segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ASSIM NÃO DÁ

                                                                   ASSIM NÃO DÁ
                                             (Clerisvaldo B. Chagas, 1º de março de 2011).

       Vamos acompanhando certas coisas que não alegram a ninguém, a não ser as mesmas velhas classes que continuam medindo força com o povo. Os meios civilizados em uso pela população do Brasil parecem não fazer efeito contra os nababos do poder que permanecem à cata de vantagens. Muda o governo, mas os vícios permanecem. Temos ainda um longo período a percorrer para atingir à moralização administrativa das nações civilizadas. Quando se pensava que o congresso, parcialmente renovado, iria melhorar a sua imagem, nos deparamos com o aumento absurdo para os seus membros, chocando a sociedade trabalhadora. Não houve grito nenhum vindo de cima. O povo brasileiro esperneou, mas nada foi feito para desatar o nó cego que deram no povo não mais soberano. Quando se espera que a Justiça faça alguma coisa, o STJ sai com outro escândalo pior. E se o guardião da lei age dessa maneira, é de se perguntar a quem recorrer agora. Enquanto isso, o país do aumento absurdo recente, junta ao que já é absurdo há bastante tempo, sem um único freio que possa estacionar a sangria. Uma gigantesca propaganda continua iludindo o Magistério que se vai esfacelando, até que chega um aumento ridículo no chamado piso nacional. Foi por essas e outras medidas aleijadas que multidões invadiram câmaras e prefeituras em alguns lugares do país. Perigosamente essa democracia brasileira abusa do povo parecendo não saber sobre a guilhotina, a ignorar as rebeliões que devastam o Oriente Médio e o norte africano.
       Quando nos viramos para o outro lado, vamos também notando outras coisas que não se credenciam. Todos os programas sociais não seriam atingidos por cortes nenhum, dizia a propaganda. Agora é anunciado o corte no programa Minha Casa, Minha Vida, em torno de 40%. Que coisa feia! Mesmo assim, menos feio do que o golpe do congresso e do STJ no povo brasileiro. Ainda que tudo seja legal, é imoral. Como se podem querer os olhares de países sérios dessa maneira. Qual a moral que o Brasil tem em apontar com o dedo sujo os erros de Khadafi ou de Chávez, por exemplo? As Forças Armadas continuam vivas, a paciência do povo vai tombando. Outro caso que podemos apreciar é o ministro Mantega dizer que não tem mais dinheiro para comprar os caças que iriam modernizar a nossa força. Acreditamos mesmo que não tenha, pelo menos neste ano, como diz o ministro. Mas, que ridículo para nós brasileiros a negociata daquilo que não se pode adquirir. O que pensará de nós os Estados Unidos, a França e a outra nação europeia envolvida no negócio bilionário? E o nosso orgulho para onde irá?
       A presidenta Dilma pode até saber, porém, não custa falar. Quando se perde as rédeas no início, torna-se quase impossível um controle posterior. Achamos até que não é hora de querer tornar-se popular em programa de televisão, inclusive, dando preferências. Não fica bem estar mostrando como se faz bolo, quando os políticos do congresso e os impolutos do STJ já botaram a mão no bolo. Parece continuar tudo como antes, como dizia um velho político de romance nordestino: "O povo! Dane-se o povo!" Ora! Se os grandes do poder agem como fizeram com o tal aumento em Brasília, o que podem esperar das violências das ruas? Quer dizer, então, que o "X" do problema está em cima e não em lugar outro. ASSIM NÃO DÁ.

Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/assim-nao-da.html

AS SEMENTES

AS SEMENTES
(Clerisvaldo B. Chagas, 28 de fevereiro de 2011)

Toda pessoa tem missão a cumprir na Terra. Ninguém veio para esse Planeta apenas para dormir e comer. Cada profissional, sendo honesto, está fazendo parte dos planos de Deus. É que as incontáveis profissões espalhadas pelo mundo em diferentes épocas terminam fazendo um todo como qualquer quebra-cabeça, objeto comprado para entretenimento. Por isso é importante que cada indivíduo procure fazer o melhor possível dentro do seu trabalho por grandioso ou humilde que esse trabalho seja.  Fazer propositadamente péssimo o que lhe foi confiado desagrada ao dono do trabalho terreno, tanto quanto ao dono superior. Quando não ligamos muito para o nosso desempenho, nos assemelhamos ao homem que tem excelentes roupas, mas se traja como mendigo. Não tem mérito no trajar, nem no pedir. Dizer que é mal remunerado e fazer trabalho sujo, tentando justificar-se, é estar sem norte algum como uma boia ao sabor das ondas.
A Bíblia em geral, com seus evangelhos (sem nenhum fanatismo) representa a ciência da vida. Por mais que o homem seja versado nos mais diversos saberes, tem que possuir o que ensina a viver. Isso faz lembrar a parábola das sementes, segundo o Mestre. Um agricultor saiu a semear o trigo. Algumas sementes caíram no caminho. Os pássaros desceram e as comeram. Outras sementes caíram em lugar pedregoso.  O trigo brotou, subiu, mas como havia mais pedra do que areia, ele logo murchou e morreu. Mais outras sementes caíram onde havia muitos espinheiros.  Pelos espinhos foram sufocadas durante o crescimento e morreram. E os grãos restantes, tendo encontrado solo bom e trabalhado, teve grande êxito em plantio e desenvolvimento. O próprio Jesus explica as quatro situações das sementes. O terreno é a nossa alma, o nosso espírito. Na primeira situação, recebemos as boas palavras, os bons encaminhamentos, mas logo vêm os maldosos encarnados e desencarnados e os arrebatam. No segundo exemplo, são os nossos primeiros entusiasmos a seguir os bons e seguros conselhos, mas somos tentados pelos que zombam da situação (das mais diferentes maneiras) e nós terminamos acanhados e abandonamos as boas causas. Já o caso dos espinheiros, estes são os embaraços da vida como luxo, riqueza, luxúria e outras atrações que desviam a palavra divina, fazendo com que a pessoa troque seu Deus pelas coisas chamadas vaidades, diz o livro sagrado. Quanto à quarta semeadura, é a do terreno fértil e preparado daqueles que, mesmo com seus defeitos, estão sempre e sempre dispostos a seguir em frente, praticando o bem em qualquer lugar onde estejam. São as pessoas iluminadas que, muitas vezes são humildes e confundidas com os mais variados adjetivos.
Todas as formas de violência que estamos vivendo, com certeza não são originárias da quarta semeadura.  E mesmo para os terrenos preparados e férteis, é necessário observar a qualidade das SEMENTES.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/as-sementes_6839.html

sábado, 26 de fevereiro de 2011

NOS BICOS DOS SEIOS

NOS BICOS DOS SEIOS
(Clerisvaldo B. Chagas)
26/27 de fevereiro de 2011

Vou chegando de solo resistente
Mesclado em fulni-ô pankararus
De altivos reais mandacarus
Do veneno terrível da serpente
Da terra onde a seca mata gente
Das morenas de corpos sedutores
Das sonoras de vates cantadores
Do Sol inclemente todo dia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Sou da zona mais seca e pastoril
Dos alforjes de couro trabalhado
Das flores pequenas sobre o prado
Dos balanços da alça do cantil
Das antigas coronhas de fuzil
Que marcavam os cangaços matadores
Dos volantes ferozes caçadores
Do facheiro que acena à penedia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Numa besta Fubana vim montado
Pulando ao cavalo Fulustrecos
Bebendo aguardente nos botecos
Pegando na beca de soldado
Com buchada de bode fui criado
Palmilhei nos espinhos furadores
Embriaguei-me na fonte dos amores
No descalço que à bota não cabia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Do sereno da noite fiz meus panos
Da manhã mais feliz trouxe o orvalho
Rezei num cruzeiro de carvalho
No lajeiro deixei meus desenganos
No bojo das cavernas fiz meus planos
Nas montanhas matei os meus temores
Levantei os meus braços lutadores
Recebendo o troféu da ousadia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Trago a flor que entre as pedras vinga
Com espinhos cruéis dos juazeiros
As ponteiras dos relhos dos tropeiros
O cheiro do balcão após à pinga
O barulho da chuva na caatinga
As esporas dos galos multicores
O divino sugar dos beija-flores
O silêncio das grotas mais sombrias
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Banhei-me no fulgor das alvoradas
Resisti à dolência do poente
Relutei nos esconsos da vertente
Balancei-me nos traços das ramadas
Copulei em orgia às madrugadas
Nos montes de Vênus chamadores
Gozei em amparos cobertores
Que o cio das deusas oferecia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

FIM












Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/nos-bicos-dos-seios.html

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CADASTRO SOCIAL

CADASTRO SOCIAL
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2011).

