quarta-feira, 31 de março de 2010

NA VOLTA DO BACALHAU

NA VOLTA DO BACALHAU
(Clerisvaldo B. Chagas. 1.4.2010)
Pela tradição católica, vem à procura do bacalhau durante a Semana Santa, principalmente na sexta-feira, dia da morte de Jesus. É interessante como se forma uma opinião que leva a pessoa para uma prática automaticamente. Durante essa época fala-se tanto em bacalhau como se o peixe galídeo do Atlântico Norte fosse o único não proibido na refeição da sexta. Está certo que tanto o COD GADUS MORHUS (DO ATLÂNTICO NORTE) ou o COD GADUS MACROCEPHALUS (do Pacífico Norte) são deliciosos, mas nem somente vive a sexta-feira santa de bacalhau. Pode-se definir o bacalhau como peixe salgado, seco, nutritivo, saboroso, rico em sais minerais e vitaminas, quase sem colesterol e de fácil digestão. Dizem até que esse valor nutritivo, comparando em um quilo do produto, equivale a 3,2 quilos de que o peixe comum. Comer uma excelente bacalhoada está na moda, em casa, nas residências dos familiares ou mesmo em restaurantes simples ou caros no Brasil inteiro; mas nem sempre foi assim.
Nas décadas de 50 a 70, bacalhau era comida de trabalhador braçal alugado nas roças do Nordeste. Não somente o bacalhau, mas também o charque ou jabá, chamado em outras regiões de carne seca. O fazendeiro organizava grandes tarefas em batalhões (hoje mutirão) de até uma centena de pessoas, homens e mulheres, tentando apressar o trabalho. Colher algodão, limpar o mato e outros empreendimentos agrícolas, quase sempre eram realizados sob cânticos compassados como rituais solenes. A parada para o almoço (chamado boia) acontecia quase sempre sob árvore frondosa onde o bacalhau ou o charque não faltavam nos caldeirões pretos de fumaça. Entretanto, o patrão mesmo não se alimentava regularmente desses dois produtos, pois diziam ser comida de negro, “cassaco de rodagem” ou trabalhador (de roça).
Existem outros significados para a palavra bacalhau: mulher extremamente magra, comida muito salgada ou mesmo azorrague com que se castigava o escravo.
Na Santana do Ipanema da década de 50, lembramos de bacalhau à venda somente no armazém de secos e molhados do senhor Marinho Radrigues, situado no “prédio do meio da rua”, defronte à sapataria do comerciante Marinheiro, proprietário da “Casa Ideal”. O produto, juntamente com o jabá, ficava exposto no balcão aguçando o desejo do freguês, pela aparência de qualidade. Muitas unhas rasgavam as amostras que iam imediatamente às bocas ávidas no vai-e-vem de Seu Marinho. Somente no final do século XX e início do século XXI, foi que essas duas mercadorias, pelo menos no interior nordestino, começaram a fazer parte da classe média e, depois, de qualquer uma. As antigas comidas de escravos e cassacos estão presentes agora em todos os lugares. Enquanto o charque é o principal sabor da feijoada, o bacalhau é destaque somente durante a Semana Santa, quando é procurado e consumido em larga escala. Contudo, seu preço proibitivo, vai tangendo o consumidor para fora da tradição com diversas alternativas. De qualquer forma é melhor atender aos apelos das vísceras pelo produto de que viver gemendo fustigado NA VOLTA DO BACALHAU.



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terça-feira, 30 de março de 2010

A BARBA DE ARÃO

A BARBA DE ARÃO
(Clerisvaldo B. Chagas. 31.3.2010)
Quase passa despercebida no Brasil, a presença do novo presidente do Uruguai José Mujica. Trazendo inventivos planos para a economia daquele país, Mujica veio pedir apoio ao dirigente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Mesmo tendo pouca extensão territorial, o Uruguai é o nosso único vizinho pelo sul e merece absoluto respeito. Sendo um dos membros fundadores do MERCOSUL, possui indicadores sociais elevados e uma pequena concentração de renda entre os seus platinos habitantes. A mortalidade infantil é menor de que a média da região e a taxa de analfabetismo é quase zero. Até a década de 60, o Uruguai teve significativo desenvolvimento que diminuiu com a queda de preços dos seus produtos exportáveis. A partir dos meados do século XIX ─ com a chamada Revolução Industrial ─ o Uruguai passou a fornecer produtos agropecuários, principalmente carne, couro e trigo. O seu crescimento econômico ficou atrativo para imigrantes da Europa, notadamente espanhois e italianos, até mesmo pela facilidade da linguagem.
O nosso vizinho e parceiro do sul tem seu espaço basicamente dividido em três partes. A primeira são áreas de criação de gado bovino e ovino. O seu relevo permite que 90% do seu território sejam dedicados ao criatório. A segunda parte é ocupada pelas cidades distribuídas por todo o país com funções administrativas e prestações de serviços. E finalmente vem a área de agricultura e pecuária intensiva (cereais, hortifrutigranjeiros e leite). Esses produtos do campo vão para a indústria têxtil e as relativas aos frigoríficos. A maioria dos produtos de exportação desse país do Prata, é da agropecuária. Mesmo assim a participação maior no PIB uruguaio vem da prestação de serviços e do comércio. Sua população se concentra nas áreas urbanas, distribuídas em cidades pequenas e médias. Aliás, não existem grandes cidades no país. Se formos olhar o passado, vamos encontrar o Uruguai como província Cisplatina anexada ao Brasil e também aliado ao Império em guerras envolvendo Argentina e Paraguai
O presidente eleito pretende construir um porto de exportação para servir a todos os países da América do Sul. Isso parece o sonho central de Mujica para o seu dinâmico território. Com certeza um empreendimento desse porte seria oxigenar tanto a economia uruguaia quanto a dos países do próprio MERCOSUL. O porto seria para o Uruguai uma via de exportação do ferro e futuramente do aço. Caso os formadores do Mercado do Sul queiram de fato uma região integrada, nada melhor de que aproveitar a ideia de boa convivência. Os exemplos atuais de israelenses e palestinos não fazem às delícias da paz. Muita diferença tem da América do Sul para o Oriente Médio. “Ó quão bom e suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso que desceu sobre a barba, A BARBA DE ARÃO (...).





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segunda-feira, 29 de março de 2010

AS DUAS BESTAS

AS DUAS BESTAS
(Clerisvaldo B. Chagas. 30.3.2010)
Na região do Cariri, o padre Cícero Romão Batista, era tudo. Com intensificação à sua procura a partir do milagre da hóstia, o referido padre teve que ser especialista em todas as áreas sociais para atender a demanda dos romeiros. As multidões dos povos simples vinham de todas as regiões de Nordeste pedir orientações para os seus males. Cícero ouvia as intermináveis situações complexas, ingênuas, inusitadas. Para os famintos de conforto espiritual tinha sempre uma saída aconselhando e respondendo sobre rixas de famílias, negócios, curas homeopáticas, migração e tantas outras questões que afligiam a alma da gente sertaneja. Às vezes se aborrecia ao descobrir nas suas fontes, situações golpistas do consulente. Em uma dessas milhares de consultas, uma senhora contava ao padre, o desentendimento entre ela e sua vizinha. Terminou dizendo que havia sido chamada de besta. Cícero indagou pacientemente qual havia sido a sua resposta ao insulto. A senhora respondeu que havia dito que besta era ela. Foi aí que o homem do Juazeiro teria duramente sentenciado: “Então são duas bestas!”
Se fossem anotar as brigas de judeus e seus vizinhos desde os tempos de Josué até o presente momento, um livro grosso como a Bíblia ainda seria pouco. A história contemporânea da Palestina, para falar apenas da Guerra dos Seis Dias até agora, envolvem muitos interesses, não só palestinos e israelenses. Estão em jogo muitas outras coisas que os Estados Unidos e a Inglaterra conhecem sobejamente. Falando sobre a guerra acima (1967) Israel, vitorioso, anexou ao norte, as colinas de Golan, na Síria; a oeste, a Cisjordânia, da Jordânia; ao sudoeste, a península do Sinai com a faixa de Gaza em poder do Egito; e a cidade de Jerusalém. Devolvida a península ao Egito, permanece o restante em poder de Israel. Além da específica questão Israel-Palestina, o estado judeu enfrenta problemas com grande parte da sua vizinhança. Como viver em paz em uma região cercada de inimigos? Superior militarmente na região, Israel cisma em não devolver os territórios anexados durante a Guerra dos Seis Dias. Além disso, o estado judeu diz querer a paz, mas insiste em construir casas para colonos na parte anexada. Como posso querer paz com meu vizinho invadindo seu espaço?
Por mais simpática que seja a causa israelense através do tempo, fica muito difícil para qualquer outro país, engolir a sede expansionista argumentada. E o pior de tudo nesse foco de tensão, é o nome de Deus na boca dos nativos. O Deus único e verdadeiro pulverizou-se em vários deuses do Olimpo e outros menores que a própria região insistentemente continua fabricando. Se o lugar em que Jesus nasceu, viveu, pregou e morreu é assim, imaginemos outras paragens privadas dos passos nazarenos! Bem diz o povo: “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Israel não consegue convencer a mais ninguém com sua paz feita de balas. Pode ter decorado até a Bíblia e o Torá, mas por certo precisaria ter visitado o padre Cícero para ouvir a imortal sentença das DUAS BESTAS.




