocado pelo Mural de Recados do nosso blog, resolvo, então, lembrar um pouco do assunto comentado pelo empresário Carlos Henrique. Severino de Andrade Silva (o Zé da Luz) nasceu em Itabaiana-PB, em 29 de março de 1904, tendo falecido no Rio em 12 de fevereiro de 1965. Alfaiate de profissão foi poeta de grande sensibilidade criativa e publicava seus versos em forma de cordel. Gostava de fazer como Catulo da Paixão Cearense de interpretar a linguagem do caboclo nordestino na forma poética conhecida como “poesia matuta”. Apesar de famosos literatos condenarem a linguagem cabocla no mundo literário, isso não exclui o mérito das grandes composições. Todos os repentistas nordestinos aprendem cedo que o principal documento do poeta é a “criação”. É construir imagens nunca antes criadas. Lembro-me perfeitamente da década de 60 quando a “poesia matuta” estava no auge. Declamavam-se versos de Catulo e Zé da Luz, nos clubes sociais, nas escolas, no meio da rua. Causei muito riso declamando no Ginásio Santana e nos mais diferentes lugares. O empresário Sinval, que possuía alambique em Santana do Ipanema, era um ótimo declamador matuto. As páginas de maior sucesso eram “A Cacimbinha” e “Flor de Puxinanã” na parte humorística. Adormecida por longos anos, a poesia matuta volta à moda com bons declamadores, assim como Amazan. Publiquei um CD de poesia matuta, “Sertão Brabo”, dez poemas engraçados. Mas quando se fala na mistura de criatividade e sensibilidade, deixamos aqui o poema de Zé da Luz, que tanto recitei como um brinde aos nossos leitores e um preito ao grande poeta paraibano.

AI SE SESSE!

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariasse
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulice?
E se eu me arriminasse
e tu cumigo insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!
ZÉ DA LUZ





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segunda-feira, 9 de maio de 2011

RUA DA FRENTE

RUA DA FRENTE
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de maio de 2011).

          Visitando algumas cidades ribeirinhas do São Francisco, notei que todas elas têm uma rua chamada Rua da Frente. Interessante é que a rua da frente ─ para nós ─ é aquela principal, muitas vezes a maior, a mais larga, a mais importante. Nas cidades ribeirinhas, a entrada de muitas delas tem cobertura asfáltica, chegando por trás. É que esses núcleos urbanos, assim como seus povoados, foram construídos virados para o caminho natural da época, que era o rio São Francisco. A rua da frente, portanto, era a primeira em ordem de afastamento da corrente e representava privilégio para o morador, possuir a moradia bem perto do leito do rio.
          Na segunda década do Século XX, quando automóvel ainda era uma coisa rara, principalmente nos sertões longínquos, os rios desempenhavam papel importantíssimo em todos os sentidos. Além do peixe que alimentava pessoas e comércio, eles permitiam o deslocamento dos viajantes entre o litoral e o interior, através de variados tipos de embarcações, desde a simples canoa aos luxuosos navios. Na região do São Francisco, havia um comércio intenso com a exportação de mercadorias sertanejas como queijos, cereais, peles, madeira, rapadura; e importações como ferramentas, sal, açúcar, bebidas, tecidos, remédios e calçados. À medida que povoados, vilas e cidades expandiam-se, crescia a importância do transporte fluvial pela ausência de estradas de rodagem e escassez de veículos de cargas como o caminhão. Não se desmatava tanto permitindo o assoreamento de afluentes e do rio principal das bacias. Os navios, portanto, tinham condições de navegabilidade ─ no caso do rio São Francisco ─ da foz, perto de Piaçabuçu, até o núcleo de Pão de Açúcar. Temos até narração de escritor sertanejo de Alagoas, de como chegou ao Rio de Janeiro, iniciando o trajeto a partir de Santana do Ipanema, por terra, Pão de Açúcar a Propriá navegando pelo Rio da Unidade Nacional. Pão de Açúcar, segundo núcleo em importância na época, só perdia para Penedo, tal o movimento do porto entre embarcações, carros de boi, cavalos, burros e gente. Era por isso tudo que se constituía um privilégio a moradia na rua principal, a rua da frente, a que contemplava e participava de todo movimento de uma cidade ribeirinha.
          Vê-se, então, acima, que a rua da frente, com seus casarios compridos, portas e janelas típicas de madeira frisada, representava uma elite, uma nobreza local que participava de todos os eventos sociais, como desfiles, coretos para bandas de música, Carnaval, fogueiras de São João e procissões aquáticas. Queremos dizer que a rua da frente participava e dava o melhor de si, para o progresso da cidade onde se encontrava encravada.
          Como dizia o poeta Zé da Luz, “mal comparando”, as pessoas, lá longe, parecem cidades. Somos cheios de vícios, medos, esperanças e egoísmos. Somos, então, ruas do vício, do medo, da esperança, do egoísmo. Difícil mesmo para a humanidade é possuir a nobreza virtuosa da RUA DA FRENTE.