       Ninguém sabe quantos cegos, aleijados e pessoas com outros tipos de problemas, Jesus curou nas suas peregrinações pela Palestina. Transitando em terras da Galileia, Samaria e Judeia, seguido por multidões, não tem mesmo como se possa calcular os benefícios do filho de José. Levando-se em conta o atraso da medicina e a população regional, quantas formas de doenças não haveriam naquele recanto mediterrâneo! Mas parece que quanto mais se evolui no campo da cura, mais doentes aparecem lotando hospitais, postos de saúde e agências de benefícios.
       Especificando apenas cegos e aleijados, víamos nas feiras do interior de Alagoas, grande número de pedintes que até se tornavam conhecidos para os feirantes. Lembro bem de uma linda mulher cega, olhos azuis, bem asseada, decentemente vestida, que pedia esmola tocando uma sanfona e cantando, aos sábados na feira de Santana do Ipanema. Eu tinha muita pena. Zequinha Quelé, repentista cachoeira, também cego, circulava nas feiras de Santana a Pão de Açúcar. Aleijados também assinalavam presença e não eram poucos.
       Atualmente a denominação para quem tem problemas semelhantes, é deficiente, nome mais suave, porém, com desgaste constante que termina se igualando aos dois primeiros. Acontece que atualmente existe uma secretaria chamada de Ação Social que recebe verba a valer e, até é cobiçada pelos políticos por motivos óbvios. O que se propõe aqui, é que a AMA – Associação dos Municípios Alagoanos, elabore um censo para cadastrar pedintes habituais, comprovadamente cegos ou aleijados, em todos os municípios, inclusive confrontando os cadastros entre as diversas secretarias municipais. Uma vez de posse desses dados, tomar providências no sentido de uma política de dignidade dessas pessoas, tirando-as definitivamente da situação de mendicância e usando os benefícios da Ação Social para uma vida decente, prazerosa e produtiva.
       Essa não é uma crônica literária. É como se fosse uma pausa reflexiva em nossos trabalhos. O leitor tem todo direito de acreditar ou não. Preparados e salvos versos regionais e filosóficos, em martelo agalopado, para o dia de hoje, desapareceram misteriosamente do arquivo salvo e não pude encontrá-los em nenhum outro arquivo. Desolado fui dormir sem saber o que escrever para hoje. Passava da meia-noite, quando veio um personagem de olhos azuis no meio da multidão e, veementemente, pediu-me essa crônica que ora elaboro. Pareceu-me um deficiente visual que se elevou na multidão, cujas palavras, não as entendi como foram pronunciadas, mas que as traduzi perfeitamente e acordei. Estou aqui às duas da manhã enviando a mensagem a AMA.
       Naturalmente não é meu esse apelo aos prefeitos da Associação. Estou apenas servindo de instrumento, não deixando de cumprir a minha parte. Revelo, entretanto, a alegria imensa de ter sido usado para o bem. Tudo agora depende de boa vontade para um CADASTRO SOCIAL.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/cadastro-social.html

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ESTRELA CADENTE

ESTRELA CADENTE
(Clerisvaldo B Chagas, 24 de fevereiro de 2011).

       O norte africano e o Oriente Médio continuam sendo as atrações do momento. É que não estamos vivendo apenas a transformação de um país qualquer sem expressão alguma. Trata-se de uma região inteira de bicontinentalidade, lugares importantíssimos na geopolítica, interesse geral das grandes potências militares. Tudo que acontece por ali afeta a nossa economia brasileira, sendo, portanto, motivo de interesse do país em geral. Diretamente são os brasileiros e firmas do Brasil, investidores no Oriente que são afetados. É o comércio incerto e vacilante, estremecido pelas arengas que aumentam ou não as nossas exportações. As brigas de lá podem encerrar fábricas aqui gerando desemprego. Poderá haver fechamento de passagens de navios, prejudicando a navegação, tornando mais caro os fretes, os seguros, os preços das mercadorias. Poderá haver também um substancial aumento de preço do petróleo, tanto pelo marasmo da produção, quanto pelo risco do transporte pelos pontos explosivos. O globo que virou aldeia interessa a todos e não há como permanecer indiferente ao que se passa no mundo.
       Apertado por todos os lados, o senhor Mahmoud Ahmadinejad, não querendo deixar o poder pela rebelião do povo, resolve desviar a atenção dos seus mais profundos problemas sociais, enviando navios de guerra ao Mediterrâneo. Dois navios iscas, para que Israel, com os nervos à flor da pele, ataque-os, para que o povo iraniano volte à revolta para o inimigo comum, digo, não de povo com povo, mas do ódio figadal do senhor Ahmadinejad. Penso que Israel não deveria morder a isca. É aguardar a ação dos navios e só agir em caso extremo.
       O pior de tudo nesse momento histórico ímpar (rebeliões populares em inúmeros países ao mesmo tempo) é sem dúvida a incerteza. Estão em jogo as diversas etnias, religiões, política, economia e a própria ameaça de um conflito generalizado de grandes proporções que incluiria até a Europa que se recupera lentamente da rebordosa da última crise gigante.
       Coincidentemente na área de Jesus, Abraão e Maomé, é onde mais se reprime, mais se explora, mais se odeia. A concentração de tantos carolas, tantos santos de pau oco, faz também dessas terras repletas de céu, o inferno da intolerância em eterna ebulição. A fobia religiosa, étnica e pátria, tem início na própria casa, na exploração do nome de Deus em vão, nos apelos divinos para subjugar os do mesmo sangue, na canga pesada nos pescoços menores. (Compare com alguns prefeitos do semiárido, o ferrão de ferreiro em vara de quixabeira, sapecada, na legião de analfabetos). Os torpedos dos navios iranianos são os mesmos torpedos do obscurantismo popular e da infame sagacidade ditatorial. Luzes artificiais existem no Oriente Médio, África, Cuba, Venezuela, China, Rússia e Coreia do Norte, mas está faltando um tipo de luz natural que não se fabrica com os combustíveis terrenos. Talvez a descida de um simples candeeiro pudesse alumiar, nem que fosse por frações de segundos, como pedido desesperado e esperançoso que fazemos na passagem de uma ESTRELA CADENTE.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/estrela-cadente.html

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O VELHO KHADHAFI

O VELHO KHADAFHI
(Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2011).

