quinta-feira, 29 de abril de 2010

VIM, VI E VENCI

VIM, VI E VENCI
(Clerisvaldo B. Chagas. 30.4.2010)
Após receber vários títulos pelo mundo, finalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebe sua coroa do mais importante jornal do planeta. Ser apontado pelas folhas desse tradicional meio de comunicação representa o muito e o muito mais. Ser chamado de “O líder mais influente do mundo”, deve ter sido uma surpresa para muita gente que só enxerga mandatários de países alheios, sobretudo dos Estados Unidos. Refiro-me aos brasileiros que nunca estão conformados seja lá com o que for dentro do seu próprio país. São os eternos mal-humorados que se encontram em áreas econômicas políticas e mesmo em todas elas. O pessimista eterno nem nele próprio acredita, sendo fonte perigosa aos que convivem com a sua ingrata presença. Lula sempre expressou admiração por Juscelino. Tanto poderemos dizer que foi Juscelino o maior presidente do Brasil quanto afirmar que o Lula está sendo o maior de todos. Mas é importante saber que ninguém é igual a ninguém. Quando fazemos alguma coisa por grandiosa que seja, foi porque alguém atrás nos deixou em condições de fazer. O aperfeiçoamento da humanidade já está dizendo: é um processo continuado de retalhos que vão formando uma colcha confortável e sem fim.
Já falamos muito neste espaço de democracia ampla sobre a política externa brasileira. Ser amigo das nações, negociar com todos os países, extirpar armas nucleares e resolver problemas diplomaticamente, na luta por um planeta melhor e mais igualitário quanto possível. Essa ofensiva tem sido sucesso absoluto até porque, como foi reconhecido na Europa, ninguém levou ideias novas para a política mundial, a não ser o Brasil. A Inglaterra, acostumada com sua esquadra poderosa e seu veneno traiçoeiro fomentando intrigas pelo mundo. Estados Unidos, senhores do trovão que se acham gigantes e indestrutíveis, continuam unidos a Inglaterra formando a dupla sertaneja Cascavel e Jararaca. Como pode um país pacifista enfrentar as montanhas sem os botes infernais dos pedregulhos? Poucos acreditavam nos pensamentos pacatos de Mahatma Gandhi contra os poderosos canhões dos impávidos britânicos. Venceu o amor e a inteligência privilegiada do líder indiano onde quem ditava era a arrogância da força. São esses impérios de arsenais nutridos que estão caindo atordoados com a força nova espalhada pela coragem, solidariedade, amor e tino advocatício dessa nação brasileira. Não importa que tenha sido Lula. Poderia ter sido José, Benedito, Erundina ou Senhorzinho Malta. O importante é o reconhecimento sobre uma nação pouca séria para uma seriedade extremada, atriz global no mundo da truculência. Emociona o que falou o representante do Caricom dizendo que Lula disse coisas que eles ─ países pequenos ─ sempre tiveram medo de dizer. É o Brasil gritando pelos menores e oferecendo ajuda.
Alguns deslizes são cometidos pelo presidente brasileiro, mas isso em momento algum macula o mérito do reconhecimento do Time. Sim, isso é motivo de regozijo para a pequenina cidade pernambucana de Caeté, berço do seu presidente; lugar de passagens obrigatórias desse colunista. Motivo também de orgulho para o Nordeste e todo o Brasil. “O cara”, o líder mais influente do mundo atual. Quem diria! Com 83% de aprovação no governo e mais um título desses, o que mais desejará o presidente! Que teria dito Lula aos familiares? Na falta de César, talvez: “Veni vidi vice”. "VIM, VI E VENCI”.


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SE MANDAREM ME BUSCAR

SE MANDAREM ME BUSCAR

(Clerisvaldo B. Chagas. 29.4.2010)
GOSTARIA QUE OS PROFESSORES INTERPRETASSEM ESSE TEXTO COM SEUS ALUNOS.

Montado na década de 50 o rapaz percorre a rua poeirenta do povoado. O peito caboclo emite um som nostálgico com assovio em acesso:

“Ô sanfoneiro
Moça mandou lhe chamar
Para tocar um baião no Ceará
Tu diz a ela que de pé em não vou lá
Eu só vou de avião se mandarem me buscar...”

É o eco notívago do forró de ontem. O zumbido caracolado na manhã de sol:

“Tu diz a ela que de pé eu não vou lá
Eu só vou de avião se mandarem me buscar...”

Os passos se perdem longe, lá na curva da extremidade... E o céu de tão puro azul iluminado, deixa escapar o voo do gavião ligeiro. Extenuam-se as sombras das casas velhas, procurando o chão. Retorna a rua solitária. A bela igreja de cal parece demarcar a ida. Da casa de farinha voam lavandeiras pelas janelas abertas de barro avermelhado. Por trás das casas “empretecidas”, compassos sutis de cacarejo. Curvas nos rastros fundos de carro de bois; tristeza de rolas brancas à sombra do coração-da-índia. O povoado vive. Modorra, cochila, dorme. Brilha um fio de prata na lagoa seca sob garranchos pendidos de arbustos marginais. Do galho negro da baraúna, o urubu observa as trilhas tortuosas de areia fina. E aquele canto? Aquele canto infantil sem força e cadenciado? É o canto expulso da escolinha que sopra os rachões da calçada pequena. Um débil esforço de futuro na sinfonia do distante, na ingenuidade pura, no débito de um destino sem. Quando a brisa chega, brinca de pinhão, contorna a terra e ergue o pó circulante. O tempo espaceja, tange o meio-dia, derrama dourado nas colinas. Passa o rebanho em fila por um. Dentes cavalares provocam ruídos nos aiós trançados. Losangos de palma verde compõem céleres os balaios de cipós; vão caindo sem piedade pelo gume avivado do facão. Ergue-se o homem em molambo, antes de cócoras na sua faina cotidiana. Animais galopantes trazem os bêbados da feira. Risos, gargalhadas, tomam o espaço da bodega receptiva que se firma na pinga boa. Cai o cuspo redondo pelo chão imundo. Misturam-se odores de pães frescos dos alforjes com o gasóleo de litros e barricas. Um maço de fósforos, um pacote de sal, uma réstia de alho roxo, pendurados no caderno fiador. Um tilintar de esporas, um deslizar macio de coxim, um longo galope interrompido. E os raios fúlgidos e dourados recriam no horizonte desenhos esquisitos. Ah! O menino debruçado na janela. Do tempo. Contempla o cenário de um dia inteiro no povoado. Desde as primeiras casas ao cemitério branco que em paz descansam.
O tempo molda a alma do futuro romancista. Lá vem o rapaz de novo. O da cantiga. Será ele mesmo ou somente a lembrança da manhã morando na rua! A lembrança que jamais irá embora, nem com odores de pão fresco nem com gasóleo de barricas. Parece que foi ontem:

“Tu diz a ela que de pé eu não vou lá
Eu só vou de avião SE MANDAREM ME BUSCAR”.









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terça-feira, 27 de abril de 2010