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domingo, 28 de março de 2010

PROCURA-SE BARBEIRO

PROCURA-SE BARBEIRO
(Clerisvaldo B. Chagas. 29.3.2010)
Fui surpreendido mais uma vez pela Internet, com a notícia do passamento do meu barbeiro Manoel Ferreira, dois dias depois do acontecido. Barbeiros e alfaiates são duas classes em extinção por essas bandas. Lembro que o meu primeiro barbeiro, nos tempos das calças curtas, chamava-se Nézio. Já com certa idade, Nézio trabalhava no antigo “prédio do meio da rua”. Depois fui cliente muitos anos do senhor José Barbosa que atuava à Rua Nilo Peçanha, bem próximo à Travessa Antonio Tavares. Ali, defronte à alfaiataria de José de Souza Pinto, o “Juca Alfaiate, o senhor José Barbosa começou a contar meus primeiros pelos que surgiam no queixo. Como era bem humorado, o barbeiro contava com seu futuro adicional da minha barba. Tempos depois, o senhor José mudou de ramo, passando a ser dono de bar nas imediações do mercado municipal de carne.
A boa quantidade de conceituados barbeiros em Santana do Ipanema ia rareando. No auge da categoria, houve até uma velada concorrência entre eles, coincidindo com os modernos cortes de cabelos de regiões adiantadas introduzidos em Santana. Como o senhor José Barbosa ficou de fora, o meu terceiro barbeiro passou a ser o Apolônio que também trabalhava na mesma barbearia da Rua Nilo Peçanha. Depois o barbeiro mudou para a Rua Antonio Tavares e terminou sua carreira nos salão do cine Alvorada, à Praça Cel. Manoel Rodrigues da Rocha. Foi uma vida inteira como cliente. O belo nome “Apolônio” me chamou atenção. Era diferente e lembrava o político da música cantada por Luiz Gonzaga sobre a hidrelétrica de Paulo Afonso: “Delmiro deu a ideia/Apolônio aproveitou/ O presidente Café/Agora inaugurou (...)” Quando eu estava escrevendo o meu romance “Fazenda Lajeado” (ainda inédito) precisava de um personagem marcante para o papel de capataz da fazenda. Era preciso também um nome incomum e atraente. Tomei emprestado o belo nome do meu barbeiro e Apolônio passou a ser o capataz da “Fazenda Lajeado” (os leitores irão se apaixonar por ele). Diferente, todavia, do modo de ser e da aparência do capataz, Apolônio barbeiro, morador do sítio Jaqueira, era calmo e de fala mansa. Vez em quando me contava baixinho, uma das suas aventuras e falava ser bom atirador. Frequentava anualmente o Juazeiro do padre Cícero. Senti muito quando ele faleceu. Cabra bom! Como a família possui a tradição da tesoura, passei a ser cliente do seu filho Manoel Ferreira até o dia do seu falecimento, vítima, segundo o site, de infarto fulminante.
As barbearias hoje dão lugar aos salões unissex, deixando pessoas como eu ainda constrangidas. Nem nunca entrei em um desses salões, nem barbeiro nenhum rapou a minha barba (prática pessoal de quatro ou cinco vezes semanais). Na escassez dessa profissão, ainda resta o filho de Manoel Ferreira, também exímio na tesoura; é preciso saber se vai continuar a arte do pai e do avô. Meus sentimentos à família do barbeiro radialista e fã das serestas santanenses. Com a falta desses notáveis prestadores de serviço, afixemos o cartaz: PROCURA-SE BARBEIRO.


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quinta-feira, 25 de março de 2010

ESQUINA DO PECADO

ESQUINA DO PECADO

(Clerisvaldo B. Chagas. 26.3.2010)

Minha primeira experiência coletiva intelectual em discussão foi em Santana do Ipanema. Entre quinze e dezessete anos, travei conhecimento com o “Negão Zé Lima” que morava com a tia no “Hotel Central”. Era um prazer muito grande encontrar-me com pessoa tão inteligente e atualizada. Zé Lima, moreno claro e franzino, tinha uma capacidade incrível de criar piadas curtas e dá respostas rápidas. O local predileto das nossas conversas era a esquina do hotel, principalmente à noite e aos domingos. Conversávamos principalmente sobre História e Geopolítica. Revirávamos o mundo inteiro onde entravam a Segunda Guerra, tipos de armas, principais combates, Vietnã e muito mais além de enveredarmos pelo campo das novas tecnologias. Zé Lima andava de amigação lá na baixada do “gamba”, cuja mulher era doida por ele. Mas o Negão era apaixonadíssimo por Zilma e não parava em todas as ocasiões de elogiar “seus olhos verdes e seu rosto meigo”. Certa vez fomos a Pão de Açúcar contemplar a procissão dos navegantes e ele não parava de falar sobre Zilma, lá em cima, no cristo, de onde víamos a bela paisagem das embarcações nas águas do São Francisco.
Depois chegou o Fernando Campos e integrou-se aos encontros. Jovem de família tradicional do Bairro Monumento surgia bem penteado e bem vestido, sem nunca largar um cigarro que parecia fazer parte dele. Descobri que era também inteligente e mostrava leves ideias socialistas. Em seguida surgiu o Arlei, gago, sabido e também com pensamentos semelhantes aos de Fernando. Alguns outros rapazes também compareciam, mas eram coadjuvantes nas palestras do quarteto.
Aos domingos, as mulheres passavam para a missa das sete e das dezenove horas e não paravam de pedir licença entre a parede da casa comercial e o poste onde se amarravam os cartazes do cinema e dos jogos de futebol. Ficávamos ali, escorados na parede ou no poste. Como o filme “Esquina do Pecado” estava em voga, dei o apelido do nome do filme àquela esquina que pegou rapidamente. Não falávamos mal das mulheres de Santana como sempre acontecia no “Senadinho” pesado de adultos na porta da igreja-monumento de Nossa Senhora da Assunção. Já foi dito acima qual era o nosso tema. Entretanto, como o nome do lugar era “Esquina do Pecado”, parece que incomodava as mulheres que por ali transitavam em direção à Igreja Matriz de Senhora Santa Ana. Um dia chegou à notícia de que o novo delegado havia recebido uma queixa sobre a esquina e iria visitá-la para recolher os componentes. Verdade ou mentira, por via das dúvidas, resolvemos abdicar. A roda do intelecto nunca mais se reunião ali. Depois Zé Lima foi trabalhar em Arapiraca (onde teve a vida ceifada em acidente); eu fui estudar na capital e perdi contatos com Arlei e Fernando. Soube recentemente que Arlei trabalha em Delmiro Gouveia (AL) e, Fernando, não sei. Mas foi com grata surpresa que o redescobri através da Internet, usando as letras que saem daquela cabeça da ESQUINA DO PECADO.
• Atualmente Zilma trabalha na Escola Helena Braga.
• “Gamba” = baixo meretrício.
• Pelo menos a “Esquina do Pecado” produziu dois escritores santanenses.


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quarta-feira, 24 de março de 2010

RIACHO DO NAVIO

RIACHO DO NAVIO

(Clerisvaldo B. Chagas. 25.3.2010)

