domingo, 31 de outubro de 2010

A RUA ESTÁ CHEIA

A RUA ESTÁ CHEIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 1º de novembro de 2010)

     O fuzuê da campanha política finalmente desapareceu. À tarde do último sábado, em Santana do Ipanema, foi coisa nunca vista por essas bandas. O resto da feira, as centenas de automóveis num trânsito descontrolado, caótico, maluco ─ entregue a própria sorte ─ milheiros sem contas de papéis de candidatos jogados às ruas; carros de som, um atrás do outro sem controle de decibéis, fizeram dessa cidade sertaneja terra de ninguém. Batalhões de bandeiras desfilavam pelo centro e políticos dançavam fazendo macaquices nas praças do comércio. Circular de carro tornou-se uma verdadeira aventura, numa festa democrática, mas sem controle nenhum. Se para quem estava de automóvel era difícil, imaginem para os pedestres que, diante daquela parafernália toda, triplicavam a atenção contra acidentes. Onde passavam turmas de bandeiras, engarrafava o trânsito, principalmente no “corredor do aperto”, região das duas pontes centrais. O Largo do Maracanã, lugar mais perigoso de Santana, de semáforo abandonado, assemelhava-se ao trânsito da Índia. Os moradores da Rua Pedro Brandão, principal do Bairro Camoxinga, notadamente, receberam uma carga de som para desmantelar os tímpanos e a alma. A doideira prolongou-se até a meia-noite, quando a quietude começou a tomar conta.
     O domingo amanheceu num silêncio tão profundo como se nada tivesse acontecido no dia anterior. A votação, em muitos lugares, parecia nem estar acontecendo devido à tranquilidade apresentada. Dava a impressão, pelo movimento das ruas, que um bom número de eleitores deixou de comparecer às urnas. Era como se não houvesse empolgado ninguém à campanha zoadenta das últimas semanas. A rapidez do ato de votar foi muita facilitada com apenas dois candidatos. Mesários tentavam cochilar em algumas seções, devido à falta de eleitores no período vespertino. Enquanto isso, muitos políticos posicionavam-se em pontos estratégicos avaliando o que achavam interessantes. Visível era a preocupação dos mais chegados no apoio a Lessa, que diziam claramente não ter esperanças da vitória do ex-governador. E assim também saíam às ruas as conversas de bastidores que sempre vazam dentro de poucos minutos após as reuniões. Não tem quem conserve em segredo absoluto as palavras das reuniões políticas. Se for de vitória é de vitória, se for de derrota é de derrota. No início da noite, logo após as confirmações dos resultados, uma carreata grande formada pela oposição local, unida, percorreu os bairros de Santana com direito a som e discursos na Praça Adelson Isaac de Miranda que teve misteriosamente suas luzes apagadas.
     A partir de hoje, segunda-feira, vai ter início uma série de novidades em Santana do Ipanema, já vislumbrando a seguinte eleição municipal. O próximo prefeito de Santana, pela aceitação que tomou conta do povo como uma febre e, pelo apoio de políticos como o atual vice-governador, Tomás Nonô, senador Benedito de Lira, deputados federais e estaduais, se o pleito fosse hoje, seria o jovem Afonso Gaia. Quem fizer uma pesquisa com dois anos de antecedência, encontrará eco. A RUA ESTÁ CHEIA.


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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

PATAGÔNIA

PATAGÔNIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2010)
     A Patagônia é uma grande região fria que engloba o sul de Argentina e Chile. Por se encontrar no extremo do continente americano ainda é parte de terras misteriosas de exóticas paisagens que encantam os que procuram aventura no frio. É ali no extremo onde está situada a passagem natural que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, chamada de Estreito de Magalhães. A denominação dessa passagem tem origem com a primeira viagem de circunavegação a terra. O navegador português a serviço da Espanha, Fernão de Magalhães, encontrou o perigosíssimo estreito que une os dois maiores oceanos. Até hoje poucos se arriscam a navegar por ali devido às mudanças bruscas do tempo e aos ventos fortes que metem medo. Também o nome Patagônia tem origem com a expedição do imortal navegador que chamou os moradores do lugar de “patagónes”. A palavra significa homens de pés grandes ou de patas. Na visão dos forasteiros, os nativos eram altos e de pés compridos. Na realidade os patagónes usavam gorros altos e calçados de couro de guanaco que ofereciam a curiosa impressão aos navegantes. Desse continente, quem parte para a Antártida, tem obrigação de passar por esses lugares, onde são realizados os últimos preparativos para a viagem. Ushuaia é a cidade mais austral do planeta, conhecida como “a Terra do Fim do Mundo”. É a zona da Terra do Fogo tão falada em nossas aulas de Geografia.
     O que mais encontramos no mundo é a tal discriminação. Discriminam-se tudo. Mas a inteligência, o talento, a capacidade do homem não é privilégio de nenhum lugar. Grandes gênios da humanidade podem nascer nas mais inóspitas paisagens ou nos mais urbanos centros da Terra. A questão nuclear que falta à projeção do indivíduo é justamente a falta de oportunidade. Cultura é uma coisa, inteligência é outra. Mas queremos ficar apenas no básico que é o talento independente do lugar de nascimento. Está aí o exemplo do Lula que precisou fugir da terra natal para não morrer de fome. Com muito esforço e determinação chegou à presidência desse país gigante. O senhor Nestor Kirchner veio também de uma terra sem muitas oportunidades, lá da província de Santa Cruz, da cidade de Rio Gallegos, região da Patagônia. Tornou-se presidente da Argentina liderando sua pátria nessa transformação difícil da economia interna. Ambos vieram dos confins. Um do frio, outro do calor. Um da terra branca, outro da terra queimada, guiados pela providência para papéis importantes da História. Agora a alma ascende e o corpo de Kirchner retorna ao torrão que o viu nascer. Rio Gallegos, Santa Cruz, Terra do Fogo, vão recebendo de volta o carbono da contribuição regional. Caeté em Pernambuco e Rio Gallegos na Argentina traziam o traçado do destino. Hoje o corpo de Nestor Kirchner estará de volta a PATAGÔNIA.


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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

HOSPITAL NA HISTÓRIA

HOSPITAL NA HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 28 de outubro de 2010)