       Com os recentes pipocar de rebeliões pelo Oriente Próximo e pelo norte da África, ressurge o másculo rosto de Muammar Abu Minyar Khadhafi. Conheci Muammar na era de setenta, após sua chegada tempestiva ao poder, em 1969. A revista Seleções, de circulação internacional, com assinaturas no Brasil, gostava de enaltecer aliados dos americanos. O homem forte da Líbia foi apresentado pela citada revista em longa reportagem elogiosa sobre a sua coragem, inteligência e percepção. Elogiar ditaduras ou fazer vistas grossas, sempre fez parte da estratégia dos Estados Unidos, desde que esses regimes lhes fossem favoráveis. Quando o país não apoiava os interesses dos gringos, sentia o peso de campanhas públicas e camufladas, visando à queda do insistente corajoso. Muammar Khadhafi é e sempre foi polêmico desde sua tomada do poder em 1969. Após a chamada revolta da Líbia, entrou como coronel e tomou algumas providências internas que tiveram variadas repercussões. Declarou ilegal a bebida alcoólica e jogos de azar no país. Solicitou a saída de bases americanas e inglesas do seu território. Expulsou as comunidades judaicas e aumentou a participação das mulheres na sociedade. Gostava de apreciar os elogios que falavam sobre ele na imprensa mundial. Sempre se apresentou em traje de deserto, mas elegante, mostrando zelo pela aparência e planejamento nas fotografias. Khadhafi, dirigindo pela força uma nação pequena, parecia querer se mostrar, ora como estadista, ora como um Rommel em combates no deserto.
       No poder há 42 anos, o calejado coronel apoiou grupos islâmicos de libertação nacional no período 1970-1980. Em 1992-93, a ONU lhes impuseram sanções pelo financiamento ao terrorismo no mundo. Reabilitado depois, ao renunciar o apoio ao terror, Muammar, quando parecia cair no ostracismo, dava um jeito de aparecer. Como não estava incomodando muito o Ocidente, ficou na tolerância externa, mesmo sendo ditador de longas datas do seu povo sofrido, filhos do Sol.
       Já com um filho engatilhado para sucedê-lo, Muammar começa a estremecer com as suas quadragenárias mordomias. Quanto ao filho, ao invés de pedir renúncia de tudo, prefere uma guerra civil, como anunciou. Já está dizendo quem é. A ambiguidade americana de apoio/não apoio às ditaduras amigo/inimigas, ajuda na alimentação às cobras cascavéis, vigilantes implacáveis da escravidão de direitos individuais. É patética a mudança repentina de opinião americana diante das revoltas populares. Daria para ser encenado com sucesso pelo palhaço Tiririca em seus espetáculos circenses.
       Estamos contemplando agora o ocaso violento de Muammar, assim como foi o início do seu poder. Em conjunto solidário com outros dirigentes absolutos da região, desmoronam-se os reinos. É levantar os dedos no adeus ao coronel, à raposa do deserto, ao idealista de ontem, ao VELHO KHADHAFI.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/o-velho-khadhafi.html

OS BATONS DA PRESIDENTA

OS BATONS DA PRESIDENTA
(Clerisvaldo B. Chagas, 22 de fevereiro de 2011).

       Foi uma importante vitória para os dirigentes, a presença da presidenta Dilma Rousseff no 12º Fórum de Governadores do Nordeste. O tempo dirá sobre as palavras de Rousseff, durante quarenta e cinco minutos, acalmando os governadores da região. A antiga SUDENE, que tantos projetos fomentou, teve o seu fim cercada de muitas denúncias de todos os tipos. O certo é que o Nordeste, apesar de sempre ser apontado como foco de miséria, deu um salto qualitativo muito importante e continua desenvolvendo. Se não podemos crescer como um todo, progredimos em forma de arquipélago, mas progredimos. O importante agora é fechar o vazio em que ficaram subregiões como a do semiárido, rendido por tantos males que antes incuráveis pareciam. Nordeste que agonizava diante das discussões, quase sempre errôneas dos frascos de mezinhas. Uma região dominada por olhares portugueses, canavieiros, sesmeiros latifundiários, só a partir dos anos sessenta despertou. Descobriu não ser a Geografia, o clima, os culpados das suas pancadas na cabeça, nos pés... No fígado; mas sim, a História, a Política que machucaram em séculos consecutivos. Foi bastante descobrir que a saída do marasmo, da ignorância, das trevas, dependia da política dos governos federais sucessivos, fortes e de boa vontade. Foi assim que nasceu esse grupamento de ilhas que tem que ser transformado no todo. Um crescimento igualitário deixando de privilegiar agreste ou litoral, incluindo definitivamente o Sertão, nessa etapa que o governo estar chamando de Novo Nordeste.
       Mesmo com a expressão batida ─ Novo Nordeste ─ pode ser que o apoio maciço demonstrado enfaticamente pela presidenta, confirme mesmo o vulgo ao final do seu mandato. Se as regiões desérticas de Israel e da Califórnia são desenvolvidas, por que não podemos, então, dizer o mesmo do nosso semiárido? Querer é poder, diz bem essa frase em relação a nós dos sertões nordestinos. O problema é que nunca quiseram. E se quiseram, não entraram a casa pela frente, mas sim pela cozinha. A boa vontade e a esperteza perderam-se nas águas dos açudes, dos caminhões-pipas, nas enjoativas falácias dos palanques. Com as afirmações, portanto, da presidenta e a mentalidade una dos caciques nordestinos, é bem possível que tenha chegado definitivamente a nossa vez. E se não acreditávamos mais nos humanos, bocas de calça, voltamos às esperanças para um rabo de saia. Falavam que os valores estavam invertidos; aproveitemos a inversão das calças. O tempo dirá se os chapéus que passaram são melhores ou piores do que os BATONS DA PRESIDENTA.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/os-batons-da-presidenta.html

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CASACA-DE-COURO

CASACA-DE-COURO
(Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2011).

       Não tem como ficarmos indiferente ao fracassado futebol alagoano. Lembro sim dos tempos das exacerbadas paixões pelos dois clubes que faziam Maceió dividir-se. Levei para a capital a minha força e amor pelo Ipanema, forçado a esquecer do seu brilho do final dos anos cinquenta. Como Alagoas era marcado pela tradição do folclore do pastoril, dividia-se em azul e encarnado. Assim nasceram as cores dos dois times tradicionais da capital CSA e CRB. Estádio Rei Pelé inaugurado, construído com muito sacrifício, penalizando o funcionário público, lá íamos nós ao campo da Rua Siqueira Campos. Em república de estudante, as brincadeiras em dia de clássico mostravam-se bem movimentadas. Tempo do radinho portátil marca Sharp, potente, charmoso, protegido por uma bela capa de couro desenhado, sonho de consumo como o televisor de hoje. Quando o colega chegava do jogo, encontrava o placar zombador da derrota ao desvirar o prato do jantar. Longe de casa comecei a torcer pelo time azul, como do azul eram os meus pais. Cansado de tantos fracassos do futebol alagoano nas competições maiores, deixei de ir a jogos. Houve tempo em que Maceió possuía até quatro times profissionais, quando só podia sustentar um, como ainda hoje. Continuo CSA, mas a paixão acabou. Continuo Ipanema, mas a paixão acabou.
       O futebol alagoano ainda vive no passado e do passado. Há muito essa atividade virou empresa e precisa de todo oxigênio contemporâneo. Planejamento, organização, capital, investimento e mão de obra especializada, são ingredientes básicos para o sucesso. Nem a capital, nem o interior dispõem sempre dessas exigências. Quando tem uma coisa falta à outra e assim vai-se revezando nesses itens e colecionando fracassos em competições nacionais e mesmo do estado. Quando muito, algumas ações mais efetivas, depois a queda, a decepção costumeira. Esse futebol romântico, sem resultado, ajuda a frustrar marcando escanteio nos torcedores que vão trocando esse por outro esporte mais prazeroso.
       Com as sucessivas derrotas que nunca nos deixam ir além, vejo os times caminhando como nos tempos das repúblicas estudantis. Não resistem nem ao início de uma caminhada além-fronteiras. Para compensar aos abnegados, apelam para outros tipos de glórias do pretérito, citando feito e mais feitos num romantismo ingênuo e suposto consolador. Parecemos declamadores de Camões nas praças estaduais. Como a capital nunca chega a um milhão de habitantes, parece que temos o mesmo futebol/província que resiste a mudanças ou não encontra espaço diante de metrópoles que já entenderam o espírito do esporte/empresa. A sustentação exclusivamente política de um time fica dependente do humor coronelício. Sem querer fazer nenhuma propagando de instituto algum, Alagoas, sessenta anos depois, ainda precisa de um futebol moldado num SENAI, num SENAC, para dá frutos duradouros no seu terreiro e na casa alheia. Além dos ingredientes citados acima, é preciso ainda muito amor à camisa, pois o torcedor está querendo cada vez mais das suas cores, competência e bola redonda. Chega de apreciar fracassos e ninhos de CASACA-DE-COURO.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/casaca-de-couro.html

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CARTAS QUEIMADAS

CARTAS QUEIMADAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de fevereiro de 2011).