O PÉ DE JESUS

O PÉ DE JESUS
(Clerisvaldo B. Chagas. 28.4.2010)
Desafiando o espaço, impávido e formoso, estava ali o serrote do Cruzeiro, representando a religião da terra. O cimo rochoso do monte testemunhava a multidão dos que subiam até ali. E eu, nos meus espertos 10 ou 11 anos avisava a minha doce mãe Helena Braga sobre a intenção de subir o morro. A encomenda naqueles dias era sempre repetida: trazer imbé para enfeitar os jarros de casa. E lá ia eu satisfeito com meus companheiros, vadeando o Ipanema, subindo o Cachimbo Eterno, inclinando o dorso pelo aclive do serrote. Vitória, mais uma vitória ao chegar ao topo esbranquiçado. A água verde empoçada no lajeiro, pontos de dormidas de urubus, macambiras, urtigas e o cenário deslumbrante da cidade aos nossos pés. Capelinha singela, santos no altar e o cruzeiro enorme abraçando as casas tão longe, de Santana. “Daqui Lampião observava a cidade; recebia verba dos coiteiros. Sob essa cruz tem um tesouro enterrado. Olhe aqui a marca do pezinho do menino Jesus quando passou fugindo para o Egito”. Íamos a todas as extremidades do monte, olhar, se extasiar, sonhar. Com o tempo passando e já com sede, íamos coletar flechas das macambiras e brincar de guerra uns com os outros. Não podíamos esquecer os imbés encomendados que diziam espantar as cobras. E essas plantas estavam perto das pedras que rodeavam o morro. Depois descíamos felizes e saudosos para entregar os pedidos e receber os beijos carinhosos em casa. Certa feita, em uma dessas visitas, a capelinha estava em ruínas. Alguns adultos estavam por ali. Um deles dirigiu-se a nós, pediu silêncio com o indicador a boca. Depois me pegou delicadamente pela cintura e me ergueu até o altar, deixando-me junto com a santa dando uma lição educada e tão cheia de ternura a respeito das imagens. Nunca esqueci esse gesto carinhoso e bem significativo na minha vida, por um homem que era considerado mal-humorado por muitos. Vim conhecê-lo muitos anos depois com o nome de Dermeval Pontes, profissão alfaiate. Um filho dele era bem rebelde e tornou-se meu aluno tempos adiante. Eu aconselhava muito o Vitárcio por causa do gesto paterno do passado. Mas nunca contei a ele, Vitárcio e, por timidez, não relembrei isso ao Dermeval que era muito mais velho do que eu.
Vez em quando subo o serrote do Cruzeiro, sem companheiro algum. Solitário, devagar, degustando o passado sob as árvores maiores da capoeira que cinge o monte. Vou contando os degraus que fizeram para a via-sacra. Abandonados. O mato está seco. A flora desabitada. Apenas lagartixas e formigas cruzam o chão rachado. A folhagem se balança como saudação. Uma parada aqui outra acolá para sentir todo o prazer de uma solidão repleta de energia. Um olhar fugidio para baixo. Mais um passo em direção ao cimo. Finalmente o lajeiro, as mesmas macambiras, as mesmas urtigas, a quietude profunda e bem aqui, bem aqui mesmo onde essas duas lágrimas caíram, a mesma marca do PÉ DE JESUS.






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segunda-feira, 26 de abril de 2010

A VEZ DO CARICOM

A VEZ DO CARICOM
(Clerisvaldo B. Chagas. 27.4.2010)
Mais uma vez ficamos de queixo caído com a reação da mídia brasileira. Preocupa-se em encher as páginas de tantas notícias péssimas, com se quisesse quebrar de uma vez por todas a esperança patriótica do nosso povo. Até um cachorro que morde uma pessoa na rua vira manchete com direito a foto ampliada e tudo mais. Enquanto alguns países, orgulhosos dos seus feitos, procuram aproveitar tudo de bom que acontece para estamparem ao mundo imagens positivas, vamos catando as mazelas mais insignificantes do cotidiano para enquadrá-las como obras de arte. Bem dizia meu pai, assinante de certo jornal, quando via o completo enchimento de linguiça. Jogava o monte de entulho de lado e dizia: “Só tem papel”.
Importantíssima reunião aconteceu ontem, dia 26, entre o Brasil e a Comunidade do Caribe (CARICOM). Entre chefes de Estado e de Governo, estavam representantes de 14 países caribenhos. Já foi dito neste espaço, que durante centenas de anos, o Caribe sempre foi considerado quintal dos Estados Unidos que sempre mandaram e desmandaram na região. Mas depois da política ofensiva do Brasil de aproximar-se da Ásia (Oriente Médio mais especificamente) África e América Central, o volume de negócios do País e de empresas brasileiras nunca evoluiu tanto. Viemos sempre há muito, batendo na tecla de que uma nova ordem estava acontecendo no mundo. Esse relacionamento iniciou a mudança desde quando o presidente Cardoso começou a afastar-se dos Estados Unidos e a aproximar-se da Europa. Teve início um comércio entre os emergentes abaixo da Linha do Equador. Com a ampliação do comércio pelas viagens de Lula para todas as partes do mundo e a crise financeira nos países ricos, temos provado o nosso acompanhamento.
O Iraque já havia dito que o Brasil era prioridade para erguer àquele país. Inclusive havia encomendado cerca de 150 caminhões. Uma nação do Caribe encomendou a mesma quantidade de caminhões e mais de uma centena de ônibus. Os países caribenhos, voltados antes para os Estados Unidos, agora se voltam todo para o Brasil. De um comércio inicial de US$ 6.50 milhões, salta para US$ 5.2 bilhões. Além do comércio, vários acordos foram assinados em diversas áreas como energia, saúde e pesquisa agropecuária. Outros, defendendo ainda reformas nos organismos financeiros internacionais e no Conselho de Segurança da ONU. Os países do Caribe querem lutar junto com o Brasil por uma ordem mundial mais justa e elegeram o gigante do sul como seu novo líder. O Brasil também arranja mais 14 amigos admiradores para pressão a seu favor quando necessário os seus interesses, como um assento permanente no Conselho, por exemplo. Bem que a missão de paz no Haiti, muito antes do grande terremoto, começa a trazer os frutos de uma nova amizade e esperança para as pequenas nações que antes nunca eram ouvidas.
Infelizmente catar notícias tão importantes assim, é sair forçando a vista nas letras de terceira, mesmo para afirmar que é a vez do Brasil e A VEZ DO CARICOM.

* Por favor, na crônica "Santo Sem Prestígio", leia ESTREBARIA e não estribaria. Obrigado.


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domingo, 25 de abril de 2010

GELEIRAS NO SERTÃO

GELEIRAS NO SERTÃO

(Clerisvaldo B. Chagas. 26.4.2010)
Antigamente, não tão antigamente assim, pelo menos esses insensíveis (nem todos) chamados políticos, quando morriam eram mais comentados. A imprensa escrita geralmente dava uma página, duas ou três falando daqueles indivíduos desde o berço. Eram biografias completas como se fossem honras fúnebres mesmo. Muitos leitores que acompanhavam e admiravam aqueles agentes, compravam e guardavam os jornais como verdadeiras relíquias, exibindo vinte ou trinta anos depois, aos amigos, à mídia, em reuniões políticas intelectuais... Às vezes o falecido se tornava célebre, entrava firme para a história e qualquer objeto que se referisse a ele, tinha muito valor até para colecionadores. É o caso de Juscelino, Getúlio, Caxias e tantos outros cultuados no Brasil. Não nos referimos ao hábito de guardar esses objetos, mas o de se escrever sobre o homem que foi prefeito famoso, governador, senador, presidente da República. Mas outros homens que militaram também em cargos públicos foram reconhecidos após a passagem. Esse hábito da imprensa parece que vem acabando ou mesmo sendo trocadas essas homenagens biográficas dos políticos por outras profissões como a de cantor, por exemplo. Você lembra quando a revista Planeta lançou uma edição extra como tributo a Chico Xavier? Foi publicada em julho de 2002 e custou ao leitor R$ 5,50. Nós a possuímos. Guardamos com muito carinho e temos a maior satisfação em que o pesquisador interessado leia.
Essas observações são coisas do cotidiano aos olhos de escritores, poetas, humoristas e aos de qualquer outro mortal. Meu velho sempre dizia: “tem qente que vê, mas não observa”. Queria ele dizer que não se presta atenção aos detalhes e se assim o faz, logo esquece a lição (se for o caso). É que, sabendo da vida profícua de Albérico Cordeiro, um homem tantas vezes deputado federal e duas vezes prefeito da “Princesa do Sertão”, a imprensa falou do vulto um tanto murcha. Foi ele quem criou o slogan mais esperto dos últimos anos na política alagoana: “Cordeiro Trabalha”. Uma frase de apenas duas palavras, mas de efeito arrasador para os adversários. Outro político foi o empresário Sampaio que foi um símbolo de Palmeira dos Índios, político e empreendedor no estado. É bom repetir, que estamos apenas comentando o encolhimento das antigas reportagens a respeito do assunto. Não acompanhamos trajetória de político nenhum.
Talvez esses comentários não viessem à tona se não tivéssemos sabido do falecimento de mais um dos filhos de Tibúrcio Soares. Tibúrcio, alto comerciante em Santana, fundador de dois cinemas importantes, político por pouco tempo e uma das pessoas mais decentes de Alagoas. A única homenagem que eu conheço a esse magnífico cidadão, são as páginas que estão em nosso livro inédito sobre a História de Santana. Nem uma escola, nem uma rua, nem um prédio público. Uma vergonha às costas que deram a uma pessoa tão ilustre e de tanto caráter. Não importa o século. ELES continuam fazendo GELEIRAS NO SERTÃO.





