segunda-feira, 31 de maio de 2010

DETALHANDO A HISTÓRIA

DETALHANDO A HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas. 1º. 5. 2010)
Para jovens pesquisadores
Rios e riachos do Sertão começaram a engolir areia há bastante tempo. Nos meados do século XX, o assoreamento no rio Ipanema já era uma penosa realidade. Mostrava que o desmatamento da bacia hidrográfica, principalmente no vizinho estado de Pernambuco, contribuía de forma cruel para a perda de terras férteis. No trecho urbano de Santana, a aluvião amontoava-se às margens, formava ilhas, dividia o rio em braços tortuosos. Foi assim que o Panema aterrou toda a barragem construída na periferia, ao lado da BR-316. Naquela época as estações do ano ainda eram regulares, o que fazia prevalecer à experiência dos mais velhos sobre um possível bom, ruim ou nenhum inverno. Essas experiências baseavam-se no comportamento de plantas, animais, demonstrações no Sol, na Lua, nas estrelas e nas cheias do rio Ipanema, além de outras fontes.
Com as cheias regulares, as águas do Ipanema iam trazendo e depositando as toneladas de terra, como foi dito acima. A enchente de 1941 ─ a mais famosa de todas ─ chegou a lamber o prédio da perfuratriz. Outras cheias sucessivas formaram com a aluvião, um terreno mais alto entre a perfuratriz e a conhecida pedra do sapo, na metade da largura. Como o Ipanema passou dezenas de anos sem conseguir subir o elevado, o senhor Otávio “Marchante” (torcedor número um do time com o mesmo nome do rio) cercou a área e depois vendeu para o senhor Euclides José dos Santos. O senhor Euclides, ali vizinho construiu uma rua estreita para alugar pequenas casas às pessoas mais pobres. Depois ele mesmo denominou a via de: Rua da Praia, cujo nome chegou aos nossos dias.
Alguns benefícios naquela área de extrema pobreza foram feitos tal o calçamento, durante uma das administrações do prefeito Paulo Ferreira. Um campo de futebol, gramado e cercado por árvores frondosas, também foi construído por um dos filhos de José dos Santos, ex-bancário Luís Euclides. Fundada ainda uma pequena igreja no local da antiga perfuratriz e mais uma associação comunitária, para atender aos moradores daquela região. Para o visitante, logo se destaca um prédio moderno e de 1º andar onde funciona a sede de luta dos seus associados e da comunidade local. Sempre que o rio Ipanema surge trazendo grande volume d’água, o campo de futebol (cujo terreno é mais baixo) fica completamente inundado. As águas ameaçam a Rua da Praia, mas a comunidade fica vigilante para evitar surpresas. Bem perto desse local, a prefeitura resolveu implantar um centro de saúde em avenida larga que se inicia à Rua São Pedro, indo até a margem do rio. Mais uma vitória da localidade resistente. É sempre um prazer encontrar progresso onde antes nem o mínimo existia.
Temos intenção ainda de falarmos sobre a vizinhança da Rua da Praia e seus personagens dos anos cinquenta. Quem sabe, na próxima crônica, mais material para pesquisadores sobre Santana. Enquanto a narrativa completa sobre o município não sai, vamos por outra vertente DETALHANDO A HISTÓRIA.


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domingo, 30 de maio de 2010

ESPONJA DE LIMPEZA

ESPONJA DE LIMPEZA
(Clerisvaldo B. Chagas. 31.5.2010)
E o mundo inteiro que dava às costas ao continente africano, vira de frente para a África do Sul. Mesmo assim ainda tem gente que não acredita no milagre da bola. Sendo o planeta quase redondo, não é de admirar que uma esfera de couro permita movimentar milhares e milhares de empregos diretos e indiretos em todos os recantos da Terra. E na continuidade das lutas contra xenofobia e descriminação racial, surge o futebol como aglutinador dos povos, com atrativo único. O amor nacionalista, as vibrações da cores flamulares, o orgulho do sucesso no palco global, fazem desses animais bípedes seres racionais diante de eventos importantes como a copa na extremidade africana. Juntam-se as frustrações, as alegrias, as esperanças na mesma mala de embarque para um porvir onde outrora somente lágrimas brotavam.
Torçamos para que, após a copa do mundo, as coisas melhorem para aquele continente marginalizado que representa um mosaico com cerca de cinquenta e três países. Numa visão imediata o visitante, além dos estádios da África do Sul, poderá se inserir em outras atrações da terra. Cidade do Cabo, com uma população em torno de 2,5 milhões, representa o antigo Cabo da Boa Esperança dos nossos velhos estudos de Admissão. Último ponto do continente africano, passagem para as Índias, descoberto por Bartolomeu Dias em 1488; hoje sede do poder Legislativo. Pretória, sede do governo. Bloemfontein, sede do Judiciário. Os torcedores estarão no país de três capitais, o mais industrializado do continente e o primeiro lugar em reservas de ouro, manganês, platina e cromo. O segundo lugar em diamantes. Atrações de parques repletos de animais selvagens, posição geográfica, histórico de resistência do famoso bairro de Soweto das lutas contra Apartheid. Quem tiver sorte, poderá apertar a mão de um dos maiores homens dos últimos tempos, o herói Nelson Mandela, mito mundial.
A bola irá rolar nos campos, mas já vem rolando em outros lugares; por sua causa, centenas de milhares de trabalhos existem nas mais diferentes áreas de negócios do planeta. As armas separam e o esporte une os povos. Pena que cheguem ainda a esta dimensão, espíritos rancorosos de velhos generais do passado. Cérebros doentios que atuam em corpos humanos como robôs voltados à destruição. São como vulcões, tempestades, tormentas, montados em duas pernas, parecidos aos bons. Espíritos encarnados, tronchos para o mal que só compreendem os painéis draculistas de seus instintos bestiais. Estão eles a cumprir o ódio avassalador trazido das trevas que só reconhece o sistema da valentia. Nem o futebol ─ poderoso e magistral balé ─ consegue desviar as mentes sujas dos hematófagos.
É bom que a copa venha em breve, felizmente como ESPONJA DE LIMPEZA.



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sexta-feira, 28 de maio de 2010

BOCA DE CAIEIRA

BOCA DE CAIEIRA
(Clerisvaldo B. Chagas. 28.5.2010)
Nas andanças, como estudante, em Maceió, pela praça da faculdade de Medicina, colegas falavam sobre a região do Ouricuri, ali perto, e a Coreia, mais adiante. Do Ouricuri diziam do perigo permanente da marginalidade que dominava a pobreza do lugar. Quase todas as batidas policiais ocorriam no Ouricuri que sempre estava em evidência nas páginas dos matutinos Jornal e Gazeta de Alagoas. Da Coreia, a conversa era outra. Seria um bairro de população composta de mulheres maduras. Estava no auge à cantora de forró, Cremilda, que pouco a pouco invadia o espaço nordestino da famosa colega Marinês. Com tantas músicas bonitas e vibrantes (eu era seu fã) Cremilda lança um forró dizendo desse último lugar de Maceió. Aproveitava a indicação do povo e cantava:

“Na Coreia
Na Coreia
Só tem veia
Só tem veia...
(...) Na Coreia eu não vou mais.”

Não faz muito tempo, em Santana, inventaram um forró do outro lado do Ipanema, lá para as bandas do lugar chamado Eduardo Rita, saída para Olho d’Água das Flores. Esse forró acontecia durante uma tarde por semana, foi tomando corpo e passou a ser bastante conhecido e apreciado. Pela Rua São Paulo, em direção ao rio, só se via passar velhinhos bem vestidos e durinhos rumo ao outro lado. Nem era preciso perguntar. O povo dali mesmo apontava e dizia: “Vai para o forró das veias”. Durou bastante tempo, o “forró das veias” em Santana do Ipanema. Divertiu muita gente madura e jamais se ouviu falar em briga, arruaça ou arenga. Que falta faz o “forró das veias”!
Lá do outro lado do mundo, investigações internacionais dão conta de que a Coreia do Norte teria partido ao meio uma corveta da Coreia do Sul. Um míssil lançado de um submarino atingiu em cheio o barco de guerra que foi ao fundo do mar com quarenta e seis mortos. Descoberto o ataque, a Coreia do Sul promete represálias. O pai do mundo, Estados Unidos, que jogaram seus filhos para morrer no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão, incentivam a Coreia do Sul para uma guerra fratricida com a vizinha de cima que eles dizem fazer parte do “eixo do mal”. A Coreia do Norte, de economia arrasada igual a Cuba, investe somente em armas com o mesmo pensamento arcaico da antiga União Soviética. Saída da poeira do passado, ainda vive da ilusão comunista e da força das armas. Os Estados Unidos, sedentos de sangue e malucos para testarem novas armas, já encontraram o novo brinquedo fora do Irã: a Coreia do Norte. Caso haja um confronto, primeiro eles mandarão a Coreia do Sul, mas depois não resistirão à guerra e entrarão no conflito. Arrasada economicamente, a Coreia não tem como sustentar uma guerra prolongada. Mas, se conseguir apoio da China, Os Estados Unidos não terão como sair de lá sem uma derrota como aconteceu no Vietnã, no Iraque (pela prorrogação) e agora no Afeganistão, engolidor de americanos.
Mexer com a Coreia do Norte é entrar num vespeiro sem tamanho. Mas os Estados Unidos podem pensar que é a mesma coisa que dançar no “forró das veias” em Santana do Ipanema, ou namorar na Coreia de Maceió. E como diz um doido da minha cidade, aquilo ali, amigo, é BOCA DE CAIEIRA.





