terça-feira, 23 de março de 2010

UM GRITO NA HISTÓRIA

UM GRITO NA HISTÓRIA

(Clerisvaldo B. Chagas. 24.3.2010)

Com tantas mulheres dinâmicas e destaques nacionais no que exercem, parece que passou despercebida a heroína brasileira no dia da mulher, Maria Quitéria de Jesus.
Diante das constantes insistências e pressões portuguesas para a volta de D. Pedro I àquele país, aumentou consideravelmente as tensões entre brasileiros e lusos. Durante o ato da Independência, não houve participação popular às margens do riacho Ipiranga, é bem verdade; lutas imensas, entremeadas de heroísmos, entretanto, aconteceram pelo país afora em apoio ao filho de D. João VI. Portugal, sugador tri secular do sangue brasileiro, não quis entregar o Brasil independente. Houve lutas de resistência portuguesa à nova situação na Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e na província Cisplatina. Após essas lutas nas províncias citadas, consolidou-se finalmente, em 1823, em todo território nacional, a vitória definitiva do imperador. Muitos brasileiros ainda acham que o Brasil ficou independente apenas com o célebre grito do Ipiranga. Desconhecem as lutas travadas após o grito no riacho. Nessas lutas que se seguiram após o Ipiranga, houve destaques em episódios de bravuras de pessoas que depois ficaram esquecidas na História.
Para quebrar a resistência inimiga, emissários do governo procuravam ajuda nas fazendas, principalmente voluntários. E como o pai de Quitéria nada tinha a oferecer, um desses emissários deixou à fazenda, desanimado. Maria Quitéria, após ouvir a conversa, cortou os cabelos, pulou à janela e foi pedir roupa de homem à irmã, na casa do cunhado. Assim, Maria Quitéria de Jesus cavalgou 80 km até chegar ao local chamado Cachoeira, onde se organizava o exército de libertação. Disfarçada de homem, Maria deu o nome fictício de Medeiros. Conseguiu alistar-se e já no dia seguinte estava no seu posto. Quitéria logo mudou para o Regimento dos Periquitos, tropa que usava no fardamento gola e punhos verdes. A mudança teve como causa o serviço pesado anterior. Foi no Regimento dos Periquitos que Maria Quitéria de Jesus lutou durante um ano. Mulher sertaneja de 30 anos, analfabeta, era cheia de Brasil na luta contra o colonialismo. Quitéria ainda foi promovida a cadete e teve a identidade descoberta, mesmo assim continuou engajada, lutando com um saiote por cima da calça. A sertaneja teve a honra de entrar com as tropas vencedoras em Salvador. D. Pedro convidou-a para receber medalha de ouro no Rio de Janeiro. Maria aceitou e, como era analfabeta, saiu treinando o nome na viagem para não passar vergonha diante de tanta gente importante. Ainda na Bahia, após o imperador perguntar se precisava de algo, Quitéria teria respondido que escrevesse a seu pai (de Quitéria) pedindo perdão por ter fugido de casa na noite da cavalgada.
Maria Quitéria de Jesus não foi à única mulher a se destacar na luta Brasil-Portugal, da independência. Quem procurar acha mais UM GRITO NA HISTÓRIA.






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