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sexta-feira, 23 de abril de 2010

BRINCADEIRA SINISTRA

BRINCADEIRA SINISTRA
(Clerisvaldo B. Chagas. 23.4.2010)
Meu amigo internauta quer fazer uma brincadeira funesta conosco? Então pegue aí um mapa político do Oriente Médio e o estenda sobre a mesa. Seria assim que nós faríamos na “Esquina do Pecado” em Santana do Ipanema: Clerisvaldo, Zé Lima, Fernando Soares Campos e Arlei do mestre Abel. Explicamos:
Barack Obama está com muita sede na Coréia do Norte, Irã e Venezuela. Sendo a Venezuela a mais fraca, para esse país o perigo é menor, mas é real. Americanos estão dizendo que tem guardas iranianos por lá. Os do norte sempre iniciam assim. A Coréia e o Irã representam, no momento, os dois espinhos na garganta americana mais a guerra no Afeganistão e farrapada do Iraque. Pensamos que Obama, além da pressão dos conservadores, deve achar que maior notoriedade para ele, somente inventando uma guerra nova. Para decidir entre a Coréia e o Irã (pois não poderá enfrentar essas duas nações ao mesmo tempo) resolveu escolher uma delas. É bom lembrar que os Estados Unidos estão tentando sair de uma guerra (Iraque) e mandando mais homens para outra (Afeganistão) além da dificuldade financeira da crise mundial. Portanto, a proposta da brincadeira acima, é você adivinhar por onde os Estados Unidos atacarão o Irã. Gostou? Veja o mapa. Note que o Irã está cercado de países e de água. Por onde o inimigo atacará? Vamos as sugestões. Primeira, os Estados Unidos poderiam bombardear o Irã pelo norte, através do mar Cáspio. Note que a capital do país fica muito perto dali. Ainda como primeira opção, poderiam atacar ao mesmo tempo pelo sul através do golfo Pérsico. Nesse caso seria atacar em duas frentes: pelo norte e pelo sul. Na frente sul poderiam bombardear de três posições distintas: do golfo Pérsico, do estreito de Ormuz e do golfo de Omã. Segunda sugestão, invasão por terra. Não poderia acontecer pelo vizinho Iraque que não aceita servir de ponte. Sobre essa possibilidade, pela Turquia, não acreditamos. É um país grande, independente e não iria se meter nessa encrenca. É bom lembra que apoio ao inimigo em terras vizinhas ao Irã, poderá sofrer sérias consequências. Então vamos para outras opções. Por onde entrarão as tropas americanas? Pela Armênia, Turcomênia, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão, Omã, Emirados Árabes, Barém, Catar ou Arábia Saudita? Em não havendo surpresas, sugerimos quatro frentes de ataques ao todo. Duas já citadas através de bombardeios navais e aéreos pelo norte e pelo sul nas águas do Cáspio e dos golfos. Por terra entrariam tropas pelo leste através do Afeganistão ─ cujo efetivo militar está sendo aumentado ─ e outra frente pelo oeste saindo da Árábia Saudita, tradicional aliada dos ianques. Os países menores dos golfos “colocariam a boca no saco”. Quanto a Israel, cremos que não entraria na luta diretamente para não dar a entender ao mundo que seria uma briga particular. Mas de ser é. Contudo, Obama quer usar o nome da ONU como fizeram com o Iraque.
A Corrida de Celso Amorim a Teerã para um diálogo de urgência, é o último cartucho do Brasil, da Turquia e do Irã, mas duvidamos que Barack esteja torcendo para isso. Ganhar do Irã é colocar a Coréia do Norte na parede. Mesmo assim, se até agora os americanos não conseguiram sair nem do Iraque nem do Afeganistão, imagine do Irã, depois. No caso da Venezuela é caso de apenas uma bicorada da águia.
E então, amigo, pensou conosco, quer analisar sozinho ou quer enviar uma belíssima “banana” para o mundo? Educadamente: chega de BRINCADEIRA SINISTRA!






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quarta-feira, 21 de abril de 2010

SANTO SEM PRESTÍGIO

SANTO SEM PRESTÍGIO
(Clerisvaldo B. Chagas. 22.4.2010)
Não temos certeza se é denúncia, revolta ou vontade de cooperar. Já no finalzinho do governo Marcos Davi, precisamente no dia 23 de agosto de 2004, foi inaugurada uma praça insistentemente solicitada pela associação do Bairro São José. Se não era uma praça deslumbrante, pelo menos havia quadra de areia, parque infantil, bancos, alambrado, canteiros, passeio e placa de bronze. Quem vê o abandono da Praça das Artes, sendo santanense, sente a discriminação das autoridades pelas áreas humildes da periferia. Ali no centro do terreno funciona um prédio com o nome de Centro de Acolhimento à Criança e ao Adolescente. Mas a praça em si, vive um desprezo total pelo dinheiro do contribuinte. Ainda dentro do terreno funciona uma escola inaugurada conjuntamente com a antiga COHAB. Na esquina de baixo, do outro lado da rua, um posto de saúde presta serviço à população. Mais abaixo estar situada a Escola Helena Braga das Chagas, ponto de referência em Santana do Ipanema. Ainda vizinho à praça, funciona a sede do Corpo de Bombeiros a poucos metros da igreja de São José. Somam-se ainda mais duas escolas, uma do município e outra particular. Por tudo isso até parece que a antiga Praça da Bandeira foi transferida para esse bairro. É uma vergonha o estado de abandono em que se debate e morre a Praça das Artes. O mato tomou conta de tudo; vândalos destruíram bancos, parque, alambrado, ligações elétricas. Os cavalos e burras da vizinhança fazem dali estribaria; durante a noite bando marginal se apodera do terreno que funciona às escuras entre fumaça, cola e sexo. Não existe vigia. Está faltando providências urgentes da cúpula da associação, da prefeitura, do conselho tutelar, da polícia e do ministério público, pois sem a sua intervenção, dificilmente os problemas serão resolvidos.
Enquanto isso, a praça do Bairro Monumento que leva o nome de Adelson Isaac de Miranda, é tão sofisticada que recebeu do povo periférico o apelido de “Praça dos Ricos”. Os professores podem até pesquisar com seus alunos esses dois contrastes para acirrada discussão em sala de aula. No Monumento, iluminação perfeita, plantas, bancos de primeira, busto, placa de bronze, piso de última linha, boxes prestadores de serviços, movimento de elite, eventos constantes e festas caríssimas. Já na Praça das Artes, mato, escuro, cavalos, vândalos, drogas, sexo, quebradeira e medo nos arredores. Querem um Haiti melhor do que esse? Prefeita Renilde Bulhões, acione suas equipes e não deixe que esses fatos graves e até gravíssimos sirvam de nódoas administrativas muito piores de que nódoas de caju.
Nossa Senhora Assunção, fora o assunto que sai nos degraus da sua igrejinha (após a retirada das grades colocadas pelo padre Delorizano) parece bem confortável na “Praça dos Ricos”. Mas o Corpo de Bombeiros, o Centro de Acolhimento, o Posto de Saúde, as quatro escolas, o Conjunto São João e a igrejinha de São José, apelam para o dever e a benevolência dos que tem a solução dos problemas na cartola. Onde São José errou para se tornar assim diante de vós um SANTO SEM PRESTÍGIO!?


