quinta-feira, 30 de setembro de 2010

ENGOLINDO O EQUADOR

ENGOLINDO O EQUADOR
(Clerisvaldo B. Chagas, 1º de outubro de 2010)
     O mundo velho e o Velho Mundo vão-se agitando na mexida econômica que ultimamente vacila na corda bamba. Para nós, latinos, parecem incríveis os movimentos de ruas que se tornam violentos nas mais famosas capitais europeias. Insatisfeitos, as multidões invadem as principais avenidas de Paris, Atenas, Londres, Roma e outras mais descobrindo o véu do engano civilizado. Isso quer dizer que mesmo no vagão de luxo da espécie humana, os problemas afloram nas cadeiras fofas da primeira classe. Mais de quatro mil anos tecendo uma civilização podia até parecer que o pano já estava pronto. Nós dos arredores, seríamos apenas a periferia, segundo estudiosos que costumam rotular o planeta. Então descobrimos que os casamentos de celebridades não tem muita consistência e são apenas golpes de publicidades para a grande mídia. Não sabemos se isso serve de consolo para os nossos constantes problemas na América do Sul e no Caribe. Como no Brasil o presidente não aceita um terceiro mandato seguido, o país pode passar uma visão de democracia fortalecida graças aos erros do passado. Mas infelizmente não é esse o pensamento de alguns dirigentes do hemisfério.
     É lamentável o que estar acontecendo no Equador, país vizinho, mas que não faz limite conosco. Equador também é um país pobre que luta pela sua sobrevivência e que sempre teve suas questões mal resolvidas em questão de estabilidade. Os que chegam com muita sede, não trazem manejo suficiente, deixando que o entusiasmo cego se transforme em aventura. A primeira coisa que um dirigente perdido faz, é querer acabar com o seu congresso porque não admite que ninguém pense contrário as suas teses que não cabem mais no sistema moderno. Rafael Correa ameaçou retirar uma série de benefícios econômicos dos militares e da polícia, para continuar seu plano de austeridade. Como acabar com direitos conquistados pelos servidores? Até parlamentares do seu partido votaram contra e com razão. Pois, a sombra do Chávez quis e quer dissolver o parlamento.
     Está certo que não queremos mais apoiar golpes na América Latina. A OEA – Organização dos Estados Americanos – publicou resolução de apoio a Correa. Também surge o apoio do MERCOSUL e da UNASUL, mas não é somente o apoio internacional que vai pacificar mais esse episódio que mantém a tradição arcaica do caudilhismo. Arroubos de valentia como a frase que pronunciou no hospital, também vale apenas para jornalistas. Esse negócio, seu Rafael, de sequestrar direitos de pais de família que arriscam a vida constantemente perseguindo marginais, parece não ser boa ideia em nenhum país do mundo. É só o que nos aparece na América do Sul na safra dos parafusos. Frouxos. Quer seguir os maus exemplos? O povo diz: “Quem anda com morcego dorme de cabeça para baixo”. E enquanto o país, politicamente não se faz respeitar, é muito melhor inventar moda para chamar a atenção alheia. É o vulcanismo do atraso ENGOLINDO O EQUADOR.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ERRAR DUAS VEZES

ERRAR DUAS VEZES

(Clerisvaldo B. Chagas, 30 de setembro de 2010)
     Depois de tanta zoada e gasto de dinheiro vamos chegando ao final de mais uma campanha política. Talvez uma tênue esperança ainda rondasse o povo alagoano antes do último debate dos candidatos ao governo. O que se viu, todavia, foi um jogo morno sem inspiração nenhuma da parte de todos os jogadores, provocando a vontade de dormir do telespectador. Nada de novo aconteceu, nenhuma afirmação tão aguardada pela população, nenhum comprometimento sério que tivesse valido a pena escutar. Quando se falava na palavra valorização era por alto como quem estava sobrevoando uma cidade de helicóptero. Ninguém falou sobre precatórios, ansiedade de tantos funcionários que necessitam desse dinheiro para tratamento de saúde e outras necessidades básicas. Reajuste digno para os servidores? Nem digno nem insignificante; fantasma na pauta de todos os pretensos vitoriosos. Não faltaram acusações entre os candidatos, principalmente entre os que veranearam pelos corredores dos Martírios. Nada de novo. Nada, meu amigo, absolutamente nada. O povo alagoano continua perdido e perdido continuará com qualquer um dos que estão aí.
     Todas as praias de Maceió estão poluídas, acabando a grande diferença de lazer do interior para a capital. A Maceió de baixo está uma coisa que faz nojo. No Sertão, Alto Sertão e Sertão do São Francisco, não chega sequer uma indústria, por insignificante que seja. Acabaram com a EMATER que dava assistência ao produtor rural. Detonaram o PRODUBAN que fomentava o progresso do estado. Isentaram a grande economia de pagamento de impostos. A evasão toma conta das escolas. O que se conta da Saúde é coisa para a Idade Média. E os professores ficam com o bico aberto como passarinho novo esperando comida, mas a mão de ferro, a intolerância, a insensibilidade dos dirigentes não permitem um reajuste.
     Eles mesmos se acusaram e afirmaram o que estamos dizendo. E o alagoano continua preso nessa gaiola de donos dos brinquedos. Todos os três já passaram pelo poder. Qual a perspectiva que temos pelo que foi mostrado nos debates da televisão? Se você já ouviu falar no sonho das vacas magras, por certo estar vendo que elas não querem mais sair dessa terra caeté. Os candidatos que concorrem lá atrás, também parecem sem inspiração e nada trazem de novo que motive o eleitor. Entre os que estão na dianteira, um parece violento, outro parado demais e o terceiro desarvorado. Votar em quem? Seja em quem for. Já conhecemos de sobra o trio responsável pelas coisas acima. Depois que você votar, caro amigo, não fique de maneira nenhuma com dor de consciência. Você não é culpado. Em qualquer outro em quem você votasse seria a mesma coisa. Talvez um dia os seus netos ou bisnetos anunciem e realizem o tempo das vacas gordas. Enquanto isso, mesmo chorando deposite seu voto que é preferível uma democracia péssima de que nenhuma. Agora ninguém tem como se livrar de ERRAR DUAS VEZES.


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terça-feira, 28 de setembro de 2010

O FORRÓ DE LAMPIÃO

O FORRÓ DE LAMPIÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 29 de setembro de 2010)
     Quem não lembra o saudoso humorista Barnabé? Em uma das suas memoráveis piadas, ele fala que um fazendeiro mandou vários capangas, um a um, acabar com um forró a certa distância da fazenda, que estava perturbando o seu sono. Todos que iam não retornavam. Até que o último foi lá, demorou, mas voltou dizendo que o tocador sanfoneiro era o famoso Lampião. Quem diabo teria coragem de acabar o forró, senão aderir a ele.
     A primeira vez que se ouviu falar em voto no Brasil, foi em 1532. O fato aconteceu na vila de São Vicente, litoral paulista, onde a votação tinha o objetivo de eleger o Conselho Municipal. Após a Independência, 1822, o Brasil precisava se arrumar como império independente perante outras nações. Tornava-se, portanto, necessário elaborar sua constituição. Os sabidos imaginaram como excluir do processo, os pobres e os portugueses. Foi dentro dessa astuciosa manobra que foi criada a Constituição que recebeu nome popular de Constituição da Mandioca. Por ela só poderia votar quem tivesse uma renda equivalente a 150 alqueires de farinha de mandioca. Esse tipo de votação, apenas assegurava o poder nas mãos da aristocracia. O período colonial e imperial foi marcado por muitas fraudes e gritantes escândalos eleitorais. Já no período republicano, o voto para presidente teve início com a Constituição Republicana de 1891. Assim foi eleito para dirigir o país, Prudente de Morais. Relatam-se inúmeros casos de fraudes e votos de cabresto na chamada República Velha, vulgo dado ao período da história do Brasil que vai do final do império a 1930. Aliás, o voto secreto e o voto feminino foram permitidos somente na década de 30.
     Atualmente todos votam: mulheres, jovens, adultos, analfabetos, pobres e ricos. Continuam, entretanto, os defeitos que partem do próprio eleitor e candidato e não mais exclusivamente das leis. No geral, o rico vota em troca de favores; o pobre em troca de dinheiro e o médio por pedidos e amizade. Acima deles paira o viciado PhD na psicologia do voto. Como a área da conscientização é mais lenta do que o bicho preguiça, permanece a loteria do eleito bom ou ruim. O que esperar para breve, então, se grande parte da populaça quer apito? É com o domínio desse conhecimento que eles permanecem no poder, pois, dificilmente um novato de boas intenções consegue ultrapassar a barreira da malandragem. A parte consciente dos eleitores se sente feliz quando um desses campeões consegue o impossível. A decepção, entretanto, logo emerge porque aquele que representava a esperança foi contaminado e passa a fazer parte do bloco dos sujos. Incorpora-se ao ditado dos maus que dizem que “água limpa não cria peixe”. Infelizmente é assim que funciona.
     Bem que o cabra corajoso foi para acabar a festa, mas a zoada, meu amigo, era O FORRÓ DE LAMPIÃO.