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quinta-feira, 27 de maio de 2010

QUEBRANDO BANCAS


QUEBRANDO BANCAS
(Clerisvaldo B. Chagas. 27.5.2010)

O tempo até parece que perdeu o juízo, igualmente aos homens.  E aqui na capital ninguém sabe se já é inverno, a não ser o cientista Molion. Vamos registrando o cotidiano deste Maceió “velho de guerra”, obrigação de cronista. Chuvas inesperadas expulsam os transeuntes dos calçadões, mas não refrescam o calor sufocante do tropical úmido. A esperança da copa também chegou à “Cidade Sorriso” com o predomínio do verde e amarelo. A propaganda bicolor está em todas as marquises, em todas as vitrinas, em todas as fachadas. Desafiando o tempo, desfila a seleção brasileira de futebol pela Praça dos Martírios. Espere! Não, não é a seleção brasileira de futebol. Trata-se, na verdade, do desfile de carteiros guiados pelo som de um carro a fazer barulhentas reivindicações. A velhinha, no ponto de ônibus, dá graças a Deus pelo movimento. Ao ser interrogada se faz parte dos Correios ela responde que não é isso. O que deixa a velhinha momentaneamente feliz, segundo ela mesma, é a possibilidade no atraso às cobranças que chegariam a sua casa. Um estudante, amparado numa cobertura, coloca dois dedos à boca e assovia para os profissionais que desfilam. Não conformado, ao contrário da velhinha, sapeca ainda uns dois palavrões impublicáveis e uma crocante banana comprida em direção ao desfile. Quero perguntar o motivo da revolta, mas o estudante forte, tatuado, cara de mau, parece não receptivo à conversas
A chuva dá uma trégua. Os transeuntes estufam do interior das lojas. Escorrega argila das escavações pelas poças das ruas, automóveis banham os passantes, enquanto o sujeito do carrinho aumenta o som dos CDs piratas. (Quem diabo dá jeito na pirataria do mundo?!) Encontro uma conhecida na calçada estreita. É nervosa, agitada, fala muito alto. Não quer me deixar seguir. Parte para me contar um longo rosário da sua vida. A educação me planta, mas a razão quer distância. A senhora me puxa o braço a cada fração da sua narrativa, interrompe o trânsito humano, chama atenção e, eu peço socorro aos céus. Toca o celular da senhora que se apressa a atender. Na oportunidade única, invento uma despedida de político e consigo quebrar as correntes da gentileza. Surgem soldados correndo atrás de um larápio, animando as ruas movimentadas. O povo gosta da competição. O ladrão bate o recorde mundial dos duzentos metros com obstáculos e some lá na frente. É Alagoas perdendo bons atletas para as Olimpíadas de 2014. A alegria dos apreciadores desse tipo de competição, dura pouco e tudo volta à normalidade.
Na esquina do quarteirão penso em desligar o aparelho do observatório, mas de repente, o que me chega! Aparece um daqueles azoados, muito mais nervoso do que a senhora do celular. Arregala os olhos, passa as mãos na calça e aponta o dedão para mim perguntando animado: “Tá morando aqui?” Meu Deus! Será que vai começar tudo de novo? Se eu fosse amigo de cambista, na certa apostaria no burro... O mais nervoso de todos os bichos. Casos assim costumam acontecer QUEBRANDO BANCAS.

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terça-feira, 25 de maio de 2010

CIDADE SORRISO

CIDADE SORRISO
                             (Clerisvaldo B. Chagas. 26.5.2010)
Escavações em ruas centrais de Maceió causam transtornos a comerciantes e transeuntes. Qualquer chuvarada sobre esse barro amarelado provoca maior estreitamento ainda nas sendas dos pedestres. Corre-corre e exclamações fazem parte dos obstáculos saneadores, mas tudo compensará quando usufruirmos dos belos resultados nos calçadões da capital. Na época do primeiro shopping, implantado em um dos bairros, o centro ficara vazio, a ponto de fechar inúmeros estabelecimentos. Entrevistei um comerciante local quando ele falava da agitação mínima da clientela. A tristeza do seu semblante parecia trazer lágrimas invisíveis que tocavam também no provocador. Não fecharam somente casas pequenas, mas também estabelecimentos tradicionais e de renomes, diante da crise. Com a revitalização, porém, o comércio tomou o rumo de outras capitais destaques. Com a beleza dos calçadões, comerciantes capricharam em suas lojas e, o comércio capenga virou chique. O trecho da rodovia em direção ao aeroporto – a partir da polícia rodoviária – ficou belíssimo. Pista larga, canteiro central arborizado, terreno de tabuleiro, prédios de atrativas arquiteturas e particular clima agradável, fazem um dos lugares mais charmosos de Maceió. A construção de viaduto defronte o Aeroporto Zumbi dos Palmares, ao invés de enfear, vai desenhando mais um item a favor da ornamentação.
A volta das atividades, em breve, do Teatro Deodoro, deverá trazer incentivo, não somente às artes, à cultura, mas também o gosto pela preservação da praça e reforço na área comercial do entorno. Quando as favelas forem huma-nizadas com realidades habitacionais decentes e estruturas que dignifiquem a vida, Maceió terá cumprido todo um ciclo de excelentes administradores (com raras exceções) e que teve início com o inteligente Sandoval Caju. A capital de Alagoas, também chamada “Cidade Sorriso”, sabe que muito já foi feito e muito mais ainda será preciso fazer. E a fatia que hoje é só tristeza, poderá, definitivamente, integrar a parte da alegria, do progresso, do lado bom da CIDADE SORRISO.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

CASSIMIRO COCO

CASSIMIRO COCO
(Clerisvaldo B. Chagas. 25.5.2010)
Em Santana do Ipanema, as décadas de 50 e 60 foram bem animadas em ruas e bairros. Vale salientar que a média de filhos em cada família era muito elevada. Isso fazia com que as ruas próximas ao centro e as dos arredores, ficassem sempre repletas de crianças. No geral, as ruas não possuíam calçamento, facilitando jogos de futebol e brincadeiras as mais diversas como ximbra, pinhão, pega, artista, carros de ladeira e outras. O meu campo de atuação era a Rua Antonio Tavares (primeira de Santana) São Pedro e toda a faixa de descida até a margem do rio Ipanema. Além das brincadeiras de crianças que lotavam as ruas, havia o movimento do cotidiano: o homem que passava com feixes de folhas de catingueira para a Matança; os jegues que carregavam cinzas para os curtumes de Bebedouro; carros de bois para os divertidos bigus; desfile de soldados do Tiro de Guerra; Jumentos e botadores d’água; carrinhos de pães e vendedores; guardas da peste para borrifar os potes. Vez em quando a monotonia era quebrada. Surgia um perna-de-pau de algum circo armado no Bairro Monumento e motivava a alegria diferente da meninada.
Morou à Rua São Pedro um cidadão que lidava com teatro de fantoches e, que na época era chamado de Cassimiro Coco. Essa denominação, tanto servia para o espetáculo quanto para o dono. “Hoje vai ter Cassimiro Coco.” E lá íamos nós para o teatro de pano ver e ouvir os bonecos de madeira trabalhando da cintura para cima. As figuras principais eram um negro e um branco valentes e uma donzela bonita. A história falava de uma disputa fantástica entre os valentões pela moça bonita. Isso fazia com que houvesse muita expectativa e constantes gargalhadas da plateia sentada no chão. Às vezes o dono deixava a Rua São Pedro e apresentava o espetáculo vizinho a minha casa ou em outros lugares. À noite e à hora de apresentações dos bonecos eram cheias de ansiedade por parte de crianças, adolescentes e até adultos.
Muito interessante as disputas travadas entre os personagens do Cassimiro. Quando virei adulto, descobri com profundidade filosófica que os personagens eram apenas bonecos de madeira. Eles eram sim, interessantes, mas não possuíam vida própria. Apesar da perfeição de movimentos, o fantoche só dizia o que o criador, o dono, o patrão, mandava. Em nossa região, atualmente, não mais existe o teatro de panos.
Temos muitos e bons jornalistas profissionais, cuja lista poderia ser apresentada aqui, como exemplo. Infelizmente esbarramos naqueles que babam na vassalagem.
Notícias negativas sérias não denigrem a cidade. Pelo contrário, mostram a dignidade assumida pelos profissionais da mesma cidade. Eleva sim, o nome da urbe, da sociedade que denuncia sem medo e não a que fica muda para agradar a padrinhos. Noticiar somente receita de bolo ou notícias negativas bestas de outros lugares distantes, é que enfraquece o órgão informativo e não coopera em nada com a formação profissional dos apresentadores. Uma população inteira percebe as manobras, o puxa-saquismo e as ordens de bastidores, mas só eles com seus espelhos destorcidos não enxergam ou não querem enxergar o que escrevem, o que falam, o que apresentam. Recentemente um site de Alagoas falava das ordens de um desses reizitos que liberava seus meios de comunicação para atacarem a administração de fulano que não havia lhe dado apoio político. Mas os exemplos se sucedem também em outros lugares. Quem não amadureceu ainda, continua como pobre boneco, cuja voz é apenas o ressoar de quem está por trás do pano. Pobre do moderno CASSIMIRO COCO.