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terça-feira, 20 de abril de 2010

TRIBO DE MARIMBONDOS

TRIBO DE MARIMBONDOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 21.4.2010)
Faz certo tempo, uma revista famosa do Brasil enviou um repórter para ampla matéria em Alagoas. A reportagem seria a respeito da máfia política que dominava o estado. Aproveitando a evidência da revista, o governador fez convite ao jornalista para um jantar festivo que iria haver no Palácio dos Martírios. Na hora aprazada, muitos senhores elegantes vestindo branco, compareceram. Tudo correu como o previsto no interior do palácio alagoano. Já perto do encerramento ─ narrado pelo próprio repórter na revista publicada ─ o governador o conduziu até a varanda para conversar. Disse que o jornalista havia chegado de longe para saber como o governo estadual iria exterminar a máfia. Depois teria rebatido o diálogo mais ou menos assim: “Como acabar com a máfia! O senhor mesmo acaba de jantar com ela”.
A ocorrência acima faz lembrar situação vivida por mim, semelhante a do jornalista nos Martírios. O tempo desse caso deve girar em torno de dez anos. Convidado por um amigo interessado em comprar terras em outros estados, longe de Alagoas, fomos obter informações de certo fazendeiro perigoso da região. Era ele o encarregado das vendas. Ao chegar àquela cidade, procuramos encontrá-lo em um bar onde o fazendeiro batia ponto. O dono do estabelecimento esclareceu que o homem já havia passado por ali em direção à fazenda. Caso quiséssemos aguardar, logo, logo, ele estaria de volta. Enquanto aguardávamos, o amigo bebia cerveja. Pedi um Campari, porém, o dono da espelunca falou que só havia um litro do produto, mas estava reservado no freezer. Disse ele ainda que o outro apreciador da bebida teria ido fazer um servicinho e chegaria logo para beber a tintura. Nesse caso eu poderia pedir um pouco a ele, que o Campari estava difícil na cidade. Aguardei impacientemente. Trinta minutos depois chegou um rapaz simpático, novo, forte e sem camisa. O rosto mostrava totalmente gotas de suor. O caso foi repassado pelo dono do bar e, com a maior gentileza do mundo, o recém-chegado mandou retirar o tubão do gelo. Pediu que eu ficasse bem à vontade “que esse negócio é para a gente beber mesmo”. Devo ter ingerido duas ou três doses daquele líquido vermelho e cismei em não querer mais. O amigo achou que o fazendeiro estava demorando e chamou para irmos embora. Pagamos a conta e retornamos a Santana do Ipanema. O dono do Campari continuou bebendo, rindo e suando.
Enquanto o automóvel rodava, o meu amigo perguntou se eu conhecia a fama sinistra do fazendeiro. Respondi que sim, pois ele era marca registrada em Alagoas. Indagou também se eu não suspeitei do bebedor de Campari. Claro que não, respondi. Pois ele é pau-mandado do fazendeiro e acabava de chegar de mais uma encomenda. “Você acaba de comemorar sem saber, mais um crime de mando em Alagoas”.
Já faz tanto tempo que nem lembro mais qual foi a minha reação. Talvez tenha sido a mesma do jornalista no palácio. Mas o sangue vermelho da bebida italiana nunca mais entrou em minha boca. Não se gasta nada em rezar pai-nosso e ave-maria para não cair gratuitamente em TRIBO DE MARIMBONDOS.





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segunda-feira, 19 de abril de 2010

CHAPÉU DE COURO

CHAPÉU DE COURO
(Clerisvaldo B. Chagas. 20.4.2010)
PARA LUIZ ANTONIO “CAPIÁ” E SEUS FAMILIARES
Artefato para proteger a cabeça contra sol, chuva, frio, sereno e espinhos da caatinga. O chapéu de couro também ditou moda no Sertão. Para ser valorizado tem que ser bem feito, flexível, de couro de veado ou bode. Os vaqueiros usavam-no contra as cactáceas dos intrincados e pontas de paus que formam armadilhas na flora. Enfrentar o boi selvagem, o barbatão do casco grosso e chifres afiados exigiam perícia do caboclo perseguidor. Dentro das faveleiras, mandacarus, rasga-beiços, facheiros, unhas-de-gato e semelhantes perigosos, somente portando chapéu de couro com testeira e barbicacho. Chapéu de couro peça genuinamente nordestina que simbolizou o ciclo do gado nas conquistas sertanejas. Grutilhões assombrosos, chapadas deslumbrantes, vales ajardinados, tabuleiros infindáveis, sentiram as narinas dos cavalos crioulos e seus cavaleiros voadores.
Já os cangaceiros deram preferência ao chapéu, mas com abas grandes, enfeitado, quebrado na frente e atrás. Os tangedores de Alagoas preferiam o de abas médias com apenas a traseira levantada e presilhada. Os vaqueiros baianos e piauienses usavam-no com abas grandes amassadas e frente bicuda. Os pernambucanos inventaram, por último, o chapéu quase sem aba, mais desenhado, deixando-o quase como uma cuia. Ridículo no cabra de cabeça grande. Os aboiadores que gravam CDs aderiram à moda. Enfim, muito se poderia falar dessa peça que completa a vestimenta de couro do matuto.
Segundo o sargento Eduardo (In Memorian) que participou da empreitada de Angicos, o major Lucena tinha ojeriza a homem de chapéu de couro. Antes de chegar ao Sertão com sua polícia escolhida a dedo, esse bravo comandante reuniu a tropa e ordenou mais ou menos por aqui assim: “Daqui em diante, todo cabra encontrado com chapéu de couro entra na madeira”. Foi aí ─ ainda segundo o sargento reformado ─ que alguém interferiu. Não se podiam aplicar surras em todo homem de chapéu de couro porque nem todos eram coiteiros de Lampião. Usar esse tipo de chapéu era costume arraigado da terra. O major ouviu com atenção, acedeu e marchou para Santana do Ipanema, onde instalou seu batalhão de caçar cangaceiros em 1936.
Não faz muito tempo, avistei um cidadão baixinho de barba grande pontuda e chapéu de couro. Pensei indiscreto: Será um profeta dessas novas religiões? Quem sabe, um ermitão das grotas sertanejas! Talvez um divulgador de produtos veterinários ou um simples matador de gente!? Não senhor, não se tratava de nada disso. Ao me aproximar reconheci o ex-bancário Luiz Antonio de Farias, filho de tradicional e decente família de Santana. Agora os amigos tratam o ex-bancário pelo carinhoso apelido de “Capiá”. “Capiá” não se enquadra em nenhum tipo citado acima, mas com certeza representa a continuação em pessoa do ciclo do couro, seu novo visual. Chapéu tradição na cabeça e caneta pesada na web, Luiz vai brindando os internautas. Tenho muita satisfação em ler seus trabalhos cozinhados nas trempes do semi-árido. Sem perder a linha da gramática, encaixa aguardente no lugar de aguardente e, o progresso do mundo coloca debaixo do CHAPÉU DE COURO.




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domingo, 18 de abril de 2010

FUMACINHA BESTA

FUMACINHA BESTA
(Clerisvaldo B. Chagas. 19.4.2010)
Estamos vivendo ainda esse caos aéreo que deixa os passageiros de aeronaves aborrecidos. Quem viaja quer viajar. Mas quem é que pode com a Natureza, meu amigo? De repente a Natura resolve quebrar a alegria dos viajantes, exibir o mau humor das companhias aéreas e aplicar um nó de porco no tráfego espacial. E agora? Ah, muitos pensavam que tumultos em aeroportos só aconteciam no Brasil. Estamos vendo que a semente do imprevisto foi semeada no planeta inteiro. Nem adianta encher a boca com orgulho do tal primeiro mundo. Tem até um ditado sertanejo que diz: “Quando Deus não quer, nem peleje”. E assim os caceteiros dos países em desenvolvimento param um pouco a severidade contra nós.
A Islândia, cuja capital e Reiquiavique, estar situada no Atlântico Norte, sendo um dos países mais adiantados do mundo. Em 2007, chegou a ser considerado o mais desenvolvido de todos. Sua Geografia é assim mesmo, diferente de todas. O Centro do país é formado de planalto de areia, montanhas e geleiras. Nas planícies, muitos rios de origens glaciais vão despejar no mar. A Islândia convive com vulcões e é também rica em gêiseres. Os gêiseres servem até de atrações turísticas e, dessas fontes geotérmicas algumas são usadas como fontes de energia elétrica. No século XVIII, aconteceu problema sério por causa de fumaça de vulcão da Islândia que matou pessoas na China e na Europa. Inclusive, muitas morreram de fome em consequência dessas erupções. Portanto, essa não é a primeira vez que um vulcão da Islândia apavora parte do planeta. A fumaça que tomou conta da Europa paralisou foi tudo.
Aqui em Maceió, do outro lado do mundo, a gente vai conversando sobre o assunto na Praça Deodoro. A estátua do nosso cavaleiro Proclamador da República parece desconfortável no centro de tantos maconheiros e cheira colas. É o antigo cartão de visita da capital que vai tombando aos poucos como árvores em final de existência. O outrora abrigo de aposentados vai evidenciando a presença nefasta da escória. A impressão é que as autoridades lavaram definitivamente a consciência no combate às causas dos mostrengos. Isso nos causa uma vergonha enorme quando o turista em alerta aponta com o dedo. Cobertores rotos espichados pelo chão. Restos de comida pelos bancos imundos. Guardas impotentes de farda; guarda débil de máscara (Teatro Deodoro); guarda fraco de livros à mão (Academia de Letras); guarda frágil de balança pênsil (Justiça)... E no meio, bem no meio do palco da vida, o foco do Sol dardejando as cenas degradantes da sociedade luz.
Ouvindo a nossa conversa sobre a fumaça que assola o continente europeu, o maconheiro adolescente ergue-se de um pedaço de lona. Puxa de algum lugar da calça o fumo e o papel. E depois de fazer um cilindro “baseado”, ainda trôpego, risca o fósforo no recheio de folhas, aspira com sofreguidão e mostra que estar ligado à conversa vizinha. Joga dos pulmões o mundo de fumo e rebate a crônica que teimava em não sair: “Tá louco, meu! E as Oropa tá se acabando toda mode essa FUMACINHA BESTA!”