       De vez em quando volto a imaginar sobre meus maiores ícones dos últimos cem anos. Falando em termos locais, aquele que eu tanto admirava, desabou no meu conceito. Não soube ele investigar, separar, distinguir o remédio do arsênico. Quem mesmo vivido não é sensível para enxergar virtudes, não pode conservar uma amizade profundamente sincera. No âmbito de Brasil, tenho o padre Cícero Romão Batista como o homem do século vinte. E, lá fora, surgem Winston Churchill e Mahatma Gandhi, todavia, meus ícones de cabeça foi o Papa João Paulo II e são ainda Lech Walesa, Nelson Mandela e Mikhail Gorbachev.
       Eu estava saudoso desse ídolo terreno Gorbachev e de sua bela e elegante mulher Raissa. Eis que Mikhail Gorbachev reaparece aos 79 anos em entrevista, nessa quarta-feira passada (16). Veio denunciando a Rússia atual do presidente Dmitri Medvedev e do ex-presidente e hoje primeiro-ministro Vladimir Vladmovich (Putin). Em longa entrevista ao jornal de oposição “Novaya Gazeta”, do qual é acionista, o velho e coerente Gorbachev não poupou críticas a Rússia dos nossos dias. Apontou o país como uma forma política de “imitação”, formada por uma elite depravada. Quase vinte anos depois da Perestroika ─ palavra que percorreu insistentemente o mundo ─ o último dirigente soviético diz que tem vergonha da Rússia. Ninguém melhor do que o próprio Mikhail para falar com propriedade do mais extenso país do planeta. Critica a anulação de eleições para governadores e a falta de liberdade de expressão nas televisões nacionais. Foi Gorbachev quem lançou a Perestroika que derrubou o sistema da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, lado esquerdo de um mundo bipolar.
       Para quem pensa que a Rússia vive um mar de liberdade, estão aí às palavras de um homem a quem eu gostaria de abraçá-lo. O demolidor do comunismo, juntamente com o Papa João Paulo II e o sindicalista Lech Walesa, na Polônia. O velho líder fala também sobre sua mulher Raissa e o seu sofrimento (de Raissa) durante o golpe de 1991, motivo de piora da sua saúde. Raissa sofria de câncer quando piorou e veio a falecer em 1999. Ela teria sofrido um derrame e teve hemorragia nos dois olhos. Raissa havia queimado às cartas ─ cinquenta e duas ─ que seu amado havia escrito para ela durante a juventude. Assim ela fazia para proteger a vida privada de ambos contra intromissões estranhas, falou o corajoso Gorbachev, que pretende comemorar seus 80 anos festejando esse aniversário lá dentro de Moscou.
       Para ser destaque positivo no mundo, não deixam de surgir provações, dores e sacrifícios que moldam as grandes almas dos predestinados às enormes façanhas. Gorbachev não teve direito nem a recordar um doce passado diante de velhas e amarelecidas cartas de amor. Como o homem que mudou a direção do mundo, nós às vezes somos assim. Ficamos momentaneamente amuados, tristonhos, infelizes, com se fôssemos apenas pequena montanha de papéis carbonizados. Não passamos de perfumosas, meigas, amarelas folhas, relicários de jacarandás em CARTAS QUEIMADAS.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/cartas-queimadas.html

NOVA ERA

NOVA ERA
(Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2011).

       Com a pólvora pegando fogo no norte da África e na Ásia Seca, os que comandam o opressor regime iraniano, estão morrendo de medo das manifestações de rua. Gritando: “Morte ao ditador e abaixo o governo”, é de se imaginar as cenas escondidas da Internet do povo enfurecido e da cúpula apavorada, sem dormir vinte e quatro por dia. Os parlamentares aterrorizados se unem aos gritos angustiantes pelo enforcamento das lideranças revolucionárias. Com o senhor Mahmoud Ahmadinejad, acontecimento menor de que o de Mubarak é improvável. A fúria acumulada circulando nas avenidas, não faz lembrar somente os momentos do Cairo e de Túnis, mas também dos desmantelos que tomaram conta da França na tomada da Bastilha.
       Com a tremenda confusão gerada pela Revolução Francesa, vários nomes ilustres destacaram-se, bem como alguns partidos revolucionários. Entre esses clubes participantes ativos da revolução que mudou o modo de pensar do mundo, dois foram destaques. Os girondinos, a princípio, deputados da província de Gironda, depois, grupo mais amplo, inclusive, da alta burguesia que procurava defender seus interesses. Era um bloco mais conservador. Os jacobinos, assim conhecidos, porque se reuniam nos conventos dos monges jacobinos, era um grupo radical sob a chefia de Maximilien Robespierre. Representavam a pequena burguesia e os sans-cullotte (pessoas das camadas populares). Havia também os cordeliers, representados por Georges Danton e Jean-Paul Marat.
       Após a tomada da Bastilha, muitas cabeças rolaram na guilhotina durante uma das passagens revolucionárias que ficou conhecida como a “fase do terror”. Ninguém estava seguro. Os jacobinos demonstrando força ficaram no poder sob a chefia de Robespierre, apelidado “O Incorruptível”, porém, formalmente radical, condenou a morte seu antigo companheiro Danton. Ao ser levado à morte, Danton teria gritado profetizando: “Hás de seguir-me Robespierre”. E na continuação desse processo, o próprio chefe Robespierre também foi condenado, seguindo a dura profecia do mesmo caminho de Danton.
       Aqueles do Irã que condenam inocentes, mulheres, crianças e tantos indefesos, em nome de moral egoísta e satânica usando o nome de Alá ou Maomé, estão completamente inquietos. Dirigir o povo a chicote de três pontas vai custar caro aos infames dirigentes. Com o recrudescimento da juventude nas praças, a insegurança torna-se muito maior por dentro dos palácios do que nos pavimentos das vias públicas. A mentalidade mesquinha, retrógrada, desumana, tudo indica que vai desaguar num banho de sangue na capital do antigo império persa. Avaliando pela ótica francesa, pode ser que no primeiro momento os líderes da revolta sejam enforcados, como pedem os parlamentares. Mas, igualmente a Danton, poderão ir primeiro ao cadafalso, contudo, os carrascos depois hão de segui-los assim como fizeram a Robespierre. O povo condenado há de dizer: “Hás de seguir-nos Ahmadinejad”. E no Irã também será iniciada a NOVA ERA.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/nova-era.html