     A saúde no Brasil ainda é muito complicada, por isso temos a inauguração do hospital geral de Santana do Ipanema, como coisa rara e fato histórico. O Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira, fundado em uma das gestões do prefeito Adeildo Nepomuceno Marques, custou longos anos de luta da sociedade santanense para a sua implantação e funcionamento. Criticada por uns, elogiada por outros, essa unidade tem prestado extraordinários serviços ao povo sertanejo. Para continuar esse empreendimento está marcada para hoje às dez horas, a inauguração do novo hospital de Santana. Iniciadas as obras e construído o prédio gigante no governo Marcos Davi, o edifício recebeu a denominação de Hospital Doutor Clodolfo Rodrigues de Melo, em homenagem ao primeiro médico da terra que ainda hoje mora no lugar. A estrutura física do novo hospital impressiona de fato pela sua grandiosidade. Depois de muito esforço de vários políticos e das constantes cobranças populares, a unidade do lugar Cajarana ─ parte mais elevada do Bairro Floresta (sopé da serra Aguda) ─ abre suas portas com o setor ambulatorial. Com o tempo, outros tipos de atendimentos poderão chegar à força máxima esperada ansiosamente pela população sertaneja. O auge significará atendimento regional, desafogando hospitais de Maceió e de Arapiraca. Também não seria e nem é possível iniciar logo com serviços completos naquele titã. Escrevemos hoje com o olhar voltado para os inúmeros benefícios que serão trazidos para o médio e alto Sertão, primordialmente, o município onde se acha implantada a obra. A parte política é muito complexa e foge aos objetivos do cronista.
     Houve algumas críticas sobre a localização do hospital. Da nossa parte, achamos que o prédio está bem situado. Não entendemos como tudo que existe possa caber no centro de uma cidade. Ali na periferia mais pobre de Santana, a simples presença da unidade, poderá despertar para investimentos particulares na área, trazendo melhor perspectiva na vida daqueles moradores. Com a implantação da UFAL, no terreno defronte, multiplicam-se as esperanças de melhoria ampla na Cajarana, Conjunto Marinho, Santa Quitéria, Alto dos Negros e o Bairro Floresta como um todo. Bem perto das duas forças estão localizadas a igreja de Santo Antonio e a Escola Estadual Lions, além de fábrica de gesso, padaria e posto de saúde. A grande maioria da população formadora do Bairro Floresta, veio do campo em busca de emprego e de escola para seus filhos.
     Quanto o acesso àquele pé de serra, não foi planejado antes. A rua única é relativamente estreita e composta de paralelepípedos. O intenso fluxo de veículos no futuro próximo vai exigir projeto que atenda totalmente as necessidades modernas dos transportes. De qualquer maneira estarão ali os dois carros-chefes, Educação e Saúde, que poderão puxar todos os vagões do desenvolvimento da terra. Tudo vai depender do binóculo ou da venda dos seus dirigentes. Sem dúvida, com a inauguração prevista para esta manhã, 28 de outubro de 2010, entra o novo HOSPITAL NA HISTÓRIA.


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O CÃO DA QUARESMA

O CÃO DA QUARESMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de outubro de 2010)
     Apesar de estarmos longe ainda, a mídia faz-nos lembrar os tempos religiosos mais significativos. As coisas vão ficando mais modernas e a força da tradição vai-se esvaindo com motivos novos que percorrem o globo. Muitas vezes nem sabemos se novidades são melhores, corretas ou mais práticas em diversos setores das organizações. É de se notar que havia mais rigor na Igreja Católica, após o carnaval. A partir da quarta-feira de Cinzas a Igreja entra no período mais delicado das suas atividades e que perdura por quarenta dias. Esses quarenta dias recebem o nome de Quaresma, palavra de origem latina, quadragésima. A Quaresma é a etapa do ano em que acontecem os preparativos para comemorar a ressurreição de Jesus, no chamado domingo de páscoa. Essa fase também faz lembrar os quarenta dias em que Jesus passou no deserto em oração. A Igreja ─ na quarta-feira de Cinzas ─ apresenta três linhas de movimentos baseadas na oração, penitência e caridade. Para milhões de católicos, é um ótimo cenário para a reflexão, a esmola e o jejum. Assim os fiéis mais tradicionais se preparam para a festa maior que é a ressurreição. Dentro dos quarenta dias, os domingos não são contados, formando na verdade quarenta e sete. As imagens encontradas nos templos ficavam todas cobertas de pano roxo, dando certo significado de penitência. Conhecemos pessoas que bebiam normalmente, mas suspendiam a bebida em época de Quaresma. Em suma, havia um respeito profundo que hoje não parece tão profundo assim.
     Visto a palavra quadragésima pelo ângulo acima, vamos contemplá-la através do prisma advocatício. A TV brasileira divulgou um vídeo que mexeu assombrosamente com o caso Bruno. Ah! Pode ficar certo de que a novela sobre o goleiro do Flamengo vai render bons dividendos para quem escrever um livro contando tudo. Os constantes desmaios dos personagens centrais, os desentendimentos entre familiares e advogados e as declarações do polêmico defensor do Bruno, fizeram o roxo do catolicismo empalidecer. As ameaças do doutor Ércio Quaresma diferem um bocado da Quaresma a que estamos acostumados. Na Quaresma da Igreja católica, o cidadão procura ficar o mais distante possível do inferno. No Direito, o doutor Quaresma afirma categoricamente que ele não é representante do satã, ele é o próprio diabo. E da maneira como fala na gravação apresentada, é bem capaz de ser mesmo verdade o que ele disse. A profissão de defensor vai ficando manchada com as descobertas mostradas pela Imprensa. Infelizmente tem muitos depositários de nomes magnânimos, envolvidos com o bicho preto até a alma. Envolvidos, dissemos. Mas o doutor Ércio afirma que é o próprio bicho. E se ele afirma, para que duvidar do engravatado, nervoso e satânico cidadão! O caso Bruno já prometia, imaginemos agora o desenrolar de investigações sobre o advogado embaixador do inferno. Com quem fica o caro leitor? Com a Quaresma para espantar o cão ou (apenas para soar mais bonito) O CÃO DA QUARESMA?


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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

BINGO DAS MOTOS

BINGO DAS MOTOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 26 de outubro de 2010)
     
     Domingo passado houve festa em Santana do Ipanema. Tudo por conta da realização de um bingo realizado no comércio local. Na Praça e Largo Professor Enéas Araújo e imediações, a multidão aglomerou-se para concorrer aos prêmios de cinco motos zero quilômetro. Como os domingos são vazios e monótonos no interior, o acontecimento virou festa. Muita gente de cidades circunvizinhas e até de mais distante, compareceu ao Largo tentando a sorte, favorecendo a alegria dos vendedores de alimentos e de gasolina. O sorteio do domingo foi movimentado pela Paróquia de São Cristóvão, visando reformar sua Matriz, situada no Bairro Camoxinga. É mesmo preciso melhorar os templos para um maior conforto aos seus fiéis e visitantes. A Igreja Matriz de São Cristóvão também precisa de mais espaço, mas aí teria que levar em conta indenizações aos prédios vizinhos para uma reforma arrojada e cara. A dimensão da paróquia, porém, necessita de uma obra física com o dobro do tamanho da atual.
     O bingo teve início entre os séculos XIII e XIV, na Itália. Em Gênova eram realizados esses tipos de sorteios, para substituições dos membros parlamentares. Algumas vertentes sobre o nome do jogo existem. Uma delas é que o bingo ganhou esse nome em Gales. Durante uma época difícil, os mineiros sentiam dificuldades em adquirir feijão. Quando essa comida surgia, os mineiros jogavam marcando as suas cartelas com os grãos, como ainda hoje se procedem por aqui. Quem ganhasse a parada, teria o direito de levar os grãos das cartelas dos companheiros. Assim o jogo veio da política, o nome originou-se da fome na Europa antiga.
     O problema é que de vez em quando o bingo vira febre e surgem espertalhões saídos de todos os segmentos. São denúncias e mais denúncias que aparecem e são chamadas ─ para suavizar a palavra ─ de irregularidades. Essas irregularidades tem colocado muitas conhecidas figuras para correr. Os bingos esporádicos pertencentes a entidades representativas são confiáveis, animam cidades, divertem pessoas e solucionam problemas. Isso até faz lembrar os grandes bingos de algumas décadas atrás, entre Paulo Afonso, cidade baiana, e Maceió. Somente Frei Damião era capaz de arrastar multidões semelhantes. Os maiores bingos pertenciam geralmente ao estado que dispunha da organização e do crédito para tais finalidades. E se ontem eram os carros dos sonhos máximos de consumo, hoje são as motos que fazem bastante sucesso entre as classes “C” e “D”. Esperamos que a Paróquia de São Cristóvão tenha atingido o seu objetivo. Que a noite do domingo passado foi animada foi. Muito melhor assim, em vez da crise do feijão, o desejável e esperançoso BINGO DAS MOTOS.