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quinta-feira, 15 de abril de 2010

CAPIM DA LAGOA

CAPIM DA LAGOA
(Clerisvaldo B. Chagas. 16.4.2010)

Mal iniciam os contatos para novas eleições, os viciados vão se apresentando nas rádios sertanejas, nas praças, nos aglomerados. Eles aguardam os intervalos dos pleitos trabalhando em atividades as mais diversas, mas sempre sonhando com os golpes costumeiros que lhes rendem extras. Nessa época, o viciado inventa qualquer assunto e vai para as rádios denegrir e chamar atenção da cúpula candidata em busca dos míseros dois vinténs. Todos os políticos dos municípios do Sertão conhecem os viciados profissionais. São esses cabras que regulam o mercado clandestino do dinheiro fácil. Muitos desses cambistas possuem tanta confiança em si, que não negociam pacotes. Só fazem negócios separados. Trabalhar para deputado estadual é um preço. Para o federal, “deixe que quando ele me procurar eu acerto com ele”. Contratos para governador e senador, também são coisas à parte. Nesse exemplo, se o viciado conseguir fechar acordo com os quatro candidatos separadamente, poderá comprar um carro, um sítio ou mais algumas cabeças de vacas para aumentar o rebanho.
Quer saber o preço do boi gordo, procure os aglomerados. Quer pesquisar o preço do voto, frequente as praças da cidade. Um suplente de suplente de suplente de vereador falava que deputado fulano o tinha procurado. A resposta foi clara e objetiva: doze mil reais por duzentos votos. O deputado falou que iria pensar. A nova resposta foi: “Pense logo antes que chegue outro”. Ora, se suplente de suplente de suplente já lançou a oferta, quanto custarão os mesmos duzentos votos arranjados por um suplente da vez ou por um vereador famoso em qualquer lugar do semi-árido? Certa vez ouvi um eleitor medonho falando a um candidato a prefeito não aceitar certo viciado em sua equipe. O prefeito respondeu que de fato o sujeito era cabra de peia, mas precisava dele para provocar os adversários. Pelo que se observa ninguém consegue menos de cinco mil reais para “trabalhar” para um político. E quando este cisma em não pagar quando ganha ou quando perde, é um caso sério. O cabra de peia nem denunciar pode.
Em uma rádio do interior, certo juiz dizia que havia dado uma batida durante a madrugada precedente uma eleição, tentando flagrar alguma compra de voto. Ao chegar a determinado lugar, os viciados nem aguardaram a descida dos passageiros. Saíram do mato, sequiosos com as mãos estiradas, coçando os dedos e perguntando nervosos ao juiz: ”Cadê! Trouxe o capim da lagoa?”
Com o nome de “grana”, “dindim”, “mufunfa” e outros da gíria brasileira, o dinheiro do contribuinte vai colocando a cabeça de fora como jabuti em busca de tempo bom. As barrigas continuam famintas, doidas varridas pelo CAPIM DA LAGOA.


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quarta-feira, 14 de abril de 2010

MANÉ BOLOLÔ

MANÉ BOLOLÔ
(Clerisvaldo B. Chagas. 14.4.2010)
A memória canalizada permanentemente com o passado, mostra as areias do rio Ipanema da antiga perfuratriz. A perfuratriz era uma engrenagem dentro de um prédio quadriculado de estilo único, situada a margem esquerda do rio. Dali mandava água para outro prédio situado no Bairro São Pedro, acima, a cerca de quinhentos metros, através de tubulações. Os tubos subiam pela Rua São Paulo até encontrarem o prédio que fomentou o algodão na área sertaneja. Esse prédio que fez história em Santana está sendo devorado pelo tempo. Inclusive com um tanque enferrujado que dizem ter sido do primeiro corpo de bombeiros da cidade. Da antiga perfuratriz ─ que sempre foi ponto de referência em Santana ─ não resta sequer a foto. O seu lugar exato era onde hoje inicia a Rua da Praia. Ali nas imediações as cheias do Panema sempre deixavam bons areados para a prática do futebol. Aos domingos, toda a rapaziada das imediações procurava a perfuratriz para um dia inteiro de pelada.
Como em alegria de brincadeira nunca deixa de aparecer encrenca, certa vez, com os nossos dez ou onze anos, surgiu uma comigo e o meu irmão Erivaldo. Erivaldo não era mole. Sempre foi guerreiro. Mas acontece que havia o Domício, rapagão feito, filho do soldado Joaquim Manoel, vizinho nosso de umas dez casas. Ora, o Domício, para nós, era velho e parrudo. Tinha o apelido de “Domício Grosso”. Por isso ou por aquilo ameaçava nos bater. E naquela preleção de bate, não bate, aproximou-se dele um sujeito que morava à Rua São Paulo, chamado “Mané Bololô” e montou-se às costas de Domício. O pau cantou e, o valentão Domício Grosso levou uma pisa da peste! Houve aplausos para Mané Bololô. Após a surra, Mané ainda recomendou ao Domício passar sempre por longe de nós. Qualquer coisa, por pequena que fosse, queria saber. Não tenho certeza se esses personagens da minha infância ainda vivem. Soube apenas que Domício virou soldado como o pai e trabalhava lá para as bandas de Paulo Afonso. Do nosso anjo da guarda Bololô, nunca mais obtive notícia.
No decorrer das nossas vidas, vamos sempre encontrando valentões como Domício Grosso. Quando não podem bater com braços e mãos, atacam com a língua, infeliz arma dos covardes. Outros ainda usam métodos esdrúxulos como semeadura de pedras e omissão. De qualquer maneira, dizem os espíritas (com outras palavras) que deveremos dar graças a Deus pelas barreiras que nos ajudam à perfeição. Quando tudo parece bem na vida, somos obrigados a enfrentar porcos e cães. Mas a caravana continua sua marcha porque Deus não abandona os dele, assim como teve com Elias, com Eliseu, com Jacó... Os cordatos não buscam vingança, querem apenas justiça. E de vez em quando o Filho do Homem entrega mais um da lista de justiça feita. Quem está no sangue do Pai nunca encontra um Domício Grosso sem que não apareça mais um anjo de guarda MANÉ BOLOLÔ.