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

BOGOTÁ

BOGOTÁ
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2011).
       Tendo iniciado com a visão futurista do brasileiro José Sarney e do argentino Raul Alfonsín, nasceu o MERCOSUL. Superando o individualismo tradicional da região, o Mercado do Sul vai chegando à terceira fase do seu destino. Criado como movimento econômico de reforço, passou pela fase aduaneira para a fase social dos países e agora atinge o seu ponto máximo que é a valorização individual dos filhos dos quatro países envolvidos: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Em breve teremos vários benefícios como livre circulação, validade de diplomas, chapa padronizada de veículos e, talvez, moeda comum aos membros permanentes. Hoje o Brasil faz troca de mercadorias, baseado nas moedas locais, antes regidas pelo dólar. A parceria, Brasil e seus vizinhos, já supera o comércio com os Estados Unidos, antes, seu principal destino comercial. É simplesmente extraordinário o movimento de transportes na região, especialmente de caminhões cruzando planícies e montanhas da parte meridional do continente.
       A América do Sul é composta de doze países, quatro dos quais fazem parte permanente do bloco e outros cinco são membros associados como Chile, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. A Venezuela já pediu a entrada como membro pleno e agora é a Colômbia, com negociações adiantadas, procurando fazer parte definitiva desse auspicioso conjunto. Essa foi a grande notícia dada ─ ainda que bem discreta ─ na mídia nacional. Vale salientar que todos são convidados, ficando, porém, à vontade e marcando seu ingresso quando achar conveniente.
       A Colômbia, mesmo com seus problemas com a guerrilha é uma das nações que mais cresceram no mundo nos últimos tempos. Potência média da América Latina, segunda população regional, representa hoje a quarta economia da América do Sul. A Colômbia tem 46% de pessoas abaixo da linha de pobreza, uma renda má distribuída e uma população que se urbanizou rapidamente. Fala-se o castelhano com mais de uma centena de dialetos numa população entre 80% e 90% de seguidores do catolicismo. Rica em recursos naturais, a Colômbia exporta café, petróleo, carvão, ouro, esmeraldas e flores. A futura parceira plena será um reforço importantíssimo na evolução do MERCOSUL que, com a entrada definitiva da Venezuela, serão seis membros fortes entre si que por certo atrairão os outros países regionais.
        A repercussão dessas duas últimas nações no bloco econômico será altamente positiva no mundo inteiro. Causará ciúmes aos que não queriam esse mercado independente como a grande nação americana do norte. Quando acontecer de fato, estaremos todos de parabéns nessa parte pouco acima e abaixo do Equador, pois o significado da Colômbia entre nós é de tamanha profundidade que só o desenvolvimento acelerado poderá dizer. Pela decisão tomada e agora em vitrina, parabéns ainda para a terra da Cordilheira dos Andes, Amazônia e Caribe, representada pela sua alta, bela e acolhedora capital BOGOTÁ.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/bogota.html

MÃO DE PILÃO

MÃO DE PILÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2011).

       Acompanhamos o grande momento histórico de transformação política no Egito. Veja na crônica intitulada Praça Tahir, quando afirmávamos pela manhãzinha que a queda de Mubarak se daria mais cedo ou mais tarde. E antes mesmo de terminar o dia, o homem desapareceu do palácio, sumiu da capital e do país. Vamos ficar aguardando agora a mudança social, esperando que as forças armadas não tomem gosto pelo poder, pois o povo poderá voltar com redobrada disposição depois da porteira aberta. De qualquer maneira o novo comando do país não vai mudar a situação econômica em apenas seis meses. Casos os militares sejam inteligentes, tentarão resolver o impasse povo/governo no menor tempo possível porque os nervos estão à flor da pele e a tensão não para. Mas poderemos também estar vivendo um momento histórico de transformação política e social no mundo. O exemplo da Tunísia e do Egito já atingiu outros países governados por ditaduras militares ou teocracias. Como também havia falado antes, o poder da comunicação com as novas tecnologias, vão invadindo esses países onde o indivíduo não tem liberdade religiosa, de palavra, de locomoção, de ascensão trabalhista. Afinal, não tem a direito a nada. Alguns povos estavam na escuridão deísta da Idade Medieval, privados do que se passava no resto do mundo com as mulheres, os negros e as garantias individuais. Descobertas essas coisas, ninguém mais pode segurar as multidões sequiosas por liberdade.
       Com as investidas populares, após os exemplos dados, as mãos de ferro vão enferrujando, caindo aos pedaços e contaminando o plácido sono dos semideuses de guabiroba. Essas rebeliões que vão endurecendo no centro da África, ganharam força com esses movimentos do norte continental que também já pulou para a Ásia do senhor Mahmoud Ahmadinejad. Aliás, falando nesse homem sem cor, bem que ele tentava desviar a atenção do povo voltando-se a vociferar contra americanos e israelenses, enquanto proibia notícias vindas de fora em seu reino que mistura política com religião. Por certo, mesmo com a tirania dos dirigentes, os muçulmanos começam a entender que essas pregações religiosas são disfarces para manter o povo acorrentado. Aquilo que o senhor Ahmadinejad chama de oposição, é nada mais nada menos de que cidadãos que despertaram para o aperto das suas garras, digo, garras do regime, da falsa simbiose entre o divino e o terreno.
       Volto a repetir, talvez estejamos testemunhando um fato histórico de proporções gigantescas que varrerá a terra de ditadores religiosos, militares e outras castas, se houver. Lembram-se dos vendavais que sopraram a União Soviética, Polônia e suas afiliadas socialistas?
      Depois de haver testemunhado tantos fatos relevantes no mundo, vamos agora anotando as derrotas dos Governos com mão de ferro e as vitórias dos povos com MÃO DE PILÃO.

Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/mao-de-pilao.html

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

QUE QUERES TU?

QUE QUERES TU?
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2011).

       Diante de alguns recuos significativos, o presidente americano cada vez mais vai perdendo o prestígio inicial. Se não é prestígio, pelo menos é um desencanto generalizado. As pressões radicais do senado e de outros setores influentes são marteladas no dedão preto do pé que ainda incomoda uma tradicional sociedade racista. Todos sabiam, mas ainda restava alguma esperança por que dizem que ela é bicho duríssimo de morrer. Aquele representante apenas confirma a antiga opinião: monta o brioso corcel bem arreado, porém, o cabresto continua preso a estacaria. Imita macilento, a rainha da Inglaterra, reina, mas não governa. Os sucessivos puxões de camisa vão fazendo de Barack um homem tristonho que tenta disfarçar em seus discursos. Após tantos reveses na sua vontade, o presidente hesitou desprevenido, estonteado, inseguro, nos pronunciamentos frustrantes sobre a queda de Hosni. Não foi ouvido pelo ditador do Egito, não é mais ouvido pelo governo de Israel, não consegue ser confiável no mundo árabe e boia na Economia em pau de mulungu. A continuar assim, chegará ao final da gestão com apenas a marca na história de ter sido o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
       Em março, próximo, Barack Obama virá ao Brasil. Dizem que ele quer fazer um discurso impressionante (chama de histórico) em espaço onde caibam milhares de pessoas. Coisa assim, bem se sabe, de astros do Rock, mesmo. Até uma praia no Rio está em cogitação, pois o homem somente visitará o Rio de Janeiro e Brasília. Não falará sobre a pretensão brasileira de assento no Conselho Permanente da ONU. (Em visita a Índia, já deu esse apoio ao país asiático). Não tocará no assunto de tarifas que impedem por lá a entrada de alguns produtos do Brasil. Não reconhece a liderança plena do nosso país na América Latina e nem sua influência no mundo. Ora! Vem-se aqui para não nos brindar com nada, por que vem, então?
       Pela curiosidade, Barack pegou o jeitinho brasileiro. Quer sair do baixo crédito, da apatia em que vive, à custa de Brasil. Anda em busca de um fato novo que levante sua moral, tão surrada quanto chapéu de vaqueiro. E esse fato novo seria um discurso planejado com imensa multidão em um país que está em evidência. Ele vem para onde não reconhece, humilha, empavona-se e vai embora. Talvez porque a Dilma não lhe foi primeiro beijar a mão como o Brasil do passado. Para mim Barack, você começa a ser uma grande decepção, um mané-gostoso do senado americano querendo ficar esperto no Brasil. Cuidado com as palavras dele, Dilma, para não sobrar para nós. Deixem que ele suba os morros pacificados do Rio, atrás de golpes publicitários. E já consciente das suas intenções, bem me faria se chegasse perto do presidente nos calçadões de Copacabana. Faria a pose do conhecido Zé Carioca e perguntaria com toda malandragem do papagaio gozador: Ó Bama! QUE QUERES TU?


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/que-queres-tu.html

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PRAÇA TAHRIR

PRAÇA TAHRIR
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de fevereiro de 2011).