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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O PORQUINHO

O PORQUINHO
(28 de setembro de 2010)
     Em Santana do Ipanema, morou a família Panta, cuja pessoa mais conhecida era o Zé Panta. Moreno alto, forte, humorista de situações, o Zé trabalhava no DNER, órgão federal, hoje, com o nome DNIT. Muitas passagens divertidas já foram contadas a respeito desse exímio tocador de violão. As irmãs que moravam no Bairro São José, vendiam flores naturais do próprio jardim. A casa em que moravam foi demolida recentemente, onde surgiu a construção de nova residência. A última vez que ouvi falar do aposentado e violonista foi que o homem continuava morando em Maceió. Contou-me certa feita seu amigo de repartição Ermídio, que um engenheiro residente fizera boas amizades com os funcionários, em Santana. Depois o engenheiro foi morar na capital, deixando somente boas lembranças na “Rainha do Sertão”. Zé Panta, porém, indo a Maceió, lembrou de levar um presente para o ex-chefe. Preparou um bacorinho vivo e bateu à porta do engenheiro. Conversa animada vai, conversa animada vem, porquinho debaixo do braço. O engenheiro disse que não levasse a mal, mas não dava para aceitar o presente ofertado com tanta gentileza, porque ele estava vendo, morava em apartamento. Centros, fotos, cortinas, jarros... Enquanto isso, bacorinho estressado, grunhindo, querendo correr. Panta não se deu por vencido, despediu-se do amigo, desejou boa sorte e na hora de saída jogou o porquinho dentro do apartamento arrumado, dando o fora com passos de sete léguas.
     É notório que as religiões pregam “fazer o bem sem olhar a quem”. Não se pode dizer que é fácil realizar essa máxima porque a maioria dá com a mão direita para receber com a esquerda. Mas existem pessoas ─ e não são poucas ─ que trazem no sangue o prazer de servir. Conheci muitas dessas criaturas iluminadas que nada pediam em troca e ainda abençoavam de coração ao beneficiado com o “vá com Deus” de quem tem amor e só amor dentro do peito. Mas tem uns que servem, chicoteiam, desconfiam e tornam-se carrascos. Fazem lembrar o que estava na prisão por não poder pagar. Pede misericórdia é e atendido. Uma vez solto, vai cobrar do seu devedor que ainda não pode lhe quitar a dívida e ameaça-lhe bater e matar. Quer misericórdia, mas não oferece misericórdia. Outros querem só o benefício, mas nunca agradecem por causa da amnésia ignóbil que os guiam. Jesus curou quantos cegos? Quantos vieram agradecer? Muitos calam até diante de um elogio, de uma flor oferecida, de um copo d’água diante de tanta sede. Esgalhados faveleiros que não dão sombra nem encosto, deselegantes com pomares generosos. Dizia um político alagoano: “O pior defeito do homem é ser ingrato”. Por outro lado, muito mais virtude tem o que serve e logo em seguida esquece que serviu. Agradecer, por menor que seja o ato cortês, é bom e Deus gosta. Mesmo que seja um agradecimento embaraçoso como o de Zé Panta e seu PORQUINHO.


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domingo, 26 de setembro de 2010

DOIS RIACHOS

DOIS RIACHOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de setembro de 2010)
     Conheci a antiga cidade de Dois Riachos como estudante passageiro da Viação Progresso e depois como pesquisador do IBGE. O que eu admirava nessa cidade sertaneja alagoana, era a larga avenida de terra que terminava na ponte sobre o afluente do Ipanema. Outra coisa era o fato de, mesmo naqueles tempos mais difíceis, já existir uma hospedaria na mesma avenida, o que significava para mim progresso e boas-vindas. Situada em ponto estratégico, a cidade, desde o seu nascedouro, sempre foi uma espécie de elo entre a cidade polo de Santana do Ipanema e a novata Major Izidoro (antiga Sertãozinho) que prosperava baseado na sua agropecuária. A força da atual cidade de Dois Riachos veio do campo, ganhando robusteza com a construção da BR-316 que desenhavam seu contorno e expansão. Ainda hoje o antigo povoado Garcia conserva com orgulho a ponte antiga, ainda útil, museu a céu aberto, cheia de histórias para contar. O nome Garcia vem de um córrego que assim era denominado, mas agora com o título de Dois Riachos, homenageia a corrente de significativa largura, cheias e cacimbas que tanto beneficiaram o valoroso município.
     Quem nasce em Dois Riachos é riachense. E os riachenses mostram ao mundo inteiro algumas atrações da sua terra. Vale à pena conhecer a Pedra do Padre Cícero, às margens da BR-316, uma igrejinha sobre um bloco de granito que arrebanha multidões para a sua festa anual. A localidade Pai Mané, afastada do centro, mostra um imenso açude, classificado entre os maiores do estado, construído no governo Vargas. Hoje é importante ponto de lazer com barzinho, balneário e pesca, inclusive com um casario que vai formando rua. Sua feira de gado, realizada as quartas, jamais foi superada por outra na região e surge como a segunda do Nordeste. De certo tempo até hoje, a cidade tem realizado anualmente uma vaquejada que atrai pessoas de muitos estados e já se tornou lugar de encontros do mundo vaqueiro e ponto de políticos importantes de Alagoas. E como se não bastasse, tudo isso é coroado com os festejos de padroeiros que atraem habitantes de Sertão e Agreste.
     Hoje encontramos uma cidade que procura se modernizar, cujos filhos frequentam as universidades e retornam para relevantes prestações de serviços ao antigo Garcia. E sendo ali a terra da jogadora de futebol, Marta Vieira Silva, imaginem a satisfação quando falamos sobre o assunto com os seus moradores. E por falar nisso, uma faixa na entrada da cidade, informa aos visitantes sobre sua filha ilustre. Temos informações que ali andou o cangaceiro Corisco, em 1936, fazendo algumas estripulias, mas as informações ainda são muito escassas. Acho sim, que essa dinâmica e simpática cidade merece muito mais de que essa crônica escrita com tão boa vontade. Afinal, o Sertão deve muito aos DOIS RIACHOS.



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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

HURRAS E TURRAS

HURRAS E TURRAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 24 de setembro de 2010)
     Mais uma vez o senhor Mahmud Ahmadinejad, rouba a cena em reunião da ONU. O homem baixinho, barba rala, quando abre a boca pouca gente aguenta as besteiras pronunciadas, esteja onde estiver. Há pouco, o presidente causou uma revolta mundial após dizer que o holocausto fora apenas uma invenção. Não quer acordo nenhum a respeito do enriquecimento de urânio, como se o Irã não pertencesse a esse planeta. Disse ainda que vai varrer Israel da face da terra e, agora, fala na ONU que o onze de setembro foi trama do governo americano. Aonde quer chegar o senhor Mahmud? O homem é convidado para um acordo e chega com palavras ofensivas e abomináveis parecendo coronéis do sertão disputando terras. Em quem confia esse tolo do poder iraniano? Será para desviar atenção do seu povo sofrido para as bravatas que só o conduzem para um emaranhado crescente? Fizeram muito bem, as delegações dos Estados Unidos e da União Europeia, ao se retirarem da reunião depois dos vilipêndios do senhor Ahmadinejad. Lá fora do prédio, protestavam os ativistas de organizações de direitos humanos. A Assembleia Geral da ONU, apesar de tão desgastada, ainda é uma coisa muita séria devido às representações de peso que a sustentam. O Irã cada vez vai-se enrolando mais na teia estendida pelo próprio presidente. Já sabemos de sobra, aonde vai desaguar a intransigência de Mahmud.
     Pelo Brasil fala o inteligente Celso Amorim com a posição já definida do Brasil. Quer que o mundo não corra o risco de uma guerra com o Irã e, insiste no diálogo. Como haver diálogo, camarada, com palavras ásperas e intoleráveis? E o chanceler vai tentando costurar aqui, acolá, querendo por remendos novos em roupas velhas. Pula do eixo e vai pedir reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil pretende uma vaga permanente, é verdade, mas não é defendendo Ahmadinejad que vai conseguir. Prossegue o chanceler brasileiro repudiando o bloqueio comercial a Cuba, pedindo a volta de Zelaya ao poder, solicitando ajuda para a África e o Haiti. Se o chanceler procura simpatia por qualquer tipo de causa, não pode escorregar na própria competência de dizer as coisas no momento errado. Menino não pede dinheiro ao pai ao notá-lo irritadiço. Quando o velho está feliz, sorridente, satisfeito, é que o garoto chega perto e assegura o trocado. Crianças também ensinam.
     Prosseguem os desentendimentos no mundo porque esse planeta é misturado mesmo. Os civilizados estão no meio dos bárbaros. A pedra lascada também está no século XXI. Ignorância, ódio, tirania, fazem parte dos sentimentos baixos, mas caminham juntos ladeando a sabedoria, o amor e a liberdade. Tudo faz parte da evolução humana e seus sucessivos aprendizados. Quem existe na Terra vai convivendo entre o divino e o infernal, no equilíbrio difícil, desafiador, cansativo que contrapesa os homens. E enquanto os humanos se beijam e se escoiceiam, as nações fazem a mesma coisa entre HURRAS E TURRAS.