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

GUERREIROS ALAGOANOS

GUERREIROS ALAGOANOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 13.4.2010)
Jackson do Pandeiro foi um dos cantores e ritmistas mais apreciados do Brasil. Em Jackson, tudo me impressionava. Pequeno e franzino com apresentação frenética, voz e estilos diferentes, foi um rei em tudo o que fez e criou. Era admirado por Luiz Gonzaga e saiu influenciando gerações. Além do ritmo gostoso e contagiante, o artista surpreendia também na vida fora dos palcos, basta lembrarem o modo ímpar como conquistou o primeiro casamento. Os sucessos extraordinários do homem da Paraíba estavam no cotidiano; no forró de algum lugar, na passagem do amolador, no ninho da ave casaca-de-couro... Enfim, era um descobridor das coisas simples do dia-a-dia. Essa simplicidade que entrava pelos nervos, virava matéria-prima para os belos ritmos que encantavam multidões. Mas não pretendemos falar sobre Jackson do Pandeiro nem da dimensão que ele ocupou e ocupa entre os músicos brasileiros. Destacamos apenas uma das suas estrofes quando o assunto cortava o espaço:

“Avião, papai,
Avião, papai,
É bonito quando voa
Mas é feio quando cai...”

A queda do avião polonês que matou mais de noventa pessoas, entre elas o presidente da Polônia e esposa, causou consternação naquele país, na Europa e no mundo. A Polônia, situada no centro da Europa, tem milhares de episódios para contar. Pela sua posição estratégica, sempre foi alvo de atropelos por tropas estrangeiras como as da Alemanha nazista e União Soviética. O povo polonês sempre defendeu seu território com denodo, além de ser gente civilizada e de altivez. Na vitória ou na derrota surpreendeu o mundo pela bravura patriótica apresentada. Acertou o presidente brasileiro quando decretou luto de três dias pela tragédia que vitimou quase uma centena de pessoas. A esse desastre aéreo vão somando-se outros que tantas dores causaram deixando famílias em desespero. Foi um dia muito difícil para Varsóvia e o restante da Polônia.
É divina também a arte brasileira que se aproveita de tudo para construir. É a charge, a piada, a música, a peça teatral. Os cordelistas farejam fatos novos e lançam folhetos de qualquer gênero como desenrolar de acontecidos em primeira mão. O folclore, sempre mais lento por causa das suas apresentações esporádicas, também marca presença nas tragédias. Registramos assim a bela estrofe de Jackson, no início deste trabalho e apresentamos no fim, outra belíssima de grupo folclórico de guerreiro sobre o mesmo tema. É a toada do mestre seguida pelas figuras componentes:

“O avião subiu
Se alevantou
No ar se peneirou
Pegou fogo e levou fim...”

Dessa forma, todas as tragédias aéreas do mundo estão na música de Jackson do Pandeiro e em grupos de GUERREIROS ALAGOANOS


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domingo, 11 de abril de 2010

CABEÇA DE BURRO

CABEÇA DE BURRO
(Clerisvaldo B. Chagas. 12.4.2010)
Somente aqueles que viveram e lutaram na época pelo asfalto Palmeira dos Índios─Santana do Ipanema, sabem como foram os combates contínuos e ferozes. Com a chamada rodagem da BR-316 completamente desgastada, foi necessário uma mobilização sertaneja que sensibilizasse as autoridades federais. Era um privilégio sem limite o asfalto Palmeira─Maceió, inaugurado no governo Arnon de Mello. Veja a evolução do transporte em Alagoas.
Para chegar a Maceió, o sertanejo saia a cavalo até Pão de Açúcar e fazia o restante do trajeto pelas águas do rio São Francisco e pelo mar. Com a chegada da via férrea em Alagoas, o homem do Sertão, deixou o rio. Passou a viajar a cavalo até a ponta dos trilhos e dali embarcava na engrenagem até a capital. O espaço foi encurtando a medida que o trem ia chegando mais perto. Primeiro, Viçosa, depois Quebrangulo e por último, Palmeira dos Índios. Quer dizer, o cavalo e o trem foram importantes para os sertanejos do estado. Mas com o surgimento dos primeiros caminhões e com a rodagem, Palmeira─Delmiro, a evolução desde o início foi extraordinária. O deslocamento até Palmeira passou a ser em caminhões, automóveis ou “sopas”, depois. Quando chegou o asfalto a Palmeira dos Índios, foi outro grande salto para o Sertão. Mas nessas alturas, de Cacimbinhas a Delmiro ninguém mais se conformava em comer poeira até a “Princesa do Sertão” e continuar na maciez civilizada do asfalto palmeirense. A estrada chegou a não ter mais consertos com suas máquinas pesadas. Santana reagiu duramente, porém, as batalhas da sociedade com o poder público durou décadas de suor e frustrações. Os mais experientes diziam: “Parece que alguém enterrou uma cabeça de burro na rodagem entre Palmeira e Santana”. Nenhuma força de gigante era capaz de trazer o asfalto à terra da avó do Cristo. Mas um dia, um dia de tão cansada luta que nem teve entusiasmo para comemorar, chegou “Zé Pretinho”. Mais um sonho realizado, morno como café de ontem, porém com muita serventia.
Quando lemos nos jornais impressos e virtuais outros embates do alto Sertão pelo restante do asfalto da BR-316, lembramos do que sofremos na pele. Mata Grande, pequena, bela e peculiar cidade serrana, precisa mais de que nunca desse asfalto que bem poderia chegar até ao solo pernambucano. Cidade da rapadura, mel de engenho... Com relevo montanhoso e um dos melhores pequenos climas de Alagoas, Mata Grande tem história de mando no estado, episódios lampionescos e grandes tradições. Àquelas terras Santana já pertenceu duas vezes como comarca. Suas ruas de traçados transversais, a imponência da igreja, as histórias da cadeia velha e a tradição de belas mulheres, fazem de Mata Grande uma cidade curiosa que precisa ser visitada.
Desejamos de coração que ações em busca do asfalto da BR-316 tenham coroamento. Nem importa a proximidade das eleições. O que vale de fato é luta e reza forte para ─ definitivamente ─ ser localizada, cavada e desenterrada a tenebrosa CABEÇA DE BURRO.



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sexta-feira, 9 de abril de 2010

DETALHES DA HISTÓRIA

DETALHES DA HISTÓRIA
(Clerisvaldo B. Chagas. 9.4.2010)
É com imensa satisfação que comemoramos esta crônica de número 250. A maior parte desses trabalhos foi apresentada no Portal Santana Oxente, acrescentados também no blog do autor e no Portal Maltanet. São 250 trabalhos divididos em CDs de apenas 50 crônicas que poderão ser transformadas em livros depois de selecionadas. Os mais diferentes assuntos caracterizam a versatilidade de quem as escreveu. Nunca ninguém em fase alguma exaltou tanto a sua terra como o escritor Clerisvaldo. Nos romances, no conto, no paradidático, na História... Nas crônicas e poesias. As crônicas falam para o mundo, mas com certeza se houver uma seleção destacando as que exaltam a terra, darão um livro de história de Santana com vários nuances. Modéstia à parte, o autor merece nome de bairro em Santana, pois nome de escolas e ruas está cheias de escritores que abandonaram a terra e sumiram. Foram desencavados por padrinhos do poder. É hora de saber quem ficou batalhando na trincheira santanense sozinho e até agora. E para comemorar o número do marco, vamos mais uma vez nos voltar para Oscar Silva.
Não me lembro de nenhum tombamento de prédios públicos ou particulares em Santana do Ipanema. Aliás, tombamento em Santana é queda mesmo. Quando se juntam descaso, indiferença e ignorância, o resultado é óbvio.
Fui o primeiro escritor santanense a tirar Oscar Silva do esquecimento e apresentá-lo a essa juventude. E para aqueles que gostam de detalhes, resolvi acrescentar algo sobre à casa de Oscar Silva pois ele mesmo foi o primeiro a não se envergonhar do lugar em que habitou. Fora a flandreleira “Zifina”, sua avó (já falei sobre ela nessa coleção de 250 crônicas), conheci como segundo proprietário daquela casa trepada no barranco defronte a de meu pai, um casal da qual a mulher era macumbeira. Ser macumbeiro naquela década de 50 não era fácil. Por isso ou por aquilo, principalmente por causa da língua, a tal mulher terminou levando tremenda surra de chibata de bater em cavalo. Foram os autores o senhor José Urbano (morador defronte) e Antonio Néris, marceneiro, vizinho da mulher, apenas separados por uma casa. A macumbeira não amanheceu o dia em Santana. Depois, lembro que a casa foi ocupada por Antonio Porqueiro, conhecido assim porque matava e vendia porcos. Gente boa. Dessa família simpática destaco três dos filhos de Antonio. “Julinho”, que jogava peladas nas areias do Ipanema. Só jogava sorrindo e aplicando sucessivos dribles curtíssimos nos adversários. Jamais vi coisa igual. Francisco, o mais velho, moreno, forte (parecia um mexicano) terminou envolvendo-se em coisas pesadas lá para as bandas de Maceió. Coisas que os santanenses custavam a acreditar. E “Zé Porquinho”, novo, simpático, parece que a ele o futuro mostrou o mesmo caminho de Francisco. Desintegrou-se a família do compadre de meu pai. A casa passou muito tempo fechada e depois foi adquirida pelo senhor José Urbano e esposa “Florzinha”; demolida, faz parte agora do quintal vizinho. Sobre à casa do meu escritor santanense predileto, está aí para quem gosta de DETALHES DA HISTÓRIA.