No semi-árido nordestino os rios temporários são todos semelhantes, exercem as mesmas serventias e variam em largura, extensão e fama. Após as enchentes periódicas, as correntes somem, restando poços rasos ou profundos, em locais arenosos ou em pedregulhos respeitáveis. Em Alagoas destacam-se as três ribeiras Ipanema, Capiá e Traipu, seguidas de outros menores como Gravatá, João Gomes, Dois Riachos, Riacho Grande, Camoxinga, Canapi, Desumano e Jacaré. A pesca incessante nos tempos de estiagem, não deixa sequer um carito (peixe pequenino e vil) para remédio.
Havia uma tradição em Santana do Ipanema quando, anualmente, um grupo de homens partia para uma pesca no riacho do Navio, zona sertaneja de Pernambuco. Participei da prática quase no final dessas alegres e decantadas excursões. Convidado que fui, parti em cima de uma camioneta lotada de mantimentos, cuja despesa era dividida por todos. A diferença geral iniciava ao entrarmos em Pernambuco cortando caminho por uma paisagem inóspita, cujo areal parecia não ter fim. A camioneta pesada e com boa velocidade, ia engolindo léguas e léguas sobre trilhos de carro de bois, ladeados por arbustos pelados e cinzentos. Tive impacto fortíssimo com uma visão real naquele mundo de deserto: um imenso açude de água verde que se perdia no horizonte como verdadeira miragem saariana. Bem ali pertinho estava o riacho do Navio, cantado nacionalmente pelo sanfoneiro Luiz Gonzaga. No local de chegada, no bojo da sequidão, um poço longo mantinha a água presa cercada de pedras lisas e de várias frondosas craibeiras que protegiam as barracas dos visitantes.
O riacho do Navio, afluente do Pajeú, nasce entre os municípios de Custódia e Betânia e percorre 132,24 km até o seu coletor. Tinha certa aparência do riacho santanense Gravatá.
Três dias de pesca longe de casa no mais engraçado lazer que eu conheci. Somente homens no acampamento em atividades diversas. Uns pescavam com tarrafas, outros caçavam, muitos jogavam baralho e outros ainda divertiam-se em farras movidas a violão, aguardente e uísque. O palavrão era destaque e corria solto na boca de predestinados. Entre a turma, um ou dois eram alvos da maior parte da brincadeira como o senhor Sebastião Gonçalo, vulgo Sebastião Labirinto. Surpreendeu-me a quantidade de mantas de carne-de-sol espalhadas por cima das pedras. Frutas à vontade. Após as horas normais das refeições, não havia regras para lanches. Quem quisesse, a qualquer hora do dia ou da noite, cortava, espetava e assava sua carne nas fogueiras permanentes. Mexia nos pães, nas frutas, na bebida, tudo de acordo com o desejo. Nenhuma restrição. Quando alguns adormeciam, tinham os punhos das redes cortados. Bagunceiros ralavam latas nas pedras e nessas horas não tinha quem dormisse. Com a garganta inflamada desde o início, não tive plenitude nas brincadeiras.
Fui e voltei com o técnico João Galego. Alguns anos após a minha ida, o movimento foi escasseando, devido o desaparecimento dos mais antigos. A tradição teve fim quando um santanense tentou derrubar a craibeira mais antiga e quase foi trucidado pelos nativos. Fui à outra pesca na volta do Moxotó com os senhores José Maria Amorim (professor), José Gomes, vulgo “Cara Veia (técnico), Sebastião “Poara” (aposentado), Juca “Alfaiate”, Osman (sargento), Manoel da “Guanabara” (comerciante), mas foi diferente e a moda não pegou. Fica assim registrada a tradição e o fim, em Santana do Ipanema, da pesca no RIACHO DO NAVIO.




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terça-feira, 23 de março de 2010

UM GRITO NA HISTÓRIA

UM GRITO NA HISTÓRIA

(Clerisvaldo B. Chagas. 24.3.2010)

Com tantas mulheres dinâmicas e destaques nacionais no que exercem, parece que passou despercebida a heroína brasileira no dia da mulher, Maria Quitéria de Jesus.
Diante das constantes insistências e pressões portuguesas para a volta de D. Pedro I àquele país, aumentou consideravelmente as tensões entre brasileiros e lusos. Durante o ato da Independência, não houve participação popular às margens do riacho Ipiranga, é bem verdade; lutas imensas, entremeadas de heroísmos, entretanto, aconteceram pelo país afora em apoio ao filho de D. João VI. Portugal, sugador tri secular do sangue brasileiro, não quis entregar o Brasil independente. Houve lutas de resistência portuguesa à nova situação na Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e na província Cisplatina. Após essas lutas nas províncias citadas, consolidou-se finalmente, em 1823, em todo território nacional, a vitória definitiva do imperador. Muitos brasileiros ainda acham que o Brasil ficou independente apenas com o célebre grito do Ipiranga. Desconhecem as lutas travadas após o grito no riacho. Nessas lutas que se seguiram após o Ipiranga, houve destaques em episódios de bravuras de pessoas que depois ficaram esquecidas na História.
Para quebrar a resistência inimiga, emissários do governo procuravam ajuda nas fazendas, principalmente voluntários. E como o pai de Quitéria nada tinha a oferecer, um desses emissários deixou à fazenda, desanimado. Maria Quitéria, após ouvir a conversa, cortou os cabelos, pulou à janela e foi pedir roupa de homem à irmã, na casa do cunhado. Assim, Maria Quitéria de Jesus cavalgou 80 km até chegar ao local chamado Cachoeira, onde se organizava o exército de libertação. Disfarçada de homem, Maria deu o nome fictício de Medeiros. Conseguiu alistar-se e já no dia seguinte estava no seu posto. Quitéria logo mudou para o Regimento dos Periquitos, tropa que usava no fardamento gola e punhos verdes. A mudança teve como causa o serviço pesado anterior. Foi no Regimento dos Periquitos que Maria Quitéria de Jesus lutou durante um ano. Mulher sertaneja de 30 anos, analfabeta, era cheia de Brasil na luta contra o colonialismo. Quitéria ainda foi promovida a cadete e teve a identidade descoberta, mesmo assim continuou engajada, lutando com um saiote por cima da calça. A sertaneja teve a honra de entrar com as tropas vencedoras em Salvador. D. Pedro convidou-a para receber medalha de ouro no Rio de Janeiro. Maria aceitou e, como era analfabeta, saiu treinando o nome na viagem para não passar vergonha diante de tanta gente importante. Ainda na Bahia, após o imperador perguntar se precisava de algo, Quitéria teria respondido que escrevesse a seu pai (de Quitéria) pedindo perdão por ter fugido de casa na noite da cavalgada.
Maria Quitéria de Jesus não foi à única mulher a se destacar na luta Brasil-Portugal, da independência. Quem procurar acha mais UM GRITO NA HISTÓRIA.






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segunda-feira, 22 de março de 2010

DE ONDE VEM A FOME

DE ONDE VEM A FOME
(Clerisvaldo B. Chagas. 23.3.2010)

Podemos dizer que a fome no Brasil teve início com o sistema colonial português. Havia antes disso, a prática de uma agricultura chamada de subsistência praticada pelos nativos. Esse tipo de agricultura é voltado exclusivamente para as necessidades básicas alimentares da população. Mesmo vivendo da caça e da pesca, os indígenas brasileiros praticavam uma agricultura como ainda hoje acontece, à base do milho e da mandioca. A colonização portuguesa ─ com agricultura praticamente obrigatória ─ levou mão-de-obra disponível para as grandes plantações que interessavam apenas a Lisboa. Assim, o tipo de agricultura de roça deu lugar às imensas plantações de cana-de-açúcar, café, cacau, amendoim, fumo e algodão. Com essas atividades diferentes, as práticas mais antigas na colônia ficaram esquecidas pouco a pouco em relação à subsistência. Como se pode observar, o alimento básico ia sumindo, principalmente da mesa de núcleos urbanos como vilas, cidades e maiores povoados. A alimentação básica não faltava, porém, para a elite colonial dominante de alto poder aquisitivo. No campo, fora dos domínios das grandes plantações, ainda se praticava a agricultura familiar. Mesmo perto da plantation da cana-de-açúcar, em Alagoas, o domínio de Zumbi na serra da Barriga, era uma república negra de barriga cheia; graças à agricultura de origem africana do sistema roça. Nos lugares mais povoados, entretanto, a fome apertava a população pela escassez dos produtos substituídos.
No quadro da época colonial, quando se falava em luxo e riqueza no Brasil, era somente na ala exportadora das classes dominantes, como a dos senhores de engenho no Nordeste ou a dos barões do café do Sudeste. Na outra ala, miséria e fome castigando grande parcela da população. Em nosso estado, herdamos a triste realidade de Alagoas açucareira rica, mesmo assim com frase falsificada. Não Alagoas açucareira rica, mas sim, a classe dos Senhores ricos, SÓ. O Sertão continua esquecido. A renovação econômica industrial, como alternativa proposta pelo governo estadual, não consegue sair da praia. São os mesmos vícios coloniais que persistem nas Alagoas com a discriminação do chapéu de couro.
Se não fossem os programas federais para distribuição de renda, o Sertão estaria fadado aos destinos das secas anteriores. Se a origem da fome foi o sistema mercantilista colonial, a falta de desenvolvimento sertanejo forma raízes nas sucessivas e cegas administrações estaduais, principalmente. Santana do Ipanema, como a mais importante cidade do médio e alto Sertão, precisa urgentemente de um centro tecnológico semelhante à Campina Grande para fomentar o desenvolvimento sertanejo como um todo. Fora o canal do Sertão que vem aí, o resto são migalhas que esporadicamente caem das mesas dos poderosos. Estamos vivendo um novo colonialismo em que a tônica é a ignorância, má vontade, desprezo e falta de compromisso com o povo; é daí agora DE ONDE VEM A FOME.