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O MESMO SACO

O MESMO SACO
(Clerisvaldo B. Chagas, 23 de setembro de 2010)

     Foi uma boa ideia esse negócio de deixar o carro em casa por um dia. Aqui mesmo no Brasil, com a melhora do poder monetário, a aquisição do carro próprio se tornou uma febre. E quem não quer tornar realidade o sonho básico do trabalhador: emprego, casa e carro? O negócio é que a casa não sai do lugar. Quando surgiu o primeiro carro de Alagoas, ninguém tinha nem de longe, o pensamento de que Maceió iria se tornar tão pequeno para a quantidade de veículos. Inúmeras ruas foram alargadas, mangues aproveitados, novas avenidas abertas ligando bairros e mais bairros. O exemplo de socorro mais conhecido foi a via expressa e que agora também grita pelo mesmo socorro, pois está quase igual à Avenida Fernandes Lima. O número de veículos incorporados mensalmente ao trânsito está causando dor de cabeça com constantes engarrafamentos em todos os lugares. Mas cadê um sistema de transporte coletivo de qualidade? O drama antigo permanece para quem não dispõe de veículo particular e para quem quer fazer a experiência plural. Os ônibus continuam poucos, lentos, lotados, irritando o usuário que passa até quarenta minutos nos pontos de espera. Mesmo esse transporte sobre trilhos que estão aguardando, não vai resolver o problema da ganância das empresas que continuam vencendo o duelo com as autoridades em detrimento à população. É uma vergonha o que acontece na “Cidade Sorriso”.
     Quando os nossos olhares se voltam para a “Capital do Sertão”, proporcionalmente ainda é pior. Falamos sobre o assunto há pouco, mas mostrando apenas uma parte da solução dos problemas. A última pessoa que abriu novas ruas e avenidas em Santana foi Adeildo Nepomuceno Marques, prefeito por três vezes e carreira encerrada em 1977. Há trinta e três anos não se abrem novas avenidas, ruas ou travessas em Santana. A quantidade exorbitante de veículos já não cabe mais no centro da cidade, tornando os bairros Monumento, Camoxinga e o centro, uma verdadeira bagunça, principalmente no primeiro horário. Além de sugestões dadas antes, podemos acrescentar inúmeras indenizações em lugares estratégicos para novas e urgentes travessas para escoar o trânsito imprensado e doido. Os homens que mexeram com a estrutura da cidade, prefeitos Adeildo e Ulisses Silva, já partiram. Será que os últimos gestores estão aguardando a volta de ambos? Até quando Santana continuará sem construir um só beco, com a derrubada de uma casa velha repleta de morcegos? Ora, se as forças organizadas não tomam decisão nenhuma, para não melindrarem “a” ou “b”, então, que organizações submissas e fracas são essas? Você, amiga, você, amigo, já viu gestor trabalhar sem pressão? Enquanto se fala mal de governos, a própria sociedade tira o corpo ou não faz o papel que deveria. É tão culpada quanto o gestor do seu município ou do seu estado. E se vocês são de outra cidade e querem fazer um trabalho com seus alunos sobre o caos no trânsito, mande-os a Santana, lugar onde todos estão no MESMO SACO.

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

UM RIO MACHO


UM RIO MACHO
(Clerisvaldo B. Chagas, 22 de setembro de 2010)
     Em janeiro de 1986, realizamos uma viagem de estudos e aventuras pelo rio Ipanema. Primeiro, saímos de Santana a pé, até a foz, em Belo Monte. Depois fomos de automóvel até as nascentes, em Pesqueira, Pernambuco, e de lá descemos também a pé, até Santana. Da primeira viagem participaram quatro pessoas: Clerisvaldo, João Quem-Quem, Benedito Pacífico e Wellington Costa. Em Batalha, o comerciante Benedito (Biu), retornou. Após três dias, chegamos ao destino. Quando fomos para a segunda viagem, o radialista Wellington, havia ido embora para Sergipe. Benedito, não quis enfrentar. Eu e João fomos levados às cabeceiras pelos santanenses conhecidos como Cecéu, Zé de Pedro e Ivan Caju. Dali, desci o rio com João Quem-Quem durante três dias. Foi assim que surgiu o livro “Ipanema, um rio macho”. Com as dificuldades de sempre, o livro ficou engavetado. Nesse ínterim, faleceram Wellinton e Benedito. Resolvendo agora desengavetar o “Ipanema”, vim a Maceió lapidá-lo e fazer orçamento. Não queria gerar expectativa como a História de Santana (que está quase saindo). Pensava divulgar a publicação após o acerto de prazo com a gráfica e a fixação do dia de lançamento. No seu manuseio, mostrei a uma pessoa daqui a figura de João do Lixo que numa foto está à porta do restaurante onde tudo teve início (página 30). Hoje, dia 21, vejo com surpresa sua foto no Portal Maltanet, que diz sobre o seu falecimento. Fui obrigado, então, a falar do que seria uma surpresa. João ganhou o apelido por ter trabalhado na caçamba de transporte de lixo da prefeitura local. Depois resolveu abrir um luxuoso restaurante à Rua Delmiro Gouveia, mas conservou o apelido no estabelecimento: “Restaurante João do Lixo”, o que causava estranheza aos visitantes. João era casado com Salete Nobre, pessoa de família tradicional e de alto gabarito aí da nossa terrinha querida.
     O livro “Ipanema, um rio macho”, é um documentário, um paradidático que complementa a história do município. Tudo, absolutamente tudo que você queria saber sobre o rio, está ali escrito. Dividido em três partes, na primeira o autor descreve a natureza, quando o rio é dissecado das nascentes a foz. Tabelas, fotos e mapas enriquecem o trabalho do leitor exigente. A segunda parte fala do social influenciado pelo Panema. A terceira é um diário de viagem detalhado que, tanto diverte quanto impressiona. Daria um filme muito bom. Para brindar ainda mais o leitor, apresentamos a peça teatral aconselhável para adultos: “Sebo nas canelas, Lampião vem aí!” A referida peça acha-se dividida em três atos e temos certeza que fará sucesso nos teatros do país inteiro.
     Publicar livros no Brasil, já dizia um escritor, é aventura. Com certeza esse livro pequeno, de apenas sessenta e duas páginas e trinta fotos, tornar-se-á um dos documentos mais significativos, procurado e pesquisado de Santana, juntamente como complemento ou não de “O Boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”. Para não esquecer, o compêndio traz a capa do artista plástico, Roberval Ribeiro e apresentação do escritor Marcello Ricardo Almeida. Malta e João do Mato, “Primo Vei”, estão convidados para uma articulação com UM RIO MACHO.


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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