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

CANTANDO À BOLA

CANTANDO A BOLA
(Clerisvaldo B. Chagas. 8.4.2010)
Quem aprecia um bom jogo de sinuca conhece. É uma expressão usada pelo amador eufórico com a própria habilidade: “Cantar a bola”. Cantar a bola é dizer logo o que fará na próxima jogada: “Vou encestar a bola da vez, de puxada; pego depois a bola ‘y’ e logo darei uma sinuca por trás da bola ‘x’ que está em boa posição”. Não precisa o leitor entender essa linguagem, basta saber que o amador cantou a jogada (disse o que iria fazer). O profissional não canta jogada; faz tudo calado, mesmo você prevendo o que ele realizará.
Vamos para uma explicação didática sobre motivos do que estar acontecendo no Rio de Janeiro. O caso do Rio encontra-se dividido basicamente em ações da natureza e ações do homem. Quanto às ações da natureza:
1. Somos um país de maior parte tropical. Isso quer dizer que estamos entre os trópicos. O Brasil possui quase todo o seu território entre a Linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. Significa dizer que estamos sujeitos às chuvas durante as quatro estações do ano.
2. A posição geográfica do Rio de Janeiro espremido entre mar e montanhas, apresentando lagoas, rios, córregos e canais.
A natureza não tem culpa de nada. Os inúmeros acidentes geográficos são belíssimos e mexem com o orgulho do povo carioca. Atraindo pelas belas paisagens e ações humanas, esse paraíso logo passou a ser densamente povoado. Em não havendo mais lugares seguros disponíveis, áreas de riscos começaram a receber moradores cada vez mais em grande quantidade: margens de rios, mangues, encostas, lombos de morros isolados e parte superior de montanhas com vegetação nativa. Entre as ações humanas que levaram a essa calamidade estão:
1. O asfalto. Parte das chuvas que antes se infiltravam no solo, com a cobertura asfáltica passou a escorrer pela superfície.
2. Lixo urbano. O lixo, jogado pelo povo em todos os lugares: nas ruas, praças, quintais, córregos... Forma uma barreira em pequenos e grandes esgotos impedindo a passagem da água. A essas barreiras, outra é formada pela maré alta, que impede a entrada das águas pluviais no mar. Forma-se assim um ciclo fechado, sem saída para as águas e para o alívio da população. Com o ciclo fechado, mais chuva, principalmente em volume inesperado para um tempo curto.
3. Desmatamento. O desmatamento provocado pela ocupação desordenada nas encostas e no cimo dos morros deixa a terra desnuda que não resiste à pancada de chuva e as enxurradas violentas. O solo desliza e desce junto com as águas levando tudo de roldão.
Chuvas fortes, tempestades, queda de temperatura, completam o restante do inferno. Os que cantaram a bola não tiveram taco suficiente para realizar grandes jogadas de prevenção. A natureza ainda corre muito à frente e as providências atrás. Uma viaja de avião e as outras em lombos de jumentos. As tragédias cantadas continuarão a acontecer, infelizmente, enquanto houver essa mentalidade inebriante de amador. É fácil iniciar CANTANDO A BOLA.





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terça-feira, 6 de abril de 2010

DESARMAR ESPÍRITOS

DESARMAR ESPÍRITOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 7.4.2010)
Faz muito bem o senhor Barack Obama em repensar as armas atômicas. Com a infeliz ideia e sem precisão alguma foi jogada a primeira bomba em Hiroshima. Os americanos dizem como desculpa que foi para apressar a paz e evitar mais mortes em ambos os lados. As duas hecatombes que aconteceram nas duas cidades japonesas são apenas parte do cinismo e bestialidade humanas. Palmas e palmas para os fabricantes de armas, glórias para o espírito destruidor, respeito medroso para os possuidores de artefatos. Entrevistado, o piloto que jogou as bombas sobre o Japão diz não ter se arrependido e orgulha-se de ser pau-mandado do comando. É o instinto carniceiro aliado a um patriotismo zambeta que instiga a ferocidade. Outras nações, para não ficarem em desvantagem e meter medo nos outros mortais, também partiram para a estupidez que em nada de bom acrescenta ao mundo. Assim é que, além dos Estados Unidos, possuem armas nucleares a Rússia, Ucrânia, Reino Unido, França, China, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte. É de se notar entre os privilegiados que fazem parte do clube, os cinco do Conselho Permanente de Segurança da ONU. Eles se respeitam entre si por que cachorro grande não briga com semelhante. Prefere farejar o traseiro e urinar no poste imediato. Cuidado deve ter cachorro pequeno, alvo fácil dos dentes afiados dos raçudos.
Eliminar armas atômicas é melhor de que qualquer outra coisa, mesmo sendo consideradas obsoletas em comparação com o avanço destruidor do momento. Todos estão cansados de saber que uma guerra atômica não deixará vencedores. Será o fim total do gênero humano no Planeta. Mas, por que, então, continuar com essa ameaça no fundo do quintal? Somente o que sonda o homem por dentro e por fora sabe a resposta verdadeira. A iniciativa, portanto, do presidente Obama, representa certo alívio para os terráqueos, mas não deixará de enraivecer os radicais vampirescos que atuam às sombras tenebrosas.
Se os arsenais de hoje só precisam de um louco para apertar o botão, por que deixar mais um maluco como o senhor Ahmadinejad fazer parte do “Clube do Bolinha”? Caro Barack, o senhor foi eleito porque representava o novo; uma esperança de tempos mais venturosos para o povo americano e para o mundo inteiro. Ser a maior potência, também implica em maior responsabilidade. Será que o senhor vai conseguir resgatar um sonho de paz duradoura para esse planeta conturbado? Não é fácil segurar o leme do barco mais poderoso da Terra. Exercer o cargo de presidente americano deve ser um exercício permanente de meditação. É como diz a música: “Os meus problemas são meus/ Deixem comigo a solução (...). Na hora de decidir como resolver questões, só quem sabe é a cabeça de quem pensa. Sobre os depósitos de armas existentes, é fácil derretê-los, difícil mesmo é DESARMAR ESPÍRITOS.


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segunda-feira, 5 de abril de 2010