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ARQUIVOS DO CANGAÇO

ARQUIVOS DO CANGAÇO
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de maio de 2011).

          Há cerca de quinze anos atrás, resolvi fazer um livro diferente sobre Lampião. Um livro, como a inédita História de Santana, sobre todos os combates do bandido, registrados e não registrados pelos historiadores. Logicamente o trabalho iniciaria com o seu nascimento e iria evoluindo para as primeiras arengas, as primeiras lutas entre vizinhos, as arruaças praticadas em Pernambuco e Alagoas, seu ingresso em bandos da época, até a sua ascensão ao comando de um deles. Daí em diante, viria à fase de todos os seus combates, dia a dia, mês a mês, ano a ano até desembocar no fatídico 28 de julho de 1938. Quase tudo foi feito, quando abandonei o trabalho por motivo de ser um assunto “pesado” de muitos fluidos negativos, o que deixa o historiador exausto. (Não sei se isso acontece com outras pessoas que se dedicam a falar dos mortos). Somente agora, devido àquela velha faxina que se faz para se livrar de inúmeros papéis velhos, mexi novamente no assunto. São dezenas e dezenas de fotos relativas ao cangaço, reportagens anuais do mês de julho, depoimentos inéditos de volantes que participaram do massacre e moravam em Santana do Ipanema e manuscritos de todos os combates em ordem cronológica, dias, meses, anos desde 1921 a 1938.
          Para não jogar fora, livrar-me de todo esse acervo, resolvi aproveitar as tecnologias do momento. Pode ser que mais tarde seja útil para alguma coisa ou para alguém. Assim vou tentando escanear uma pasta lotada de papéis amarelados tentando livrar-me dos ácaros usando máscaras improvisadas. Isso não é tão simples como a gente pensa. Para colocar tudo em disco, dá um trabalho que limita a paciência, além da sequência de meio mundo de papel, o manejo da máquina, nem para frente nem para trás e ainda por último ter que digitar todos os manuscritos encontrados. Além do final vem à conferência minuciosa, as comparações, o raciocínio lógico. Não pretendo mais transformar tudo em livro, pois já existem mais de mil títulos no mercado sobre o ensebado assunto que pretensos historiadores continuam escorregando. Mas, quando terminar tudo e livrar-me desses papéis velhos, talvez publique uma semana ou mais de crônicas a respeito de coisas que ainda deslumbram meia dúzia.
          Vejo a pilha de papéis soltos e está ali Inácio louvando aos céus; Samateu, irmão de Cila (a mulher mais bonita do bando) narrando sobre o tesouro de Lampião; a casa de Bié da Emendadas; a narrativa sobre o último cangaceiro a se alistar na quadrilha; a primeira notícia sobre a hecatombe de Angicos; todos os detalhes do dia 28 de julho de 1938 em Santana do Ipanema (coisas que nem os próprios santanenses de hoje sabem); e tantas outras minúcias para quem não tem o que fazer. E assim, com muito respeito aos que já se foram, evitar contar mentiras sobre eles é o melhor remédio. Portanto, lá vai parte do meu final de semana lutando com os cangaceiros. Sem mais no momento, vamos passando para o virtual os ARQUIVOS DO CANGAÇO.