AS TRÊS RAPOSAS

AS TRÊS RAPOSAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2010)
     Faltando apenas dois dias para o início da primavera, o Sertão alagoano ainda vai deixando a frieza de inverno pelas noites serenas. Tendo iniciado este ano com atraso, a estação das águas descontou durante julho e metade de agosto. A região continua verde, açudes e barreiros cheios e ainda lençóis reforçados sob telhas de barros dos sítios e da cidade. É nessa ocasião transitória, quando as ruas ainda cedo ficam desertas, que aparecem os contrastes. O homem se recolhe em seu lar, mas os carros de som infernizam pelo lado de fora, ferindo-lhes os ouvidos, querendo forçar uma suposta pega na abertura. Dentro desses últimos quinze dias que restam para as eleições, futucar as pessoas dia e noite com a vara de som, é missão mesmo do cão do inferno que não tem quem aguente. Quem quiser que pense em passar das seis horas no quentinho da cama! Nem adianta gritar para o camarada do volante com o pescoço espichado na janela. Se o peste ouvir, talvez consiga responder: “Homem, me deixe ganhar o pão dos meninos!” E o badalo dana-se no mundo repetindo trezentas mil vezes o nome do candidato. Durante a noite, do mesmo jeito. Se não escolheu ainda o tal candidato, negão, o badalo vai cantar no seu pé de ouvido até altas horas da noite. A festa da democracia é bonita, mas o negócio, amiguinho, é o abuso. Os que entram no processo querem porque querem arrancar a opinião favorável através do grito. Mesmo assim vamos tentando segurar a paciência até o dia da verdade que também muitas vezes não é tão verdadeiro assim.
     Estamos diante de uma batalha ferrenha. Para governador, lutam na arena três raposas bem vividas, que procuram justificar a excelência do mamífero canídeo. As raposas estão espalhadas pelo mundo inteiro. Tanto aparece no norte quente da África, quanto no gelo medonho do Canadá. Descobriram nesse animal o dom da esperteza e da malícia. Raposa come quase tudo: coelhos, lebres, ouriços, aves, peixes, frutas. Tudo o que sobra vai guardando em esconderijos que chegam a vinte, sem esquecer-se de nenhum deles. Não achando o que comer por onde anda, vai rondar as casas da área rural e urbana. Quer dizer, vai mesclando a sua dieta entre frutas, carne vermelha e carne branca, recomendada pelos médicos. Sabe ou não sabe das coisas? Pois bem, vimos, então, que a raposa guarda até em vinte esconderijos. Eles guardam em muito mais. Elas comem muitas coisas. Eles levam tudo. Raposas procuram as tocas, os galinheiros... Eles procuram os cofres. E no final de tudo, o pasto deles somos nós, deglutidos esperneando ou não. Meu amigo é livre, pensa como quer. Mas nessa batalha não haverá vencedores nas multidões. Só ele será o vencedor: a raposa mais escolada do tripé. Vamos às urnas cumprir em Alagoas o destino da canga. Vai ser assim com a filharada das pradarias e as TRÊS RAPOSAS.


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domingo, 19 de setembro de 2010

PADRES-NOSSOS

PADRES-NOSSOS
(Homenagem aos tropeiros)
(Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2010)
Para a sensibilidade de Primo Véi, Neilda, Malta, Valter, Sérgio e Fábio Campos, Henrique, Zé Ormindo, Davi Chagas, Remi, Marcelo Almeida e Alberto Pereira.

     Lá vamos conduzindo cargas pelos ínvios caminhos das caatingas. Notícias transmitidas em lombos de burros, parte integrante de rapaduras, tecidos, cereais... Aguardente. Sol a pino dardejando na imensidão anil; serras distantes, pequenas, azuladas na curvatura do horizonte. Namorar de guaribas, urros de canguçu, zumbidos de abelhas. Aqui o trotear compassado da burrama, ali o espalhar das águas dos riachos cristalinos. A sombra da quixabeira, os brancos/cinzas dos saquins nas verdes copas. Quebradas, alcantilados grotões, longas travessias de solitárias cores. Soluços de fogo-pagou nos galhos retorcidos, cobertos pelos incisivos estalos do burinhanhém. Rãs nas pedras escuras espiam o movimento da ribeira. Camufla-se a jiboia no pedregulho, salta o mocó no lageiro branco e o preá eriça o ralo bigode no túnel da macambira. O mandacaru é soldado do exército brasileiro em sentinela. A cana de taquara forma corneta para o atalaia dos sertões. Risca a tropa no alto da colina onde o juazeiro acena. É feito o acampamento entre pedras roliças de choroso olho d’água com pestanas de relvas.
     A tropa liberta-se, pisa o chão e come o prado. Mão invisível vai manchando o infinito de amarelo, encarnado, nos pés dos alvos cirrus que desenham rostos; de quem, de além, de ninguém. Parece que na derradeira pedra do serrote (a mais torneada, a mais formosa, a mais mulher) tocam as ave-marias no entrelaçamento com os facheiros. Os burros corcoveiam, vacilam, deitam próximos ao dono, desconfiados com os felídeos. Longe das unhas afiladas e retráteis da jaguatirica. Após a oração, a natureza põe um véu, negro e transparente, em seguida usa o tecido encorpado que encobre a cena. Queimam os gravetos no fogo de chão. Vê-se um faiscar, um reluzir, um brilho intenso que sai da boca da noite. Radiosa estrela que rir, pulsa, jorra felicidade; esperança doce, serena, aconchegante anjo noturno salvador de almas. Tisna o amarelo. Infla e sobe a orgulhosa baronesa elegante em prata. Deus ilumina com esplendor a solidão do peito. Espreme-se a saudade, a frustração rompe a camisa, queima o rosto de fogo, derrama-se o amor fugidio:

“Os zóio da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse há mais tempo
Não amava quem amei...”

     Olhos cerrados, pensamentos contam estrelas. Avança a noite. Só o cricrilar nas ranhuras do terreno perturba a paz do elevado. A coruja caça, o rato dispara, o bacurau ausculta. Quando a Papa-ceia sinaliza, a burrama levanta. Hora de enfrentar muitas léguas de chão.

“Ê tropeeeeiro...
Vai partir de madrugada
Não vê mais a sua amada
E amanhece o diiiiaa!...”

     ─ Êêêiii! Vamos simbora amigos, terminou as ave-marias, agora vamos para os PADRES-NOSSOS.






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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O CASO DA MANTEIGA

O CASO DA MANTEIGA
(Clerisvaldo B. Chagas, 17 de setembro de 2010)
     Você já ouviu falar até demais que “o pão do pobre somente cai levando a manteiga para baixo” (pelo menos quando tem manteiga). Para confirmar, também existe a expressão chula, aquela que diz que se fezes tivesse valor o pobre nasceria sem a parte polêmica do aparelho digestivo. Quando o agrônomo doutor Otávio Cabral, veio para Santana do Ipanema, pelo governo da época, aqui fez uma verdadeira revolução na agricultura. Para fomentar o algodão no Sertão alagoano, trouxe o arado, uma coisa desconhecida para todos e, a vontade de fazer progredir a lavoura diante de seus conhecimentos adquiridos em terras distantes. As novas técnicas agrícolas foram mostradas e aprendidas bem como as discutíveis cercas de arame farpado. Nas décadas de 1950-60, virou moda no sertão o plantio do avelós, também chamado labirinto. Planta da família das euforbiáceas (Eufhorbia tirucalli), originária da África. Antes as terras não tinham cercas. Os marcos entre as diversas propriedades rurais quase sempre eram os acidentes geográficos como rios, riachos, serras e serrotes. Alguns fazendeiros, porém, usavam mestres escravos peritos em cercas de pedras, obras de arte que ainda hoje causam admiração. (TCC do Curso de Especialização do autor: Negros em Santana). Com o sistema generalizado de estacas de madeira e arame, implantado pelo doutor Otávio, ficaram as propriedades cercadas, mas transparentes. Quando chegou o avelós, os fazendeiros iniciaram esse plantio nos pés das cercas e em toda a extensão das fazendas resguardando-as dos olhos de quem passava nas estradas. Criou-se aí outra especialidade ingrata que foi a de aparador de labirinto. O cidadão trabalhava com máscara e óculos, pois o avelós produz uma substância leitosa e farta que provoca a cegueira. Os mestres eram poucos por causa dos perigos apresentados, numa época em que prevenção e direitos trabalhistas ainda eram coisas raríssimas nos sertões nordestinos. Ainda existe uma família na região de Santana conhecida pelo apelido de “Labirinto”, graças ao cidadão que ficou conhecido como “Sebastião Labirinto”, falecido há pouco tempo no Bairro São José.
     A partir, aproximadamente dos anos 80, os próprios fazendeiros foram erradicando a Eufhorbia tirucalli, voltando às cercas ao normal, deixando que o viajante pudesse contemplar, toda paisagem das cercanias. E agora, nesse início de século, vão surgindo notícias sobre pesquisas com o avelós e seus encaminhamentos para a indústria. E o diabo da planta que só prestava para cegar as fazendas e os homens, vai virando matéria-prima para cola e outros produtos de alto valor no mercado. Hum! Os bovinos gostavam do seu abrigo durante inverno e verão, mas os casais clandestinos tinham muito que contar. Durante o inverno a parte de baixo do avelós era sempre enxuta e quente. Dava para arriscar um olho! E esse danado que nada valia que fez o pobre arrancá-lo com raiz e tudo, começa a ser procurado e irá valer bastante dinheiro. Será que você ainda não acredita no ditado chulo do povo? É o mesmo CASO DA MANTEIGA.