       Evocando o espírito maçônico, incutido à Revolução Francesa, no sentido da trilogia Igualdade, liberdade e fraternidade, vamos observando o movimento político no Egito. Vai-se tornando tradição o lugar de desabafo no centro da capital egípcia. Assim como o núcleo de cidades como Salvador, na época do poeta Castro Alves, grita-se também contra os grilhões no antigo reinado de Menés. O antiescravagista baiano já dizia em suas declamações que “a praça é do povo como o céu é do condor”. A Praça Tahrir ─ situada no centro do Cairo ─ torna-se agora um poderoso centro de resistência contra a tirania em forma de ditadura. Em árabe, o logradouro se traduz em Praça da Libertação, nome esse adquirido depois de 1952. A maior praça pública da capital do Nilo, além da estratégia geográfica, tem em redor de si importantes prédios como o Museu Egípcio, Estação Sadat de Metrô, campos da Universidade Americana do Cairo e sede do Partido Democrático Nacional. Já houve na Praça Tahrir, outros movimentos como a “Revolta do Pão”, 1977, e o protesto contra a guerra do Iraque em 2003. A atual mobilização popular teve início no dia 25 de janeiro que evoluiu e chegou à chamada “Marcha de Um Milhão” no dia 1º de fevereiro de 2011. Cansadas de pobreza e desemprego, as multidões engrossaram os pequenos movimentos que gritavam pela saída de Hosni Mubarak, absoluto no poder a trinta anos. Isso vem provar que o absolutismo consentido também cansa, principalmente quando os meios de comunicações vão mostrando o mundo inteiro em tempo real. Com avanço da tecnologia, países ditatoriais já não podem continuar escondendo o que se passa no planeta, mesmo proibindo televisão privada, rádios ou Internet.
       Ou cedo ou tarde cairá Hosni e outros colegas que fazem dos seus respectivos países, eternas dinastias. Esse efeito que já atingiu todo o norte da África incomoda ao Irã, Cuba, China, Coreia do Norte, Venezuela e mais outros que teimam em não aparecer com tanta força. As manifestações populares no Egito, não deixam, porém, de ecoarem em democracias cujos escândalos de corrupção atingem elevados graus de revoltas íntimas dos seus comandados.
       No Brasil, com a renovação parlamentar em Brasília, estimada em quarenta por cento, mistura-se a água velha à água nova com chances maiores de moralização. Mesmo desse jeito, a água nova não é tão nova assim. Com ela chegam os vícios dos estados que continuam desafiando a zelo com o erário público. Um dia a paciência do povo cansa. No Brasil houve inúmeras revoltas desde os sistemas políticos mais remotos. Tempos de colônia, reino unido, império, república, ditaduras... Não houve jamais uma só forma de governo nesses quinhentos e tantos anos que não tivesse havido rebeliões em solo brasileiro. Praças de Salvador, Recife e mesmo de Brasília foram ficando na história de protestos e conquistas. Quando o vírus da liberdade se espalha, não respeita estrutura nenhuma, nem as que pensam que são fortes como concretos ou transparentes como cristais. Nossas homenagens ao bravo povo cansado de sofrer da PRAÇA TAHRIR.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/praca-tahrir.html

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

NÃO SEJA CORNO

NÃO SEJA CORNO
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro de 2011).

       De vez em quando surge na mídia algo inusitado que vai quebrando a rotina da eterna violência. Dessa vez a notícia deixou o cantinho da página para ocupar espaço de destaque no refinado humor eclesiástico. O fato aconteceu na cidade de Apucarana, norte do Paraná, diante dos fiéis que lotavam a Catedral de Nossa Senhora de Lourdes. O padre Roberto Carrara, cansado dos atrasos burocráticos dos noivos paroquianos, passou a cobrar nada mais nada menos de que R$ 500,00 por atraso dos noivos com os compromissos assumidos com a igreja. A quantia, transformada em cheque virou caução. Chegar na hora marcada para o casório tem o cheque devolvido, caso contrário o “não borrachudo” irá para os cofres necessitados da Catedral. E se você pensa que isso foi imposição, pode tirar a potranca da chuva. O padre não é besta. Apresentou vídeo com a nave lotada e voto por aclamação dos seus seguidores. Celebrando ali há mais de vinte e sete anos, os setenta e um anos de idade lhes aconselhou acalmar os cabelos brancos com os quinhentinhos na caixa paroquial.
       Em Alagoas, recentemente, houve um fato que se arrastou como o “Bem Amado” da televisão brasileira. O padre do povoado Fazenda Nova, município de Olivença, resolveu cerrar as portas da igreja durante os festejos do padroeiro local. Daí em diante a comédia se prolonga em lances divertidíssimos, em entrevistas de puxa-sacos na rádio de Santana, cidade próxima. A coisa digna da fantasiosa “Sucupira” é de morrer de rir. Personagens: padre, bispo, prefeito, vereadores, puxa-sacos, locutor, carreiros, devotos e paroquianos que fazem lembrar o nosso romance “Defunto Perfumado”. Há pouco também um sujeito irado quebrou uma capela no município alagoano de Craíbas, a oitenta quilômetros de Fazenda Nova.
       Em Santana do Ipanema, na década de 40, havia um pároco, cujos males faziam-no bastante nervoso. Gostava de mastigar pilhérias raivosas, aos seus paroquianos. Entre outras passagens, certa feita o ministro de Deus entrou em polêmica com um noivo matuto alegando que não faria o casamento do moço por que ele não se confessara. Testemunhas acorreram em favor do indivíduo. O cônego Bulhões ─ tremendo de raiva ─ concordou em celebrar o casamento. Ao terminar, porém, a curtíssima cerimônia, o padre, que gostava de repetir palavras quando estava daquele jeito, disse para o noivo: “Viu, viu... Tomara que não seja corno!”
       O padre Bulhões, famígero no Sertão, Agreste e Baixo São Francisco, não teve a ideia do atual colega de Apucarana, Roberto Carrara, em cobrar os quinhentos reais pelos atrasos de noivos capiaus. Mas o padre Carrara, bem que poderia acrescentar aos seus castigos pelos atrasos dos nubentes (além de embolsar os quinhentinhos) a frase do sacerdote penedense: “Viu, viu... Tomara que NÃO SEJA CORNO!





Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/nao-seja-corno.html

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OS AVIÕES DE LULA

OS AVIÕES DE LULA
(Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2011)

       Ao vermos os vasos de guerra e aviões modernos sobrevoando o Egito, vamos imaginando quanto inúteis eles foram para aplacar a ira popular. E vendo as estratégias usadas atualmente pelas nações menores em material bélico, é de se indagar se os superpoderes militares são mesmo invencíveis e necessários. Hoje em dia somente os desavisados ousam enfrentar batalhas abertas como aconteceu na II Grande Guerra. Como discutíamos antes, na “Esquina do Pecado” os embates do mundo, fácil é entrar militarmente em um país, o difícil é sair. Isso era dito na mesma esquina, em Santana do Ipanema, com o nosso fiel amigo Mileno de Melo Carvalho, que se tornou mais tarde um membro concursado da Petrobrás. Foi justamente essa a lição que o Vietnã deu aos Estados Unidos e, o Afeganistão a Rússia. Uma lição de que vai ficando cada vai mais inútil, um enorme aparato bélico, que termina em gasto de milhões para escová-lo. Como foram derrotados Estados Unidos e Rússia pelo sistema de guerrilha, também havia sido derrotado o militar mais poderoso do globo após a Revolução Francesa. Napoleão Bonaparte fez rolar nas suas estratégias e investidas inúmeras cabeças de monarcas por dentro da Europa. Seus exércitos poderosos varreram o continente, espalhando o terror e a fama de maior do mundo. Entretanto, Bonaparte começou a perder o poderio no enfrentamento de guerrilhas ao invadir a península Ibérica, ocasião em que D. João VI fugiu para o Brasil.
       Como uma coisa puxa outra, pensamos também nas malogradas compras do, então, presidente Lula. Após negócio quase fechado com a França, o homem foi obrigado a recuar e sair adiando as palavras em relação aos quarenta e seis aviões para modernizar as forças armadas. Nos bastidores, o Brasil queria mesmo obter cem aeronaves. A língua solta da precipitação e recuada de Luís Inácio foi um negócio feio, tanto para outros países, quanto para nós brasileiros. Como o automático explosivo ficou ligado, poderia explodir nas mãos da presidenta logo nos primeiros dias de mandato. Significaria, na prática, muitos aborrecimentos nos bastidores com os países preteridos e reflexos ─ sem dúvida alguma ─ nas tramas escuras da balança comercial.
       Ah! Mas é um orgulho enorme, possuir forças armadas dentro dos padrões de potência. Daí o atraso do Brasil em pesquisas que ainda não nos permite fabricar as nossas aeronaves de ataque. Lembra a crônica em que falamos sobre os nossos cientistas? Nossos maiores laboratórios talvez estejam nas várzeas, no interior, nas periferias, descobrindo jogadores de futebol para milionários campos europeus. Se vencermos hoje a França, talvez esqueçamos os famosos “aviõezinhos” que iriam defender a riqueza de campos petrolíferos. Sem grandes guerras, sem guerrilhas sul-americanas, sem pré-sal para hipertensos, vamos aguardando pacientemente o desfecho dos AVIÕES DE LULA.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/os-avioes-de-lula.html