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quinta-feira, 5 de maio de 2011

MISTÉRIO DO SÉCULO XX DESVENDADO

MISTÉRIO DO SÉCULO XX DESVENDADO
QUEM MATOU DELMIRO
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de maio de 2011).

          A morte do coronel Delmiro da Cruz Gouveia, assassinado em 1917, causou comoção nacional. Um dos maiores empresários do Brasil, ao lado de Irineu Evangelista, o Barão de Mauá, passou a ser incluído e respeitado na história, sendo o precursor da energia elétrica no Nordeste, bem como de estrada de rodagem. Dono de uma fábrica de linha nas brenhas da Pedra (hoje cidade de Delmiro Gouveia) tinha o seu produto concorrendo em escala mundial com os ingleses. Enriquecido pela segunda vez, com venda de couros e peles, Delmiro foi o primeiro homem em Alagoas a possuir automóvel. Sua morte foi um desastre para o Brasil, entrando numa polêmica sem fim e que só agora parece desvendada.
Vai (?) ser lançado o livro “Quem matou Delmiro”, do historiador, pesquisador do cangaço e documentarista, de Feira de Santana, Bahia, Gilmar Teixeira. Sua pesquisa sobre outra coisa teve início em Paulo Afonso, 2008, quando obteve dados paralelos do mundo inteiro, resolvendo investigar a morte do empresário e publicá-la em livro, lançado pelo “Cariri Cangaço”. Teixeira desvenda assim o maior mistério do século XX, que foi a morte do coronel Delmiro da Cruz Gouveia. O livro era para ser lançado em 2011, anunciado no final de 2010, porém, não temos ainda uma pista se já está na praça.
          Em artigo no site “Cariri Cangaço”, o ilustre pesquisador resolveu adiantar alguma coisa surpreendente. Com o título: “Assassinato de Delmiro, uma trama estrangeira ou cangaceira?” Conforme o artigo seriam “autores intelectuais: a família Torres e outras famílias reunidas na casa da baronesa de Água Branca, Dona Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres (ciúme pelo crescimento político de Delmiro); Lionelo Iona (sócio de Delmiro, tutor da fortuna dos filhos de Delmiro – para ficar rico); capitão Firmino (compadre de Delmiro que teve uma filha seduzida pelo coronel – vingança); Herculano Soares (fazendeiro que apanhou de Delmiro na rua - jurou vingança). Ele e o cunhado Luiz dos Anjos; José Gomes (cunhado do capitão Firmino - rixa com Delmiro, pois este apoiara seu adversário político em Jatobá para prefeito). Autores materiais: Cangaceiro chefe de bando em Alagoas, Sebastião Pereira, “Sinhô Pereira” (quadrilha em que Virgulino estreou antes de formar seu próprio bando, herdando essa chefia); Luiz Padre, primo de Sinhô Pereira (os dois cangaceiros mais famosos da época) e mais três indivíduos. Dois deram cobertura. Como o pistoleiro Róseo foi acusado e cumpriu sentença em trama para que ele fosse declarado culpado, o autor deixou para depois o nome dele e outros nomes que sairão no livro: ‘Quem matou Delmiro’”.
          Baixei com facilidade o artigo para o meu computador, inclusive com fotografia de Sinhô Pereira e Luiz Padre, as duas únicas fotos publicadas sobre eles, segundo Teixeira. Como não consegui encontrar mais pistas sobre o assunto, fiquei sem saber se o livro já foi publicado ou não. É ficar em alerta e continuar procurando por notícias sobre o mistério do Século XX desvendado e adquirir o livro bomba “QUEM MATOU DELMIRO”

• Nota: Na crônica, “Patrimônio do Brasil” (1/5/2011) no lugar de Ivan Barros, leia-se Ivan Fernandes Lima.