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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA

ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de setembro de 2010)
     Quando o visionário padre Francisco José Correia de Albuquerque fazia um sermão na, hoje cidade de Poço das Trincheiras, emudeceu de repente e se concentrou. Diante da multidão apreensiva, o padre voltou a falar dizendo logo que naquele momento estourava uma revolução no Recife. Foi essa revolta que ficou conhecida na história como A Revolução de 1817. Muitos foram os episódios ocorridos em Alagoas a favor do levante e depois, contra os revoltosos. Ao terminar o conflito, D. João VI, resolveu premiar Alagoas e castigar Pernambuco, tornando Alagoas independente do vizinho do norte, através do decreto de 16 de setembro de 1817. Pelo decreto Alagoas ganhava a posição de capitania independente com um governador nomeado, Sebastião de Mello. Já em 12 de janeiro de 1818, foi publicado outro decreto ratificando o primeiro.
     Diz o historiador Moreno Brandão que nessa época, Alagoas não era muito adiantado, mas também atrasado não era. Sua avaliação progressista era feita pelo número de igrejas e freguesias. Alagoas contava com as vilas: Penedo, Alagoas, Porto Calvo, Atalaia, Poxim, Anadia, Porto de Pedras e Maceió. Como freguesias funcionavam Alagoas, Porto Calvo, Penedo, Sana Luzia, Poxim, São Miguel, Colégio, Atalaia, Pioca, São Bento, Camaragibe, Palmeira e Anadia. Mesmo quinze anos antes de se tornar capitania independente, havia carta falando da situação de Alagoas. Penedo tinha como seu território Porto da Folha (Traipu) e Águas Belas (Pernambuco). Contava com seis mil fogos e quase trezentas fazendas de criar, muitos engenhos e vastas lavouras de algodão. A vila de Poxim tinha seis mil e quinhentos habitantes que viviam do corte de madeira, lavoura de algodão e do criatório de bovinos. Atalaia tinha cerca de mil e quatrocentos fogos, algodão, madeira e comércio de ipecacuanha-preta. Alagoas, Santa Luzia do Norte e Pioca, teria de cinco a seis mil fogos e mais de sessenta engenhos de açúcar, lavoura do algodão e indústrias domésticas de azeite de rícino. Porto Calvo, São Bento e Jacuípe, tinham cerca de seis ou sete mil fogos. Ali se contava cento e vinte engenhos. Supõe-se que a mais importante atividade econômica fosse à extração da madeira. Ainda havia na capitania nova, muitas outras lavouras, inclusive a de fumo, bastante lucrativa. Pequenos estaleiros espalhavam-se pelo litoral e rios de todas as terras.
     Foi diante desse quadro que foi empossado o seu primeiro governador a 22 de janeiro de 1819, Sebastião Francisco de Melo Póvoas que desembarcou em Jaraguá em 27 de dezembro de 1818. Nomeado por três anos, o governador ficaria depois até que fosse indicado o seu substituto. Na época de posse do primeiro governador de Alagoas, Santana, no Sertão alagoano, era um simples povoado com o nome de Sant’Anna da Ribeira do Panema, pertencente a Porto da Folha (Traipu). São 193 anos de Emancipação Política. ALAGOAS, UM OLHAR NA HISTÓRIA.
Adaptado de: Brandão, Moreno. História de Alagoas. Penedo, Artes Graphicas, 1909.
Obs. Cortesia para o (a) amigo (a): Fogos = lares, casas de família, residências.
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

ENFEITANDO O MARACÁ

ENFEITANDO O MARACÁ
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de setembro de 2010)
     Com o assassinato do jornalista Líbero Badaró, em 1830, a política do país pegou fogo, principalmente em São Paulo. Entre as disputas acirradas de governistas e oposicionistas, ainda havia as questões de prestígios e posicionamento de portugueses no Brasil e brasileiros. Os ricos oposicionistas souberam usar com eficiência as classes populares como instrumentos de pressão, provocando a renúncia do imperador D. Pedro I, em 7 de abril de 1831. Quando D. Pedro deixou o país, as classes ricas assumiram o poder e logo trataram de afastar os representantes das classes populares. Com esse movimento planejado das classes ricas de oposição ao imperador, um líder mineiro liberal chamado Teófilo Ottoni, fez um pronunciamento. Disse ele que o dia 7 de abril teria sido o dia dos enganados. A luta do povo havia servido apenas para levar os ricos ao poder. Sendo mais explícito, o povo serviu apenas de massa de manobra para as elites.
     Na época da abdicação do imperador D. Pedro I, vamos encontrar Alagoas já na condição de província independente de Pernambuco. Particularmente no Sertão, Santana ainda era povoado e tinha o nome de Sant’Anna da Ribeira do Panema. Também naquele momento, um dos dois fundadores de Santana, padre Francisco José Correia de Albuquerque, fazia parte do Conselho Geral da Província. O povoado só veio a mudar de nome, cinco anos após a abdicação do imperador, passando por lei a condição de povoado freguesia, 1836, com a nova denominação de Sant’Anna do Panema.
     Passados os cento e setenta e nove anos da abdicação de Pedro e do pronunciamento de Badaró, encontramos na propaganda política atual, a mesma tática usada pelos oposicionistas do império. Cada facção elitista, tentando desesperadamente ganhar ou continuar no poder através de duas coisas somadas. Utilizar o povo como massa de manobra para repelir os ferrenhos adversários. Uma vez no poder, o afastamento total do proletariado. E para garantir a eficácia da propaganda, por via das dúvidas, entra em cena o dom cativante do dinheiro público. De uma maneira ou de outra, o pobre estar roubado. Só as elites dispõem da máquina de fazer governos. Quando a regra geral é quebrada, caracteriza-se a exceção. Por tudo isso, vemos que os políticos do século XXI não inventaram a roda. Pelo contrário, nela se mantêm equilibrados com a bagagem quase bicentenária de aprendizado. Existe uma diferença que pode ser notada. É que antes a briga era só pelo poder, agora é também pelo vil metal que seduz muito mais de que a mais bela e sensual das mulheres. A maciez e o aroma dos papéis diferentes, sua persuasão no meio social, induzem as mais diferentes loucuras que degradam e escravizam o homem. Mas quem quer saber disso, companheiro? O amanhã é depois. Certamente eles não sabem, mas depois do amanhã, estarão de volta para a mesma tentação de hoje. Quanto aos planos de ludibriar as massas e semear o “cacau”, passo a palavra a uma velha raposa do ramo: “É assim que vamos ENFEITANDO O MARACÁ”.


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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

EMPRESTAR LIVROS

EMPRESTAR LIVROS
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de setembro de 2010)
     Uma coisa prazerosa é emprestar livros. É prazerosa porque estamos ajudando a divulgar conhecimentos, educando, conduzindo o outro para caminhos novos e benfazejos. Da mesma maneira, amigos nos emprestam livros e vamos trocando impressões daquele tema que por certo puxam outros, formando um relacionamento sadio e elevado. Quanto custa um bom livro? Um bom livro não tem preço. Uma fonte de divertimento, sabedoria que acalma, faz refletir e incentiva ao bem, de fato não tem preço. Lembro que muitas vezes enchi a mala do meu carro de livros para fazer doações. Servi tanto a coletividades urbanas quanto rurais com muitos livros de diversos títulos. Lembro até que uma aluna me convidou para ir a sua casa me mostrar um amplo espaço onde morava, porém, de uma pobreza extrema. A sua intenção, contudo, era fundar uma biblioteca ali para servir aos estudantes da sua rua. Deixei muitos livros também em sua residência. E o que não se faz por um bom livro? Durante a organização de uma biblioteca em certa escola, chegou um livro velho cujo dono o tinha jogado ao lixo. A esposa trouxera junto com outros para formar a biblioteca. Descobrindo o seu valor antes do cadastro, propus e foi aceita a oferta de vinte livros em troca daquele único. Assim fiquei com o livro raro “Água do Panema”, romance do escritor santanense Oscar Silva.
     Nessa movimentação cultural e salutar, sempre existem também aqueles que cultivam hábitos não recomendáveis. Levar e não devolver o empréstimo. A boa vontade de quem empresta até um simples livreto é tanta que nem sequer fica anotado. Pois o elemento leva o livro e esquece-se de devolver. Perdi muitos assim, verdadeiras preciosidades que desfalcaram a minha estante. (Água do Panema foi um deles). Existe também aquele que gosta tanto do livro que quando você lembra e cobra, ele inventa que perdeu e oferece outro diferente como indenização. O dono das coleções vai ficando mais esperto com esse tipo de favor sem responsabilidade. É certo que é uma coisa, aparentemente insignificante, mas quem tem seus compêndios é como se tivesse ouro. Todos merecem a leitura, mas levar e não trazer de volta faz cismar o dono das relíquias. Certa feita, durante o recreio em determinada escola, fiz inocentemente a propaganda de um livro que ninguém sabia que valia alguma coisa. Estava lá ocupando um lugarzinho esquecido na estante. No dia seguinte, fui procurá-lo novamente para mostrá-lo a meus alunos. O volume havia sido descaradamente roubado. Suspeito havia, mas como provar? “Geografia da Fome”, de Josué de Castro, deve estar até hoje como troféu desse alguém que nunca teve princípios. Entre os chamados pelo povo de adágio, ditado, máxima, dito, provérbio, frase feita, sabedoria popular e outras denominações, estão os versos:

“Quem empresta
Não presta
Triste do livro
Que se empresta”.