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domingo, 23 de maio de 2010

PEDOFILIA NA CÂMARA

PEDOFILIA NA CÂMARA
(Clerisvaldo B. Chagas. 24.5.2010)
O prédio da câmara municipal de Santana do Ipanema, Alagoas, já funcionou como companhia de força e luz. Abasteceu a cidade durante longo tempo com possante motor alemão. Quando só havia mato pelo terreno dos fundos, foi ali assassinado em emboscada, um cidadão bastante popular em Santana. Esse mesmo prédio funcionou também, durante muitos anos, como Tribunal do Júri do município. Por isso ou por aquilo, funcionários que ali trabalharam ou trabalham como vigias e encarregados de cozinha, narram coisas estranhas. Alguns já se acostumaram com os fantasmas, outros ainda se arrepiam e correm, fazendo o sinal da cruz, ao ouvirem ruídos dentro da noite.
Ultimamente a cidade foi tomada de surpresa diante de denúncias de pedofilia na câmara atual. Realmente foi uma bomba jogada no seio do município que causou grandes estragos morais e que continua repercutindo. Segundo notícias em Santana, dois vereadores seriam os pedófilos entre os representantes do povo. Isso fez com que o santanense começasse a fazer suas escolhas sobre quem seriam os dois monstros de crianças em Santana do Ipanema. Cada pessoa da cidade já havia escolhido no seio familiar esses possíveis criminosos. Como cada qual escolhia seus dois pedófilos entre os poucos vereadores da câmara, o certo é que não escapava nenhum. Quando o caso começou a tomar proporção de estado, eis que, para surpresa geral, a fonte do assunto chega a uma rádio da cidade e diz que tudo não passou de mal-entendido, não existia pedófilo nenhum e pronto. O desmentido chocou mais o povo santanense do que a bomba inicial. Como era possível uma notícia de peso como pedofilia ser deixada de lado simplesmente por que “deixe isso para lá que não existe"? A sociedade, a mesma que votou nos representantes municipais, exige agora uma investigação seriíssima, por parte de autoridades abalizadas. Ao presidente da câmara cabe uma responsabilidade extra de pedir essa investigação e que não pode ficar omisso diante de um desmentido muito simples para um dos casos mais graves do social brasileiro. Diz o ditado que “quem não deve não teme”. É verdade, quem não deve não teme. Os próprios representantes do povo deveriam reforçar o pedido de investigação junto ao seu presidente. A sociedade organizada não pode e não deve ficar apenas de braços cruzados ouvindo o disse não disse das comunicações locais. Se não houver uma investigação séria, apesar do desmentido, ficará sempre a mancha na Câmara de Vereadores e as perguntas guardadas em cada cidadão: quais os dois pedófilos da câmara de Santana do Ipanema? Por que os consultados resolveram desmentir o que afirmaram antes? Interessa a quem o desmentido? Será que isso não é apenas a ponta do iceberg? O povo quer saber tudo. Não se pode brincar com um caso de tamanha envergadura. O presidente da câmara tem obrigação de esclarecer à sociedade os passos das suas providências que devem ser enérgicas, sob pena de omissão. O desmentido não pode simplesmente colocar uma pedra em cima do assunto. Quem irá votar novamente em pedófilos? Ou se apura o caso definitivamente ou os vereadores, pré-julgados pelo povo após a primeira bomba, não terão forças para representar esse poder legislativo. Os fantasmas agora parecem se materializar. O que não pode é continuar tudo como se não tivesse tido acusação nenhuma sobre PEDOFILIA NA CÂMARA.


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quinta-feira, 20 de maio de 2010

TROAR DE CANHÕES

TROAR DE CANHÕES
(Clerisvaldo B. Chagas. 21. 5. 2010)
A missão sobre novas sanções ao Irã terminou fazendo o que os Estado Unidos queriam: impedir o destaque da Imprensa na reunião entre América Latina, Caribe e União Europeia, em Madrid. Os jornais se preocuparam mais em divulgar o primeiro assunto, engolindo a isca para o segundo. Os Estados Unidos não querem o Caribe longe do explorador Tio Sam. Pouco a pouco, todavia, essa região vai se organizando e agora, integrada a América do Sul, parece ir liberando o medo do colosso do norte. Mesmo com o ciúme doentio dos Estados Unidos, a cúpula União Europeia, América Latina e Caribe, realizada na capital espanhola, “(...) foi um grande sucesso”, afirmou o primeiro-ministro José Luís Zapatero. É de se notar também que antes da cúpula, oito países da UE, se manifestaram contra a reunião. Esse mercado conjunto (que movimenta 15 bilhões de euros) alcançou avanços importantes, ainda segundo a Espanha. Avanços esses em relação ao MERCOSUL (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e ainda Peru e Bolívia como associados).
A importância maior da Cúpula, pela nossa ótica, foi a de entendimento entre nações, felizmente ou infelizmente, através de interesses de negócios. Sábias foram as palavras do presidente da Comissão Europeia, português José Manuel Durão Barroso: “(...) águas turbulentas em que o mundo ainda navega, é importante manter o rumo às respostas globais, e nesse sentido a Cúpula cumpriu o seu objetivo”. Congregando 60 presidentes e chefes de Estado, não tem como ser ignorada pelo restante do mundo a dimensão desse encontro espetacular.
Essas reuniões tão distantes são as que influenciam os nossos empregos, nossos salários, nosso desenvolvimento que, para os leigos, deveríamos tratar apenas de assuntos das banalidades locais. Os grandes acontecimentos mexem até mesmo com o nosso hábito alimentar e o próprio vestuário. O mundo se tornou pequeno e tudo que acontece em qualquer lugar do Planeta, reflete em nosso cotidiano.
Ainda sobre o primeiro-ministro espanhol, “é imprescindível a modificação do sistema financeiro internacional, para se adaptar aos nossos tempos.” Sai de palavras europeias também a admiração pela “fortaleza” da América Latina diante da crise mundial. É impressionante o reconhecimento de homens como Zapatero e Durão Barroso que o mundo estar mudando e que é preciso mudar com ele (cansei de afirmar isso em nossas crônicas).
Tudo leva a refletir novamente sobre a injustiça da ONU: cinco países mandarem sozinhos no Globo. Questionar a ordem mundial é questionar a nossa própria qualidade de vida. Cedo ou tarde, assim como caiu o muro de Berlim, cairá o PENTADURA da ONU. Quem viver verá. Queremos para nós e nossos descendentes, um mundo de paz e compreensão entre os homens e não as arrogantes e permanentes ameaças de TROAR DE CANHÕES.


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quarta-feira, 19 de maio de 2010

PALAVRAS DE CANTADOR

PALAVRAS DE CANTADOR
(Clerisvaldo B. Chagas. 20.5.2010)
Estamos dentro dos onze anos de lançamento da “Flor do Lácio – Gramática”, da autora, de saudosa memória, Izabel Torres de Oliveira. Isabel, também conhecida por “Dona Besinha”, realizou seu grande sonho com a publicação dessa gramática da Língua Portuguesa, em terras arapiraquenses. Figura exponencial da “Terra do Fumo”, Dona Besinha prestou inúmeros serviços na Educação, Cultura e no social de Arapiraca. Flor do Lácio foi composta e impressa na Editora Sergasa e, veio a preencher essa lacuna tão carente da cultura alagoana. Tive a honra de receber um exemplar da insigne professora com os dizeres: “A você Clerisvaldo, o carinho e a admiração da autora de Flor de Lácio, Besinha”.
O denodo e a seriedade de Dona Besinha, levaram-me a lembrar de pretenso gramático de Maceió. Fiz a matrícula no, então, colégio particular mais famoso da capital. Antes de mim, o ensino era realmente excelente, mas peguei um ano em que já havia começado a decadência da escola. Só aguentei um ano porque não havia como deixá-lo antes. Nunca fui de levar livros para as aulas. Fui de prestar atenção ao que me interessava e pesquisar fora. Por isso conduzia apenas um caderno pequeno e fino (sem arame) e uma caneta popular. O caderno eu dobrava e colocava no bolso de trás, da calça. O professor de Português era muito famoso em Maceió. Seus cabelos pareciam com os de um dos três patetas. Digo sem nenhuma ofensa. Ele era um “medalhão”. Em minha turma havia um indivíduo proveniente de Viçosa, a terra do folclore. Esse colega gostava de tocar pandeiro e cantar samba, coco, embolada, coisas assim. O medalhão apreciava muito esses negócios, assim como eu. Durante suas aulas, fora o cumprimento habitual, o tempo restante era dedicado ao camarada de Viçosa para cantar, tocar e divertir o pateta. Durante o ano letivo, tudo que pude colher do Português desse professor (que enrolava descaradamente) foi a metade de uma página (não folha) do meu caderno magrinho, oito ou dez linhas apenas. O restante era mensalidade altíssima e em dia. Não gosto de medalhão, detesto medalhão, quero distância de medalhão. Sei que devemos viver o presente e pensar no futuro, mas quem bloqueia o passado é a caduquice. O tema aos cantadores em Campina Grande, durante um congresso, dizia: “Tudo passa na vida, tudo passa/ Mas nem tudo que passa a gente esquece”. Àquele professor vivia dizendo que iria publicar uma gramática. Deixei à capital e nunca soube de gramática alguma. Bem diferente da competência e seriedade de Dona Besinha. Flor de Lácio, Aurélio e outros livros úteis, sempre estão ao alcance nos meus escritos diários. Isso, entretanto, não é garantia para faltas de pecados. Lidar com a Língua Portuguesa é lidar com as lisas piabas do Panema: trastejou passou.
Continuo admirando os profissionais honestos e dedicados do nosso Magistério. Homens e mulheres que, muitas vezes, ficam decepcionados com seus ínfimos vencimentos no final de cada mês. Sacos de pancadas dos abutres elitistas. Ah! “(...) Mas nem tudo que passa a gente esquece.” PALAVRAS DE CANTADOR.