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domingo, 21 de março de 2010

O DRAGÃO DE SÃO JORGE

O DRAGÃO DE SÃO JORGE
(Clerisvaldo B. Chagas. 22.3.2010)

Os homens desse planeta continuam com o hábito inarredável de mando. Mandar é fazer dos outros escravos. O pior de querer mandar é mandar em tudo. E o pior de querer mandar em tudo é quando o mandante possui todos os defeitos contrários às virtudes. Podemos citar como exemplo, para não irmos longe, a área de atuação de qualquer prefeito do interior. Primeiro afasta a ideia de que é um gerente do povo e age como proprietário da prefeitura. Coloca na cabeça que é dono da vontade dos munícipes. Fora tantos e tantos absurdos que põe em prática, ainda acha pouco. Parte, então, para comprar o delegado, o juiz, os presidentes estaduais de partidos e assim por diante.
Lembro de certa vez quando apresentamos uma exposição cultural na AABB e fomos deixar um grupo de pagode no sítio Alto do Tamanduá. Ali pedi um tema: “É o dragão de São Jorge/ querendo comer o mundo”. Foi uma só animação com os casais dançando no barro batido e três mestres tirando versos com o mote solicitado. Difícil era encontrar rima para Jorge, mas eles remendavam e criavam, mérito maior do cantador.
Quando a ONU foi criada, os grandes se apoderaram da sua sombra como forma mais fácil de dominar os países do mundo. É uma espécie de associação que só quem manda é a turma do prefeito, digo, o Conselho formado pelos criadores. A ONU prega a democracia, mas ela própria pratica a ditadura que manda e desmanda com o famigerado Conselho Permanente. “Só nós e para nós”, devem pensar àqueles membros. Seria até bom que os países emergentes fundassem uma ONU paralela, juntamente com os pobres.
Quando o jornal britânico The Time diz que Lula pretende ser o secretário da ONU, mostra as virtudes do político brasileiro, mas vai logo advertindo sobre o desagrado aos Estados Unidos por o Brasil ter recebido Mohmoud Ahmadinejad em casa. Mostra também a intolerância da Inglaterra por causa da simpatia do Brasil pela Argentina no caso das Malvinas. Lula, não querendo canga no pescoço do Brasil, até falou na Jordânia sobre a tradição do Oriente em aceitar donos, isto é, incentivou um grito do Ipiranga naquela região. Daí vem à ameaça de que o presidente brasileiro seria barrado nas suas pretensões, por não rezar na cartilha dos ianques. O presidente Lula que se cuide. Não se atinge o palco peitando na multidão e sim com uma relação infindável de “dá licença, dá licença...” Como agem os prefeitos do interior do Nordeste, agem os membros do Conselho da ONU. Ou os de lá aprenderam com os daqui, ou os daqui aprenderam com os de lá. Mas assim como se construiu uma novíssima ordem mundial, pode-se construir uma nova ONU, muito embora a China e a Rússia já estejam confortavelmente em seus assentos perpétuos.
Não podemos esquecer ainda a parceria estratégica Brasil-França, ambos querendo se firmar como novas lideranças mundiais sem a tutela dos Estados Unidos. Tem muitas coisas no Globo que somente aguardando pacientemente os resultados. Algum acontecimento grande está para acontecer. Embora não acreditemos, esperamos que seja para o bem da humanidade. Mas do jeito que a coisa vai não parece distante a vinda gloriosa do DRAGÃO DE SÃO JORGE.


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quinta-feira, 18 de março de 2010

PENA DO SENHOR

PENA DO SENHOR
(Clerisvaldo B. Chagas. 19.3.2010)
Na 5ª Série do antigo Ginásio Santana, tivemos ótimos professores. Como vários outros profissionais, alguns também tinham os seus cacoetes. Aprendemos com as durezas do Doutor Jório Wanderley e Alberto Agra (Ciências e Geografia); com a suavidade de Antonio Dias (Português e Matemática); com a alegria do padre Cirilo (Latim); com o charme de Maria Eunice (Francês); com as narrativas de Ernande Brandão (História, Geografia e Matemática); com os trancos de Genival Copinho (Matemática); com a calma de Gezo (Português) e outros mais. Entre os cacoetes havia o do prof. Ernande que não dava dez ao aluno. Achamos que vingava trauma de adolescente: “dez é do professor”, dizia ele. E a professora de Desenho, conhecida como Dona Dea ─ esposa de um dos maiores advogados do País, Aderval Tenório ─ respondia com frase feita. Ao dizer que não estava entendendo bem a explicação, o aluno recebia da voz arrastada, meiga e irônica da professora: “Tou com tanta pena do senhor...”
No Rio de Janeiro aconteceu um levante contra a vacina em 1904, época do presidente Rodrigues Alves. A investida do governo contra a febre amarela, peste bubônica e a varíola (não devidamente esclarecidas) provocou a reação popular. A insatisfação foi às ruas e deu muito trabalho ao governo, ficando conhecida na História como “A Revolta da Vacina”.
Dividir os royalties do pré-sal com todos os estados e municípios brasileiros, nos parece justo. O petróleo é da União, pouco importando em que mar territorial se encontre. Foi muito perigoso o que o governador Sérgio Cabral conseguiu fazer. Em uma cidade violenta de influência nacional, àquele movimento poderia ter sido um estopim para uma coisa muito séria e de grande proporção; assim com a Revolta da Vacina ou a revolução fratricida de 32. Então vamos deixar somente Rio de Janeiro e Espírito Santo usufruírem dos trilhões em petróleo do subsolo brasileiro? Que privilégio é esse? A fortuna de um pai é dividida por todos os seus filhos. Como ficariam, então, os outros vinte e quatro estados e o Distrito Federal? Como mendigos, pratos estendidos e baba caindo diante do banquete dos ricos? O sertanejo nordestino analfabeto diz: “Tenha injúria, seu Cabral!” São milhões e milhões de pessoas dos vinte e quatro estados contra as lágrimas de crocodilo e boca de tubarão do senhor Sérgio Cabral. Sempre existiram negociações e Justiça para se resolver problemas de relevância sem quebrar a unidade brasileira. Não consideramos coerente o gesto do governador com o emocional das pessoas. Isso até nos dá a impressão de que é uma forma de aparecer. Somos alagoanos e santanenses, queremos a nossa fatia do pré-sal. O político do Rio que vá às favas. Ora, ora, ora!... Lembramos assim os tempos de 5ª Série, ao vermos as lágrimas bestas do governador. Parodiando Dona Dea: Seu Cabral, “tou com tanta PENA DO SENHOR...”


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quarta-feira, 17 de março de 2010

GREVE DAS BURRAS

GREVE DAS BURRAS
(Clerisvaldo B. Chagas. 18.3.2010)

Algumas vezes é preciso deixar o telescópio do mundo para enxergar o local. Quando o Jornal do Sertão denunciou os absurdos que ocorriam entre carroceiros e animais de carroça, um delegado tomou as providências. Em uma reunião com esses profissionais na delegacia, a força do aperto sanou o problema até a transferência do militar.
Atualmente o problema continua o mesmo. Deve haver muito mais de cinquenta carroceiros em Santana do Ipanema. Esses profissionais adquirem as burras, geralmente, na região de Palmeira dos Índios, por ser uma cidade ladeirosa, assim como Santana. As burras estão acostumadas com o relevo e por isso não são procurados animais de cidades planas como Cacimbinhas, São José da Tapera, Pão de Açúcar ou Arapiraca. Nesse tráfego imenso de carroças, parece não existir o menor controle de quem quer que seja. Durante a noite não usam candeeiro nem qualquer outro sinal luminoso; não existem identificação nem critério de nada. Enquanto Maceió usa cavalos esqueléticos e feridentos (nem sabemos como muitos conseguem andar) Santana usa somente a burra. (O burro não aguenta o trabalho). O condutor da carroça cobra cinco reais por uma carroçada dentro da cidade.
O problema que continua como no passado próximo são os constantes maltratos a esses animais. O carroceiro bate constantemente na burra se a carroça estiver rodando: devagar, apressada ou em alta velocidade; carroça vazia, carroça cheia, não importa. A mão do carroceiro é robô ligado à tomada que não para nunca. É de doer na alma tanta barbaridade em quem não pode se defender. E o pior. Não raros são os carroceiros que trabalham com menores. Presenciamos garotos em torno de dez a onze anos, fazendo tarefas nas carroças e muitas vezes já com um relho nos ombros, batendo desesperadamente no animal sem necessidade nenhuma. Pode ser que diante do número citado acima, existam um ou dois que não maltratem seus animais. Nós duvidamos de dois. Na cidade de Ouro Branco, há alguns anos, um delegado revoltado como nós, fez um safado descer da carroça, ficar no lugar da burra e apanhar igual a ela. Não queremos aprovar o excesso, porém, parece que tem animais de duas pernas que só aprendem assim. Não se ouve em Santana do Ipanema, uma só voz a favor das burras que não gritam, não protestam, não reivindicam a porta de delegacias, juizados, Ima, Prefeitura, Conselho Tutelar e mais. Será possível que esses atos covardes e insanos tenham que ser denunciados por um cidadão documentado com protocolo e tudo? Onde estão os direitos dos animais? Por que as autoridades não conseguem enxergar o problema? Por que tem coisas mais importantes para se preocuparem? Sem autorização prévia, ninguém pode abater uma árvore da rua que racha uma residência. Passamos três meses para conseguir tal feito diante da desorganização de setores do assunto. Mas bater loucamente nos animais, pode. Para os que fecham os olhos, é mais fácil elogiar. Sobre esse tema, quanta falta você faz Ricardão! As autoridades responsáveis pelo assunto estão aguardando a GREVE DAS BURRAS.