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GIGANTE QUEBRA OSSO

GIGANTE QUEBRA OSSO
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de outubro de 2010)
       Precioso avanço no relacionamento político da América do Sul, não pode ser ignorado. Sem dúvida alguma o pretérito cheio de guerras entre nações, deixou ranços que de vez em quando afloram. Nada anormal para esses países formados há tão pouco tempo, se comparados com o Velho Continente. Queremos dizer que é preciso muito mais espaço para a evaporação completa dos rancores. Numa visão geral, entretanto, essas mágoas nos parecem mais fingimentos de chefes de estado de que do povo trabalhador de cada país. A população quer paz, amizade e trabalho. Infelizmente surgem aventureiros lotados de vaidades pessoais que preferem fermentar supostos desentendimentos. Essas discórdias inverídicas são para desviar a atenção de atos e gestões polêmicas. É a tradição barata do caudilhismo arraigada nos birutas e maus administradores. Esses filmes velhos de romantismo revolucionário, são a volta do comer sem carne. Não tem graça nenhuma, assim como xuxas e trapalhões para adultos do presente. Mesmo assim as organizações regionais vão apertando governos nefastos que são apenas perigosos imbecis. Essas mentalidades do século XIX, sempre aparecem em cenários de esforço para o desenvolvimento. Puxam para as abissais as pernas dos nadadores
     Louvável é a atitude do senador governista chileno, Pablo Longueira. Esse político articula acabar de vez o mal-estar entre o Chile e a Bolívia que teve início em 1962. Desde quando o país boliviano perdeu sua saída para o oceano Pacífico em conflito com o Chile, que reivindica esse valoroso corredor. Isso já deveria ter sido resolvido há bastante tempo. Como foi dito acima, governantes são quem complicam as coisas muito simples. Em havendo troca de uma área boliviana pelo corredor do Pacífico, tudo ficaria acertada. Afinal são países vizinhos, irmãos em tudo. Se quisermos mesmo o progresso da região, melhor é o entendimento e a fraternidade que não irão diminuir a soberania nem a altivez dessas nações. A América do Sul não pode ficar a mercê de ideias que não cabem mais nessa era tecnológica. Só a união faz a força. O político chileno com certeza irá receber pressões de todo os lugares. O ato devolutivo do corredor de saída poderá ser feito de várias maneiras, mas com segurança o senador proponente será reconhecido no futuro. Como diz uma canção de Luiz Gonzaga: “Não vai faltar quem queira botar gosto ruim em nosso amor”. No dia em que todos os dirigentes da América do Sul estiverem conscientes dos seus papéis, dificilmente, diante do mundo, sua espinha dorsal será quebrada. E o que não falta nesse planeta velho de meu Deus é GIGANTE QUEBRA OSSO.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ABALOS DO CÉU

ABALOS DOS CÉUS
(Clerisvaldo B. Chagas, 21 de outubro de 2010)
     Quem quiser que diga, compadre, que não tem medo de trovão. Nem estamos nos referindo aos personagens Ana Raio e Zé Trovão de uma novela que passou. Falamos de trovoada de verdade, fenômeno atmosférico, sucessão de descargas elétricas acompanhadas de trovões e chuvas. É até difícil encontrar romancistas que escrevem sobre sertões que não façam capítulo especial dedicado a trovoada. O fenômeno, pelo menos no interior nordestino de clima semi-árido, acontece entre novembro e janeiro. Quando o inverno é fraco ou sem chuvas, as trovoadas passam a ser a esperança e salvação do homem do campo. Durante essa época de seca, barreiros, açudes e poços de riachos nada mais tem a oferecer. A fome começa a tomar conta de homens e animais. O sertanejo passa a olhar o céu de instante a instante pedindo a Deus boas nuvens escuras para molhar o chão. A água que enche todos os reservatórios traz a chamada babugem, ervas que nascem após as primeiras águas na terra. Queremos dizer que o fenômeno da zoada e das faíscas elétricas é de fato uma festa comemorada com muita alegria. Entre um inverno e outro o espaço é longo e o Sol forte sertanejo não respeita a primavera, vai queimando também a próxima estação. As trovoadas funcionam como uma espécie de equilíbrio que a Natureza oferece ao agricultor, aos criadores, aos que vivem da agropecuária. Quando a trovoada vai se formando ou mesmo antes da formação, é acusada pelo gado. Algumas reses começam a pular e outras a cavar o chão, imediatamente notadas pelos proprietários.
     A região de Santana do Ipanema, médio Sertão das Alagoas, teve até um bom inverno. Inclusive, chuvas que se prolongaram pela primavera. Mas, meu compadre, esse mês seco chamado outubro, foi visitado por uma violentíssima trovoada que botou muita gente para debaixo da cama. Na tarde de ontem, por volta das quinze horas e quarenta minutos, começou a cair água do céu, acompanhada de relâmpagos espetaculares e ribombar de trovões fortíssimos e sequenciados, nunca escutados antes por aqui. Rapidamente a tarde escureceu e nuvens muito escuras não paravam o fabrico no céu agitado. Os estrondos dos trovões, além de irem a última escala, ainda rasgavam complementando a missão extraordinária do espaço. Não ficou um só cachorro nas ruas. Muitos corajosos não saíram de casa. Poucas foram as residências onde as águas não entraram. Faltou energia e as enxurradas fizeram córregos despejando no rio Ipanema. Os clarões descomunais prosseguiram no firmamento até, aproximadamente, às dezenove. Mais de três horas de espetáculo natural, comadre. É de se perguntar com a gíria do povo: tá bom ou quer mais? Um amigo do sítio disse que isso aí era São Pedro irritado com a campanha política.
     Como as pessoas já estavam reclamando do Sol forte de primavera, houve uma antecipação do “décimo terceiro” do céu de verão. O agricultor fala em encher a palma, em reforçar a rama em calibrar os barreiros. Para o comércio local pode ser prenúncio de ótimas vendas natalinas. Aguardemos os próximos ABALOS DOS CÉUS.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