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LULU FÉLIX

LULU FÉLIX
(Clerisvaldo B. Chagas. 19.5.2010)
Visitando pontos da nossa Maceió, registramos o desprezo administrativo nos calçadões de praias como Avenida e Sobral. E a praia do Sobral nos faz recordar um cidadão de Santana do Ipanema que marcou época. Trata-se do indivíduo Lulu Félix, baixinho, carismático e contador de aventuras, quase todas elas vividas por ele. Lulu morava na entrada da Maniçoba, subúrbio de Santana, em uma casa de alpendre na parte mais alta do largo. Tenho impressão até que o sítio em que morava Lulu, antes pertencera a certo Tavares, personagem de uma crônica do escritor Oscar Silva. Na varanda da casa grande, mas modesta, havia um banco chamado no Sertão de “pelar porco”, que servia para descansar as pernas dos que transitavam entre a cidade e a Maniçoba ou Bebedouro. Até hoje chamo a esse lugar de Largo do Lulu Félix e gostaria que oficialmente assim fosse chamado pela prefeitura da cidade. Lulu Félix sempre estava no comércio de Santana. A loja de tecidos do meu pai era um dos seus pontos de parada prediletos. O homem sempre aparecia de paletó. A princípio, chegava calado, encostava-se à parede externa e ficava ouvindo a conversa dos que haviam chegado antes. Parecia aguardar a sua vez de falar. E falava sim, quando alguém a ele se dirigia pedindo que contasse alguma coisa das suas constantes viagens a São Paulo. O pequeno, falando fino e baixo, então, se soltava a mentir com uma seriedade impressionante. Falava sobre São Paulo, Minas, Amazonas, Maceió, Bahia... Segundo suas narrativas, estivera nos lugares citados quando vira isso e aquilo. Se alguém fazia uma observação, Lulu sempre replicava com a frase: “Eu passei foi quinze anos naquela porcaria”. De modo que se fosse somado o tempo que ele falava durante a palestra, daria mais de cem anos e o Lulu Félix deveria estar na faixa dos 55 aos 65 de idade. Alguns diziam que o paletó era presente da família. Não sei. Nunca ousei perguntar isso aquele homem tão sério.
Ao falar em Maceió, disse Lulu Félix que um grupo de vinte homens do exército desceu até a praia do Sobral, para realizar os exercícios de costume. Após as instruções de rotina, o sargento chamou os soldados de volta ao quartel. Mas quando contaram os homens, estava faltando um. Procuraram em todos os lugares e nada. Só podia ter sido afogamento, não havia outra explicação. Os soldados retornaram ao quartel com essa lamentável baixa, segundo a narrativa. Três dias após o acontecimento, um pescador pegou um peixe enorme no mar do Sobral e, ao abri-lo, qual não foi à surpresa! Estava o soldado desaparecido inteirinho na barriga do peixe e ainda mais em posição de continência.Quando alguém duvidava das suas conclusões, Lulu sempre dizia: “Você não viaja!”
Na realidade, o argumento de Lulu era muito eficiente. Se você não viaja, meu amigo, como pode duvidar das coisas que não conhece? Vou deixando a praia do Sobral, imortalizada nas clássicas mentiras do santanense, quando mentir era uma arte. E o que era arte passou à safadeza descarada dos bandidos engravatados. Boas lembranças das doces e sacrossantas mentiras de LULU FÉLIX.




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terça-feira, 18 de maio de 2010

É O MUNDO TODO

É O MUNDO TODO
(Clerisvaldo B. Chagas. 18.5.2010)
Anedota é um pequeno fato curioso e divertido, segundo Benildo Pacífico em tempos de Ginásio Santana. Anedota parece ser algum acontecimento inexistente, mas o caso de “é o mundo todo”, aconteceu e ganhou até crônica por aí. Resumindo essa passagem, O Ipanema, time de Santana, sempre contou com seus seguidores fanáticos. Alguns deles acompanhavam os jogadores aonde quer que eles jogassem: Maceió, Capela, Penedo, Arapiraca, Palmeira dos Índios e Capela eram os lugares mais comuns de jogos pelo campeonato alagoano. Ao retornar da cidade de Capela, após um desses jogos, o torcedor José Maximiano deu um cochilo no automóvel lotado. O gozador José Chagas, aproveitou para sujar de fezes ainda frescas o bigode do companheiro. Ao acordar, Maximiano, situa-se no tempo e no espaço, eriça o bigode e contorce os lábios, depois afirma que está sentindo um fedor enorme da dita cuja. Não satisfeito, enfia a cabeça para fora da janelinha e exclama: “Oxente! E é o mundo todo!”
O Maceió do meu tempo tinha como atrações as suas belas praias, motivos de orgulho para os alagoanos. As mais concorridas eram a da Avenida, a do Sobral e a da Pajuçara. A praia da Avenida era um verdadeiro colírio. Aos domingos, nada havia de mais belo do que a multidão que se divertia sem preocupação alguma. Águas limpas, azul na água, azul no céu, navios ao fundo do cenário e a meninada a correr brincando sem perigos aparentes. O calçadão era bem cuidado. Bastava o trânsito da pessoa pela calçada para se sentir bem com o cheiro gostoso da maresia. A praia do Sobral, por ser muito perigosa, ficava quase toda reservada aos jogos de futebol e aos treinamentos de militares. Já a praia de Pajuçara era frequentada, principalmente, pela elite que morava em mansões no próprio bairro. Por falar em Pajuçara, o bairro entra na história do escritor Graciliano Ramos, por ter sido o local onde ele foi preso e, por esse motivo, saíram os escritos “Memórias do Cárcere”.
Atualmente, não são poucas as pessoas que saem do interior para morar em Maceió, visando suas belas praias. Mas que decepção! Gente que mora na capital vai avisando que todas estão poluídas. Pessoas dizem que Avenida e Sobral recebem as fezes dos pobres; Pajuçara, Jatiúca e as demais, coletam as fezes cinco estrelas. E o pior é que não se vê uma só placa indicativa da poluição. Ficamos tentados a sair para Jacarecica, Sereia, Paripueira, mas aí um jornal estampa que dezenove praias estão impróprias para o banho. A que ponto chegou o nosso estado. Poluição nos rios Ipanema, São Francisco, Mundaú, São Miguel e dezenas de outros espalhados no mapa da hidrografia. Mas, “cabra velho”, se você pensa que escapa deixando o interior para se deliciar no litoral norte, ê, ê... Caso insista em tomar banho de mar, confira seu plano de saúde e cuidado no bigode para depois não dizer como o torcedor José Maximiano: “Oxente! E É O MUNDO TODO!”




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domingo, 16 de maio de 2010

OLHO (Ô) NOS DOIS

OLHO (Ô) NOS DOIS
(Clerisvaldo B. Chagas. 17. 5 2010)
A proximidade da copa vai diminuindo a incerteza do Oriente Médio, perante o mundo. Mesmo assim, existe um forte interesse das nações desenvolvidas da Europa mais Estados Unidos, na visita do presidente Lula ao Irã. Aumenta cada vez mais a pressão americana em cima do Conselho Permanente da Organização das Nações Unidas para sanções ao país iraniano. É certo que o senhor Mahmoud Ahmadinejad tem a língua solta e fica, de fato, “futucando o cão com vara curta”. Os americanos ─ grandes derramadores de sangue do Planeta ─ continuam a sede de domínio mundial, assim como os romanos da Antiguidade. Detestam os que não concordam com suas ideias de poder absoluto. Mesmo admitindo o poderio de nações fortes econômica e militarmente como Alemanha e Inglaterra, o que mesmo existe é uma grande vassalagem ao Tio Sam, muito difícil de se libertar. Por que isso acontece nesses tempos de União Europeia, de alta tecnologia e de uma sacudidela na ordem mundial? Enquanto a vassalagem continua, a águia vai dominando cada vez mais os becos de escapes. No momento em que os Estados Unidos fazem um acordo nuclear de destruição de armas atômicas com a Rússia, surge uma nova potência que é a China. Chinês pensa e age diferente de ocidentais, primordialmente, de americanos. Ao evitar um hipotético conflito com a Rússia, os Estado Unidos respiram aliviados e fazem consultas ao país asiático sobre pontos de conflitos no mundo, de interesses para ambas as partes. Entretanto, surge como obstáculo da sua dominação absoluta, uma China, por exemplo, com um exército poderoso e uma posição assumida de segunda economia mundial. Agora fica mais difícil dominar o mundo inteiro sozinho, como devem pensar os dirigentes do país do norte.
Diante do surgimento robusto no cenário global da China, Brasil e Índia, Estados Unidos não ficam bem à vontade. Como ficar à vontade? O mundo chinês, altivo, frio, modernizando-se e sem vassalagem. Brasil, assumindo uma posição independente na política exterior, tornando-se potência e conquistando espaços em todos os recantos da Terra. Índia, com a segundo população do globo e com armas nucleares, calada, mas entrando na briga total por espaço. É de fazer, portanto, a secretária americana explodir de raiva por dentro, mantendo a pose por fora. Como desejar que o presidente Lula tenha êxito nas negociações nucleares no Irã? A secretária quer mesmo, não sanções, mas sim, uma invasão ao Irã respaldada nos vassalos da Europa. E não é por que o Irã quer fabricar bomba atômica. É porque não admite um país falar grosso com os Estados Unidos, o Nero do mundo. Depois, caso Lula tenha sucesso na missão do acordo, os Estados Unidos ainda vão procurar minimizar a importância desse acontecimento, com ciúmes do Brasil que rouba parte da sua liderança em lugares acostumados ao mando. De fato, Ahmadinejad parece pedir uma invasão americana para testar não sei o quê. O povo é quem deve pagar pela sua insensatez. Por outro lado, os gringos ainda não invadiram o Irã, cremos nós, por que estão atarefados com o Afeganistão, com o Iraque e com o debate da crise econômica. Mas rato não confia em gato. Fiquemos, então, com um sentido na bola, outro no urânio. OLHO (Ô) NOS DOIS.

