terça-feira, 26 de janeiro de 2010

UM SAPO SE DIVERTE


UM SAPO SE DIVERTE

(Clerisvaldo B. Chagas. 27.1.2010)
Para os professores da ESSER, em particular à Profª Mª Cledilma Costa.

Quando em Santana do Ipanema só havia pequenas escolas particulares ou dos governos, trabalhavam até a antiga 4ª série primária (hoje, 4ª do Fundamental). A primeira escola grande que surgiu no Município era particular e funcionava até a 8ª série. Com o nome de “Colégio Santanense”, foi fundado o estabelecimento no ano de 1934, à Rua Benedito Melo (Rua Nova) nº 281. Conduziu esse colégio o Prof. Flávio Aquino de Melo, substituído depois pelo futuro escritor Floro de Araújo Melo que cerrou as suas portas em 1940. O Grupo Escolar Padre Francisco Correia, lecionando somente até a 4ª série, foi fundado em 1938, trabalhando assim paralelamente ao colégio particular durante dois anos. Uma vez extinto o Colégio Santanense, Santana passou mais dez anos sem o ensino da 5ª a 8ª. Quando o Ginásio Santana chegou ─ 1950 ─ teve início o tão desejado Curso Ginasial que iria trabalhar da 5ª a 8ª série.
Além de tantas coisas a respeito do Ginásio, era costume acontecer formaturas e excursões de final de ano. Em uma delas, uma turma de 8ª foi conhecer a capital da Bahia, conduzida pelo motorista senhor José Gomes, mais conhecido como “Sapo”. José Gomes, sujeito paciente e querido por todos, gozava de ótima capacidade pardalesca. Uma espécie de cientista sem incentivo. Ao retornar a excursão, cada um que contasse entusiasmado a resenha da viagem onde jorravam as gargalhadas com as situações vividas. Falaram sobre um paliteiro que ninguém soube como puxar o palito. Disseram sobre um colega que de posse do cardápio pediu um copo de “leitão”. E coisas e mais coisas que se passaram no hotel, na praia, no comércio... A que mais chamou a atenção foi à coincidência no trânsito de Salvador. O trânsito estava caótico, os condutores de veículos nervosos e a temperatura altíssima. Ao passar por outro carro lotado de estudantes, José Gomes fez uma manobra que não agradou aos baianos. Foi aí quando um deles, vendo a placa de Alagoas, gritou como xingamento: “Volte para sua (A) lagoa, sapo!” E ficou aguardando a reação dos alagoanos que caíram numa tremenda gargalhada coletiva. Ainda hoje os baianos não sabem por que um xingamento transformou-se em festa do outro lado. Era realmente um “sapo” que estava dirigindo. Meu irmão mais velho fez parte da excursão e ria a valer ao lembrar o episódio.
José Gomes, carinhosamente “Sapo”, continua amigo de todos e caladão frequentando as ruas de Santana. O Ginásio ainda existe, porém, não é mais o mesmo. Acho que os costumes de excursões em final de ano são coisas esporádicas. Dessa maneira só resta aos saudosistas a dolorosa mexida no baú do tempo. Se não são fábulas, pelo menos aparentam. De qualquer maneira é assim que UM SAPO SE DIVERTE.




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http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2010/01/um-sapo-se-diverte.html

Um comentário:

  1. Caro Prof. Clerisvaldo,

    Ao que nos parece, muito do que era tido como meta e objetivo nas décadas de 50/60 e que ainda hoje é considerado importante para o processo de ensino e aprendizagem, foi perdido no trajeto de nossa história educacional. Com o espírito de quem quer avançar, nossa educação vivencia muitos ranços recorrentes, apesar do avanço de práticas pedagógicas que extiguiram a palmatória e abominam a tabuada.
    Hoje, temos o acesso de todos a escola. Mas que escola é essa? E para quem ela foi forjada? Nossa escola vive problemas do século XIX, apesar de todos os avanços.

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