POBRE ALAGOAS

POBRE ALAGOAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 20 de outubro de 2010)
     Estamos nos aproximando do pleito estadual que irá definir o nosso governador. Sempre que novas eleições aproximam-se, gera no povo votante uma expectativa de melhora para o seu município, estado ou país. Se todos os gestores correspondessem, pelo menos em parte, ao desejo popular, esses momentos democráticos deixariam de ser traumáticos como hoje se apresentam. Em Maceió, mesmo, tivemos uma série de prefeitos considerados como trabalhadores. A sequência teve início com administrações modernas encabeçadas por Sandoval Caju, homem que deixava um esse em suas obras, como em bancos de praças, por exemplo. Após Sandoval, prefeito polêmico, outros gestores dispostos vieram e Maceió deu um salto enorme no seu progresso. Não posso agora dizer quantas ótimas gestões fizeram parte da sequência, talvez entre quatro e seis. Depois surgiram administradores fracos, fraquíssimos, péssimos que nem sequer eram encontrados pelo povo. Entre os péssimos, havia ex-parlamentares combativos. O homem que fala muito em outro poder está em seu lugar. Colocá-lo como gestor é um desastre total. Raramente será um bom prefeito ou governador. Essa quebra da série de bons prefeitos na capital custou muito caro ao município.
     Agora estamos aguardando uma briga de lama entre os dois candidatos restantes ao governo do estado. A Justiça deu um prazo longo de campanha ao segundo turno, coisa que não precisava. O povo está cansado de ouvir o mínimo da decência dessa campanha sórdida, safada, imunda que entra em nossos lares. Se um candidato é tudo que o outro teima em dizer, ambos deveriam estar na prisão e jamais em vitrina política. Não é o povo quem está acusando. São eles mesmos, um apontando os piores defeitos do outro, despejando tudo nos ouvidos e nas mentes das pessoas que precisam sossego para o trabalho diário. Isso não é baixo nível, é o nível mais baixo de todos. Estamos com muita saudade do primeiro turno quando ainda havia opção, fraca, mas havia. Seja lá como for, o cidadão que conseguir vencer o pleito, vai chegar completamente enlameado pelas denúncias do adversário. Não será fácil depois se recompor de tantas acusações às costas. Será uma administração pesada e tudo indica, sem o brilho a que o povo aspira.
     Vão saindo às primeiras pesquisas, vão aumentando os desvarios dos coordenadores. O desespero toma conta dos partidos que não admitem a derrota das urnas e parecem que estão defendendo as próprias vidas. Como o poder é cativante! Mata-se e morre por ele. Infelizmente ainda temos mais de dez dias para ouvir a sordidez oficializada. As crianças irão ficar muito mais sabidas com o que estão ouvindo e vendo na televisão, no rádio e nos carros de som. Nós, adultos, também estamos ampliando o nosso vocabulário por conta deles, os irrequietos que mandam na política. Pobre povo nordestino crucificado várias vezes. POBRE ALAGOAS.



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terça-feira, 19 de outubro de 2010

MERECIMENTO

MERECIMENTO

(Clerisvaldo B. Chagas, 19 de outubro de 2010)

     Não dispomos de estatística sobre o andamento da solidariedade no Brasil. Até porque o tema é muito abrangente e vai do estritamente pessoal até o encaixe nas grandes manifestações. Mas é de se pensar nos transportes rodoviários o que acontece no tombamento de algum veículo pesado pelas estradas gerais ou nas densamente povoadas. Pela primeira vez vimos falar em saques de cargas de caminhões no Rio de Janeiro. Um cidadão que transportava frangos tombou no pé de um dos morros cariocas. Ao invés da ajuda que esperava dos moradores, o que ele viu foi coisa bem diferente. Uma verdadeira enxurrada humana descendo o morro e praticando o saque sem nenhum constrangimento. Parecia no ato inglório um enxame desesperado por comida. Os mais fortes conduziam gradeados completos e desapareciam a galope nas vias tortuosas de habitações populares. Quem não podia com o peso da grade, pelo menos levava uma galinha ou duas, mas não deixava de participar do vandalismo. O caminhão continuava de pneus para cima e o motorista ferido se virava como podia. Para quem nunca tinha visto até o momento aquele tipo de manifestação, não deixa de ter sido um choque de incredulidade, mostrada a cena de como a vida é dura. Daí vem à expressão criada e transferida para o cinema: mundo cão. Em outras ocasiões semelhantes, a polícia chega atrasada. Quando surge a tempo é apenas para socorrer vítimas e registrar a ocorrência. O povo ulula em derredor como se ali não tivesse chegado uniforme algum.
     Depois do Rio vamos notando o aprendizado no Brasil inteiro. Aqui mesmo em Alagoas, principalmente nas rodovias mais movimentadas, o saque a caminhões tombados virou rotina. Agora não são ataques somente às cargas de comida ou bebida, mas a tudo. Material de limpeza, de construção, cigarros... Nada escapa da população. Impressiona a chegada rápida de pessoas saídas de todos os lugares que praticam o ato criminoso em poucos minutos. Nessas ocasiões o condutor do veículo fica em situação periclitante ao escapar do acidente. Pode ser assassinado a qualquer momento, caso traga algum dinheiro nos bolsos, relógio, corrente de ouro ou outra coisa pessoal. Como no meio da multidão tem de tudo, matar e roubar as vítimas não seriam coisas tão difíceis de acontecer. Em veículos menores, chamados carros pequenos, acontecem coisas parecidas. Hoje não se pode facilitar confiando nos socorristas. Escapar dos vândalos das estradas, agora é questão de sorte. Vamos perguntando aonde anda a solidariedade. O que não presta tem facilidade de propagação rápida. A violência vai se multiplicando numa velocidade que impede cabresto, ganhando novos adeptos que vão engordando o segmento. Ante a surpresa dessa gente desmiolada, somente Deus para proteger. Digo, se ainda tiver MERECIMENTO.






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domingo, 17 de outubro de 2010

O EQUILÍBRIO AGRADECE

O EQUILÍBRIO AGRADECE
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de outubro de 2010)
     Essa coisa ainda nova e sem freios, chamada Web, continua fazendo de tudo. Campo fértil para o que se imagina, essa descomunal rede de comunicações tanto eleva quanta destrói, dependendo da cabeça do usuário. Se a pessoa é do bem, produz o bem; se é mau, o que não presta faz vassalagem a seus pés. Condensando, a Internet é como o próprio mundo físico. Tem em generosa abundância do bom e, em viscosas teias do ruim. Os canalhas, encontrando terreno fértil para suas bestialidades, procuram aperfeiçoar e expandir os seus instintos. Os indefinidos, sempre escorregam para a podridão que parece ter força maior para seduzir. Afinal, atacar sem corpo, sem rosto, sem presença, demonstra ser negócio para as mentes indecisas. A diferença, então, entre o real e o virtual indica a ausência das leis no segundo campo, o que faz o bandido julgar-se seguro. Os crimes vão oscilando entre os mais leves e os mais profundos. Aonde o homem chega vai levando os seus aprendizados insondáveis, frutos da sua natureza. Aos desertos, a Internet, a Lua, chegam os complexos evolutivos ou degradantes, porque o todo não anda separado da cabeça. E como a lavoura cresce junto a erva daninha só o “fogo do fim do mundo poderá separá-las”, dizia meu pai.
     Trago meu endereço em aberto para coisas sadias. Para os mais diferentes tipos de conversas que possam no mínimo nos divertir, mas sadiamente, dentro do tolerável. Que prazer sentimos em conversar com amigos ou novos amigos sobre os mais variados assuntos! Mas a conversa franca, profunda ou supérflua, que ajuda a viver, conforta e eleva a alma. Ultimamente tenho recebido muitos textos de uma só pessoa que só envia lixo político. Não é um texto uma vez ou outra, é entre quatro e oito ao dia. Essa mulher parece não largar nunca o computador, nem mesmo para comer. Aliás, para se alimentar, deve ser como os astronautas para não ter que abandonar o mouse nem por alguns segundos. Quanto às necessidades fisiológicas, nem sei! Devem ser expelidas em forma de lixo eletrônico político, cujas lixeiras são os nossos computadores. Não escreve uma linha! É uma fábrica de transferência de imundície para as nossas máquinas. Calúnias, difamações, hipocrisia e toda baixeza encontrada sobre a respeitável candidata a presidência, são despejadas. Não tem paciência que aguente. Que satisfação satânica essa mulher deve sentir ao enviar essas porcarias! Os alvos maiores são o PT e a ex-ministra Dilma. Como pode uma pessoa alimentar tanto ódio assim? Seus atos e textos enojam-me minha senhora! Vá a um psiquiatra, procure o que fazer! Não gaste sua preciosa aposentadoria a semear a discórdia! Seus atos são assim, imagine sua língua. Quantas famílias já destruiu com ela?
     Não faltam boa clínicas aí em Maceió, para o seu caso. Podem até não darem jeito, mas pelo menos tente. Tenho absoluta certeza de que o mundo virtual ficará satisfeito, o EQUILÍBRIO AGRADECE.