Você estar vendo, nobre leitor (a), que a estrofe não é nenhuma excelência, mas a sabedoria popular quase sempre transborda verdade. E aproveitando o ditado da hora, é muito complicado EMPRESTAR LIVROS.


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domingo, 12 de setembro de 2010

MOÇA-BRANCA

MOÇA-BRANCA
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2010)
     No tempo do coronelismo, a força predominante era a da Guarda Nacional, criada pelo desespero e sede de poder do padre Diogo Feijó. Desconfiado das Forças Armadas, Diogo organizou suas próprias forças em todo território nacional, sendo no Nordeste com os fazendeiros e suas cabroeiras. Em tempos de eleições, raras vezes o candidato governista perdia. Os fazendeiros mandavam seus capangas piquetar às estradas e só passavam eleitores da situação, imediatamente identificados. Resistir significava apanhar ou virar defunto no retorno a casa. Após essa fase maior da truculência, o bacamarte foi substituído pela outra face do coronel que era a da simpatia envernizada. Ao invés da presença ostensiva da carabina, os donos do “gado” resolviam agradar o eleitor com presentes e almoço ou na casa-grande ou em casas de amigos nas vilas e cidades. O prestígio do coronel era traduzido em número de bois abatidos, fato que virava festa onde o matuto comia até tinir a barriga. Para as mulheres, os coronéis chegavam com vestidos, calçados e sombrinhas. Os homens ganhavam chapéu, botinas e, às vezes, liforme completo. Com o controle flexível sobre os votos, por parte dos mandantes, o eleitor pelintra comia e arranjava mais presentes nas casas de outros candidatos. A prática de fornecer alimentos e presentes aos eleitores também acabou sendo proibida por lei. Essa lei, entretanto, não foi cumprida imediatamente. A multidão que se formava defronte a residência indicativa do cheiro de boi na panela, ainda levou certo tempo para se acostumar. Os coronéis que já haviam usado os dois métodos de conquista partiram, então, para o terceiro modo, o que perdura até os tempos presentes: dinheiro vivo na mão. Até os últimos dias das urnas convencionais, um ditado ainda vagava nos lábios dos eleitores mais antigos, partidários eternos da situação: “Governo é governo”.
    A prática da compra de votos com dinheiro vivo é, sem dúvida, a mais eficaz, mesmo subtraindo os calotes levados pelos compradores. Essa terceira experiência foi dividida em duas partes. Na primeira, o ato da compra era realizado às escondidas e amparado pelas sombras das madrugadas. Agora, na segunda parte, tudo é feito às claras, em qualquer lugar, a qualquer hora. A pobreza e muitos cabras de peia recebem no mercado de carne, na feira das galinhas, nos pontos de carroças... E o que não falta no presente é testemunha. Quando um distribui de cinquenta, outro distribui de cem. E quando as autoridades são coniventes, dizem, recebem de maços. Esses costumes estão arraigados nas cidades, vilas, povoados e sítios do interior do Nordeste. Mas falam que também acontecem nas capitais e mesmo nos grandes centros de São Paulo e do Rio de Janeiro. Vai surgindo assim um novo tipo de democracia, material farto para os sociólogos e suas teses nacionais. Finalmente, cada freguês vai fazendo os cálculos da sua botada nos candidatos. Para a mãe cheia de filhos pequenos, a azuladinha dá para o leite da semana; fazer o quê! E para a felicidade do “pé na cova” da esquina (que também se diz filho de Deus) serve para deferir pelo menos cinquenta tubões balanceados, cheirosos e amaciantes da tão famigerada MOÇA-BRANCA.




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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

MORENO FECHA O CANGAÇO

MORENO FECHA O CANGAÇO
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2010)
     O ciclo do cangaço com o bando mais famoso de todos, o de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, acaba de fechar com a morte do seu último homem. Trata-se do ex-barbeiro, caseiro, Antonio Inácio da Silva que, para viver em paz, adotou o novo nome de José Antonio Souto. Antonio era pernambucano e logo cedo foi morar em Brejo Santo, terras cearenses, onde sempre cultivou o desejo de ser integrante da polícia militar. Foi rejeitado pelo menos por três vezes, inclusive acusado de roubar um carneiro, apanhou da polícia e chegou a ser preso. Ao sair da cadeia matou o verdadeiro ladrão e fugiu para Pernambuco e Alagoas deixando rastros de mortes por onde passava. Em Alagoas, já chegou com fama de valente. Trabalhando em uma fazenda contra ataques de cangaceiros, fez amizade com o cunhado de Lampião, Virgínio ─ que fazia parte do estado-maior do bando ─ e a ele se integrou. Como Virgulino dividia o bando em subgrupos, cada um deles em média com seis homens e um chefete entre os de confiança, Antonio logo chefiava um desses subgrupos com o nome de Moreno. De cognome simpático e de fácil memorização, dizem, porém, que Moreno era um dos mais cruéis cabras de Virgulino. Na época em que mulher já era permitida no bando, Moreno tinha como companheira, Jovina Maria da Conceição, apelidada Durvinha, tendo participado de todas as ações do cangaço da década de 30.
     Após a tragédia de Angicos, em 1938, Moreno e Durvinha sobreviveram ainda até 1940 como cangaceiros. O casal fugiu dos sertões nordestinos para Minas Gerais, deixando um filho nas mãos de um padre. Combinaram nunca contarem a verdade a ninguém e assim viveram em Minas como pessoas comuns e nem a família desconfiava. Vivendo ali por setenta anos, o segredo só veio à tona em 2005. Durvinha faleceu em 2008 aos noventa e três anos de idade e sempre teve medo de ser degolada pelas forças volantes das caatingas. Moreno, aos cem anos, faleceu segunda-feira passada em Belo Horizonte (6 de setembro de 2010 ) e foi sepultado no dia sete no Cemitério da Saudade. Sua vida revelada deu motivos para fundação de museu, pesquisa, livro, entrevistas e filme.
     Fechado esse ciclo do cangaço com o ex-cabra Moreno, nada impede que a Literatura cangaceira continue, capenga ou não. No meio de alguns pesquisadores sérios, proliferam tantos palestrantes mentirosos, inocentes e birutas que faz gosto. E Lampião vai virando o que não foi, rolando em palavras de entusiasmos, em papéis azedos, em mentiras deslavadas. Nem sabemos dizer se as histórias do cangaceirismo ainda atraem pessoas. O que não falta é “doutor” no assunto, muito mais do que o falecido Moreno e a companheira Durvinha que conviveram com o chefão em carne e osso. Dizia Antonio em Belo Horizonte que matara vinte e uma pessoas. Os pesquisadores calculam em muito mais. Quer pesquisar? Dane-se no mundo e pesquise. Pode ser até que você encontre outro cangaceiro mais velho do que Antonio. Se não encontrar, invente. Pelo menos para a maioria dos que se dedicam a isso, MORENO FECHA O CANGAÇO.


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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

EU E AURÉLIO

EU E AURÉLIO
(Clerisvaldo B. Chagas, 9 de setembro de 2010)
     Foi uma imensa honra, a presença e a palestra do professor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira na Faculdade de Arapiraca. Após a palestra atendeu a quem o procurava com uma simplicidade peculiar dos grandes homens. Deixou-se fotografar com quem o procurou e saiu do prédio sem alarde assim como havia chegado.
     Muitos e muitos anos após aquele encontro fiquei aceso ao manusear um dicionário velho, escrito em papel jornal, numa escola do município de Santana do Ipanema. Que coisa impressionante aquele volume que se abria diante da minha sede. Finalmente eu encontrara um dicionário como sempre havia imaginado. Com algumas dúvidas e sem poder retornar à escola que era longe, procurei a biblioteca pública e encontrei a mesma obra. Parti, então, para encontrar o dicionário atualizado e à venda. Quando consegui encontrá-lo através de vendedores, o preço era exorbitante. Fui intercalando o tempo de procura e em cada botada o preço corria mais do que eu. Os anos se passaram e finalmente com a nova ortografia, resolvi reiniciar o movimento. Navegando na Internet descobri que a 4ª edição iria ser lançado em setembro já com a Nova Ortografia e também em versão eletrônica. Deixei passar dois ou três meses aguardando o resultado da pesquisa errada. O dicionário já havia sido lançado na primavera de 2009. Quando descobri meu erro, comecei (na linguagem do povo, endoidei) a pesquisar exaustivamente e descobri a editora herdeira dos seus direitos autorais, a edição lançada, a versão e tudo mais. Deixei escapar um longo suspiro de contentamento pelos seus 435 mil verbetes (meu Aurelinho era apenas de 30 mil).
     Ao saber que uma livraria em Maceió representava a editora do Paraná, parti para o ataque definitivo numa ansiedade medonha. Cheguei à livraria, no Bairro do Farol, já na hora de fechar o comércio. Estava ali. Assim que entrei, vi logo. Ele estava ali! Cheio de satisfação e muita alegria comprei o bichão e fiquei alisando o plástico da capa dura, sem acreditar que havia vencido a batalha da tantos anos. Uma pessoa da família acabava de adquirir um carro zero e nele fui conduzido até a livraria. Coloquei o volume no colo e disse como meu pai diria: “Seu carro zero não me bate o papo. Mas cuidem bem desse bebê aí no banco traseiro que um grande sonho acaba de ser realizado”. E como a versão eletrônica não pode ser copiada, colocamos o CD original em vários computadores da família, compensando imediatamente o seu valor monetário. Não, não senhor, não estou ganhando nada para fazer propaganda. Quem ama as letras por certo sentirá essas palavras. Montado em 435 mil verbetes, com as esporas da Nova Ortografia, fica mais seguro correr nas caatingas devolutas da Língua Portuguesa. Eu sabia que iria adquirir o Dicionário tão procurado. Requeri aposentadoria para os outros todos que tenho em casa. Agora é enfrentar a Maria Gramática, a Mulher de Pedra. Puxa! Finalmente juntos: o computador, EU E AURÉLIO.