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terça-feira, 16 de março de 2010

O DONO DO ARMAZÉM

O DONO DO ARMAZÉM

DO CD “SERTÃO BRABO I” – DEZ POEMAS ENGRAÇADOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 17.3.2010)

Conheço senhor Morais
Véio sovina e mandril
Que já roubou mais de mil
Inda hoje rouba mais
Quer ser valente demais
Não dá esmola a ninguém
Fiado diz que não tem
Rouba no metro e no peso
Véve de pescoço teso
No seu bonito armazém

Ali se vende café
Arroz milho e bacalhau
Massa de fazer mingau
Feijão chupeta e rapé
Penico vela quicé
Cadeado solta-prende
Farinha grossa que rende
Assim me disse a vizinha
Que vende até camisinha
Paletó não sei se vende

Um dia logo bem cedo
Tava com fome no parque
Comprei um taco de charque
Pois fome não é brinquedo
Para misturar com bredo
Comprei cocos da Ribeira
Pedi minha conta inteira
Das carças puxei os cobre
Porque no bolso do pobre
Só tem fumo e peniqueira

Nem galinha nem perua
Nem a catuaba morna
Nem ovo nem a codorna
Podia comprar na rua
Sem dinheiro a vida é crua
Lá no barraco um degredo
Que eu só chegava com bredo
E a nega me ameaçava
Se amigar com Piaçava
Negão que fazia medo

E assim lá no barraco
A pantera arreclamava
Que eu não prestava pra nada
Queria um homem macaco
Mas eu danado de fraco
Ia perdendo o conceito
Eu disse é negócio feito
Dos terreiros de alguém
Vou nestante ao armazém
Hoje mesmo dou um jeito

era no fim do mês
Lavei o charque e os coco
Cismei de contar o troco
Na minha conta era três
Mas veio quarenta e seis
Daquele véio avarento
Vortei no mesmo momento
Porque sou um home honesto
Fui adervorver o resto
Ao dono do movimento

No armazém com coidado
Fazendo pose demais
Eu lhe disse seu Morais
Nosso troco está errado
O homem brabo danado
Me falou gritando rouco
Aqui não se erra troco
Nem com reza nem com bico
Inda caiu dois penico
No quengo do veio broco

Pra não brigar com o valente
Que vende vassoura e rodo
Guardei o dinheiro todo
Fiquei longe da serpente
Será que sou inocente
Será que pequei demais
Pra nega não xingar mais
Na farmácia de seu Agra
Comprei tudim de Viagra
Banana pra seu Morais

FIM
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segunda-feira, 15 de março de 2010

PROVA DE FOGO

PROVA DE FOGO

(Clerisvaldo B. Chagas. 16.3.2010)
Com os Estados Unidos desgastados no processo de paz israelense, o Oriente Médio parte para outra fase de tantas e tantas que já enfrentou. Israel sempre foi aliado dos Estados Unidos na região, até porque precisou do Tio Sam para a sua defesa territorial. Isso não quer dizer, porém, que o estado judeu não seja preparado. Ao longo da sua existência tem desenvolvido técnicas civis e militares para vencer no social e na defesa intransigente da sua existência. Israel é país rico. Há quem diga que faz parte do clube atômico, possuindo sua bomba nuclear. Mas conseguir a paz entre adversários bíblicos tradicionais não é e nunca foi tarefa das mais fáceis. Tanto isso é verdade que o próprio amigo Estados Unidos, sentiram-se humilhados com uma atitude de Israel. Enquanto fala sobre paz, o governo judeu ameaça construir casas em local ferozmente disputado. Na linguagem da juventude de hoje, “isso não existe”. Como falar de paz se minhas decisões são de guerra? Os Estados Unidos parecem irritados com mais essa incoerência do antigo aliado. O governo americano demonstra cansaço, frustração e impaciência.
O Brasil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra no cenário outrora longínquo e inacessível. Quer ser o novo intermediário, o negociador entre israelenses e palestinos. Com pretensões de aumentar a influência brasileira no mundo e procurando apoio para reestruturar a ONU ─ Organização das Nações Unidas ─ o Brasil salta decidido no meio da fogueira. Como Lula é um negociador natural e o Brasil possui tradições pacifistas, ambos os lados da questão estão esperançosos num entendimento. Está certo que o presidente brasileiro foi bem recebido, mas isso não deixou de surgir algumas reações sensíveis às tradições. É um momento novo a que israelenses e palestinos não estão acostumados a ele, pois, antes, só conheciam de fato a voz americana. Décadas a fio com o modo de ser de um mediador, absorver a diferença agora não é fácil. Chegar a uma batalha onde só se fala em bomba, fuzil, ódio e morte, levar amor e compaixão, como disse o brasileiro, é como receber uma bomba diferente. “É chegada à hora de abrir um círculo virtuoso de negociações”, falou o visitante citando exemplos do Brasil. Nesse país milhões de judeus vivem pacificamente com milhões de árabes. A continuação da novidade acontecerá ainda em outros lugares com outros personagens fora do parlamento israelense.
Se Lula fracassar, o Brasil fracassará junto. Se conseguir os acordos desejados, Lula será forte candidato ao prêmio Nobel da paz, sem dúvida nenhuma. Então, o Brasil colocará uma coroa de ouro na cabeça. Vamos aguardar para ver como agem os envolvidos. Se com disposição de tolerância adulta ou com desencanto de criança após brinquedo novo. A cultura do Oriente não é a cultura de Brasília. E Cuba não foi nada em relação a essa desafiadora PROVA DE FOGO.



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domingo, 14 de março de 2010

PADRES E COROINHAS

PADRES E COROINHAS

(Clerisvaldo B. Chagas. 15.3.2010)

Você gostaria de ser coroinha? As piadas sobre o escândalo envolvendo padres de conceito no Agreste alagoano percorrem ruas e estabelecimentos de Arapiraca. Em qualquer parte aonde se chega, ouve-se os marmanjões perguntar para outros: “Fulano, você não quer ser coroinha?” E as gargalhadas acontecem em ambos os lados, seguidas de mais humorismos grosseiros. O problema da pedofilia na “Capital do Agreste” põe em xeque aquela paróquia e envergonha mais uma vez o mundo católico regional e brasileiro. Os estouros dos escândalos no Brasil, na Alemanha, ultimamente, ou nos Estados Unidos, parecem se enquadrar nas profecias sobre as estrelas que iriam cair na Terra. Não é somente a paróquia de Arapiraca que enoja a sociedade, mas inúmeras outras espalhadas por todos os lugares da terra. Quando não são usadas as crianças ─ que ingenuamente são levadas a servir à Igreja pelos pais desavisados ─ são mulheres casadas (chamadas beatas); programas com gente da rua (ver caso de Maceió do padre assassinado) ou mesmo freiras envolvidas nas imoralidades. Em Santana do Ipanema mesmo e região, correram muitos boatos à boca miúda. Existiu e existem padres tarados que são até motivos de folclore. Certa feita ouvimos uma piada a respeito de um desses garanhões. Nu, diante do espelho, um indivíduo perguntava: “Espelho meu, espelho meu! Existe no mundo um cara mais tarado do que eu? E o espelho respondia: “E o padre beltrano já morreu?
Como fica o rosto do catolicismo perante a opinião pública? Os três pastores que foram flagrados com contrabando de armas são inocentes criaturas em comparação com esses crimes hediondos contra crianças. Por que padres não vão para a cadeia? Não basta afastar o sacerdote da paróquia. Depois ele continua a prática infame em qualquer altar mais longe. A responsabilidade que tem esses ministros de Deus são as mesmas que tem os juízes que juram defender a Lei. Estamos comparando a responsabilidade dos venais, os imundos, arrogantes ou com ares de santos, vendidos como Judas. Como pode um homem chegar a uma das profissões mais bonitas, último bastião da esperança do pobre que procura justiça, e se corromper. É isso que ensina à esposa, aos filhos, aos netos: ser ladrão descarado pior do que o assaltante comum que não tem instrução alguma. A Igreja católica, para não escandalizar ou para não diminuir o número de ministros, muitas vezes prefere calar numa continuação tácita com a banda podre. Por que os padres não são apresentados nos presídios como pedófilos? Uma indenização, um pedido escondido de desculpas, uma suspensão da Ordem e pronto! Está tudo resolvido. E os fiéis seguidores da religião que confiam, que se confessam, que comungam, que não faltam às missas aos domingos... Que indenização deveriam receber pela vergonha de pertencer aquela paróquia? Ou a cúpula radicaliza numa limpeza rigorosa e geral ou o diabo toma logo conta de tudo. E quem já não gostava de vigários, hem! É de enxugar a língua mesmo nos PADRES E COROINHAS.