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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O GRITO DO MATEU

O GRITO DO MATEU
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2010)
Para os poetas santanenses José Ormindo e Azevedinho

     Debruçar-me-ei na janela do tempo. Deliciar-me-ei com as facetas multicores do Guerreiro alagoano, folguedo arrojado que encanta nos umbrais do belo. Balancear divino, contorções mágicas, rostos ingênuos de folclore puro. No caldeamento de cheganças, pastoris, quilombos, caboclinhos, emerge o Guerreiro luminoso nos espelhos das catedrais. Curvar-me-ei diante das evoluções ímpares do festejo natalino. Sanfona, pandeiro, tambor, dançadores, cantores, atores congregados contando a história do Messias. Amorosa homenagem dos Reis Magos deglutindo o tempo. Índio Peri, Zabelê, Mateu, Doido, Sereia, Estrela D’alva, encarregar-se-ão de varar a noite, de conquistar a Lua, de saudar o Sol. Brincantes da minha terra! Figuras serenas de inimagináveis fulgores e encantos, vozes harmoniosas que elevam o canto. Representações de fidalgos, espadas em lutas, riquezas de simbiose nordestina na boca grande e noturna. Avivam-se cores, dobram-se joelhos, atiram-se ternuras diante do Menino.

“Ô minha gente
Dinheiro só de papé
Carinho só de mulé
Capitá só Maceió...”

xxx

     O Guerreiro alagoano, nascido em Viçosa, final da era de vinte do século passado, difundiu-se por todos os recantos. Aproximadamente, entre 1930 e 1950, esse folguedo foi muito apreciado no Sertão. É de se notar que o folclore predominava em época natalina, cujas diversões modernas ainda engatinhavam. Arruaceiros e mesmo volantes alopradas gostavam de praticar selvagerias contra essa e outras fontes de lazer dos sertanejos como bailes, reisados, coco de roda e pagode. O palhaço da brincadeira é o Mateu, que antes da festa, pelo dia sai anunciando o evento nas ruas da cidade. Chapéu típico, cara pintada de preto, relho a estalar, coloca menino para correr. Ainda hoje se diz no Sertão, referindo-se a má conduta: “Toda família tem um mateu”. Por outro lado, quando alguém desejava falar com Lampião pela segunda vez e, não sabendo onde o encontrar, logo achava a resposta. Virgulino mesmo dizia filosofando: “É só escutar o grito do Mateu.”
     Nos últimos anos, muitos valores inverteram-se. A exceção virou regra geral e o mundo parece andar de cabeça para baixo. As mais absurdas coisas são ditas e realizadas sem pejo, sem critério, sem honra. Se o fim está próximo, não sabemos. Somos apenas passageiros dessa nave que não para. Tornaram-se rotinas os rostos negros de carvão semelhantes ao personagem do Guerreiro das Alagoas. Já não precisa escutar eco nenhum no meio da caatinga. Basta olhar em torno e dispensar O GRITO DO MATEU.




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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

CENTRALIZANDO O CENTRO

CENTRALIZANDO O CENTRO
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de outubro de 2010)
     Vendo por fora o que estar sendo construído por trás do Estádio Arnon de Melo, resolvemos visitar o local. O Centro Bíblico, espaço de estudos e atividades católicas, foi inaugurado no Bairro Camoxinga, em Santana do Ipanema, Alagoas, em 20 de agosto de 1981. O Centro faz parte da Paróquia de São Cristóvão e foi construído na gestão do padre José Augusto Silva. Situado em lugar agradável e de solo enxuto, chama atenção a grandiosidade do terreno que respira paz e liberdade. Na sua entrada ampla o jardim, também composto de árvores de elegante porte, impressiona logo a quem tem bom gosto. O prédio principal é um salão aconchegante em cujo fundo está a imagem artesanal do Cristo pregado numa cruz de angico, madeira das caatingas alagoanas. Ao lado encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Os anexos são alojamentos para ambos os sexos, sala nobre de recepção e comando, depósito, cisterna subterrânea e pátio revestido com paralelepípedos. Um frondoso pau-brasil orna o centro do pátio, com suas folhas rendadas e curvas. Ali são realizados estudos, missas, encontros, reuniões de conselho e retiro. Pessoas de outros municípios, mundo católico, procuram as estruturas do Centro Bíblico de Santana, quando passam vários dias bem alojadas, durante essas atividades.
     A Paróquia de São Cristóvão doou parte desse terreno para a construção da Casa do Menor que tem um significativo cunho social. Com verba de origem europeia foi erguido um ginásio de esporte, muito parecido com o “Cônego Luís Cirilo”, do complexo educacional no mesmo bairro. Essa bela praça recebeu o nome de “Ginásio Poliesportivo Marcelo Candia” e foi inaugurada em 2009. Prosseguem as obras de alojamento e outras dependências da chamada Casa do Menor São Miguel Arcanjo. Obras como essas, dinamizam as atividades religiosas, proporcionando muito mais conforto aos usuários. Servem de atrativos para visitantes que além dos seus bons fluidos, trazem dinheiro e gastam no comércio local gerando empregos.
     Tornam-se importantes, visitas de políticos, escritores, artistas, pesquisadores, professores e estudantes, a esses locais que muito representam para a sociedade. O Centro Bíblico de Santana do Ipanema tem uma cativante história para ser contada. Dezenas e dezenas de objetos usados em sua trajetória já poderiam fazer parte de um museu paroquial a ser criado pelo padre José Neto de França. Não vale conhecer a nossa cidade somente por fora. Boas surpresas aguardam visitantes em outros lugares que provocam admiração e respeito. Continuaremos essas visitas, antes voltadas quase somente para os aspectos naturais. Amanhã poderemos dissertar outros pontos tão valorosos e tão esquecidos, mas hoje não poderíamos deixar de ir CENTRALIZANDO O CENTRO.


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terça-feira, 12 de outubro de 2010