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

SOLDADINHOS

SOLDADINHOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 14.5.2010)
E vou contemplando velhas e novas ruas da capital. Lembro de uma pesquisa feita aqui mesmo no Instituto Histórico e Geográfico. Igaçabas, flechas, cocares, lanças... A mulher que dizia estudante só pagar a metade. No pátio, o canhão antigo e conservado que defendia a terra contra invasores navais. Chapéu, armas e roupa de Lampião. Lembro do escritor Ernani Mero em relação ao Instituto. “Venha para Maceió, meu amigo, também gosto muito de Penedo, mas aqui eu sirvo melhor a minha terra”. Deixo a ladeira do Brito, revejo o Parque Gonçalves Ledo, tão bonito, sendo rondado por estupradores (ver jornais passados). E esses arredores altos que me chamavam atenção, hoje apresentam mansões abandonadas e o medo dos marginais que perambulam. Muitas outras mansões fechadas, decadentes, cujos donos morreram ou resolveram migrar para apartamentos e condomínios fechados. O Maceió antigo vai virando manchas, substituindo residências por casas comerciais e, os brancos paralelepípedos pelo preto-cinza do asfalto. Quero entrevistar os sem-terras da Praça Sinimbu, mas o motorista teme como outros motoristas temem. O sinal vermelho não impede o avanço do veículo. Ninguém para, nessa tarde de domingo. As lonas pretas contrastam com o verde das árvores no palácio dos homens do campo. Falam-me que uma pracinha sem bancos, sem nada, é chamada de Praça da Macaxeira. O povo que vende o produto no chão vai batizando os logradouros. Muitas novidades no distrito industrial, no aeroporto, nos bairros de cima que se modernizam com o vertical do concreto.
É na praia da Jatiúca onde estão muitos benefícios que melhoram a qualidade de vida. Ali percorro trechos em coletivo mirando terras e águas. Uma senhora, ao meu lado vê garotos uniformizados e não resiste: “Hem, hem! Parece um rebanho de soldadinhos! O senhor conhece soldadinho?” Vejo que a senhora é do interior. Chega uma vontade medonha de conversar com ela. Estar sentindo-se como eu, repleta de saudades. Mas não me sinto propenso a conversas, naquele momento. Apenas balanço afirmativamente a cabeça. Claro que conheço soldadinho. Pássaro que carrega uma crista vermelha na cabeça. Antigamente ele nos encantava mesmo no meu interior, mas já não existe no lugar onde moro. O interior da senhora do coletivo ainda pode se deslumbrar com esses bandos de soldadinhos, para ela, aqui, felizmente transformados em meninos.
Não sei por que tantas lembranças perseguem a gente na caminhada da vida. De vez em quando encontramos um parceiro saudoso que divide os passos da jornada. Pouco a pouco outros cenários vão surgindo no plano físico e no espiritual, moldando a alma de quem caminha. Muitos castelos vão ruindo, mas novos jardins vão inebriando o viajor. Quando a “dama bonita e tristonha” aparece, é hora de meditação. É o momento de vermos uma tela que se apresenta repleta de SOLDADINHOS.


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TEMPO DO ADEUS

TEMPO DO ADEUS
(Clerisvaldo B. Chagas. 13.5.2010)
Não sou torcedor fanático de time nenhum. Quando joga a seleção brasileira, contudo, aumenta sim o meu espírito de brasilidade. E mesmo não sendo daqueles que acompanham cotidianamente o futebol, não tenho como fugir das notícias da bola que alentam milhões de seguidores. Não lembro há quantos anos ouvi um comentarista famoso da televisão falando sobre as promessas do esporte. Entre outros comentários, dizia ele que estava despontando um menino pobre, muito bom no drible e na personalidade. Dizia ainda o profissional, que o garoto chutava com os dois pés, o que era uma raridade em nossos estádios. Encerrou esse assunto advertindo que todos ficassem de olho que esse menino iria longe. Estava referindo-se a Ronaldo. Dessa vez não mostrou a sua imagem e eu ainda não o conhecia. Depois o Ronaldo foi subindo e se tornou o xodó do Brasil. No auge da sua fama em terras brasileiras, foi embora para o estrangeiro chegando à posição de melhor jogador do mundo. O apresentador da televisão estava certíssimo. Fora quase um profeta com seus olhos e conhecimentos abalizados. Ganhando o apelido de “Fenômeno”, Ronaldo passou a ser querido também pela sua personalidade dentro e fora de campo. Como um garoto pobre e morador de favela podia possuir um comportamento, maduro, sincero e equilibrado? O “Fenômeno” deixa de ser somente o xodó do Brasil e passa a ser o xodó do Planeta.
Rico, poderoso, seguindo a natureza humana, o jogador vai aqui, acolá, ao encontro de escândalos. Enfrenta oito cirurgias, engorda, tomba na fama e vai enfrentando os reveses muita vezes sem sucesso. Dos estádios europeus, palco de lutas desfavoráveis, foge para o seu refúgio brasileiro. Mas a mídia está em todos os lugares. Ao invés de dá um basta na sua carreira, prefere a vontade de jogar e o engano bondoso da melhora. O peso não mais lhe abandona. E o “Fenômeno”, o santo brasileiro dos estádios, sai de campo vaiado por milhares de torcedores cariocas. Respeito mais nenhum. Com grande dificuldade Ronaldo vai à Imprensa. Cabeça erguida, mas com uma aura de tristeza infinita que deixa o torcedor com pena. É o seu martírio pela via - Dolorosa. Mesmo assim ainda lhe resta um pouco de esperança, quem sabe, milagres acontecem. Mas a convocação para a copa acaba de erguer uma coroa de espinhos e colocar sobre a sua cabeça.
O Rei Pelé, vez em quando fala suas asneiras, mas tem razão quando aconselha a alguns deixarem os campos futebolísticos no momento certo. Eles, todavia, ignoram os conselhos e preferem continuar a guerra sem munição. Ao contrário de um pensamento pessimista, estamos, infelizmente, falando do mundo real. Como brasileiro, fiquei morto de vergonha com as vaias para aquele que nos deu tantas e tantas alegrias. Como pessoa, senti toda tristeza e frustração do “Fenômeno” em suas melancólicas entrevistas. O destino também joga como time de futebol. Como enfrentou inúmeras e duríssimas batalhas, Ronaldo precisa entender também o TEMPO DO ADEUS.


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terça-feira, 11 de maio de 2010

A BARONESA

A BARONESA

(Clerisvaldo B. Chagas. 28.06.2009)