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quinta-feira, 11 de março de 2010

DECIFRAR ENIGMAS

DECIFRAR ENIGMAS

(Clerisvaldo B. Chagas. 12.3.2010)

Ainda na década da ditadura getulista, eram nomeados governadores e prefeitos (estes, chamados antes de intendentes). Nessa época difícil em que chefes do Executivo entravam e saíam a toda hora, o povo observava com grande indiferença o movimento político local. Foi assim que chegou a Santana do Ipanema o senhor Pedro Gaia, nomeado prefeito. Viera de Palmeira dos Índios e iria tomar posse no dia 28 de julho de 1938. Houve ainda discursos de meia dúzia que procurava mais beber do que outra coisa. Acontece que a indiferença popular transformou-se em entusiasmo com a notícia que chegou sobre a morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove sequazes. O que iria ser para Pedro Gaia apenas um acontecimento corriqueiro celebrado na cúpula política, ganhou dimensão nacional imediata e até internacional. Esse foi o dia em que a “Rainha do Sertão” teve seu nome nas páginas de todos os jornais do mundo. Um caso de transformação do rotineiro para a felicidade, muito embora quando uma coisa é boa para uns é ruim para outros; quer dizer, dia de horror para o cangaço em Angicos, fazenda sergipana.
A visita do presidente Lula a ilha de Fidel Castro, rodou ao contrário do dia do empresário Pedro Gaia. Aplaudido com êxito por onde passou Lula com certeza pensava no sucesso que faria em Cuba. Motivos não faltavam para essa afirmação, tanto políticos quanto econômicos. Brasil hoje é garantia para Raul Castro que procura apoio visando sair do isolamento imposto pelos Estados Unidos. O caso do dissidente Zapata, (o da greve de fome), entretanto, aguardava o presidente brasileiro como uma arapuca bem armada na coincidência da morte do prisioneiro. Água fria na fervura. Da boca do nosso governante só saiu besteira por causa do momento infeliz daquele dia. Não podia fazer feio diante de Fidel e Raul. Lula conseguiu escapar dos dois dirigentes socialistas, mas não bateu bonito perante a opinião pública internacional. Lembram-se do caso de Jesus quando lhes quiseram pegar com a pergunta sobre imposto? “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Lula falou e disse asneira. Se tivesse calado teria sido ainda pior. No sertão nordestino é comum se dizer: “Hoje pisei em rastro de corno”. Como pernambucano é bem capaz do presidente ter citado a frase aos assessores. Uma coisa boa para a ruim.
Finalmente o terceiro caso. Esse não veio do ruim para o bom e nem do bom para o ruim. As duas situações vieram juntas. Aconteceu na posse do novo presidente chileno, Sebastián Piñera. O homem teve a felicidade de ser eleito, passa por uma situação terrorista com terremotos e tsunamis e, em pleno dia da posse, novos e fortes tremores no Chile. É como o aniversariante de 29 de fevereiro. O que presume esse marco na administração futura de Sebastián? Pedro Gaia pulou para o agradável; Lula caiu da escada e Sebastián irá governar entre a ciência e a superstição. Desejamos um ótimo final de semana aos nossos leitores internautas para que não tenhamos de DECIFRAR ENIGMAS.


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quarta-feira, 10 de março de 2010

O ÚLTIMO VAGÃO

O ÚLTIMO VAGÃO

(Clerisvaldo B. Chagas. 11.3.2010)

Os derradeiros massacres acontecidos na Nigéria fazem o mundo religioso refletir nessa quaresma. Foram 528 cristãos trucidados a facão, incluindo homens, mulheres, crianças e bebês. Esse massacre foi praticado por pastores muçulmanos em grupo de 400 a 500 pessoas, diz a Imprensa. Depois dos golpes as vítimas foram queimadas, caracterizando uma ação fria com planejamento. Nós que nos preocupamos com a violência das grandes cidades brasileiras, temos a atenção voltada para mais uma barbárie do século XXI.
A República Federal da Nigéria, estar localizada no oeste da África, banhada pelo oceano Atlântico, no denominado golfo de Guiné. Esse território acha-se dividido em 36 estados e tem como capital a cidade de Abuja. Pode-se dizer que a Nigéria é hoje uma potência regional e possui uma população de mais de 184 milhões de habitantes, a maior da África. Além disso, representa também a maior população negra do mundo. Sua economia cresce assustadoramente e é projetada para ser a 11ª do mundo no futuro de 2050. Os números indicam a Nigéria para superar a população dos Estados Unidos, pois os muçulmanos não aceitam o planejamento familiar. Quanto à religião, o país é composto por 50% de praticantes do islamismo e 40% do cristianismo. Sua língua oficial é a inglesa e a Nigéria possui mais de 250 grupos étnicos distribuídos em terras de colinas e planalto na região central e terras baixas e áridas ao norte. Se formos falar sobre sua economia, vamos apontar a base no petróleo que vem encontrando problemas de ataques em suas instalações. Mas a Nigéria também produz outros minerais como o carvão e o estanho. Na Agricultura o país aparece como produtor de amendoim, milho, sorgo, inhame, mandioca, cacau, óleo de palma e cana-de-açúcar. Conhecemos a Nigéria, em tese, pelos atletas que triunfam nas corridas de ruas destaques do Brasil. Entretanto, o país tem a terceira indústria cinematográfica do mundo, perdendo apenas para a dos Estados Unidos e a da Índia. Mas, apesar de tudo que foi dito, existe uma pobreza absoluta na maioria da sua população.
Sobre o último massacre acontecido, mesmo tendo vindo dos pastores muçulmanos a agricultores cristãos, um bispo local não atribuiu o caso a problemas religiosos; tanto é que o Papa, ao condenar o ataque, não se referiu às religiões. Mesmo assim parece provável que esses conflitos sejam religiosos e étnicos. As diversas etnias tem como importantes os Hauçás, Igbos e Iorubás. Ultimamente surgem novos grupos armados atacando instalações petrolíferas e fazendo reivindicações de direitos. Mesmo assim a Nigéria vai em frente, apesar de parecer que cada etnia tem um deus particular. É o mundo que acelera o vagão da frente e exibe tristemente O VAGÃO DE TRÁS.


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terça-feira, 9 de março de 2010

CONHECENDO O SERTÃO

CONHECENDO O SERTÃO

(Clerisvaldo B. Chagas. 10.3.2010)

Uma vida inteira dedicada à Geografia esbarrava em várias situações interessantes. Quando resolvíamos pesquisar em outros municípios, a preferência caía sempre em cidades banhadas por rio ou pelo mar. Atuando em inúmeras escolas de Santana do Ipanema, a opinião comparativa era sempre a mesma. As campeãs dos destinos de excursões foram seguidamente as dos acidentes geográficos citados. O lazer sempre esteve por trás das intenções da pesquisa em 99% dos casos. Pouco adiantava o argumento do professor sobre o conteúdo. Assim existiu sempre um círculo vicioso em todas as escolas de Santana em cima do tripé: Maceió, Xingó e Paulo Afonso. Depois vinha Penedo e só. Lembramos que, como rara exceção, fizemos um levantamento sócio-econômico na cidade de Ouro Branco que foi um sucesso absoluto.
Se a preferência dos alunos é pelos acidentes citados, isso quer dizer que não existe interesse nenhum do jovem conhecer cidades sertanejas sem rios perenes. Citando Santana do Ipanema como exemplo, é grande o número de santanenses que não conhece Mata Grande, Inhapi, Poço, Maravilha, Canapi, Santa Cruz do Deserto e assim por diante. É que esses municípios, para Santana, são chamados de contramão porque não ficam na linha Santana-Maceió. Assim o santanense nasce, cresce, morre e deixa de conhecer sua vizinhança. Assim é com Santana em relação à Palmeira dos Índios, contramão fora do eixo Palmeira-Maceió. Ora, se nós alagoanos, adultos e estudantes, não conhecemos municípios circunvizinhos, imaginem em relação às 102 cidades localizadas em diferentes regiões. Como amar Alagoas se conhecemos apenas oito ou dez cidades? Em se tratando especificamente do Sertão, nunca soube de projeto nenhum que levasse a nossa juventude a visitar, pesquisar e conhecer os nossos municípios sertanejos. Os prefeitos, através de seus departamentos de Educação e Cultura sempre foram omissos nesse sentido. Existe uma desunião histórica em solo sertanejo, que permite a manipulação governamental pelo desprezo à região. Mas a culpa não é só de governadores. A culpa maior é da individualidade enraizada de cada governante municipal. O Sertão nunca teve força política porque é desunido. Se a palavra não for essa, é acomodamento no cargo que isola o indivíduo. Inúmeros pontos poderiam ser citados aqui como o item do início, mas citemos apenas o caso do Hospital Regional de Santana. Se o Sertão estivesse coeso aquela unidade já estaria funcionando e servindo a quinze ou vinte municípios. Mas o que lemos por aí são as trocas de acusações de desinteresse e de individualidade. Precisamos de uma política sertaneja para estimular visitas mútuas divulgadoras da História, da Geografia, da Cultura, da gastronomia e encanto de cada uma das cidades alagoanas distantes do mar. Hum! Como tem coisas para serem ditas, pesquisadas e amadas. Se as escolas não estimulam às visitas e os prefeitos não despertam para o assunto, as nossas vizinhas serão apenas ilustres desconhecidas para nós e nós para outras co-irmãs. Hoje só os vendedores estão CONHECENDO O SERTÃO.