SANTOS DE ALAGOAS

SANTOS DE ALAGOAS
(Clerisvaldo B. Chagas. 6.4.2010)
São diversos os santos introduzidos no Brasil pelos portugueses. Muitos se tornaram verdadeiros guias espirituais, adquirindo milhões de devotos seguidores. Esses são os mais conhecidos e não existe cidade grande ou lugarejo que não tenha alguma coisa com o nome do santo. Casas comerciais estão cheias de denominações divinas numa evocação sincera ou não que mostram os pendores do cristão. Colocar nome de santo no estabelecimento é acreditar na ajuda que vem do céu para seus negócios, muitas vezes até escusos na Terra. Todavia, é como se o santo não visse as falhas, os defeitos, os pecados, os roubos escancarados e continuasse protegendo o infrator devoto. O povo nordestino anda com muitos santos no bornal e apela para todos conforme seja a natureza dos seus reclamos. Caminhos que cortam a caatinga, o agreste, mangue e floresta, acham-se repletos de sinais que levam ao transcendental. A boca ainda reina como lugar preferido para abrigar o monte, porque dificilmente esse monte é conduzido ao coração. Pronunciar denominações de seres encantados é como reflexo disponível a qualquer momento em qualquer lugar. Mesmo os últimos destaques do Nordeste não canonizados ainda, tem o espaço em logradouros públicos e casas de negócios, ainda que sejam somente para atraírem a clientela e nada mais. Afinal, as forças que muitos nomes proporcionam, parecem ser a chave do sucesso que erguem pobres e ricos na concorrência da vida.
Entre os santos mais apreciados, com raízes seculares na região nordestina, estão, São José, São João e Santo Antonio. Esses ajudam na escolha dos nomes dos que nascem nessas bandas e os nomes escolhidos cooperam com a devoção da entidade correspondente. Sem conta são os motivos que levam a escolha do nome filial. Tirando os campeões citados, outros santos também tem lugares garantidos como Santa Luzia, protetora dos olhos; São Brás que toma conta da garganta e assim por diante. São comuns ainda as homenagens a Frei Damião e ao Padre Cícero, em praças, botequins, bazares, armazéns, marcas de velas, fogos de artifícios e até em simples carrinhos de balas doces de ambulantes pelas feiras. Essa simbiose cristã vai solidificando a maneira de ser do caboclo que precisa de uma proteção real contra as dores e injustiças reinantes nesse território causticante. Sempre se precisa mesmo de alguma coisa sobrenatural pelo menos para acreditar.
Para os que gostam de expandir a segurança divinal, boas novidades se apresentam. Começa a revoada de novos santos (santos, não candidatos a santo) em Santana do Ipanema e em outras cidades do interior de Alagoas. Deputados, senadores e outras categorias do céu, chegam por aqui, são entrevistados, contam suas vidas e até os rádios dos ouvintes choram de tanta pena e emoção. As lábias são semelhantes àquelas dos vendedores de óleo do peixe elétrico que aparecem nas feiras livres semanais. Irmãos de São José, primos de São João, parentes de Santo Antonio, estão isentos de todas as culpas, de todos os pecados, de todas as infelicidades. Você que já engoliu tantas, engula mais essa. Deixe de lado o demônio e coloque já no lugar de honra da sua casa mais dois ou três SANTOS DE ALAGOAS.



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domingo, 4 de abril de 2010

ACOCHANDO TUDO

ACOCHANDO TUDO
(Clerisvaldo B. Chagas. 5.4.2010)
As Contínuas transformações nos climas da Terra vão cada vez mais robustecendo as palavras de renomados cientistas. Ninguém pode ignorar, sob hipótese nenhuma, as mudanças registradas em todos os lugares do mundo. Mesmo o homem sem instrução, acusa no lugar em que habita algumas diferenças na pluviosidade, no aumento da temperatura, na escassez ou no exagero de enchentes que não aconteciam antes. Até mesmos os fabricantes de tecidos são contrariados pelas variedades não esperadas durante as estações do ano. Em todos os lugares do Planeta as coisas estão acontecendo. Degelo mais rápido, desaparecimento de ilhas, erupções vulcânicas surpreendentes e contínuos terremotos em diversas regiões ao mesmo tempo. Há os que dizem que isso tudo é causado pelo aquecimento global. Claro, é mais do que provável essa afirmação. Agora o duelo é mais sobre a raiz do problema. O tal aquecimento é forçado pelo homem ou é apenas um ciclo natural que se fecha provocando um novo que se abre?
Há dezenas de anos circulava reservadamente, a notícia de que o mar de Aral estava secando. Existiu e ainda existe certa mania asiática, principalmente na China e Rússia (antiga União Soviética) em esconder tragédias. Nem sabemos quais os benefícios impostos por essas atitudes mesquinhas e ridículas que trazem as tristes lembranças da “cortina de ferro”. Existem outras atitudes asiáticas na Tailândia, na Indonésia, nas Filipinas que a nós ocidentais parecem arcaicas e exóticas.
É de se estranhar mesmo assim, que só agora o secretário-geral da ONU, senhor Ban Ki-moon, tenha procurado tomar conhecimento do sumiço de um mar inteiro. O mar de Aral, localizado entre dois países independentes que faziam parte da antiga União Soviética, era considerado o 4º do mundo. Com um projeto de irrigação dos soviéticos para a lavoura do algodão, o mar encolheu e hoje representa apenas 10% do original. Também chamado lago, o Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, no momento representa apenas um imenso deserto de areia salgada, cemitério de navio e passarela de camelos. Suas tempestades de areia prejudicam a saúde de populações desde o extremo da Ásia (Japão) ao extremo da Europa, na Escandinávia. Agora, com a pesca reduzida, também surgem outros problemas sociais. É dramática a luta pela água nessa região, gerando mal-estar entre nações. Mas o que nos chama atenção mesmo, na parte social e política, é a denúncia tardia do secretário da ONU ao sobrevoar a região do problema. Sua declaração de que aquele é o maior desastre ecológico mundial, parece uma surpresa de total desinformação. Por que só agora, senhor Ban Ki-moon?
Se a explicação dos nuances asiáticos fosse repassada para o saudoso poeta-repentista Zezinho da Divisão, teria sido até bom para o senhor Ki-moon. O “Galego” teria escutado com a cara larga mais inocente de todas, balançado a barriga avantajada e dito como tema “empaiolado”: “SÓ VAI ACOCHANDO TUDO”.
• Empaiolado = Tema costumeiro; tema de estrofes viciadas.





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quinta-feira, 1 de abril de 2010

ZÉ 38

ZÉ 38

(Clerisvaldo B. Chagas. 2.4.2010)
Do CD “Sertão Brabo I”

Morava no sítio Palmas
Matador de profissão
O cruel Zé 38
Magrelo do bigodão
Tinha os zoi da cor de fogo
Matava sem ter arrogo
Mulher, menino, ancião.

Foi assim que Zé matou
Do pobre ao remediado
Pra matar padre e juiz
Ele pedia dobrado
E antes que me esqueça
Sempre cobrou por cabeça
Aumentando o apurado.

Meu avô era roceiro
O chapéu era o capuz
Mas tinha sabedoria
Falava: deus me conduz!
Não temia o horroroso
Um devoto fervoroso
Do coração de Jesus

Meu avô um dia viu
Zé matando João Sindô
Quando passava no sítio
Chamado Bela Fulô.
Sexta-feira da Paixão
Chegou o fio do cão
No rancho do meu avô

38 foi dizendo:
─ Ô velho vim te matar
Ninguém me pagou pra isso
Mas pra você não falar
Pois não confio em vovô
E o crime de João Sindô
Não se pode boatar.

─ Zé você tá esquecido
Hoje é Sexta-feira Santa
(meu avô lhe respondeu)
Até mesmo a salamanta
Se esconde no sopé
Hoje não morde no pé
Sua ousadia me espanta.

O bandido enfarruscado
Respondeu: ─ é caduqueira
Quando o cabra fica velho
Só sabe dizer besteira
Que todo dia é comum
Eu nunca fui matar um
Pra não vê a bagaceira...

Sexta-feira que eu conheço
É bala, meu camarada,
Tu que só véve rezando
Perde tempo nas estrada,
Seu Deus é feito de pó
Vou lhe dar um tiro só
Nunca mais tu reza nada...

Eu vejo quando tu passa
Todo domingo pra igreja
Em vez de perder seu tempo
Devia estar na peleja
Vou acender um cigarro
Peça a seu Jesus de barro
Que agora venha e proteja.

Meu avô ajoelhou-se
Apontou o coração
Abriu os braços e lhe disse:
─ Pode atirar, valentão.
E do pistoleiro rouco
O revólver quebrou coco
Cinco vez na sua mão.

Na sexta vez o revólver
Daquele monstro sem luz
Jorrou o sangue divino
Com o meu avô em cruz
Juro com toda firmeza
Absoluta certeza
Que o sangue foi de Jesus.

deu um grito medonho
Com esse fato colosso
Afastou-se apavorado
Revólver cabo de osso
O cruel ia levando
O sangue fino pingando
Caindo e ficando grosso.

o bandido carrasco
Que a ninguém considera
Tinha matado setenta
Com o coração de pantera
Bem naquela sexta-feira
Logo depois da porteira
Já não sabia quem era.

enlouqueceu na sexta
Na segunda se enforcou
Porque Sexta-Feira Santa
A fera não respeitou
Hoje quem passa nas Palmas
Ouve os lamentos das almas
Dos homens que Zé matou.

FIM
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