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

1808

1808
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de fevereiro de 2011)

       Na verdade, eu nem estava ligado ao assunto, quando a campainha toca. Vejo diante de mim, nada mais nada menos do que o embaixador do Mato Grosso do Sul, santanense verdadeiro, João Neto de Dirce, o “Primo Vei”. A saudade havia batido às costas do cabra e ele resolveu vir reparar de perto amigos, pedaços de caatinga e os balanços dos mandacarus. Veio rezar o Credo na igrejinha do Cruzeiro, comer bode assado no Bairro Camoxinga e tomar uma pinga da ancoreta de imburana-de-cheiro, perto da Rua Nova. Na certa lembrava as serras do Gugi, Gonçalinho, Camonga, as águas do poço dos Homens... Os jogos de ximbras da Rua do Sebo. Eita Primo Vei, lá fora é que a gente sente o amor sertanejo espezinhar o coração. Saudades da moreninha debruçada na janela, do ornejar do jumento ao meio-dia, do cuscuz com leite à boca da noite. Como você podia resistir lá em Sidrolândia às lembranças dos plangentes violões da Rua Tertuliano? E o ressoar de vozes masculinas apaixonadas, pelas noites musicais. Como podia jogar fora os invernos friorentos e tristonhos do mês de julho? A solidão das ruas nas madrugadas enfeitiçadas de Santana, o sereno de junho sobre as fogueiras de São João ou o chiado da sanfona velha no cabaré do Olegário?
       Houve troca de presentes. O embaixador presenteou-me com dois livros e, um deles já o devorei. Trata-se de (GOMES, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. 2. ed. São Paulo, Planeta, 2010). O outro é a continuação e tem como título: 1822. Estamos recomendando estes livros aos nossos leitores, principalmente aos que procuram entender o Brasil da época. Finalmente surgiu no mercado esse excelente livro, 1808, do ilustre jornalista Laurentino Gomes, para os que já estavam com saudade de uma leitura informativa, rica e agradável. Os dez anos de pesquisa do autor sobre a família real, vem com uma leitura objetiva, clara, que foge do colorido literário, nessa narrativa da história. Quando o leitor estiver lendo e não quiser largar o livro, prova que o livro é bom. Todo o esforço do jornalista ─ que tem uma rica biografia ─ compensou o seu trabalho. O livro traz a lume questões importantíssimas, importantes e aparentemente menos importantes. Porém, nada é menos importante na apresentação de Gomes que descreve o modo de vida no Rio de Janeiro, a comida, a higiene, a escravidão, as prostitutas, as “piniqueiras” e muito mais. O livro é riquíssimo sobre a época, um verdadeiro tesouro de tantos pedaços que formam o todo. Irei apreciar agora o 1822. O embaixador levou para o Mato Grosso do Sul, uma pintura em tela de autor santanense, para a apreciação de Sidrolândia sobre o talento nordestino. O Primo Véi, desapareceu tão misteriosamente como surgiu. Será que ele esteve mesmo por aqui? Bem, pelo menos ao meu lado estão as provas: 1822 e
1808.








Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/1808.html

POPULAÇÃO ENCURRALADA

POPULAÇÃO ENCURRALADA
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2011).

       Importantíssima para esclarecimentos sociais no Irã foi a carta enviada à presidenta do Brasil. A missiva datada de 31 de janeiro de 2011, foi escrita pela insigne advogada de direitos humanos, iraniana Shirin Ebadi. Ebadi foi o Prêmio Nobel da Paz do ano de 2003. Demonstrando grande conhecimento das leis e ações do seu país contra mulheres, crianças e estrangeiros, a notável advogada surpreende o mundo quando disseca o código penal da sua terra. O leitor civilizado entra em choque com a mentalidade bárbara iraniana, mesmo do início do século XXI. Naturalmente dentro da cabeça de alguns “santos do mundo” que almejam a construção da bomba, os neurônios deliciam-se com oitenta chibatadas e até a morte por copo bebido de cerveja. Estão lembrados da Revolta da Chibata na marinha brasileira? A ilustre personagem Shirin, vai penosamente passando para Rousseff as “obras-primas” daqueles pensadores da Ásia Seca. Responsabilidade criminal para criança de dez anos ─ se for feminina ─ que irá responder a seus atos como se fosse um adulto de quarenta. Tribunais onde a palavra da mulher vale somente a metade da palavra do homem, bem como sua própria vida de fêmea que vale também a metade da vida masculina. País onde o homem pode possuir quatro mulheres e divorciar-se sem motivo, mas a mulher não tem esses direitos. São os “primores” do Código Penal Islâmico de 1979 com suas leis discriminatórias de gêneros, segundo a iraniana.
       É também lendo a carta de Shirin Ebadi, dirigida à presidenta que se amplia o conhecimento desse mundo perverso e ofensivo ao Salvador. Agarra-se a Prêmio Nobel a uma esperança no peso do Brasil ao assumir a presidência temporária do Conselho da ONU em março próximo. Soa como um pedido de socorro às mulheres daquele país, a posição brasileira diante do mundo a favor do combate às ações discriminatórias do Irã.
       E nós vamos transferindo para as prefeituras do Brasil, de Alagoas, do Sertão, a gravidade de inúmeras denúncias na Saúde, nas Ações Sociais, nas portas dos cofres públicos fechados para gestantes, crianças, doentes crônicos e o mínimo para a população rebanho. E quando vimos às explosões de revoltas das paciências impacientes do Egito, Iêmen, Tunísia... Vamo-nos indagando se aquelas ondas violentas não podem chegar às portas das prefeituras e das câmaras municipais coniventes, como já aconteceu agora no Mato Grosso do Sul. Até quando prefeitos e vereadores inimigos do povo desafiarão à Justiça e conterão as revoltas populares com quebra-quebras e derramamento de sangue? A rebelião do Mato Grosso poderá ser o estopim. Quem avisa faz parte, em carne e osso, da POPULAÇÃO ENCURRALADA.




Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/populacao-encurralada.html

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

RABO DE FOGUETE

RABO DE FOGUETE
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2011).
Para Malta, Primo Véi, Henrique, Expedito, Fábio, Valter, Sérgio, Valões e Flávio.