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terça-feira, 7 de setembro de 2010

OS GONZAGA NO PODER

OS GONZAGA NO PODER
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de setembro de 2010)
     Quando Gonzaga viu a mulher apaixonou-se na hora. Procurou falar com ela e o sentimento foi recíproco. O fazendeiro pai da moça foi visitado, ouviu de Gonzaga a sua pretensão de casar, mas respondeu que a sua filha não prestava para casamento, não dando maiores explicações e pondo fim ao diálogo. Gonzaga voltou a Alagoas e planejou roubar a moça. Preparado o plano, deixou a serra da Camonga, em Santana do Ipanema e partiu para Curaçá, Bahia. No caminho, começou a chover. Gonzaga contemplou alguns cavalos que pastavam na chuva, notando que apenas um deles recebia a água de frente. Foi a sede da fazenda dizendo que queria um comprar um cavalo. O proprietário mandou buscar os animais e pediu que escolhesse. Gonzaga, ao apontar o corcel que almejava (justamente o que recebera a chuva de frente), o fazendeiro disse que aquele era o mais fraco, escolhesse um melhor. Gonzaga relutou respondendo que só servia aquele. Comprado o animal, o viajor partiu e, no rio São Francisco fez um trato com um canoeiro para esperá-lo em determinado lugar. Uma vez roubada à moça, a capangada seguiu atrás. Ao chegar ao rio São Francisco, o canoeiro não havia cumprido o trato. Gonzaga ajeitou-se com a amada e vadearam o rio a nado, enquanto a cabroeira riscava os cavalos do lado sergipano. Uma vez no município de Santana do Ipanema, Gonzaga dirigiu-se ao sopé da serra da Camonga a três quilômetros da sede, aproximadamente, onde foi viver com sua futura esposa baiana.
     A família Gonzaga foi a que mais tempo dominou a política de Santana. Essa família possuía boa situação econômica e era proprietária de terras e engenhos nas faldas da serra da Camonga. Um dos seus membros, Luiz Gonzaga de Souza Góes, além de terras no lugar citado, foi dono de loja de tecidos e fábrica de beneficiamento do algodão. Eleito como segundo intendente de Santana, governou na primeira gestão de 1895 a 1896. Depois governou sucessivamente desde 1896 até 1914. Foram dezenove anos no poder vendo passar seis presidentes da República ao longo da sua permanência no cargo: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Ao se casar com a irmã do padre Manoel Capitulino de Carvalho, transferiu sua carreira política para o cunhado que o sucedeu na intendência em 1914, na gestão presidencial de Venceslau Brás (Ver futuramente “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”, do autor).
     O sacerdote que ficou conhecido simplesmente como padre Capitulino, governou Santana como intendente apenas de 1914 a 1915, cumprindo seu destino de viajante. Foi eleito várias vezes deputado, sempre influenciando a política santanense tendo a família Gonzaga como ponto de apoio. Por sua vez, formalmente os Gonzaga não mais voltaram ao poder municipal. Seis anos após a polêmica gestão do padre Manoel Capitulino de Carvalho, procedente de Piaçabuçu, a vila de Sant’Ana do Ipanema entra no rol das cidades brasileiras. Está dito e registrado: OS GONZAGA NO PODER.


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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SABIA NÃO

SABIA NÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de setembro de 2010)
Quando perguntei ao matuto em quem ele iria votar para presidente, o homem rodeou. Disse que antes o pobre do campo procurava o fazendeiro e se oferecia para trabalhar. Na vez do preço da diária, o pobre achava pouco e o grande respondia aborrecido que “se não quiser, outro quer”. Agora com essa tal bolsa família todo mundo recebe alguma coisa do governo. Ele mesmo estava aposentado e a mulher também. O quadro social se inverteu. O fazendeiro, atualmente, é quem vai procurar o trabalhador braçal da roça. Quando diz quanto quer pagar, a vez de responder, aborrecido, é a do trabalhador: “Procure outro. Por esse preço não dou um dia de serviço nem a minha mãe”. E o matuto complementa afirmando que o fazendeiro e outros homens ricos dizem que a culpa é do Lula. E com sua moto nova e bonita guiada pelo filho, bancada por ele, responde finalmente a indagação: “Vamos votar na candidata do pai dos pobres”.
Percorrendo as estradas do Sertão alagoano, não vemos mais como antes, plantações em todos os lugares. Com o progresso urbano, os filhos dos agricultores foram estudar nas cidades médias e por lá foram ficando. Os pais que tinham família grande como mão-de-obra, ficaram praticamente sós no campo. Muitos até envelhecidos, já não tem como tocar as obras da agricultura. Por outro lado, é verdade que não encontram mais quem queira trabalhar, principalmente pelo preço oferecido. Se tiver algum jovem, esse prefere a carona do dinheiro da aposentadoria do pai, da mão ou da avó, mas trabalhar que é bom, nada. Os terrenos desmatados há décadas, pisoteado pelo gado bovino e miúdo, lavados pelas enxurradas, perderam os nutrientes. Acuado pela situação dupla de falta de mão-de-obra, o fazendeiro rico, médio ou pequeno, vai deixando o mato e o abandono tomarem conta de tudo. As terras sofridas voltam ao povoamento de vegetais, mas dessa vez de capoeiras, arbustos de espinheiros que cobrem todos os lugares. Inúmeros pássaros reaparecem por falta de gente para mexer nos seus ninhos ou atacá-los com petecas. Somente eles reaparecem. Os animais de grande, médio e pequeno porte também desapareceram. Nem cobra se vê mais, meu amigo. Para os proprietários, principalmente os menores, a saída é correr atrás do INSS navegando na mesma esperança dos seus antigos trabalhadores. Em uma terra em que se não mecaniza nada, nada mesmo resta. A maconha e a droga pesada já penetraram nos sítios e, muitos lugares que funcionam como bodega e bar, viraram antros de degeneração cabocla. Para o golpe final, os assaltos aos sítios, chácaras e fazendas, estão em evidência também no campo. E quando o velhinho não é assaltado em dia de pagamento na porta da agência bancária, fica sem o dinheiro no trajeto ou em casa onde os bandidos vão procurá-lo à noite. Muitos da cidade que procuravam comprar chácaras na área rural desistiram por causa da insegurança reinante. As terras ficaram sem valor, o preço foi para baixo. O desmatamento do que resta da caatinga continua sob os olhares de secretários de meio ambiente que nem tem meio nem ambiente. E da tal Ecologia, só o eco e não a jia que fugiu com o amante sapo, faz é tempo! SABIA NÃO?!