HERÓIS DO CHILE

HERÓIS DO CHILE
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de outubro de 2010)
     Finalmente, após longo período de sofrimento, chega o dia do resgate em Atacama. Volta-se o mundo para acompanhar pela mídia o ato histórico que valoriza o ser humano. Há mais de dois meses soterrados, dando exemplos dignificantes extraordinários, os mineiros chilenos são os novos heróis do planeta. Quando casos assim acontecem, impressionam o espírito de solidariedade de qualquer país. Nenhum livro conseguiria dizer totalmente das angústias que se alojaram entre os familiares dos que estão no subsolo. Muitas coisas aconteceram nesse ínterim. Até criança nasceu e aguarda o pai que surgirá do seio da terra. A esperança de cima continuou tão verde quanto à de baixo; até parece que o próprio Deus vai pedindo calma e afirmando que tudo vai dar certo. Os familiares, nessa espera que parece não ter fim, além da luta psicológica, também enfrentam a adversidade climática. O calor enorme da luz, o frio intenso da noite. Todos os envolvidos ainda rezam para que não haja tremores no período do resgate, pois os terremotos são comuns na área e no Chile como um todo. Ninguém esquece que os prisioneiros da terra estão a setecentos metros da superfície.
     Quando se olha a ajuda enviada por outros países, como a dos Estados Unidos, através da NASA e de outros setores, fica a certeza de como é importante a solidariedade entre nações. Repórteres de quarenta países labutam ansiosos em torno da cápsula que resgatará os trinta e três mineiros. E parte do planeta vai assistindo ao vivo toda a movimentação de salvamento no deserto de Atacama. Nós brasileiros vamos, momentaneamente, guardando as alegrias pela conquista do tri, no vôlei, e pela vitória da seleção de futebol, para torcermos pelo êxito das operações chilenas. A cápsula que tem cinquenta e três centímetros de diâmetro iniciou sua ida e vinda de teste na hora desses escritos.
     Ao terminar o trabalho das várias equipes em conjunto, muitas coisas serão ditas, descobertas e revistas. Esse aprendizado psicológico e técnico deverá repercutir positivamente em todos os segmentos afins. As áreas de engenharia e medicina lucrarão por certo em suas novas pesquisas. Nesse momento, prancheta à mão, torno-me mais um devoto do êxito, ao vê o primeiro socorrista descer nas grades salvadoras. Rogamos a Deus que esse drama tenha o fim igual ao sorriso de otimismo do presidente Sebástian Piñera. Vamos encerrar esse trabalho com a emoção do hino chileno cantado pelos salvadores. Amigos, a emoção é de arrepiar! Aguardemos, então, o resgate completo dos HERÓIS do CHILE.


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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ARATANHA

ARATANHA
(Clerisvaldo B. Chagas, 12 de outubro de 2010)
     Na crônica de ontem, “Zabé da Loca”, falamos sobre o projeto musical para os jovens no município de Monteiro, Paraíba. E quando aconselhamos projetos semelhantes para os adolescentes do campo, não foi somente para livrá-los das drogas e da ociosidade, mas também para ganharem dinheiro. Em todos os lugares do mundo existem talentos: nas planícies, nas cidades, nas montanhas, nos desertos... Ao falarmos sobre a escolinha de música da Paraíba, registramos também um belo exemplo ocorrido no município de Santana do Ipanema. No finalzinho de Santana vila, o povoado Capim (atual cidade de Olivença) já possuía uma banda musical, coisa difícil de acreditar. Mas como foi dito, os talentos proliferam em todas as paisagens, aflorando conforme os incentivos. Em 1920, essa banda do povoado Capim veio tocar na vila para homenagear a padroeira no dia 17 de julho. Houve aí uma grande transformação para melhor e, vários daqueles músicos comandados pelo fundador da banda, Joel Marques, tornaram-se famosos em Santana, em outros lugares do Brasil e mesmo no exterior. Inclusive, Joel Marques foi prefeito na gestão 1936-1937. Vejam de onde saíram. De um simples povoado sertanejo e da roça. Em 1922, ainda no início de Santana cidade, foi criada outra banda musical (já havia a de Seu Queirós) pelo comerciante Benedito Melo, recebendo o título de “Filarmônica Santanense”, logo apelidada pelo povo de “Aratanha”. Foi aí onde se encaixaram componentes da banda de Joel Marques do povoado Capim. Desse ponto em diante, teve início a exportação de excelentes músicos do interior.
     Tantos outros projetos simples poderiam ter sido feitos no Sertão para aumentar a renda de famílias, estimularem os jovens e aproveitar matéria-prima. No povoado Areias Brancas, caberia uma associação para se implantar fabriquetas de beneficiamento do caju, goiaba e manga. Alguns políticos, ao invés de incentivarem a iniciativa popular, preferem acusar autoridades cotidianamente. Esquecem que “é melhor acender uma vela de que amaldiçoar a escuridão”. Tanta mão de obra tem naquele povoado que faz gosto vê. Hoje, núcleo de inúmeros sítios circunvizinhos, inclusive de pés de serras, o povoado Areias Brancas, dispõe de uma ampla rede estudantil. Projetos e mais projetos não faltariam para essa juventude ganhar dinheiro aprendendo e se divertindo. As ideias retrógradas, entretanto, acomodam o povo na espera enervante pelas autoridades. Ninguém quer mais varrer à porta da rua, aguardando a boa vontade das prefeituras. Essa falta de iniciativa também ajuda na pobreza. É por isso que projetos simples, baratos e populares, tornam-se exceções e são expostos como coisas do outro mundo. Onde estão os autênticos líderes dos aglomerados? Como atualmente o supérfluo e a lei do menor esforço predominam, somos obrigados a abrir os olhos dos condutores de cegos para iniciativas como a da ARATANHA.
• Aratanha = pequeno camarão de água doce.

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domingo, 10 de outubro de 2010

ZABÉ DA LOCA

ZABÉ DA LOCA
(Clerisvaldo B. Chagas, 11.10.2010)
     Muito boa e emocionante a reportagem da televisão focalizando Zabé da Loca. São poucos os bons programas da televisão. O que tem de lixo, com certeza juntando tudo dá mais de oitenta por cento. Como disse alguém, a televisão brasileira é máquina de fazer doido. Zabé ─ no Nordeste, apelido carinhoso de Isabel ─ é hoje mulher famosa de idade avançada lá da Paraíba. As cavernas no sertão são chamadas locas, sovacos, grutas e furnas, independentes de comprimento e largura. Zabé, perto da cidade de Monteiro, trabalhava na roça e aos doze anos aprendeu a tocar pife. Como perdeu a casa com as intempéries, resolveu morar sob duas pedras que se sustentam. Ali conviveu com marido e filhos, fechando de taipa as aberturas das pedras. Trabalhadeira, animada, espirituosa e festeira, Isabel tornou-se conhecida como Zabé da Loca. A reportagem mostrou os bons tempos em que Zabé saiu percorrendo o País tocando pife com sua bandinha regional. Até prêmios arrebatou.
     Atualmente sem marido, Zabé ganhou uma casa do governo e mudou-se da loca para a casa azul, simples e de varanda onde senta para curtir os seus cigarros ou cachimbo. É tão famosa ainda, que recebeu a reportagem em sua nova residência. Zabé continua, mesmo com os percalços da velhice, alegre, brincalhona, extrovertida. Mas uma coisa mexe muito com a tocadora de pife, que são as boas lembranças da loca. Olhando por trás de casa, está ali, a certa distância, nas colinas das cercanias repletas de matacões, a loca adotada por Isabel. Ela foi mostrar a furna em que vivera mais de vinte anos, mas isso não foi nada fácil para a velhinha que se emocionou com as lembranças. E como todo sertanejo que ama seu torrão, a mulher ainda tem muita vontade de voltar a viver na loca. Isabel resolve dar uma palhinha e toca o pife para a reportagem, mas avisa que vai deixar a arte. Segundo ela, o esforço prejudica muito os pulmões. E quando perguntada se não era o cigarro que prejudicava ela diz animada que não.
     A pessoa que toma conta de Isabel fez projeto musical e implantou uma escolinha de música para os jovens da roça. São vários instrumentos que proporcionam o aprendizado, inclusive zabumba. Para substituir a famosa tocadora, já apareceram talentos que não irão deixar morrer a tradição. Além de conduzir os adolescentes para o mundo musical, o projeto mantém o jovem longe da ociosidade e dos vícios que estão apavorando o Brasil. Aplausos e incentivos para pessoas que dedicam parte do seu tempo a produzir o bem. Diante de tantas barbaridades que acontecem e são publicadas diariamente na mídia, esse assunto da Paraíba parece ser coisa de Deus. O nosso país precisa em todos os rincões, projetos semelhantes ao do município paraibano. E pelo exemplo e semeadura da alegria no Brasil, deixamos em nome de todos, o nosso preito a essa extraordinária mulher sertaneja ZABÉ DA LOCA.