A cidade de Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, é ladeirosa e repleta de patamares. Tendo iniciado a sua existência em um desses patamares, logo o casario começou também a percorrer declives e aclives das cercanias. Em torno do seu sítio urbano destacam-se alguns montes denominados regionalmente “serrotes” que quer dizer, pequenas serras. Ao norte da urbe, com vista panorâmica, localiza-se o serrote do Pelado que passou a chamar-se Alto da Fé a partir do governo Genival Tenório. Ao sul está o serrote do Gonçalinho, denominado em tempos modernos, do Cristo ou das Micro-ondas; o morro da Goiabeira, também chamado serrote do Cruzeiro; o serrote Pintado e a serra Aguda. Todas essas elevações funcionam como extraordinários mirantes da cidade.
Na área rural surgem alguns montes que consolidam a palavra serrote como o serrote dos França, dos Brás, do Amparo, Severiano, dos Bois e o dos Angicos. Entretanto, o forte das elevações está no Maciço de Santana, que representa o final do Planalto da Borborema. Os destaques do Maciço — ao norte e nordeste da sede — são denominados serras como a do Poço, Camonga, Macacos, Gugi, Jardim, Mulungu e Caracol. Em eras mais distantes, essas elevações de terras férteis e micro clima ameno, abasteciam as feiras semanais da região com frutas e legumes. A serra do Poço já foi sondada como possível abastecedora de água para Santana. Vítima de uma nuvem pesada que lhe tirou boa fatia de terra, também já forneceu fósseis para os curiosos. A serra do Caracol foi marco inicial do Município. A serra do Gugi foi motivo de crônica do escritor Oscar Silva. A serra da Camonga tem histórias e lendas e, no momento é a que mais nos interessa.
A serra da Camonga forma um meio arco vindo do norte, estende seu lombo extraordinário em direção ao sul, e se debruça abruptamente sobre a estrada Santana—povoado São Félix. Esse final abrupto da Camonga é formado por imenso rochedo vertical, desnudo e branco. Quem olha de cima sente arrepios só em pensar que dali do alto caiu um vaqueiro em busca de reses desgarradas. Para os crédulos, é ali onde existe um reino encantado com sua fortuna em pedras preciosas.
Quem contempla de longe a serra da Camonga, sendo amante da natureza, fica encantado com a verticalidade do final. Sem dúvida alguma, parece uma baronesa com seu mais belo vestido rendado, sentada confortavelmente no seu trono de marfim. Aquela imagem surrealista da baronesa representa um descomunal monumento à comunhão Deus-homem, no desenho do elevado. Nem a imagem de uma rainha desbanca a figura da baronesa no seu trono cravejado de diamantes. Falta apenas um cetro. Um cetro e nada mais para que ela possa comandar terras e homens que lhes tocam os pés. serra da CAMONGA, A BARONESA DO SERTÃO




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segunda-feira, 10 de maio de 2010

DISCUSSÃO DANADA

DISCUSSÃO DANADA
(Clerisvaldo B. Chagas. 11.5.2010)
Aqui na capital a vida também passa como no interior. Bem ali, ali mesmo no cruzamento com semáforos, um senhor pede esmola de modo diferente. Passa o dia inteiro no ponto, inclusive aos sábados, domingos. Cada fechada de sinal representa uma rodada para o homem de boné. Tudo é bem calculado: dias, horas, minutos, segundos. A presença do sinal vermelho é a ação imediata do pedinte que vai batendo devagar nos vidros dos automóveis e estendendo a mão. Como é muito calculista ele sabe quantos por cento das pessoas atendem aos seus apelos. Quem são os caridosos, homens ou mulheres? Novos ou velhos? Pretos ou brancos? O mendigo que se traja como qualquer pessoa comum sabe. Ele já passou dos sessenta, mas é durinho como um de cinquenta. O dia passa. Pela tardinha, vamos a uma farmácia no Bairro do Farol. Por coincidência, entra no estabelecimento o homem do boné. A senhorita do balcão vai atendê-lo com prioridade. E o mendigo do cruzamento despeja as moedas coletadas sobre o balcão de vidro. Arregaça os bolsos da frente. Desloca a bacia e enfia os dedos nos bolsos de trás. Enquanto os dedos caçam os cobres nos fundos do tecido, a moça vai perguntando se ainda tem. Os montinhos vão sendo separados pelos respectivos valores. Quase ao término da contagem a senhorita anuncia o montante de setenta reais. O homem ainda se torce todo em busca de outras moedas que lhes fogem aos dedos.
Analisando a contabilidade, setenta reais ao dia, durante o mês mais de dois mil reais. Pois o homem do boné fatura mais de dois mil reais por mês, no cruzamento dos semáforos. Questão de paciência e persistência. Compare agora com a grande maioria de empregados que batalha pelo salário mínimo.
Lá em Santana do Ipanema (minha terra) quando alguns homens se reuniam na porta maior da loja de tecidos de meu pai, de tudo saía. Lembro do poderoso e discreto comerciante José Acióli, quando mendigos apareciam. Balançava o dedo negativamente e dizia que pedisse ao governo. Para isso pagava seus impostos. O pedinte não entendia esse negócio de impostos, mas entendia o dedão trabalhando como palhetas de pára-brisa. Mas Acióli aconselhava aos seus que não negassem uma esmola às sextas-feiras. Já o comerciante-fazendeiro Izaías Rego, conhecido também pelo gênio forte e explosivo, despachava o mendigo com um pequeno esporro. Afirmava que só quem merecia esmolas eram cegos e aleijados.
Muitas religiões recomendam à esmola. Modernamente alguns padres não querem esse ato entre os que pedem nos templos. Querem sim, que o dinheiro dos fiéis procure os depósitos das próprias igrejas. Entre a religiosidade, o coração e as normas sociais, não está fácil de enquadrar o pensamento caritativo. Como o aborto, a discriminação racial, o uso da camisinha, o ato de dá esmola também se tornou polêmico. Isso dá uma DISCUSSÃO DANADA!


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BARRA NOVA

BARRA NOVA
(Clerisvaldo B. Chagas. 10.5.2010)
Vou olhando o cenário comprometido da Mundaú. Surge o horror da favela de lata, papelão e madeira. Barracos estendem-se ao longo da orla tal pintura surrealista. Quanta miséria e abandono! Quem tanto bombardeou o local? Quem provocou incêndio tão devastador sobre esses indivíduos humanos? Barracos, esqueletos sem cor que degradam e mancham a “cidade sorriso”. Papódromo enferrujado já não pede socorro porque o monumento e os arredores parecem dar os últimos gritos abafados à sociedade. Face cruelíssima de uma capital nordestina. Melhora a paisagem adiante e se vai mesclando até a pista litorânea. Domingo Dia das Mães. O trânsito está muito vivo pelos arredores da cidade. Todos querem o mar, as lagoas, as barracas. Guardas apitam as margens do asfalto e a fila coleia pelo terreno cinza. O verde do mangue não parece tão verde. Barro vermelho cobre o branco de um alargamento. E os carros prosseguem avançando com fome de terreno, famintos de espaço. Muitos seguem para Marechal Deodoro, outros mergulham nos declives de acesso ao povoado Barra Nova. Muda o cenário pelas ruas estreitas de calçamentos vencidos. Mansões concorrem satisfeitas depois de jantarem a vegetação nativa, antes viçosa, virgem, pura natureza. E lá no recanto, ao fundo de todas as ruazinhas, os automóveis se imprensam pelas curvas cheias de rudes palhoças que produzem a culinária alagoana. Todos buscam o pirão de peixe, o róseo dos camarões, o incolor da aguardente. Multidão espalha-se pelas cadeiras fortes; servidores fardados e suarentos equilibram bandejas e o vozerio mistura-se aos sons eletrônicos. O azul ondulante das águas acalma os olhos. O Sol queima as areias da restinga, lá do outro lado; e o bem-te-vi do mangue canta igual ao colega do Sertão.
O Dia das Mães parece acontecer no mundo inteiro. Somente quando aterrissam pratos fumegantes, a fome domingueira parece se acalmar. Terrinas à vista, cardápios perdidos, mães felizes, cheiro de limão pelas narinas excitadas. Dá-se o ataque de garfos aos miolos sedutores. Parabéns ficaram para trás, presentes guardados, abraços esquecidos. Sons espalhados acompanham as cores que desaparecem rapidamente da mesa rústica.
Meu Sertão, meu Sertãozinho cai no esquecimento diante das evidências. Vão-se as lembranças dos vales, dos serrotes, dos riachos vazios, secos, repletos de areia grossa. E a Barra Nova vai matando os desejos de estômagos estrangeiros, brasileiros, nativos... Sertanejos. Vamos continuando a faina sob o Sol tropical pleno de azul que ilumina águas, vegetais e homens. É sim, hoje Dia das Mães... Tem que ser repetido mais algumas vezes. Os raios vão tombando rumo ao poente e vamos deixando o povoado. Hoje é Dia das Mães. Ainda um longo olhar para a restinga imensa e o adeus disfarçado para BARRA NOVA.


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quinta-feira, 6 de maio de 2010