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domingo, 5 de setembro de 2010

O SENTIDO DA VIDA

O SENTIDO DA VIDA
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de setembro de 2010)
      Em nossos encontros semanais sobre cultura, fiquei a imaginar duas respostas que levam a meditação. Uma pessoa se comunica dizendo que agora está buscando um sentido para a vida. Procura o AAA, o terço dos homens e outros meios de busca. Outra comparece ao encontro e diz que não estar interessada na cultura como nós a definimos. Está levando a vida agora entre rezas, trabalho e curiosidades sobre o além. Busca a igreja católica, a sociedade Rosa-Cruz, as leituras sobre os chamados mestres budistas ou indianos, enfim, diz a pessoa que tem sede de mistérios. Encontros para ela só serve se for para discutir coisas transcendentais. Também tenta descobrir o sentido da vida.
     Pelo que sei, a busca pelo sentido da vida é uma busca inútil e quanto for maior a busca, maior será o vazio. Todas as religiões tem os seus limites de aprendizado e esbarram sempre no universo de como viver bem. Algumas estendem seus conhecimentos e ensinos, mostrando outra dimensão para os que viveram na Terra. Mas esses conhecimentos repassados pouco a pouco aos encarnados, não revelam o sentido da vida, até mesmo porque ninguém sabe esse sentido que Deus não revelou para ninguém. Somente ele sabe por que criou o homem. Aí sim está a finalidade da vida. Se ele criou o homem criou com algum objetivo. Como alguém diz que está procurando a finalidade da vida, está apenas perdendo tempo. O que temos que procurar é saber como viver e isso é singelo e fácil, todas as religiões ensinam, inclusive, a Católica com os seus mandamentos e conselhos extras. Depois, é observar os próprios ensinamentos do Cristo (se a pessoa for cristã). Jesus não disse a ninguém para que o Pai criou o homem. Toda sua vida, pregações e exemplos, estão em cima das virtudes, exortando os homens a praticá-las, ao mesmo tempo em que abomina os vícios, as paixões. O que o homem deve saber é isso, a ciência de se comportar social e espiritualmente na Terra. As promessas sobre o outro mundo, também não falam sobre o sentido da vida. Trabalhar, produzir, fugir dos vícios, dedicar-se às virtudes diárias, louvar o Criador. Tudo é tão simples, tudo tão perto da criatura. Por que se iludir com publicadores de livros se dizendo mestres. Conheço pessoas analfabetas que dão lições nesses tais “mestres” que existem por aí, vendedores de ilusão. Muitos somente para vestirem suas roupas excêntricas e aparecerem diante dos homens. Vaidosos adoradores de si próprios. Agora, se alguém confunde o sentido da vida com modus vivendi, é outra coisa. São as filosofias, como pregava conhecido padre, em Santana do Ipanema. Inúmeras filosofias que, transformadas todas em caldos, voltam para a essência das pregações de Jesus.
     Quando os meus amigos descobrirem o sentido das virtudes, ensinamentos básicos dos nossos pais, eles se acharão no caminho que perderam com o sofrimento, a curiosidade e a conduta. O pai, a mãe, ou ambos, estão ali perto, tranquilos, serenos, cheios de sabedoria, sem questionamento de resposta inexistente. É essa fonte límpida, plácida e tão serena que leva desconfiança para o filho que prefere buscar o que procura em águas turvas de correntezas. Sempre procurar viver um modo de vida. Nunca se preocupar com uma coisa que só Deus sabe e é só dele: O SENTIDO DA VIDA.




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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

VERGONHA NACIONAL

VERGONHA NACIONAL
(Clerisvaldo B. Chagas, 3 de setembro de 2010)
     A limpeza contra a corrupção continua no Brasil. Já dissemos outras vezes que por causa do costume arraigado, tradicional e blindado, não seria do dia para a noite que tudo se resolveria. Para chegarmos ao nível de corrupção tolerável ─ como os países plenamente desenvolvidos ─ levarão tempo, mas o Brasil conseguirá o feito. Os próprios ladrões de gravata reconhecem que vai ficando mais difícil roubar o Estado. E que eles continuam roubando, continuam, mas vem aperto de todos os lugares. Prefeito, governador, altos executivos, deputados, senadores, vereadores, juízes e mais figuras importantes são desmoralizadas constantemente. É bem verdade que mesmo algemados e levados pela Polícia Federal, ainda fazem pose. Talvez até nem estejam sendo desmoralizados porque desmoralizados são há bastante tempo. Apenas estão sendo exibidos rapidamente em praça pública e resistem como as baratas aos velhos inseticidas. Mas quem tiver sede de justiça pode se acalmar que essa faxina moral não vai parar nunca. Se a nossa geração não alcançar, mas nossos netos alcançarão o país moralizado. Essa água imunda há de passar com as barrigas proeminentes, crescidas com o leite arrebatado das crianças.
     Dourados é a segunda cidade do Mato Grosso do Sul. Há muito ficou famosa quando seu forte foi invadido por tropas do Paraguai iniciando a maior guerra da América do Sul. Mas como cidade foi fundada em 1935 e muito lutou para se desenvolver. Dourados é um polo regional e fica a 224 km da capital Campo Grande e a pouco mais de 100 km da fronteira com o Paraguai. O seu polo, apelidado “Portal do MERCOSUL”, exerce influência em mais de um milhão de habitantes, inclusive de outros estados e do próprio vizinho Paraguai. É importante centro agropecuário e prestador de serviços, movimentando cerca de 450 indústrias de transformação. Em evidência indústrias de alimentos, farelo, álcool e açúcar, além de muitas outras como frigoríficos para bovinos, suínos, aves e coelhos, mais fábricas de rações, charqueadas e curtumes. É de fato intenso o setor econômico do município que após um período de marasmo não pára mais de crescer.
    Quem conhece a parte dinâmica de Dourados, alicerçada no trabalho duro, fica boquiaberto com o escândalo que estourou recentemente na área política. Flagrados por uma investigação bem orientada, prefeito, esposa de prefeito e quase todos os vereadores, representaram as novas ratazanas da televisão. Todos recebendo maços de dinheiro (lembra da crônica do peixe?) de notas azuis, colocando-as sob a camisa e em outros lugares; vibrantes, alegres, felizes da safadeza com a verba pública. Cadeia neles, direta para o presídio. Estamos vendo que região nenhuma escapa às investidas sequiosas dos engravatados: os que fazem leis, os guardiães das leis, os executores das leis. É humor negro e escancarado raposa ensinando como proteger galinhas. Mas não falta no Brasil e em Alagoas quem queira fazer dos outros bestas. E Dourados, que também pertence à terra de Cabral, deve estar morrendo de vergonha com o nauseabundo episódio que manchou seu laborioso torrão. Um ato repulsivo e grave, uma VERGONHA NACIONAL.





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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

BEBER SANGUE

BEBER SANGUE
(Clerisvaldo B, Chagas, 2 de setembro de 2010)
     Com a retirada das tropas americanas do Iraque, lá se vão sete anos sem vitória. O mundo inteiro sabia que a existência de armas químicas no país de Sadam, era apenas um engodo. Um alvo de teste de armas das poderosas indústrias bélicas do Tio Sam. A população daquele país parece indiferente às invasões realizadas pelos militares. Acostumada às mentiras prévias das autoridades, parece convencida de que a sua pátria é invencível e os demais seres da humanidade são restos ou bárbaros como pensava o império italiano. Até parece que o gringo comum não estuda História e nem Geografia de outros povos. É como se só ele existisse no mundo. Já foi dito nestes trabalhos que é fácil invadir um país, o difícil é sair. Calcula-se em cem mil mortos no Iraque. Mas quando a verdade dos quatro mil cadáveres americanos chegou aos ouvidos indiferentes, começou a cair à popularidade de Obama. Qual foi o resultado dos sete anos de matança? Saem às tropas cabisbaixas como as que saíram derrotadas do Vietnã. E assim sairão também derrotadas as tropas outras que ocupam o Afeganistão. Um país destruído pela guerra, pela fome e pelas catástrofes naturais. Onde irão baixar agora os donos do mundo? É preciso testar mais armas, é preciso matar mais gente. Está aí o Iraque. Continua dividido na iminência de uma guerra civil onde mais pessoas poderão morrer num futuro inglório e sem perspectiva.
     É de se pensar como é possível se gastar tanto dinheiro, mesmo para um país rico como os Estados Unidos. Uma guerra, por pequena que seja, é calculada em trilhões de dólares, De onde vem tanta verba dessa fonte que não seca? Naturalmente o americano não tem como se vangloriar das mortes dos miseráveis do Afeganistão. E quando de lá saírem, sairão derrotados como saiu à antiga União Soviética. Quais serão os próximos passos de senhor Barack Obama? Depois do Iraque, Afeganistão, qual será a próxima vítima? Irã, Coreia, Líbano, Venezuela? O gigante viciado em carne humana não vai se contentar com a paz no mundo. Paz não engorda indústrias bélicas. Quando um dos militares afirma que “ninguém liga para história de soldado”, isso pode ser verdade na indiferença dos seus compatriotas. Se alguém escrevesse mil livres ilustrados sobre uma guerra, ainda assim não diria metade dos seus horrores. Os chefes de estado fazem chegar ao seu povo, apenas as notícias que a eles interessam. E a população enriquecida, preocupada apenas em comer, beber e luxar dá de ombros às excentricidades dos chefões.
     Não deixa de ser boa, entretanto, a notícia de retirada de tropas do Iraque. Os que voltam para casa geralmente trazem neuroses e traumas que dão trabalho à área médica. Quem participa de combates como aqueles, mudam completamente de vida no seu mundo interior. De hoje em diante é observar o lugar do próximo voo da águia. Ela é feita de penas e bico, mas bem que gosta de atacar o ser humano e BEBER SANGUE.


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