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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO

PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de outubro de 2010)
     Mais uma vez o município de Santana do Ipanema, Sertão de Alagoas, está em festa. Ontem, dia sete, houve a solenidade inicial dos festejos a São Cristóvão, padroeiro da segunda Paróquia com sede no Bairro Camoxinga. Na ocasião teve uma caminhada da comunidade Santa Sofia, seguida de cavalgada de vaqueiros, atos que se tornaram tradicionais naquele imenso bairro. Vários segmentos sociais foram responsáveis pela abertura que teve o pároco José Neto de França como pregador da noite. Hoje, sexta, acontecerá à primeira noite oficial do evento religioso que se prolongará até o próximo dia dezessete. Haverá, então, o encerramento com a famosa procissão em homenagem ao glorioso padroeiro, entre a cidade Poço das Trincheiras ─ ponto de partida ─ e a sua Matriz em Santana do Ipanema. A igreja Matriz de São Cristóvão é vizinha do Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira. O pregador do encerramento será o bispo diocesano Dom Dulcênio Fontes de Matos, conforme programa divulgado sobre a festa.
     A Paróquia de São Cristóvão foi oficialmente criada em 12 de fevereiro de 1964 e teve como primeiro pároco o padre Alberto Pereira Santos. Consta ainda que também a primeira procissão realizada com o seu padroeiro, foi mesmo antes da criação oficial da paróquia. A imagem saiu da localidade Pai Mané, município de Dois Riachos até o Bairro Camoxinga. Como a maior parte das doações que edificaram a Matriz, veio de condutores de veículos, São Cristóvão ─ padroeiro dos motoristas ─ ganhou a preferência de protetor da paróquia.
     A festa dedicada ao gigante que carregou o Menino Jesus sobre os ombros é sempre realizada em outubro, mês em que as chuvas estão suspensas. Ocupa a praça defronte a sua Matriz, onde também se encontra o hospital acima. Estende-se pelas ruas paralelas que se rejubilam durante esse período de outubro. A tranquilidade do lugar permite se vê ainda a paisagem típica do interior, onde crianças se divertem nos parques comendo pipoca e algodão-doce. As barracas de bebidas e comidas alastram-se pelas imediações, ocupando a via principal, Pedro Brandão, de certa maneira, dificultando o trânsito.
     Cada noite da festa de São Cristóvão é patrocinada pelos chamados noiteiros. Os noiteiros representam vários segmentos sociais que compõem o todo, fracionados em grupos que apresentam as atrações das solenidades. Essa festa vem trazendo cada vez mais pessoas de outros municípios. Além de cânticos, missas e novidades a parte, o hino a São Cristóvão, de inspirada letra e agradabilíssima melodia, emociona pedestres e motoristas com a força da sua mensagem. Aos quarenta e seis anos da Paróquia, convidamos os leitores amigos para uma louvação ao PADROEIRO SÃO CRISTÓVÃO.



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PEGAR O BONDE

PEGAR O BONDE
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de outubro de 2010)
     Os apelos das eleições continuam segurando as pessoas que parecem sonolentas, mas ainda curiosas pelo que ainda vem por aí. As alianças são formadas às claras ou nos bastidores, com o perdedor querendo pelo menos uma raspinha do todo que não conseguiu. O leitor já conhece aquela história do macaco que se deparou com um cacho de bananas pendurado em lugar difícil. O símio fez carreira, pulou, mas não conseguiu atingir a penca. Depois de tentar várias vezes, o máximo foi passar as pontas dos dedos nas deliciosas bananas madurinhas. E como já estava cansado, vendo que não conseguiria realizar a façanha, foi obrigado a desistir. E para enganar a si próprio afirmou: “para que tanto esforço por uma coisa que nem gosto!” Ê companheiro, tem muita gente que apostou alto demais e agora se encontra na posição do macaco. Os que antes se acusavam, não somente mostrando a cara de ferro velho de adversários, inclusive com desafios coronelescos, hoje se afagam, se apertam, se beijam em nome de salutar união democrática. Os cálculos dos que perderam talvez sejam mais em cima do que iriam levar mensalmente do que mesmo o que desembolsaram. Uma união agora apaga todas as mágoas das acusações anteriores. A mesma cara conhecida que enfrentou a censura dos eleitores, mostra a mesma madeira para fazer alianças e nem perder de vista o cacho todo de bananas.
     Ontem mesmo um cidadão famoso no mundo do rádio, desabafava sua derrota nas urnas, acusando o povo nos mais diferentes aspectos. Muita coisa que o jornalista falou representa a verdade da compra de voto que não fica restrita ao interior. Mas não adianta falar do povo agora aquele que não conseguiu se reeleger. Ninguém é inocente sobre as manobras que existem no mundo complicado da política. Quem entrou e perdeu deveria ter ficado sem nada falar, porque fez parte do jogo sujo e lutou o quanto podia. Quanto vale agora uma eleição para prefeito em pequenas e médias cidades do interior? O cidadão mesmo dizia custar em torno de cinco milhões. Talvez não seja isso tudo, mas a última aqui na região foi falada e decantada em quatro. Já dizia outro político, há bastante tempo, que a eleição mais cara do estado era a de Santana do Ipanema. Inflação causada por eles mesmos na base dos cenzinhos. Hoje, segundo gente do ramo, para ser prefeito em Santana, ninguém gastará menos de quatro milhões. Menos do que isso é gastar e perder, ainda segundo a fonte.
     Por mais que não quiséssemos falar em política, não conseguimos comentar uma seleção brasileira de futebol tão misteriosa que foge ao pensamento dos mais apaixonados. Uma mistura grande, jogando no desconhecido e com pouca divulgação dos seus bastidores, tenta em vão nos tirar do segundo turno. O Brasil vai adiando as grandes decisões, agora nem Dilma, nem Serra, nem o treinador Mano. Coloque a mochila às costas e vamos PEGAR O BONDE.


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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