ALMAS DE VAQUEIROS

ALMAS DE VAQUEIROS
(Clerisvaldo B. Chagas. 7.5.2010)
Série ficção

“Saia Branca” era um boi selvagem que homem nenhum teve o direito de chegar perto. Todos os vaqueiros da região perseguiam o Saia Branca, mas, de longe, voltando sempre tristonhos e infelizes. Os dois maiores derrubadores de gado, Donato e Zé Vicente, haviam tentado em vão. Certa feita, Donato se aproximou dos outros vaqueiros do povoado e trouxe uma surpresa. Disse que iria entrar na caatinga atrás do marruá, durante sete dias. Caso não chegasse ao prazo estipulado, ou estava morto ou havia sumido para bem longe dos seus amigos. Alegou que, diante da fama adquirida, não poderia viver desmoralizado por um barbatão titã. Silêncio geral. Zé Vicente, apaixonado por Biana (filha de poderoso comerciante) viu ali uma oportunidade de eliminar o companheiro. Biana derretia-se toda para Donato e nem ligava para Zé Vicente, cabra destemido, porém, danado de invejoso. Donato, sob forte interrogatório, ia fazendo compras dos víveres que precisaria no mato e cuidando do cavalo “Pinga-Fogo”. Zé Vicente não parava de espreitá-lo para lhe tirar a vida.
No dia escolhido, Donato entrou na manga imensa com a chegada do sol primaveril. Zé Vicente o seguia à distância em seu cavalo “Remanso”. Dois dias e duas noites Donato procurou rastros, acampando nos ermos, concentrado no Saia Branca. Seguindo seus passos, Zé Vicente arquitetava plano diabólico: “Se ele não encontrar o boi, irá embora daqui mesmo e não precisarei matá-lo. Se encontrar o barbatão e nada conseguir, também irá embora. Mas se o Donato encontrar e derrubar o boi, assim que encaretar a rês, eu atiro nele. Nesse caso, enterro o cadáver e, para não haver suspeita, desamarro o barbatão e volto para casa. Homem nenhum será melhor vaqueiro que eu e nem roubará Biana de mim”.
No terceiro dia, logo após o café da manhã, Donato descobriu rastros frescos, se animou e seguiu os sinais. As pegadas do Saia Branca eram diferentes das reses comuns. Mas ao caminhar uns cem metros, puxando o cabresto do cavalo, Donato desconfiou que o boi estivesse a lhe rondar. Temendo um ataque, montou rapidamente e ficou perscrutando os intrincados com seu olhar arguto. Virou-se e viu uma figura gigante imóvel mirando em sua direção. Estava diante do Saia Branca. O boi, ao ser notado, soltou um berro descomunal como se fosse um longo e aperreado gemido prevendo desgraça. Donato arrepiou-se dos pés à cabeça e achou que aquele barbatão só poderia ser coisa do outro mundo. Saia Branca balançou a cabeça com duas lancetas afiadas, cavou vigorosamente o chão, pulou para frente, deu meia volta e desapareceu nos mistérios da mata. Estava feito o repto. Pinga-Fogo espichou o pescoço e disparou atrás do Saia Branca. Foi estalar de madeira de todo tipo na perseguição feroz que a Natureza enaltecia. A cor branca do barbatão surgia e sumia diante das ventas acesas de Pinga-Fogo. Donato rodava e deitava-se na sela no fantástico da perseguição. Saia Branca penetrou de vez no esconderijo predileto, uma grota sombria de recanto. O valente cavalo emparelhou a cabeça com a barriga do boi, entregando ao cavaleiro a derrubada. Saia Branca tombou desarticulado debaixo das juremas. Pinga-Fogo esbarrou adiante fazendo trilhos no chão e retornou para o arremate final. Zé Vicente vinha disparado atrás, mas ouvindo a queda do touro, apeou e correu com arma em riste para o miolo da luta. Pinga-Fogo meteu uma pata dianteira num buraco coberto de capim, caiu para frente. Donato despregou-se da sela e foi lançado de bruços na barriga do boi. Saia Branca levantou-se rapidamente e Donato caiu no chão. Saia Branca escapou em direção oposta, atacando Zé Vicente, levando-o nos chifres, deixando-o num cipoal. Desapareceu de uma vez. Os cavalos tremiam sem cavaleiros. Donato, surpreso, socorreu o companheiro (que não estava em condições de falar) guardou a arma e voltou ao povoado, cuidando de Zé Vicente com ervas encontradas. A vestimenta salvou Vicente das chifradas, mas não impediu a força do boi. Somente em casa, o acidentado começou a falar. Contou a saga, pediu perdão e agradeceu a Donato. Chorou muitas vezes de arrependimento. Tornaram-se amigos inseparáveis. Quanto ao Saia Branca, Donato disse que nunca mais iria perseguir aquele que salvou a sua vida. Todos os vaqueiros concordaram. Saia Branca nunca mais foi incomodado até ninguém mais dá notícias da sua existência. Ele compreendia bem as ALMAS DE VAQUEIROS.


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quarta-feira, 5 de maio de 2010

ESTRIBOS DO CANGAÇO

ESTRIBOS DO CANGAÇO
(Clerisvaldo B. Chagas. 6.5.2010)
Vivi situações diversificadas nas pesquisas sertanejas. Três delas, porém, continuam gravadas em pastas semelhantes.
Designado para a fazenda de um homem tipo coronel, não pensei duas vezes no cumprimento do dever. Senhor de terras e de homens, no alto Sertão, o fazendeiro casava, batizava, feriava e dava dia santo. Quando precisava, saía ligeiro com seus quinze ou vinte capangas armados até os dentes. Governadores temiam e respeitavam o fazendeiro. E alguns até levavam esporros desmoralizantes do homem do sertão. Seu nome virou lenda para o bem e para o mal. Fazia sua própria justiça e exercia influência sobre todos os tipos de representantes estaduais de cidades circunvizinhas. Sua vida daria um livro completo. Dirigi-me com um companheiro até lá. O homem nos recebeu normalmente, pediu que um empregado selasse dois cavalos brancos e mansos que estavam na varanda e fomos até um aglomerado dentro da imensidão de suas terras. Fizemos nosso trabalho, agradecemos ao “coronel” (não gostava de ser chamado assim) e viemos embora dentro da paz reinante no momento.
Com os mesmos objetivos, fomos à outra fazenda não tão longe dali. O dono também era famoso, mas não como o primeiro. Muitas terras, ordens poderosas e péssima fama. Chegamos à época de sua decadência. Apesar do mal de Parkinson, ainda era respeitado e temido. Diziam que esse tinha quantas mulheres quisesse e vivia com várias delas. No momento não estava em casa e nos entendemos com um dono de bar falido que nos pareceram filho bastardo e capanga do velho. Foi aí onde, pela primeira vez, vi um sino de convocar a capangada, pendurado numa estrutura de alvenaria. Até àquele momento eu só tinha ouvido falar no assunto nas leituras de adolescentes em literatura de cordel. Fiquei de queixo caído com a realidade. Dando graças pela ausência da fera, realizamos o nosso trabalho e viemos embora.
Em outra ocasião chegamos a uma fazenda localizada numa planura muito bonita no meio da caatinga. Havia perto do terreiro da casa-grande, duas pedras enormes escoradas uma a outra. Na base, formavam uma pequena gruta; correndo em sentido vertical ambas se iam  afunilando. O proprietário queria que descobríssemos o mistério de várias formas arredondadas que havia nas pedras, do tamanho de uma bola de golfe. Só vim, a saber, depois que aquilo era provocado por fungos e bactérias. Ganhamos a confiança do homem e ele nos confessou que era ali na pequena gruta onde ficavam muitas vezes, os cabras de Lampião. Disse ainda, que após a tragédia dos Angicos, os cangaceiros que escaparam andavam perambulando sem chefe pela caatinga. Foi ele, então, quem serviu de intermediário para que alguns cangaceiros se entregassem ao batalhão do coronel Lucena em Santana do Ipanema. O homem procurado por ele em Santana foi o comerciante (depois prefeito) Ulisses Silva que falou com o coronel. Não lembro o nome desse fazendeiro, mas era um tipo marcante, alto, forte, roupa de mescla e chapéu de couro de abas largas. Eu pequei suas características e o transformei no personagem Né de Zeca, coiteiro de Lampião, do meu futuro romance em relação à época, “Deuses de Mandacaru”.
Se não estive no dorso, pelo menos ainda vi os ESTRIBOS DO CANGAÇO.







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MERA COINCIDÊNCIA

MERA COINCIDÊNCIA
(Clerisvaldo B. Chagas. 5.5.2010)
Série ficção
Bem à vontade na espreguiçadeira, o coronel Leonino Leão palestrava animadamente com o deputado Lobo Faninto. Era perto do meio-dia e a buchada cheirava muito no fogo da fazenda “Escreveu Não Leu”. A visita de cortesia era também pelo agradecimento do deputado que fora eleito entre os primeiros lugares. Leonino, muito satisfeito, contava ao deputado como se fazia política no Sertão:
─ Pois comigo é assim, meu caro deputado. Tem muito cabra peste no mundo! O Zé Catenga mesmo (sujeito da vila) me procurou dizendo que havia ganhado um cavalo, mas faltava a sela. Garantiu-me quinze votos certos, entre a família dele. Providenciei a sela, mas o infeliz disse que só servia nova. Mandei o mestre fazer. Depois da eleição não veio nem aqui. Levou seus quinze votos para outro deputado, ganhou mais uma sela nova e uma cabra leiteira. Mandei chamá-lo e dei-lhe uma pisa da peste! Mas, entenda deputado, a surra não foi com chibata velha não. Foi com uma novinha, novinha, como a sela que eu dei a ele.
─ Sei, meu amigo...
─ Sebastião Xundoca, um cabra da Lagoa Bonita, quando pedi uns votinhos a ele, o indivíduo falou que nem precisava ter pedido: “Lá em casa é tudo com o seu candidato, coronel”. Quando ele saiu de perto de mim, disse a uma afilhada minha que eu fosse lamber sabão que o voto dele não era para ladrão. Rimou, não foi, deputado? Eu disse a mim mesmo que iria pagar bem pela sua rimada. Passado o pleito, mandei um recado pedindo que Xundoca viesse até aqui e me trouxesse uma barra de sabão. Ele chegou com cara de besta, mas trouxe a barra. Eu mandei Zé Ligeiro e Pedro Marreta fazerem uma presepada com o sabão que ele trouxe. Um foi empurrando pedaços pela boca de cima e o outro empurrando sabão pelo furo de baixo.
─ Oxente! E ele morreu, coronel?
─ Levaram-no para a capital. Nem sei o futuro de Bastião Xundoca... Antonio Jururu (esse o senhor conhece) me prometeu um boi pela sua vitória. Quando o deputado ganhou, perguntei a ele pelo boi. Hum! Ele disse que lamentava muito, mas a cobra tinha mordido o garrote. Aí eu fiz ver àquele cabra cu-de-galinha que em seus pastos ainda pastavam muitos bois. Sabe o que ele me respondeu, deputado? Que não iria tirar outro boi do pasto, pois o prometido fora o boi da mordida. Eu, então, pedi a ele que me trouxesse pelo menos a serpente que mordeu o boi. No outro dia o safado chegou à fazenda com uma jararaca que mandou caçar nem sei aonde. Nesse tempo não se encontra uma só por aqui. Mandei os “meninos” amarrá-lo e soltar a jararaca dentro da roupa dele, depois de fechar as pernas da calça.
─ E aí?
─ Deixe isso para lá, deputado. Um cabra que me prometeu ajudar e foi tocar sanfona para o adversário eu o peguei depois e ele passou aqui um dia inteiro tocando sanfona sem parar, nem beber, nem comer. Os meninos não deixavam. E como a buchada já está à mesa, quero dizer só mais uma. Fiz um cabra dormir pendurado com as mãos para cima no meio dos morcegos porque ele disse a minha comadre, referindo-se a mim, que não acompanhava minha política, pois “quem anda com morcego dorme de cabeça para baixo”. Ele dormiu com os morcegos, mas de cabeça para cima para largar de ser mentiroso.
A mulher do coronel chamou o povo. O deputado se levantou dizendo que já tinha feito muitas daquelas. Aí o coronel também se levantou e disse:
─ Então é MERA COINCIDÊNCIA.