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quarta-feira, 4 de maio de 2011

ILUSÃO DA PEDRA RICA

ILUSÃO DA PEDRA RICA
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de maio de 2011)

          Vários sítios pertencentes a Santana do Ipanema estão além do povoado São Félix, perto da fronteira com Pernambuco. Região do maciço santanense, o norte e nordeste do município sofrem há muito com problemas de estrada além da serra do Caracol. Esta serra faz parte do primeiro documento referente à futura criação do município de Santana, sendo marco de extensa sesmaria que deu origem a Sant’Ana da Ribeira do Panema, núcleo urbano e área rural. Sendo região de montes que se desprenderam do planalto, naturalmente é composta de grotas, grotões ou grotas mais suaves chamadas pelo povo de sacos ou sacões. Como o povoamento é menor daí em diante ─ em ordem de afastamento do povoado São Félix ─ as dificuldades vão aumentado em relação às estradas. Porém, após a região serrana, o viajante cai para um raso de caatinga que ultrapassa o riacho Dois Riachos, no município do mesmo nome, em terreno recoberto de areia branca. Devido a esses empecilhos é preciso rodear através da cidade de Dois Riachos, através da BR-316, ganhar a direção norte para se chegar ao sítio santanense Pedra Rica.
          Já falei sobre esse assunto antes. Fui fazer uma reportagem ali para o Jornal do Sertão, com o desenhista Roberval Ribeiro. A origem do nome do sítio Pedra Rica vem de algumas inscrições rupestres encontradas em um bloco de granito que faz parte de um todo de relativo tamanho. Vencemos um exército de marimbondos arranchados em torno das inscrições, mas cumprimos o nosso trabalho. Enquanto Roberval copiava os desenhos eu escrevia sobre o assunto. Outras pessoas levaram amostras para o Recife, mas nunca retornaram com uma resposta exata do que fosse aquilo para o povo do sítio Pedra Rica. Muitos da região acreditam que as inscrições rupestres falam de um tesouro escondido por ali. Creem que um dia esse tesouro será achado e, assim permanecem na ilusão.

          O Magistério e a Saúde continuam nesse país como os eternos sacos de pancadas. Há décadas que o melhor e mais alegre caminho para as autoridades que gostam do alheio é esse que segue para as duas áreas. A farra sempre foi total com os pertences do professor, salário, merenda, e tantas coisas mais relativas às escolas e aos hospitais. E apesar de tanto esforço feito para valorizar os profissionais e as profissões citadas, os escândalos parecem não chegar ao fim, com punições artificiais que parecem brincadeiras. Até o mísero salário os espertalhões levam com um discurso, enquanto com o outro falam mal da ditadura militar. É ponto até para se refletir se vale à pena uma democracia que leva toda a saúde do povo e uma Educação morrente, ou uma ditadura, mas com educação e saúde plenas. Se a maioria das empresas alagoanas não paga um salário decente aos seus funcionários, o serviço público nas duas áreas acima, parece agir como os tiranos coronéis após a escravidão com negros libertos sem perspectivas. É assim que o pessoal da Saúde e da Educação continua nos seus trinta anos ou mais de trabalho ─ aguardando que aconteça ─ na mesma ILUSÃO DA PEDRA RICA.

• LEIA AMANHÃ: DESVENDADO O MISTÉRIO DO SÉCULO XX. QUEM MATOU DELMIRO.
 Leia-se na crônica “Patrimônio do Brasil”, dia 1/5/2011, Ivan Fernandes Lima e não Ivan Barros como está escrito. Vênia.





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OS CASCUDOS DE ROBSON

OS CASCUDOS DE ROBSON
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2011).