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segunda-feira, 8 de março de 2010

HILLARY CLINTON E O NEGÃO

HILLARY CLINTON E O NEGÃO

(Clerisvaldo B. Chagas. 9.3.2010)

Certa feita nós estávamos em uma marcenaria situada na casa histórica do padre Bulhões. Ao serrar uma grande peça de madeira, o dono, chamado “Negão” recusou uma ajuda de um visitante que tentou ajudá-lo no mister. Houve a boa vontade, mas não havia conhecimento do manejo. Isso quer dizer que às vezes atrapalhamos quando tentamos ajudar.
Como dissemos aqui em outro trabalho, Hillary parece uma alma penada vagando pelo mundo. Fracassando em seus propósitos na América Latina, a secretária americana também não encontra apoio no Oriente Médio, contra o dirigente iraniano Ahmadinejad. Falando em proteger os povos daquela região contra o Irã, não encontrou eco nas palavras pronunciadas no Catar e na Arábia Saudita. O mundo árabe parece dar apoio ao programa nuclear iraniano no seu desafio aos Estados Unidos e ao planeta. Outra tentativa frustrada de aperto a Ahmadinejad seria forçar a Arábia Saudita a vender petróleo para a China em troca do apoio chinês contra o programa iraniano. A coisa está complicada. A Europa quer o fim da escalada nuclear do Irã, mas não tem o aval da China e do Brasil, hoje pesos importantes nas relações internacionais. Com a guerra do Afeganistão e na areia movediça do Iraque, além dos seus gastos na crise que não acabou o gigante do norte parece não ser mais respeitado assim. Israel bem que poderia, por conta própria, partir para o bombardeio sobre o seu inimigo. Seria uma ação preventiva contra o auge do programa nuclear que ameaça destruí-lo. Mas é de se perguntar qual seria a consequência disse tudo. O presidente Lula já advertiu que a melhor solução é a negociada. Hillary quer levar adiante o plano das sanções e a invasão ao Irã (ela é da mesma estirpe sangrenta do Bush em busca de oportunidade, é só lembrar discursos de campanha).
Caso Israel dê um passo bélico contra o Irã, talvez não tenha êxito na destruição das suas instalações em lugares inacessíveis. E a reação iraniana, como seria? Por sua vez, Ahmadinejad não vê à hora de varrer Israel do mapa, ele mesmo disse. Nesse caso, e o que viria depois? Temos certeza de que se houver o desaparecimento de Israel, não sobraria um só graveto em terras do Irã. Poderia ser o início do fim, como dizem algumas profecias. A voz que fala em negociar é uma voz sábia. Em havendo conflito atômico na região, adeus humanidade. O senhor Obama deveria descer do trono do império e sentar particularmente com Ahmadinejad em território iraniano ou nos Estados Unidos. Esse tal orgulho de não se rebaixar é prejudicial a todos. Por sua vez, o dirigente do Irã, ensandecido pelo ódio aos judeus, não cansa de futucar o cão com vara curta. As maiores catástrofes da História saíram de pessoas assim de mentes destrutivas. A secretária americana, por enquanto, está como o visitante na marcenaria: quer ajudar, mas a seu modo. Não daria certo as ideias de HILLARY CLINTON E O NEGÃO.


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domingo, 7 de março de 2010

NINGUÉM TEM RAZÃO

NINGUÉM TEM RAZÃO

(Clerisvaldo B. Chagas. 8.3.2010)

No início da ditadura militar brasileira, Humberto de Alencar Castelo Branco foi muito visitado. Dizem que em uma dessas visitas, foi um usineiro (antigo senhor de engenho) endividado, pedir empréstimo. Teria dito duramente o militar que ele vendesse uma das três usinas que possuía e pagasse sua dívida, sem precisar de empréstimo. Isso acontece muito entre as pessoas singelas e de boa índole da área rural. Estando em dívida, o agricultor defende-se com a venda de um bode, um porco ou uma vaca para saldar o compromisso. É duro e contraproducente, porém, quando o cidadão desequilibra-se em suas finanças e possui apenas a casa de morada. A sugestão de que venda o seu abrigo, a casa dos seus filhos e esposa (e às vezes netos), faz calar fundo o homem honesto. Não raro o credor é rico e bem poderia aguardar a recuperação do seu semelhante. O motivo social e psicológico que levaria o pai de família a ser expulso da própria casa juntamente com os filhos, é de cortar coração. Mas há quem cobre até o sangue daquela vítima cheia de boa vontade.
O caso individual acima citado faz lembrar o que estar acontecendo com a Grécia. Esse país que faz parte da União Europeia, endividado, enfrenta no momento, uma crise financeira e social que mexe profundamente consigo e com o continente. Procurando saída para essa situação, aquele admirável país que tantos serviços prestou a civilização ocidental (ver crônica: “Falando Grego”), agora é motivo de brincadeira. Prevíamos aqui a reação da Alemanha, carro-chefe da Economia da UE. Por sugestão de representantes do partido de coalizão de centro-direita da chanceler Ângela Merkel, foi publicada no jornal Bila a brincadeira-verdade. Sugere líderes que a Grécia venda uma ou mais ilhas para pagar o que deve. A nossa reação foi muito antes do pronunciamento do primeiro-ministro grego George Papandreau: “Não é sugestão séria. Há formas mais imaginativas para lidar com déficits do que a venda de ilhas gregas”, reagiu Papandreau. Se a sugestão fosse ao nosso país, seria incentivo para vender as ilhas do Bananal, de Marajó, de Fernando de Noronha ou parte de estados brasileiros. Nenhum país abre mão de parte de seu território para pagar dívidas. É incrível que essa sugestão tenha vindo de uma das nações mais ricas do mundo. Pedaços do torrão pátrio, só deixam a tutela se forem arrebatados em guerras como a Califórnia, o Texas, o Novo México e partes da Palestina. A Grécia é composta de continente e ilhas que formam uma nação. Qual a pessoa que quer se desfazer de um braço, de uma perna, de um olho, para pagar dívida? A Alemanha não foi feliz no seu pronunciamento. Louve-se a atitude diplomática do ministro grego George Papandreau. Se fosse aqui em Santana, na Câmara Municipal, mandava-se logo tomar vergonha na cara, mas o caso foi muito distante da terra do rio Ipanema. Isso nos faz lembrar o ditado popular: “Na casa em que falta o pão, todos falam e NINGUÉM TEM RAZÃO”.


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quinta-feira, 4 de março de 2010

Ô MUNDO VELHO

(Clerisvaldo B. Chagas. 5.3.2010)
Para os colunistas Avelar, Malta Neto, professor Valter Filho e o radialista Flávio Henrique

Quando os escravos ganharam a liberdade no Brasil, houve um momento de euforia, logo seguido de tristeza. Os senhores das terras – com suas mentes rancorosas – diziam aos negros, não aceitá-los mais ali. Se eles estavam libertos, procurassem novos rumos. Assim, os pretos que trabalhavam sol a sol e eram castigados nas desobediências, pelo menos tinham abrigo e comida. Com a liberdade assegurada, os ex-escravos não sabiam como aproveitá-la. Expulsos das fazendas dos patrões, sem terras para cultivar, formaram levas de mendigos pelas ruas de povoados, vilas e cidades. Um dos mais tristes e vergonhosos episódios da história do Brasil.
Após a Segunda Guerra Mundial, também houve uma libertação em massa dos países africanos. Quando os donos do mundo se retiraram da África, deixaram aqueles povos piores do que a situação dos ex-escravos brasileiros. É que tribos inimigas ficaram dentro de um mesmo país e aldeias amigas ficaram separadas. Ainda hoje o continente sofre as consequências de ambas as coisas: a exploração do início e o abandono do depois. Como no Brasil, sem técnicas agrícolas, sem recursos, sem instruções, os africanos se prolongaram em infinitas guerras tribais. Muitos desses embates tiveram suas armas financiadas pelas ex-metrópoles. Em alguns lugares da África o jovem morre antes dos trinta anos, de AIDS, de fome ou de tiros. Os brancos da Europa pareciam dizer: “Eles que se acabem; quem vai se meter em brigas de negros e pobres”.
Pois foram essas populações de negros e pobres que incomodaram a fatia rica com as imigrações clandestinas em busca de melhores dias. Se os países desenvolvidos e imperialistas europeus tivessem deixado a África estruturada, hoje teriam ali uma grande reserva alimentar para exportação. Não estamos nos referindo as plantations de algodão, amendoim, cana e chá. Como alimentar a Europa agora e no futuro? Olhem a falta que faz o continente africano com cerca de trinta milhões de quilômetros quadrados (quase quatro vezes maior do que o Brasil) se tivesse sido incentivado a produzir. Mas o que apareceu foi apenas o fomento das guerras tribais e a ganância pelo trono. Em um planeta onde parte dele tem como solidariedade o brilho das armas ao invés do reluzir da razão, tem mesmo que sofrer as consequências da Natureza.
A presença do Brasil na África parece aplicar uma lição diplomática aos responsáveis pela situação em que deixaram o “berço da humanidade”. O esporte, agora com a copa do mundo no país mais meridional daquelas terras, talvez desperte as consciências nubladas mais do que nunca. É que ainda existe a tentativa de esconder a face como no teatro grego. Com certeza não será em vão a luta do bispo Desmontutu, de Nelson Mandela e de outros gigantes negros e iluminados, cujos exemplos percorrem savanas, florestas e desertos. De que vale o tempo se o Século XXI continuar semelhante ao XIX? Sim, esse mundo é de expiação, onde se misturam bons espíritos e degredados, mas o que fazer? Nele estamos e por ele lutaremos com suas virtudes e desigualdades que tanto incentivam o bem quanto o mal. Ô MUNDO VELHO!
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quarta-feira, 3 de março de 2010