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segunda-feira, 3 de maio de 2010

TODOS PAGARÃO

TODOS PAGARÃO
(Clerisvaldo B. Chagas. 4.5.2010)
Mesmo nos oceanos as águas não param seus movimentos. Essas movimentações recebem nomes específicos: ondas, marés, vagas ou ressacas, marulho, correntes marítimas ou marinhas. Cada uma dessas agitações possui as suas peculiaridades que são estudadas com frequência. Existem ramos especializados que procuram penetrar nesse complexo marinho ainda hoje sensível e misterioso. Entre os movimentos citados, o que mais nos interessa agora, é a corrente.
As correntes marinhas são verdadeiros “rios” de água salgada que se movimentam dentro dos oceanos. Essas correntes podem ser quentes e frias e circulam por todos os mares e oceanos a uma velocidade de 8 a 10 km por hora. Também possuem profundidade, largura e características próprias. Não se misturam com as outras águas e são identificadas pela cor e temperatura. Os ventos (como os alísios) são a principal causa dessa circulação além dos movimentos da Terra. Sabemos ainda que no hemisfério norte, as correntes vão para a direita; no hemisfério sul essas massas de água seguem para a esquerda. São elas que influenciam os climas do mundo. Levam frieza para amenizar lugares quentes, trazem calor para aquecer regiões mais frias. Além disso, as correntes marinhas também são utilizadas pela navegação e mexem com formas de vida vegetal e animal. Plantas e bichos migram através das correntes, como os pinguins que sempre aparecem no mar do Rio de Janeiro. Existem desertos que não chove ou chove pouco por causa da influência de correntes. O de Atacama, no Chile, é um exemplo. Os estudiosos foram denominando as correntes frias e quentes que iam descobrindo. Hoje, elas se apresentam devidamente mapeadas com destaques nos mapas físicos do mundo.
O vazamento de óleo no Golfo de México, com a explosão da plataforma marítima, continua jorrando sem tampão. O prejuízo, em todas as esferas, que causará nos estados do sul dos Estados Unidos, será incalculável. Mas quem quiser que pense que o prejuízo vai ficar somente por ali. A Europa ainda vai soltar muitos palavrões com esse entrevero por causa de correntes marítimas. Previ aqui mesmo com bastante antecedência o “labafero” que iria acontecer na Grécia. Tudo se confirmando. A chamada Corrente (quente) do Golfo que passa no sul da América do Norte, poderá levar o óleo para o norte da Europa, aonde a Corrente do Golfo vai dividindo-se em outras partes. Portugal, norte da Espanha, países nórdicos e mesmo as proximidades da ilha da Groenlândia, poderão sofrer com essa movimentação.
Secas, enchentes, terremotos, maremotos, tsunamis e crises financeiras, perdem a vez diante desse vazamento medonho lá para cima. O mundo contempla atônito, mais essa desastrada ação humana que lembra os conselhos das nossas avós: “Não se deve mexer no que está quieto”. A conta do desastre espetacular, não tenha dúvidas, TODOS PAGARÃO.


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domingo, 2 de maio de 2010

JORNAL DO SERTÃO

JORNAL DO SERTÃO
(Clerisvaldo B. Chagas. 3.5.2010)
À memória de “Geraldo Maleta”, um dos repórteres do JS
A respeito do Jornal do Sertão, um dos encartes do Jornal de Alagoas, funcionou em Santana em 1986. Não sei dos entendimentos entre os mandatários de Maceió e Marcelo Ricardo. Sei apenas que o Marcelo me convidou para fazer parte de uma equipe para fazer funcionar um encarte do Jornal de Alagoas em Santana. Não fui convidado para trabalhar para Marcelo. Fui convidado como disse, para fazer parte de uma equipe. Implantado o jornal, a equipe funcionava com as seguintes pessoas: Marcelo, Edivânia (posso estar enganado no nome) filha do nosso amigo Marciano. Antonio Porfírio, Roberval Ribeiro, Marcel de Almeida, “Edvan de Gerusa”, “Geraldo Maleta” Clerisvaldo. O prédio do matutino funcionava à Rua Nova, ocupava o térreo e mais dois andares. Ninguém era mais importante de que ninguém. O jornal só funcionava por causa dos elos da corrente.
Marcelo – Era diretor de finanças. Cuidava de arranjar comerciais, sendo responsável pelo jornal e mantinha os contatos com os dirigentes de Maceió. Trabalhava em sala separada da redação. Não era escritor ainda e nem me falava nesse assunto.
Edvânia – Com seus óculos de lentes grossas, alegre, secretariava o setor de finanças, atendimento ao público, coisas assim.
No setor de redação:
Antonio Porfírio – Antes, fotógrafo autônomo. Tornou-se fotógrafo do Jornal e também auxiliava coletando dados que nos permitiam completar reportagens. Deslocava-se rápido com sua moto. Sem ele, o jornal só produziria textos.
Roberval Ribeiro – Desenhista, artista plástico e outros títulos. Era diagramador. Roberval também desenhava as charges do jornal. Dei muitas idéias a ele sobre os motivos dos desenhos e ele, para mim, era o melhor do estado.
Marcel – Também era diagramador. Quando o Roberval faltava, ele desenhava algumas charges. Na época, não falava sobre escultura, pelo menos a mim. Com grata surpresa vim, a saber, depois da sua fama lá no Sul. Sem diagramação, nada de jornal.
Edvan – Repórter empolgado com seu trabalho.
Geraldo – Também repórter. Sem ele e Edvan, como poderia funcionar o JS?
Clerisvaldo – redator. Encarregado de comandar a página que tinha hora marcada para fechar e ser enviada a Maceió. Numa cidade que não havia tantas notícias, conseguir entre doze e treze reportagens diárias era uma loucura. Chovendo ou fazendo sol a página teria que ser enviada à capital até a hora “x”. Tarefa estressante e de amor extremo. Através do JS, coloquei apelido na churrascaria que funcionava defronte o cemitério: “Defuntão”. Pegou muito bem. O prefeito queria fazer um estádio municipal no Bairro Floresta. Antecipei o apelido para “Florestão” que pegou como rastro de pólvora. Ainda apelidei e ficou o vulgo por muitos anos “Corredor do Aperto” à Rua Barão do Rio Branco, por causa do seu trânsito caótico. Por último apelidei uma quadrilha que agia no Alto Sertão como o bando de “Lampião II”. Lembro de duas campanhas importantes entre muitas: a de “Lampião II”, para acabar com o terrorismo na região citada acima e a da luta para trazer uma nova adutora para Santana, povoados e cidades circunvizinhas.
Mais ou menos com um ano de funcionamento do JS, as coisas lá para a capital não estavam indo bem para O Jornal de Alagoas ─ segundo comentários ─ e tudo fechou. Nem Marcelo foi o maior, nem Clerisvaldo, nem Edvan... Todos faziam com que o JS funcionasse. É injusto exaltar somente um. Todos mereceram medalhas e nunca foram reconhecidos. Excelentes companheiros que nunca criaram uma só rusga entre si. O máximo aborrecimento era deixar o companheiro arrancando os cabelos quando se chegava atrasado à redação. O Jornal já está em uma das páginas da “História de Santana”, um dia veremos. Essa foi a verdade sobre o JS. Apenas certo boato quando o Jornal fechou, mas são águas passadas. Nem tudo o que se sabe se diz. Inclusive, pensei num jornal diário virtual, tracei esquema, dei nome e ainda guardo em segredo esse nome muito forte. Mas é preciso dedicação quase exclusiva de uma equipe dinâmica e comprometida. Uma dor de cabeça a mais se não for como os elos do JS. Foi um prazer trabalhar no JORNAL DO SERTÃO.





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