FAZENDO UM ARTE

FAZENDO UM ARTE
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de outubro de 2010)
     Fez muito bem a equipe do portal MALTANET em estampar a figura do grande artista plástico Roninho. Para muitos, o artista dispensa comentários, pois o seu trabalho já bastante conhecido vai deixando as barreiras do município, do estado, ganhando outra dimensão muito mais confortável, merecidamente. A princípio, com suas pinceladas sendo apenas motivos de riso, Roninho se foi firmando em território alagoano fazendo valer o seu estilo interessante e peculiar. Antes, o seu irmão Roberval Ribeiro, com óleo sobre tela, caricaturas e produção de gibis como o do personagem Zé das Cruzes, fez muito sucesso por onde andou. Depois o famoso artista trabalhou conosco como diagramador e caricaturista do Jornal do Sertão, alegrando as páginas daquele matutino para o leitor de Alagoas e de várias capitais do Nordeste. Atualmente Roberval trabalha apenas na sua empresa localizada em Santana do Ipanema, onde serve o Sertão inteiro e é ponto de referência. Por sinal, é ele o autor da capa do livro que pretendemos lançar ainda este ano (estamos articulando) o paradidático “Ipanema um Rio Macho”. Portanto, Roninho já traz nas veias o poderio do seu trabalho. O artista santanense caracteriza suas obras representando cenas do cotidiano sertanejo. Roninho focaliza os aspectos sociais, chamando atenção como uma espécie de denúncia, das mais diferentes situações difíceis do homem do campo. Suas obras em forma de caricatura, além do exagero de cenas, carregam na tintas vivas como um grito forte por socorro do lugar onde reside. O apreciador do seu trabalho logo encontra o riso fácil, mas também a gravidade da denúncia que está claramente mostrada em suas telas pitorescas. Esse grande artista do Bairro Camoxinga, mora vizinho à Praça das Artes que se transformou no aleijão abandonado de Santana.
     Certa feita ouvimos da secretária de Cultura de Arapiraca (outra gestão) sobre o incentivo aos artistas daquele município. Dizia ela que a Secretaria havia feito um trabalho muito bonito e bem feito que seria motivo de orgulho. Entretanto a coisa não estava dando certo e havia muitas reclamações. Foi feito, então, um trabalho investigativo e detectada a causa. É que o projeto era bonito, mas veio de cima para baixo, os artesãos não haviam sido consultados. Usando novas estratégias, aí sim, pois foram os próprios artistas que disseram como queriam a associação ou coisa parecida. Em Santana do Ipanema estar acontecendo o primeiro caso, pois temos ouvidos inúmeras reclamações de artistas, muitos ainda no anonimato. Um exemplo gritante de insatisfação é com o logradouro representativo da classe que hoje virou local de tudo que não presta, a Praça das Artes. E ao invés de Santana do Ipanema de fato representar a arte, vai apenas remendando, pelejando e FAZENDO UM ARTE.


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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SEGUNDO TURNO

SEGUNDO TURNO
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de outubro de 2010)
     As eleições gerais imprensaram assuntos relevantes outros que tomavam conta da imprensa. Acordamos ontem com a tremenda ressaca do pleito que mexeu com todos durante meses e não somente no dia exato do voto. As ruas amanheceram cheias de papéis com o dilúvio liberado pelos porquinhos. Ali na esquina, na praça, nos bares, vão chegando os costumeiros componentes das rodas com os primeiros ensaios do dia. Realizadas as discussões do alto escalão, os plantonistas diários começam a contabilizar o prestígio e o desprestígio local. Quem se fortificou para as eleições de 2011, cujos candidatos a deputado estadual, federal, senador e governador perderam ou ganharam. Muitas decepções daqueles que se julgavam fortes, imbatíveis, eternos. Os derrotados começam a procurar culpados nas traições dos seus assessores e cabos eleitorais. Rasgam a cabeça puxando os cabelos pela perda do úbere farto da vaca política. Fui avisando com os ingratos, com os que prometem e não cumprem, com os espalhadores de pedra: o mundo é redondo. E como a famosa piada pornô, falta de aviso não foi. Muitos estão sem dormir direito porque ainda não acreditaram na surpresa que de vez em quando o povo faz. Os que conseguiram passar para a terra onde corre leite e mel, estão vibrantes, felizes, nadando na festa de sons, uísque e foguetório que bem caracterizam essas ocasiões. Nas periferias das cidades, nos povoados, nos sítios, os grupos que desafiaram as leis, ainda estão mobilizados esperando novas investidas financeiras no segundo turno.
     A curiosidade agora é para vê se fulano ou beltrano tem a coragem de sair candidato a prefeito sem o seu deputado no círculo dos vencedores. Será que os estaduais, federais e senadores, fora da ciranda, vão honrar os compromissos de ajuda aos pretensos candidatos a prefeito? E os jubilosos também honrarão os compromissos? Dizem os espertos que político não dá prego sem estopa. No Sertão, muitos tem vontade de comandar do gabinete da prefeitura, mas sabem que uma eleição, hoje, para prefeito, está terrivelmente inflacionada. Com quem pegar o dinheiro do povo para estuporar, senão com os candidatos do “alto clero”. Quem tem o destemor de meter a mão no próprio bolso para gastar os trocados, frutos do suor? Ninguém. Todos querem ser prefeito atirando com a pólvora alheia.
     E os grupos municipais de apoio, vão sentindo que perderam o federal e ganharam o estadual ou vice- versa. Outros perderam ambos. Os planos dos pretensos candidatos a prefeito, entre vitórias e cacetadas, estão congelados para novos balanços. Ainda resta o apoio dos que irão se eleger a governador e a vice. Até o dia 31 de outubro, todo plano para o futuro ainda é precipitado. Porém, as próximas eleições municipais, tudo indica, mostrarão um poder renovador nunca visto antes, cheio de caras novas no Executivo. Quem viver verá. Vamos ao SEGUNDO TURNO.


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domingo, 3 de outubro de 2010

DIVIDIR O BOLO
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de outubro de 2010)
     Levando em conta o tamanho desse país continente, suas diversificações regionais e seus recônditos peculiares, o brasileiro pode se orgulhar dessas eleições. As dificuldades encontradas, principalmente na grande região Amazônica onde toda distância é um mundo e os meios de transportes aquáticos, a velocidade com que foram apuradas as urnas e transportados os resultados para a central marcaram uma grande vitória de organização. O avanço tecnológico das urnas eletrônicas é de deixar qualquer país do Hemisfério Norte com inveja e admiração da eficiência e da rapidez nas apurações. Podemos afirmar sem medo nenhum de erro que as partes tecnológica, organizacional e mesmo a social, deixaram um amadurecimento importante, evolutivo, salutar e equilibrado, permitindo ao povo brasileiro entrar numa era de plenitude durante a escolha dos seus representantes. É inacreditável que esse país pudesse dá conta com ordem e tranquilidade de um acontecimento tão significativo nesse dia maior. Os formidáveis exemplos de organização, tranquilidade e democracia, devem tocar fundo nas feridas de arroubos da América do Sul e Caribe. No mínimo, deixarem pasmos os Estados Unidos e União Europeia.
     Em Alagoas mesmo, a serenidade do pleito, deixa pelo menos uma esperança de um novo comportamento do mundo político. Parece que uma série de medidas que antecederam as eleições por parte da Justiça, da polícia federal, da OAB, dos movimentos populares, começa a fazer efeito na capital e no interior. É sabido que uma peneira grossa ainda deixa passar bastantes caroços. Mas pelo que deslumbramos, parece que houve certo aprendizado que deverá ser incluído nas próximas administrações executivas e parlamentares. Ainda que esses indesejáveis grãos tenham conseguido escapar da peneira grossa, a continuação dos vícios não deverá acontecer mais em toda plenitude. Isso, se levarmos em conta as novas e constantes intervenções das classes acima, pela moralização que se faz desejada para abreviar o nosso equilíbrio.
     Por outro lado, a decisão que se realizará no segundo turno ─ apesar de muita conversa batida dos candidatos ─ promete. Pelo menos na disputa pelo governo estadual, poderão ser arrancados compromissos que beneficiarão o povo e em particular aos servidores. Sem definições sobre precatórios e reajustes salariais, dificilmente o candidato levará os votos dessa classe massacrada pelos que fazem o poder. Agora é a vez dos servidores pressionarem os dois sobreviventes pelos compromissos escondidos do primeiro turno. E assim, entre eleições de quatro em quatro anos, pode ser que pingue alguma coisa interessante para os que já sofreram tanto. E o melhor: os tempos de promessas parecem estar acabando. É bem possível que estejamos entrando na era do comprometimento. Hora de DIVIDIR O BOLO.



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