          Muito proveitosa à palestra do promotor Elísio Sávio Maia Júnior, na Escola Estadual Helena Braga das Chagas. O promotor da terceira vara de Santana do Ipanema havia sido convidado pela atual direção da escola para falar ao corpo discente do turno noturno, sobre os problemas que ocorrem nos estabelecimentos de ensinos. Com a companhia do advogado João Soares Neto, Elísio Sávio abordou os assuntos comuns que vão inquietando os educadores de modo geral, como a droga, a violência, o papel da escola na comunidade e outras mais que fazem parte do cotidiano. A violência, que se expandiu pelas ruas, pelos lares, centros e periferias, terminou atingindo as escolas, quando são apresentados pela televisão os casos mais absurdos. Após os pronunciamentos do palestrante, a plateia, composta de adolescentes e adultos do segmento EJA, iniciou algumas perguntas para melhor entender a Justiça. Entre as indagações curiosas dos alunos, uma chamou atenção, quando o divertido Robson perguntou que “se uma pessoa é roubada por um menor, pode correr atrás do ladrão e aplicar-lhe uns bons cascudos”. Foi uma gargalhada geral, tanto pelo modo supimpa da pergunta, quanto pelo significado embutido da palavra “cascudo”. Outra indagação interessante, foi a de uma adolescente que queria saber “se quando um menor chega a casa alcoolizado quebrando tudo, pode entrar no cacete”.
          De fato ainda falta muita informação ao cidadão comum. Vemos o adolescente chegar rude às escolas, completamente cego de como proceder em um ambiente escolar, trazendo os modos brutos da periferia. O palavrão constante do seu meio é solto à presença de quem quer que seja; a indisciplina e o quase nada trazido de cursos básicos fazem daquele local uma escola bizarra. Ficar dentro de uma sala de aula, é uma tortura para muitos que procuram a escola, mas as faltas de base e de costume do ensino geram uma inquietação medonha com resultado tristonho da evasão. As escolas, sem estrutura física, psicológica e pedagógica, vão sendo encaradas como local de descarrego das frustrações domésticas e do cotidiano atravessado do meio. Recentemente foi criado o batalhão escolar, segundo circulação de ofício, mas isso não será o bastante para assegurar uma tranquilidade ao profissional do Ensino que termina migrando daquilo que tanto sonhara.
          Viver da Educação hoje em dia é ato de heroísmo, numa época em que nem os pais dão jeito aos seus filhos, nem às escolas oferecem às condições mínimas de educar. Uma palestra sobre Justiça, Saúde, Meio Ambiente, drogas, gravidez ou outra qualquer, parece apenas aliviar momentaneamente os dramas escolares. Até quando não sabemos, mas os problemas mais fortes de fora, também vão ajudando a destruir escolas. Os adolescentes vão continuar alcoolizados e “entrando no cacete” e o grandalhão continuará perseguindo o infrator menor para lhe aplicar “OS CASCUDOS DE ROBSON”.


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segunda-feira, 2 de maio de 2011

ESPAÇO NA HISTÓRIA

ESPAÇO NA HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 3 de maio de 2011).

          O final da semana passada trouxe três grandes notícias que encheram o mundo em assuntos diversificados. Foram três temas perto um dos outros, proporcionando gosto unicamente particular em relação a cada um deles. O casamento na realeza da Inglaterra fez sonhar a muitos. Outros como eu, ficaram indiferentes às notícias e às pompas do martelado casamento. Se a Inglaterra continua mantendo a emoção do altar de contos de fadas, é sinal que o romantismo não morreu nem mesmo em um dos países mais industrializados do mundo. Os sonhos das mulheres são os mesmos em todos os lugares do globo. O príncipe, a noiva, o vestido da noiva, a marcha nupcial, estão nas cabeças femininas, até porque o momento é coisa inspiradora dos céus. Homens também sonham com um bom casamento, base, sustentáculo e esperança do futuro.
          Outra notícia foi à beatificação de João Paulo II, que na minha admiração, já era santo antes mesmo de ser beato. O mundo muito deve a João Paulo, um desses homens que surgem para marcar o século.
          Mas nem tudo na Terra são idílio e santidade.
          Após dez anos de busca, finalmente é encontrado e morto o destruidor das torres gêmeas de Nova York. Por uma parte Osama deu uma lição nos Estados Unidos que sempre derramaram sangue nas guerras fora de casa e nos atos secretos da CIA, assassinando pessoas em todos os lugares. Osama vingou muitas mortes, mas o número de pessoas inocentes eliminadas não o credencia como herói em nada. Sobre sua real condição de morte, é coisa duvidosa. Ninguém vai prender gente perigosa, vai matar. Quando prende é aborto. Não deve ter sido diferente o tiroteio de “resistência” de Osama Bin Laden. Ninguém ainda se livra do corpo de gente tão famosa com essa rapidez. Para saber se jogaram o corpo ao mar, se enterraram ou não, somente os que ficaram com a custódia do corpo e o presidente Barack sabem a verdade. Um troféu de guerra não é jogado às águas nem sob a terra. Se o movimento guerrilheiro vai continuar ativo ainda é cedo para dizer. Muito cedo mesmo. Começa uma nova era do terrorismo mundial, ou mais nada ou mais tudo. Aos Estados Unidos, após a vibração do povo nas ruas, cabem pagar a recompensa prometida de 25 milhões de dólares. A quem pertencerá esse dinheiro sangrento?
          Osama Bin Laden nasceu na Arábia Saudita em 1957, em uma família de mais de cinquenta irmãos. Lutou contra os soviéticos nos anos 80, financiado pelos próprios Estados Unidos, quando o Afeganistão teve suas terras invadidas. Foi aí que nasceu a rede terrorista Al Qaeda que tanto tem assombrado os americanos. Certo ou errado, Osama virou líder e conquistou o seu ESPAÇO NA HISTÓRIA.