CHIBATA NO LOMBO

CHIBATA NO LOMBO

(Clerisvaldo B. Chagas. 04.3.2010)
No Brasil, os castigos corporais na Marinha, foram abolidos um dia após a proclamação da República. Um ano depois, contudo, voltaram à legalização. Entre os castigos impostos estavam as 25 chibatadas que levaram à revolta dos marinheiros. Esse levante passou à história com o nome de “Revolta da Chibata” e teve início na noite de 22 de novembro de 1910. Os dois navios de guerra mais importantes do Brasil, os encouraçados “Minas Gerais” e “São Paulo”, ficaram sob o domínio dos revoltosos. Ameaçando bombardear o Rio de Janeiro, os marujos ─ comandados pelo sergipano João Cândido ─ negociaram com o presidente Hermes. Com as promessas de Hermes da Fonseca, os homens depuseram armas. Fazendo papel de homem sem palavra, o presidente ignorou o que havia prometido inclusive anistia. Muitos foram expulsos da Marinha; 16 morreram por sede, calor em sufocamento nos subterrâneos da ilha das Cobras; nove foram fuzilados entre 105 destacados para a Amazônia. João Cândido, marujo preto e comum, escapou da morte na ilha, mas foi internado no Hospital dos Alienados como louco e indigente. Só em 1912 veio a absolvição que não devolveu a vida àqueles que tombaram.
Por aí se ver, que a falta de palavra na ética nacional vem de longe. Alagoas também tem algo a ver com a chibata. Em torno dos anos 60, entre os vários candidatos havia um chamado Ari Pitombo. Baseados em sua fama, os adversários diziam como slogan de campanha ao contrário: “Quer levar chibata no lombo, vote em Ari Pitombo”. O símbolo do açoite não estava somente na Zona da Mata dos Senhores de Engenho. Achava-se presente também no Sertão dos Coronéis fazendeiros que ─ igualmente aos Senhores de Engenho do Nordeste e aos Barões do Café do Sudeste ─ cometiam atrocidades medievais.
Quais as diferenças de 1910 para 2010 (cem anos depois)? Dirigentes continuam com a mesma palavra de Hermes da Fonseca e a população sem um João Cândido para defendê-la. As chibatadas da Marinha, dos Ari, dos Coronéis... Continuam mais ativas do que nunca. Agora não mais trançadas com agave ou caroá, mas sim com a matéria-prima corrupção que é muito flexível e abrangente. Está nos taturanas, nos gabirus, nos Arruda, nas prefeituras, câmaras e Senado (Deus salve a minoria), matéria diárias dos jornais. Esse látego de fogo enraizado na cultura do rato, do catita, da ratazana, continua. A corrupção é a mãe da safadeza que atua às costas do nativo. É como se os políticos (não os corretos), dissessem após as vitórias da seleção brasileira de futebol: “Agora, povo, se ajoelhe que lá vai CHIBATA NO LOMBO”

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terça-feira, 2 de março de 2010

MATUSALÉM SOLTEIRÃO

MATUSALÉM SOLTEIRÃO
DO CD “SERTÃO BRABO” – DEZ POEMAS ENGRAÇADOS
(Clerisvaldo B. Chagas. 3.3.2010)

Matusalém já maduro
Também era ignorante
Não era comerciante
Vivia emprestando a juro
Tipo solteirão pão-duro
Não gostava de querela
Olhava de retrevela
Pra Osóra Bitulina
Todo dia na esquina
Via o rebolado dela

Na quina da padaria
Todo dia ele ficava
Pra vê quando ela passava
Sem nunca dá ousadia
Se ela olhava nem via
Matusalém na esquina
Ele ligava as turbina
Mas o motor era fraco
Ficava que nem macaco
Pra os lado de Bitulina

Na segunda ela passou
Com fi’ de Zé Vaqueiro
Na terça com um boiadeiro
Na quarta não passeou
Mas na quinta desfilou
Com Luís do Caminhão
Na sexta com Bastião
No sabo com o delegado
Vestido branco colado
Domingo com Zé Negão

O veio pra ser visado
Com sua cara de fole
Comprou chapéu aba mole
De derrubador de gado
Um cinturão de sordado
Um jaquetão do Nordeste
Comprou pra fazer um teste
Duas botas de vaqueiro
Um zocle de motoqueiro
Ficou parecendo a peste

Dez da noite Bitulina
Vestida na maior bossa
Cinta fina, perna grossa
Chegou perto da esquina
Mas vinha com João Buzina
Um ricão da burguesia
Que lhe disse assim: “vigia
Tome aqui um bom trocado
Pra você ficar ligado
Beba uma cerveja fria”

Matusalém se danou-se
Com o engano de João
Meteu os zocle no chão
Puxou a roupa e rasgou-se
Passou um gay agradou-se
Lhe disse: “meu bem, meu papa”
Precisou tomar garapa
Depois de surra moderna
Inda hoje vira à perna
Quando se alembra do tapa

Matusalém com paixão
Foi à casa de Muzumba
Mode encomendar macumba
Porque tava sem ação
Queria botar cambão
No seu amor verdadeiro
Depois de gastar dinheiro
Quase morre sem futuro
Viu Bitulina no escuro
Com Muzumba macumbeiro

Já com a ideia tonta
Igual cachorro buldogue
Tomou uns dois ou três grogue
Amolou faca de ponta
Depois bebeu mais da conta
Foi procurar sua paca
Pra ele só arataca
Pois Osóra quase preta
Fugiu com Janjão Marreta
Pras banda de Arapiraca

Matusalém foi pra casa
Triste que só bacurau
Quebrou a cama de pau
Jogou a roupa na brasa
Feito cavalo de asa
À rua toda abalou
Tirou as calça e mostrou
Já num beco sem retorno
Chamava o povo de corno
Veio a poliça e levou

Matusalém hoje em dia
De mulher não quer saber
Quando o dia quer morrer
Na quina da padaria
O gay Suzana Maria
Com vestido vaporoso
Vem atrás do seu pintoso
Vão beber lá na bodega
Ou no bar curtindo um brega
Do lourinho Arly Cardoso.

FIM
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segunda-feira, 1 de março de 2010

ORELHAS EM PÉ

ORELHAS EM PÉ

(Clerisvaldo B. Chagas. 2.3.2010)

No sertão do Nordeste, quem lida no campo conhece todas as manhas dos animais. E para quem constantemente convive com os bichos domésticos, mais ainda. Boi urrando e cavando é desafio. Cachorro parando e olhando para trás durante a jornada, aguarda o dono. Cão uivando na madrugada é tragédia. Rãzinha rapando, vem chuva urgente. Acauã cantando, anuncia à seca. E ainda existem centenas de outros sinais. Deus passou aos homens a capacidade de prever coisas através do comportamento de animais, plantas e posição dos astros. Um deles, dentro dos comuns e corriqueiros, é a desconfiança do burro, jumento ou cavalo. Orelhas em pé: alerta urgente! A observação rápida muitas vezes salva o indivíduo de uma cobra, de um coice, de uma mordida ou mesmo de uma queda no arranque no animal.
Os jornais brasileiros não deram muito destaque à visita da secretária de estado americana Hillary Clinton a América do Sul. Talvez as notícias sobre terremotos, cheias e as mais tolas sobre entretenimento, comecem a valer agora mais de que uma visita ianque, como no passado. O que estará tangendo a secretária de Obama para essas bandas do Hemisfério Sul? Uma tentativa de manchar a evidência de Lula pelas nações irmãs? Uma velada advertência a Hugo Chávez? Um apoio formal e provocativo a Uribe? Não nos parece no momento, nenhuma dessas alternativas. No Uruguai o encontro na posse do presidente eleito José Mujica. No Chile, talvez, um encontro com o novo eleito mandatário Sebastian Piñhera e, na Argentina um esquentamento nas relações políticas com Cristina Kirchner. E no Brasil? O clima da situação chilena com todos voltados para aquele país, não foi bom para Hillary. Parece até a morte do dissidente Zapata que roubou o brilho de Lula na ilha de Fidel.
Para nós, as andanças de Hillary Clinton, é muito mais de sondagem como balão de ensaio. Não cremos que Barack Obama tenha ainda uma política definida para a América Latina. Enquanto os Estados Unidos estavam voltados para a Palestina, o Irã e as desastrosas guerras de Iraque e Afeganistão descuidaram-se dos movimentos libertários do Sul e do crescimento do Brasil no cenário mundial. Vendo sua economia do jeito que anda e enfrentando conflitos na Ásia, a nação do Norte ouve agora sua presença rejeitada no centro-meridional do continente. E como foi dito, sem uma política para a América Latina, a não ser a antiga e clássica exploração, o governo daquele país está sem planos. Sua presença na Colômbia continua sem sentido, tanto para americanos quanto para nós. Vista por essa ótica, nesse exato momento, a secretária viajante nos parece uma alma penada vagando sem sentido. Mas não nos enganemos. Essa mulher (politicamente não é boa coisa) demonstra ser bem diferente do marido. Apesar da situação chilena que empana a sua visita, fiquemos como os burros: alertas de ORELHAS EM PÉ.




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