       Uma das promessas de campanha de Dilma Rousseff acaba de ser cumprida numa velocidade sem precedente. O que se falava sobre seu ritmo de trabalho começa a ser redescoberto como verdadeiro. E o ministro que pensava em ser ministro para fazer pose diante da família, dos amigos, da mídia, com certeza logo cairá. A presidenta tem ritmo forte nos seus trabalhos vinte e quatro horas e vive de fato com obstinação de tarefas incansáveis. Quem não aguentar e agir como boi ronceiro, certamente ficará fora do carro. Além do trabalho incessante, Dilma parece estar em vigília, atenta aos movimentos diários dos seus ministros. Ao colocar nas farmácias populares, medicamentos gratuitos para hipertensos e diabéticos, Rousseff, pela rapidez das negociações com fabricantes e celeridade na implantação do sistema, marca um precioso tento na credibilidade brasileira. E esse crédito recai diretamente na conta dos necessitados. Com os medicamentos diretos nas farmácias, a presidenta livra o povo, nesse sentido, das unhas cruéis de prefeitos criminosos, carcarás dos pobres que negam ou liberam remédios de acordo com a cara do dia.
       Na solenidade de lançamento do programa, junto aos fabricantes de medicamentos, a presidenta foi bastante aplaudida no salão. Mas, em cada residência desse país onde há um diabético, um hipertenso, saíram muitos mais aplausos através dos corações. Preces pelas bênçãos aos que protegem o povo, aos que zelam pelo povo e ganham olhares aprovadores do Supremo. Marca igualmente o governo Dilma a sua visita ao Congresso. Primeiro, quando vai pessoalmente prestigiar aquele poder de equilíbrio democrático; segundo, quando pede apoio do Legislativo para erradicar a miséria do país. Esses dois acontecimentos dão início a administração séria, humana e técnica onde o compromisso parece ser conduzir o Brasil ao seu grandioso destino e ao interno bem-estar da sua gente.
       A inércia, o marasmo, a indolência, característica de dirigentes pretéritos, chega aos últimos dias na dinâmica trazida pela primeira mulher de comando nacional. Os candidatos aos cargos mais altos do Executivo ficaram ao longo da caminhada, ou por que eram sujos ou por que tinham “dores nas costas”. O ferrão do carreiro demonstra ser afiado, bem dirigido e penetrante aos que sonham com redes nas varandas e uísques de safras espetaculares. Esperamos com as mãos aos céus que não seja quebrada tão cedo, a sucessão de bons dirigentes no planalto. O brasileiro já não aguentava mais de tanto pegar em RABO DE FOGUETE.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/rabo-de-foguete.html

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

AMOSTRA GRÁTIS

AMOSTRA GRÁTIS
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2011)

       Tudo conferido, despedimo-nos do índio e do filho e iniciamos a nossa marcha seguindo o sangradouro da barragem, beirando cercas de arames farpados de criatório bovino. 6 horas foi o início da caminhada.
       Em pouco tempo encontramos as escarpas. O Ipaneminha, apenas um filete, tão puro, tão cristalino, meteu-se por dentro da grota, em emaranhados de uma vegetação de árvores e arbustos de folhas marrons escuras e marrons claras. Parecia preservada. Nessa época, estava quase toda seca. Encontramos inúmeras espécies da Caatinga e outras típicas da Floresta Tropical.
       Destacamos imensas dificuldades na descida íngreme da grota. Os malotes às costas dificultavam o nosso equilíbrio. Esbarrávamos nas árvores, nas pedras, nos cipós, em nossas corridas curtas, sem querer, que o declive impunha.
       Quando nos era permitido, chegávamos perto do filete e, quase euforicamente, bebíamos aquele líquido gelado, transparente que naquelas circunstâncias parecia néctar.
       O filete escorria aos nossos pés. Ipaneminha sombreado, sozinho, murmurando pelo pedregulho, consciente do seu destino. Desejamos que todos os santanenses estivessem conosco naquela hora sagrada e solene onde só a Natureza mandava.
       (...) O rio não oferecia mais nenhuma novidade. Só o lastro contínuo de areia grossa, margens desmatadas, muita cerca e raríssimas cabeças de animais domésticos. Nem passarinho, nem raposas, nem mesmo cobras. Era o sertanejo um exterminador da fauna e da flora que fazia dó!
       Fomos anoitecer num joelho do rio onde havia um pequeno gramado com uma fila de quatro ou cinco algarobeiras ralas. Breve, estávamos sob a lua cheia. Armamos as nossas redes nas árvores e fizemos uma fogueira. Pelo cansaço, era para eu ter adormecido imediatamente, como uma pedra. Mas o descampado do desmatamento não me deixou pregar o olho até às 4 da manhã. O vento soprava forte, uivando virado nas seiscentas pestes! Meu companheiro repousava como um justo e não haveria vento nenhum do mundo que impedisse aquele “tanque de guerra” de dormir.
       Foi a pior noite das duas viagens. Só consegui adormecer lá para as 4 da manhã quando o vento parou sua latomia e sua frieza. Mas logo cedo estávamos com os pés na estrada.
Aguarde.



Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/amostra-gratis.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DILMA NO EXTERIOR

DILMA NO EXTERIOR
(Clerisvaldo B. Chagas, 2 de fevereiro de 2011).

       Dilma sabe bem o que pretende e, pelo jeito, conhece todos os caminhos. A decisão da primeira viagem para fora do país, como presidenta, para os entendidos é uma forma bem ampla de se mandar um recado para a quem interessar possa. A preferência pela Argentina pode ser resumida de várias maneiras. Não indo logo a Europa, Dilma evita valorizar aquele continente em detrimento ao seu. É como se dissesse que ele é importante, mas já não representa o grande foco de atração como há pouco tempo, para países sul-americanos. Para os Estados Unidos, acostumados com as vassalagens do sul, não tão antigas assim, Dilma declara indiretamente o fim do beija-mão latino. Fez o que o Tio Sam costuma fazer com seus novos presidentes, prestigiar primeiro os seus vizinhos. Isto é, “aguarde sua vez, você não é mais prioridade”. Obama deve ter engolido seca a petulância brasileira. Escolhendo a Argentina para seus primeiros passos, a Presidenta sabe que a nação vizinha, será sempre vizinha geograficamente. Sabe também que a Argentina é uma grande nação, tem enorme potencial e já viveu uma ótima fase desenvolvimentista. Dilma entende que sem a parceira vizinha, é impossível a pretendida união da América do Sul. É do seu conhecimento que a nação do Prata, no momento, é uma respeitável cliente dos seus produtos e, finalmente sabe que o Mercosul unido, representa força substancial para grandes entendimentos econômicos e políticos no Planeta. Em síntese, fortalecer a Argentina e aumentar sua autoestima, é tornar o Brasil muito mais forte diante das outras nações. Depois virá o afago ao Paraguai e Uruguai para arrumar a casa abaixo do Equador e alçar voos para onde achar conveniente. É a Geopolítica funcionando em favor da inteligência.
       O encontro com a presidenta Cristina Kirchner deixa, sem dúvida alguma, água na boca de outros dirigentes da América do Sul e mesmo do Caribe. O fato do encontro com as mães e avós da Praça de Maio é bastante representativo e soa como um aviso claro aos países que mantêm a ditadura e desrespeitam constantemente os direitos humanos. Entendam-se aqui direitos humanos como tolhimento da liberdade básica de cada cidadão nos países opressores. Pode-se até dizer que o movimento das ruas pela democracia egípcia ─ que tomou proporções gigantescas ─ tenha ofuscando a visita da presidenta Dilma Rousseff a Argentina. É verdadeiro sim a afirmativa, entretanto, o encontro com as mães, representa um apoio indireto ao povo do Egito que não suporta mais vê o rosto de Hosni Mubarak. Aliás, “o fora ditador”, iniciado na Tunísia, atingindo em cheio o país de Hosni, vai queimando a região com o grito há muito reprimido. A China mesmo retirou da mídia a palavra Egito. Mas como já havia sido aqui analisado, tudo é questão de tempo. De repente as coisas acontecem por que ninguém tem condições de barrar infinitamente o poder da comunicação. É ela a principal responsável da sede por democracia. Precisamos testar a presidenta no Brasil e a DILMA NO EXTERIOR.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2011/02/dilma-no-exterior.html