• LEIA NA PRÓXIMA SEXTA: QUEM MATOU DELMIRO GOUVEIA. DESVENDADO O SEGREDO DO SÉCULO XX.

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domingo, 1 de maio de 2011

PATRIMÔNIO DO BRASIL

PATRIMÔNIO DO BRASIL
(Clerisvaldo B. Chagas, 2 de maio de 2011)

          Quase caí de costas com a surpresa, ao abrir a revista. Um sentimento emotivo de respeito, admiração vizinha ao divino, longos e ternos olhares para as fotografias do mestre Aziz Nacib Ab’ Saber. Estava ali o cientista geógrafo, o maior morfologista do Brasil no alto dos seus 85 anos. O homem do relevo, das montanhas, planícies, depressões, apaixonado como eu, por esse ramo belíssimo da Geografia Física.
          "De pai libanês e mãe brasileira, paupérrima, como ele mesmo diz, Aziz morava em Tatuapé e lecionava no Colégio Estadual Caetano Campos, para ajudar a mãe na pobreza em que viviam. Como aluno da faculdade, traduzia para seus colegas tudo o que o professor americano falava e ainda comentava muito mais sobre o assunto da sua paixão. Admirado, o professor Kenneth Kaster, convida-o para preencher uma vaga de jardineiro, na universidade, somente para ficar com ele como assistente. Após consultar a sua mãe, Joventina, Nacib aceitaria o cargo, mas a verba de jardineiro era pouca, teria que continuar lecionando. O professor aceitou suas condições. Aziz Nacib Ab’ Saber, era ótimo e sozinho em Geomorfologia, tanto que muitas vezes os colegas nem entendiam o que ele estava dizendo sobre o assunto. Tomou conta da biblioteca desprezada, pegando livros indicados para Kaster e pesquisando para si. Depois colocaram Aziz como prático de laboratório para não ficarem com vergonha do jardineiro que mais sabia. Como o dinheiro continuava curto, permaneceu lecionando. Famoso no Brasil inteiro, o mestre, com 85 anos de idade em 2010, continuava professor, honrando o compromisso do horário de aula no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). Possui mais de 350 trabalhos publicados. Quando se fala em Educação, diz que o desafio dos professores é uma ‘odisseia bizarra’. Aziz já esteve no Xingó quando os arqueólogos diziam lá que não acharam nada além de três ou sete mil anos. Percorrendo as ribanceiras do rio São Francisco, com seu olhar clínico, Aziz elevou os paredões rochosos para 60 milhões de anos, surpreendendo arqueólogos e historiadores”.
Adaptado: REHDER, Maria. Uma unanimidade na universidade e na Geografia. Conhecimento Prático Geografia, (29): 36-44, fev. 2010.
          Ninguém fala em relevo no Brasil sem consultar o mestre Aziz Nacib. E eu vou lembrando pessoas da nossa região: apaixonadas pela Geografia Geral, doidas pela Geografia Física, Malucas pelo Relevo, alucinadas pelas montanhas. Professores Ivan Barros, Tadeu Rocha, Alberto Nepomuceno Agra e Clerisvaldo Braga das Chagas que marcaram épocas inspirados em figuras proeminentes de monstros sagrados como o homem de Tatuapé. Quem não gostaria de ter um amigo assim, cientista orgulho dos geógrafos, PATRIMÔNIO DO BRASIL.


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